sexta-feira, 5 de julho de 2013

Os Campeões!


Vencer o campeonato é o objectivo que comanda cada época.

O início da época marca todos os sonhos e alimenta os adeptos até ao momento em que a classificação final se começa a desenhar.

Outrora, numa distante galáxia, sem internet e sem televisão a cores, cada título do FCP era uma miragem e qualquer sucesso espaçava não menos de 15 anos.

Foi assim entre 1940 e 1955, como foi entre 1959 e 1978.
No total, entre 1934 e 1977, o FCP venceu 5 títulos de campeão nacional… 5 títulos em mais de 40 épocas…que diferença!

A “verdadeira” revolução iniciou-se em 1978!



Foram dois títulos que mudaram a história do futebol português!
E, embora, a transformação tenha sido lenta, tem sido, indubitavelmente, notável.
Aliás, no final da década de 70, os “honestos” jornais desportivos de Lisboa, decompunham os títulos da forma ao lado.

Hoje, é, realmente estranho, imaginar que há 30 anos, o FCP tinha apenas 7 títulos.

E, mesmo, depois de conquistar a Europa e o Mundo na década de 80, os títulos nacionais do FCP não atingiam a dezena.

Não é porém sobre os títulos do FCP que propomos a viagem de hoje, mas antes sobre os jogadores campeões do FCP. Pouco interessam os títulos pessoais de cada jogador (e houve alguns que os conquistaram ao serviço de outros clubes), mas, exclusivamente, os títulos nacionais conquistados pelos jogadores do FCP.

Uma lista que até à década de 60, não ultrapassava os 59 nomes, hoje – antes de concluída a época de 2012/13, atinge os 328 nomes. São 328 campeões distribuídos por 26 títulos.




A minha proposta é um olhar sobre alguns destes elementos, não do ponto de vista biográfico, mas pelos olhos do adepto: um olhar emocional.

VÍTOR BAÍA 












Para melhor se perceber a transformação a que se assistiu no futebol português, nada como Vítor Manuel Martins Baía. No total, são 10 títulos nacionais, intercalados por duas épocas em Espanha, que o teriam tornado no jogador com mais títulos nacionais em Portugal. Na ausência desses dois títulos do penta e dos dois títulos finais do tetra em função da falta de vontade em os colecionar, embora com uma participação menos efectiva, Vítor Baía ficou como o segundo jogador com mais títulos de campeão nacional.

OS MAIS CAMPEÕES
















Nesta lista dos que mais vezes se sagraram campeões, dificilmente, um verdadeiro adepto portista ficaria surpreendido. Nos 4 primeiros nomes, estão 3 grandes capitães do clube, 3 figuras incontornáveis da nossa história, que para sempre recordaremos com orgulho. Faltará, talvez, Fernando Gomes, “vítima” neste ranking de um surgimento, ligeiramente, antecipado…













Porém, alguma atenção sobre o 3º nome da lista: José Orlando Vinha Rocha Semedo. Hoje, identifica-mo lo no banco da equipa B, com a mesma presença serena.

Semedo foi um dos mais polivalentes jogadores que passaram pelo FCP. No meio-campo fazia qualquer lugar, defensivo ou ofensivo, e a defesa lateral também chegou a ajudar. Semedo era um médio tecnicista, sempre elogiado pela sua cultura táctica, porém com uma velocidade que exasperava os sócios e que, cedo, o transformou num dos patinhos feios dos adeptos.

Pois bem, a todos os sócios fãs incondicionais de Semedo…conquistou 8 títulos nacionais… 

AINDA MAIS ALGUNS CAMPEÕES




Descendo um pouco mais a lista, encontramos muitos nomes conhecidos e o primeiro ainda em actividade: Helton. Mas antes de Helton, recordemos o grande Jaime Magalhães e como ele merecia mais alguns títulos. Era um jogador fantástico, capaz de jogadas excelentes na ala direita, cujo reconhecimento terá ficado aquém do que a sua qualidade mereceria. Na nossa recordação ficará para sempre, aquele trio João Pinto-Frasco-Jaime Magalhães…












Uma outra referência a um outro grande jogador: Rui Barros. Rui Barros, um penta campeão, tem ainda outro recorde invulgar: foi campeão em 6 das 7 épocas que jogou no FCP. Notável…












Helton compartilha, hoje, um recorde idêntico. Porém, com 5 ou mais títulos, há um jogador (e só um) que consegue fazer melhor: Luis Oscar González foi campeão em todas as épocas ao serviço do FCP.

4 E 5 TÍTULOS DE CAMPEÃO






















Nesta lista, aparece o primeiro campeão pré-1980: Fernando Mendes Soares Gomes.












Gomes foi o ídolo de uma geração. Goleador insaciável, era muito mais do que um predador de área, era, igualmente, um tecnicista, capaz de marcar de pontapé de bicicleta numa final da Taça de Portugal ou no jogo decisivo do título de 85/86 contra o Covilhã. Este era o Gomes, que tremia nos penalties, mas que vibrava com cada vitória do seu/nosso FCP.












Ainda sobre os primeiros campeões da década de 70: Lima Pereira e Frasco. Tão diferentes. Lima Pereira era um defesa central duro, seguindo um estilo antigo em que quando passava a bola não passava o jogador. Eficaz, quanto baste, não terá sido, certamente, dos melhores jogadores que vestiram a camisola do FCP, mas dificilmente alguém terá sido mais empenhado.

O Frasquinho era diferente…um virtuoso com a bola, que tinha sempre tempo para dar mais uma voltinha sobre si…trade-mark para sempre imortalizado no início do “calcanhar”…












Alguma atenção ainda sobre dois nomes: Lisandro Lopez e Grzegorz Mielcarski…mais dois que conseguiram ser campeões em todos os anos em que vestiram a camisola do FCP!

Nesta parte da lista, aparecem, igualmente, os primeiros pernas-de-pau…jogadores que qualquer portista ainda hoje se questionará como foi possível que tenham vestido aquela camisola sagrada…

OS PRIMEIROS TRI-CAMPEÕES

Se foi possível que alguns pernas-de-pau tenham chegado a colecionar 4 títulos de campeão, há 6 heróis que conseguiram ser tricampeões no final da década de 30.












Do expoente máximo daquela geração – o madeirense Pinga – já muito foi escrito, contado e cantado; Soares dos Reis, legítimo sucessor de Siska haverá de ser caracterizado na história dos guarda-redes. Outros, como Carlos Nunes, um extremo-esquerdo goleador, Armando Lopes Carneiro, um extremo-direito virtuoso, irmão de um outro campeão de Portugal (António Lopes Carneiro), Carlos Pereira, médio, e António Santos, um polivalente do ataque que oscilava entre interior e ponta-de-lança…ficaram quase esquecidos pelo tempo.






































DOIS TÍTULOS

Com dois títulos temos vários representantes da década de 50:



















Hernâni, verdadeira estrela da companhia; Virgílio o “Leão de Génova”, Miguel Arcanjo o esteio da defesa; a inteligência no meio campo com Pedroto e Monteiro da Costa; Carlos Duarte e Perdigão representando a magia de África; Pinho e Acúrcio, dois guarda-redes; Gastão, um médio brasileiro, tecnicista, organizador, frio e cerebral; e António Teixeira, que tem uma história engraçada no FCP.












Desde logo, tinha dois problemas: em primeiro lugar, a sua origem; depois, os adeptos “culpavam”-no por “empurrar” Monteiro da Costa (um homem da casa) para outras posições. Com o tempo, ganhou importância na equipa e transformou-se no herói silencioso, um dos mais importantes membros das equipas campeã na década de 50.



UM TÍTULO

Com um título temos 157 jogadores.

Destes, há alguns que merecem uma referência especial.












Em primeiro lugar, Waldemar Mota. Primeiro craque do FCP, internacional por Portugal, atleta olímpico e autor do primeiro “hat-trick” pela selecção nacional.












Jaburu, um ponta-de-lança ainda hoje recordado por muitos, que teve a sua melhor época no FCP. Um goleador, figura-chave no título de 1955/56, acabou por não conseguir ultrapassar os problemas que teve fora do relvado e que impediram um maior sucesso.












Seninho é o (primeiro) herói de Manchester. Era um velocista com técnica, que ficou imortalizado com os 2 golos que marcou em Manchester. Aliás, foi graças a esses 2 golos que conseguiu uma transferência para o New York Cosmos (equipa de Pelé, Beckenbauer, etc.).












António Sousa foi um médio excelente. Jogando, preferencialmente pelo lado esquerdo, tinha um pontapé forte e colocado. Foi campeão da Europa, do Mundo, vencedor da Super-Taça Europeia (onde marcou), finalista da Taça das Taças (onde, também, marcou), mas campeão nacional uma única vez, em função … das suas más opções profissionais.












Cláudio Ibrahim Vaz Leal tem uma representação do seu pé no Maracanã. Mas, todos os portistas recordam, não só as subidas pelo seu flanco esquerdo, mas os poderosos pontapés laterais, que quando não resultavam em golo, originavam, pelo menos um ressalto perigoso, tal a violência com que era chutada a bola.












Yuran e Kulkov marcaram um campeonato. A sua importância transcendeu o seu contributo em campo. Bom, talvez não o de Kulkov, que era um médio defensivo (originalmente, defesa central), tecnicista, com boa visão de jogo, pulmão e excelente sentido posicional. Yuran era um avançado com um bom pé-esquerdo, mas com dificuldades na concretização…com o volume de ataque do FCP de Robson, outros avançados teriam, por ventura, atingido a meia centena de golos…












Pedro Mendes esteve uma época no FCP. A sua “troca” no pós-Gelsenkirchen terá sido dos maiores erros que o FCP cometeu. Embora nunca tenha sido um titular indiscutível, o seu profissionalismo e entrega, e, porque não, qualidade, deixaram saudades.












Carlos Alberto era um artista com a bola. Um miúdo que poderia ter sido dos melhores, não conseguiu manter-se dentro do rumo certo do profissionalismo. Ficará para sempre ligado a Gelsenkirchen, mas só foi campeão uma vez.












Cissokho era um defesa esquerdo que subia bem no terreno e não defendia mal. Será, talvez, o negócio com maior rentabilidade na história do futebol. Desportivamente, depois de muita procura, permitiu preencher uma lacuna – defesa-esquerdo – que se arrastava há longos anos.

Muitos campeões, muitos nomes que preenchem o imaginário de qualquer portista.
Mas este tema, não se esgota aqui.
Em breve, retomaremos esta temática, com mais recordações de campeões.


Por: Jorge

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