segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O Modelo de Guarda-Redes do FC Porto (Por Skap)








Face à evolução do futebol, cada vez menos o guarda-redes é o elemento que se limita a defender os remates do adversário, fazendo da zona de baliza o seu único raio de acção. A comunicação, o jogo de pés, a capacidade de antecipação, são características que vão se tornando fundamentais num guarda-redes de uma equipa de topo.





Ora o FC Porto não foge dessa linha, e desde a chegada de Wil Coort ao Clube, que coincidiu com a chegada de Hélton, a procura desse guarda-redes-tipo tornou-se ainda mais abrangente. Isto é, não se limita apenas ao guarda-redes para a equipa sénior.

Os últimos anos mostram uma clara mudança no guarda-redes-tipo nos escalões de formação do FC Porto

Há relativamente pouco tempo, era comum ver nas nossas equipas (dos mais novos até aos Juniores) guarda-redes de grande envergadura, algo pesados e com pouco à vontade para jogar fora dos postes. Bruno Vale será talvez o exemplo maior desse género de guarda-redes, mas há mais casos, como Taborda, Zé Eduardo, Norinho, Hugo Marques, etc. As características principais que levavam à contratação de um guarda-redes eram, acima de tudo, físicas, priorizando-se os mais altos e encorpados.

De há 4, 5 épocas para cá o paradigma mudou e os escalões mais baixos são o local mais fácil para perceber essa mudança. Antes, o guarda-redes era, normalmente, o jogador mais alto da equipa, mesmo em escalões como Benjamins ou Infantis. Agora, e uma vez que as características que se procura num jovem guarda-redes são outras, é comum vermos guarda-redes muito pequenos nas nossas equipas de iniciação.

Mas então quais são as características fundamentais num guarda-redes para o FC Porto? 

Partindo do princípio que as nossas equipas (incluindo a equipa principal) jogam maioritariamente em Organização Ofensiva, é importante ter um guarda-redes rápido a atacar o espaço nas costas da nossa defesa. Uma vez que a posse de bola é um aspecto fundamental do nosso jogo, e é raro o jogo no qual não temos mais posse de bola que o adversário, é de uma importância extrema que o nosso guarda-redes seja forte no jogo de pés, na lateralidade e na reposição de bola. Se pensarmos no Hélton, estas características saltam à vista de imediato. E será mesmo o Hélton o exemplo maior do que o FC Porto procura na sua formação de guarda-redes. Ele é o produto final do guarda-redes-tipo que se tenta “fabricar” no Olival.





Para além das características já referidas acima, a Comunicação é outro aspecto fundamental para um guarda-redes do FC Porto. E aí temos Hélton, mais uma vez, como expoente máximo. Seja por linguagem gestual, seja oral, são constantes os feedbacks para os seus colegas, mais “gerais” quando a bola está longe, mais curtos e precisos quando a bola está por perto. “O grande guarda-redes não é aquele que faz grandes defesas, é aquele que coordena os seus colegas de forma a que não precise fazer grandes defesas”, já o dizia Peter Schmeichel.




Ora a busca por este guarda-redes-tipo leva a que sejam feitas várias perguntas. 

Centremo-nos no trabalho de quem procura por estes guarda-redes nos escalões mais baixos.

- Serão estas características passíveis de serem desenvolvidas à posteriori ou serão elas inatas?

- Um guarda-redes que seja excelente entre os postes mas fraco no restante não serve para o FC Porto? 

Um guarda-redes que não tenha qualquer tipo de critério a sair da baliza, seja fora da área seja em cruzamentos, conseguirá desenvolver esse discernimento?

Tentando responder a estas perguntas, não há nada que o trabalho não molde, desde que haja talento. 

Tudo dependerá da capacidade do atleta de perceber o que lhe é pedido, depois o trabalho poderá (ou não) fazer o resto. Mas a verdade é que há, de facto, em alguns guarda-redes, uma predisposição inata para estar constantemente a comunicar, para atacar o espaço de imediato, para antecipar a sua acção e não ficar à espera para reagir. Estes, de certeza que o nosso clube tentará não deixar escapar, independentemente do seu tamanho. E se for ainda muito jovem, nem mesmo a sua técnica de baliza importará muito, pois é o aspecto mais trabalhável num guarda-redes.

Perceber isto ajuda-nos a entender algumas das escolhas que o nosso Clube faz na contratação/dispensa de guarda-redes nos escalões de formação. Ajuda a perceber o porquê da aposta no guarda-redes X quando guarda-redes Y parece ter maior potencial, na nossa perspectiva.






Como tudo, esta ideia de guarda-redes poderá ter os seus contras. A aposta em Kadú, que o clube acredita ter essas características, tem sido muitas vezes posta em causa e com alguma legitimidade, face a alguns erros que o mesmo tem cometido, mas é importante perceber que se trata de um guarda-redes em formação e muito longe de ser “produto final”.






Como tudo na Formação, o tempo dirá se esta mudança dará os seus frutos.





Por: Skap
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