segunda-feira, 17 de março de 2014

Liga Zon Sagres, 23ª Jornada; Sporting 1 - 0 FC Porto

#FCPorto #Portugal #SorrisoColgate #Sporting


Sorriso colgate


 Comecemos pelo Proença. Não assinala um penalti claro sobre Jackson e consequente expulsão de Cédric, que corta faltosamente um lance de golo eminente. O golo do adversário é precedido de fora de jogo. Por fim, expulsa Fernando por dá cá aquela palha, num autoritarismo fútil que só beneficiou o prevaricador no lance. Atrasou o lance, sai a rir e ainda retira Fernando do próximo jogo. Muito bem, Proença.






Deixou de ser o melhor árbitro português? Não. Simplesmente, tolhido pela campanha montada, pensou duas vezes no preço a pagar se tivesse que voltar ao dentista. O homem gosta de passear nos centros comerciais sem ser incomodado. Já que o braço da lei não protegeu de uma outra vez, mais vale prevenir que remediar.





E nada se vai passar. Tudo tranquilo. É futebol, diz Leonardo Jardim na conferência de imprensa, numa desfaçatez só comparável à ignóbil campanha perpetrada pelo seu clube.


Deve o FC Porto colocar um processo em tribunal contra Proença? Existirão fóruns públicos nas TVs para discutir o roubo do Campo Grande? E se fosse o FC Porto a sair deste jogo com um golo em fora de jogo, um penalti e uma expulsão perdoada ainda na primeira parte e com um jogador contrário expulso no fim do jogo por um encosto? Os mesmos encheriam a boca com fruta? Denunciariam a escandaleira? Haveria histerismo televisivo? Uma manifestação? Capa de jornaleco a insurgir-se contra o roubo de igreja?

Obviamente, nada. Leonardo Jardim já deu o remoque. E o lance do Mané? Que o árbitro até deixa seguir para dar vantagem à sua equipa. Ah pois!
O FC Porto perdeu. E tudo está na santa paz.

Quanto ao jogo, fizemos uma primeira parte razoável, alimentada pelo génio de Quaresma. Não fora isso, e a primeira parte teria sido tão miserável como a segunda. Na verdade, este FC Porto revelou-se curto, perante um adversário que está todo espremido na sua qualidade e que vive de uma organização muito “certinha”, mas que é escassa em qualidade.






O FC Porto entra mal em jogo, sem qualquer capacidade de se impor a meio campo. Mas reage. Com Fernando na disputa a meio campo e com Quaresma a assumir o jogo ofensivo. É um FC Porto mais perigoso, mas sem o controlo do jogo, porque Fernando não basta para tomar conta do meio campo. Ajuda muito, mas não basta.






Ainda assim, é a genialidade de Quaresma que ilumina o FC Porto. Oferece o golo a Varela, aos 15 minutos, mas Rui Patrício defende. Aos 30 minutos, volta a soltar o seu génio e acerta na barra de Patrício. Por fim, em cima dos 45 minutos, vem ao meio campo fazer o que os outros não eram capazes, transporta bola para a frente. Na sequência do lance, Danilo cruza para Jackson, mas Proença faz vista grossa à entrada de Cédric e poupa o seu sorriso colgate.
Era um FC Porto dependente de Quaresma e da sua genialidade a cada quarto de hora.


 Luís Castro tinha que resolver o problema a meio campo. O FC Porto não conseguia meter a transição ofensiva. Com isso, perdia bola atrás de bola e lá atrás já começava o “ai Jesus!”.

O intervalo trouxe a mesma equipa e o FC Porto parte para uma segunda parte de horror. O meio campo quebra e Quaresma já nem uma bola recebia, quanto mais Jackson. Sem controlo no jogo, o FC Porto sujeitava-se e aconteceu. Em fora de jogo, mas aconteceu.






É então nesta fase que Luís Castro actua. Mas identifica mal o problema. Tira Carlos Eduardo e coloca Quintero. O Colombiano trouxe mais ganas e qualidade, mas se quisesse ter bola, teria que recuar, dando a oportunidade a Adrien e William Carvalho de o controlarem de frente. Pouco depois, veio a lesão de Helton e o FC Porto afunda ainda mais. Sem qualquer capacidade de levar perigo à área contrária.





Restava uma cartada a Luís Castro para o assalto final. Infelizmente, desperdiçou-a. O problema no meio campo do FC Porto manteve-se. Não se conseguiu criar uma transição ofensiva, nem bola conseguíamos ter a meio campo. Nada. Tirando um lance de Ghilas já perto do fim, o FC Porto foi nulo no ataque, porque não tinha meio campo para alimentar o seu jogo ofensivo.


Falhou-se o objectivo. O segundo lugar periga gravemente e a equipa não revelou saúde.

Segue-se Nápoles. Cabe a Luís Castro reflectir no que correu (muito) mal no seu meio campo.


Por fim, algo preocupante. Esta equipa, do ponto de vista físico, está um farrapo. Mas isso é a consequência da decisão da SAD em manter a anterior equipa técnica muito para lá do limite da razoabilidade.




Análises Individuais:

Helton –Tenho a certeza que voltará a jogar pelo FC Porto. Mas também tenho a certeza que a sucessão terá que ser antecipada. Força para a recuperação, que um campeão não tomba.

Danilo – Jogo verdadeiramente patético. Infantil a defender. O lance que perde para Jefferson perto do fim é de dar nojo. A atacar, serviu Jackson no lance do penalti e pouco mais.

Alex Sandro – Nos primeiros 10 minutos foi uma autêntica autoestrada. Comido por um Mané, logo ele que é brasileiro e sabe o que quer dizer mané, que há pouco tempo jogava na B. Melhorou no restante da primeira parte. Na segunda parte, parte para uma exibição medonha e a 20 minutos do fim estoura fisicamente. Isto está lindo!

Mangala – Coleccionou tanto disparate, tanto passe falhado, tanto erro de marcação que meteu impressão. Reduzido a uma vulgaridade atroz. Acaba o jogo tão desesperado que já nem jogava, só atropelava.

Abdoulaye – É um central vulgarzinho. Se não fosse a sua estampa física e, porventura, ser formado no FC Porto, já não estava no FC Porto há muito. Ainda assim, foi o melhorzinho da defesa. O que é algo pavoroso, pois demonstra o nível de jogo dos restante elementos. Ainda para mais, se tivermos em consideração a forma patética como anda perdido no lance do golo irregular do adversário. Sem qualquer noção do que tinha a fazer, dá a parte frontal da baliza a Slimani e desata a correr para o primeiro poste.

Fernando – Lutou sozinho contra o meio campo adversário. Enquanto teve capacidade, segurou as pontas. Ainda tentou meter uma ou outra transição vertical, mas isto é como o cobertor. Ou tapa a cabeça, ou tapa os pés. É expulso num acto de autoritarismo.

Defour – Quando a porca apertou, Defour quebrou. Previsível. Naquela posição, é ele o responsável pela verticalização do jogo e pelo transporte de bola. Defour deu sempre três opções à equipa: passe para trás, passe para a direita ou passe para a esquerda. Foi por aqui que o FC Porto é dizimado a meio campo. Luís Castro falhou ao identificar o problema em Carlos Eduardo. A equipa nunca ligou o seu jogo e Adrien jogava como queria. Defour não tem arrojo para ser o 8 titular no FC Porto. É demasiado unidimensional para isso.

Carlos Eduardo – Tirou pelo lado mais fácil. A bola não chega aqui, também não vou atrás dela. Deixou-se apagar e pior que isso, nestes jogos mais intensos, voltou a mostrar pouca fibra. Pouco sangue. Escondido e à espera que Defour chegasse, quando sabia que este jamais chegaria.

Varela – Um zero a atacar, ainda por cima desperdiça um golo cantado. Uma total ausência a defender. É titular. Ponto final. Deve estar escrito nos estatutos.

Quaresma – Soube aproveitar o ambiente para se motivar. Mostrou génio, mostrou fibra, mas faltou-lhe equipa. Era ele e Fernando e mais nove. Ainda quase resolveu sozinho. O melhor em campo.

Jackson – Lento, apático, descrente e anémico. Não sei o que se passa com este rapaz. Se lhe cheira a mundial, se está farto disto e quer outros ares, se pura e simplesmente é só mais um que está numa forma deplorável graças ao brilhante planeamento desta época. Fez um jogo muito fraco, indigno, até, do seu estatuto.


Quintero – Trouxe mais vida que Carlos Eduardo. Entregou-se ao jogo e sempre que cheirou a bola tentou construir alguma coisa. Mas para ter bola, teve que recuar, pois não havia quem a levasse para a frente para poder aproveitar os espaços entre-linhas. Ou seja, isto é entregar o nosso criativo na boca do lobo. Luís Castro assim quis.

Fabiano – Entrou a frio, mas muito bem. Salvou dois lances. Assume agora a baliza. Eis a sua prova de fogo. É tão interino como treinador, ou é para valer?

Ghilas – Teve nos pés o único lance de perigo na segunda parte, mostrando a sua qualidade e o seu faro. É suplente. Ponto final. Deve estar escrito nos estatutos.



Ficha de Jogo:

Sporting: Rui Patrício; Cedric, Dier, Rojo e Jefferson; William, Adrien e André Martins (69, Carrillo); Mané (86, Wilson Eduardo), Slimani (73, Montero) e Capel
Suplentes: Marcelo; Gerson Magrão, Montero, Carrillo, Heldon, Wilson Eduardo e Rúben Semedo.
Treinador: Leonardo Jardim

FC Porto: Helton (62, Fabiano); Danilo, Mangala, Abdoulaye e Alex Sandro; Fernando, Defour e Carlos Eduardo (58, Quintero); Varela (78, Ghilas), Jackson e Quaresma.
Suplentes: Fabiano; Reyes, Herrera, Quintero, Ricardo, Licá e Ghilas
Treinador: Luis Castro

Árbitro: Pedro Proença


Por: Breogán
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