segunda-feira, 10 de março de 2014

Liga Zon Sagres, 22ª Jornada; FC Porto 4 - 1 Arouca

#FCPorto #Portugal #LuisCastro #Exorcismo #Arouca


Exorcismo

Nesta altura nem interessa saber se o jogo foi mais ou menos conseguido. Nem temos tempo para planear muita coisa ou corrigir em muito detalhe. O FC Porto enfrenta um ciclo terrível, com jogos decisivos, alguns deles em campo difíceis, onde disputa o seu futuro em quatro frentes.

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O que este jogo representou uma espécie de exorcismo de todos os demónios, assombrações e demais entidades que tomaram conta do espírito da equipa. E viu-se. O Dragão voltou a assobiar e a temer o empate. A equipa voltou a encravar, a sofrer um golo fortuito e a esquivar-se de outros dois por sorte. Voltou a falhar um penalti e não teve o controlo do jogo em largos momentos. Até um Arouca no Dragão chegou a assustar.





Tal é estado a que as coisas chegaram, com a complacência da SAD. Arrastou-se um problema por demasiado tempo. Paulo Fonseca já lá vai, com o respeito que o homem e o profissional merecem, mas o seu fantasma pairou.

E foi esta a maior conquista do jogo. Trememos, mas não tombamos. Esmagamos, mas não merecemos (que se lixe!). A equipa engasgou, mas o banco (leia-se Luís Castro) soube aplicar a manobra de Hiemlich na equipa. Recuperamos terreno para o segundo classificado e estamos na luta. Jogamos por último e ultrapassamos essa pressão. Em suma, foi iniciado o choque anímico, o único possível nesta altura, para enfrentar o ciclo mais complicado da época.

Sim, houve uma alteração táctica na estruturação do meio campo. Verdade. Mas a sua consequência para o jogo foi quase nula. Não houve tempo para a trabalhar. Nem haverá. Terão que ser os jogadores a crescerem nos jogos. E de jogo para jogo.

Indo ao jogo, Luís Castro é forçado a colocar Mangala na esquerda, por castigo de Alex Sandro. A única novidade aparece a meio campo, com a introdução de Defour na posição 8.


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O FC Porto entra melhor e mesmo sem grande velocidade na circulação da bola, chega ao 2-0 com relativa facilidade. Não foi um bom jogo, mas quanto baste para animar a malta. Tal é a sede!





Chega o 2-1 num lance fortuito, falha-se o 3-1 num penalti e o FC Porto treme. E treme a meio campo. Essa é que é a verdade. Sou, e sempre serei, um adepto da estruturação do meio campo no 4-3-3 do FC Porto. Mas por si só não funciona. É um modelo de jogo que exige trabalho táctico e muita disponibilidade dos jogadores. Exige dádiva. E falta isto neste FC Porto. O meio campo do Arouca deu um passo em frente e o do FC Porto não soube opor-se. Já nem digo ripostar, dando dois passos em frente. Bastava-me que soubesse bloquear o ímpeto alheio. Esta dificuldade a meio campo expõe a fragilidade defensiva. E passamos por sobressaltos, alguns bem graves.

Até que Luís Castro foi mexendo no jogo. A cada substituição a equipa ganhava qualidade. Primeiro, ganhou um 10. Aí o meio campo do Arouca passou a ter um grave problema. Depois, ganhou um extremo bem diferente. Possante, com uma diagonal perigosa e com um arranque demolidor. Um extremo e não um empecilho para Jackson. Eis a diferença entre hoje e ontem.

O FC Porto cresceu e ganhou o jogo, venceu fantasmas e renova esperanças.

Lamento que tenha sido bater bem no fundo para mudar. Se Vítor Pereira e a insistência e persistência na sua aposta foi uma lição. Também o que aconteceu este ano o é.

As feridas já estão lambidas, não saradas. Resta agora cerrar os dentes e enfrentar o que resta. Provar que este FC Porto é de novo FC Porto.






Análises Individuais:

Helton –Numa constante dialéctica com as bancadas, por vezes, até parece o cicerone de serviço e não o guarda-redes. Tentou liderar a defesa, mas esta tinha demasiados buracos. Um guarda-redes da sua craveira não pode largar uma bola e dar uma oportunidade como fez na segunda parte. Começa a chegar a hora, mesmo sabendo que vem aí a parte mais difícil da época.

Danilo – Muito incisivo no ataque, sempre com muito acerto nos movimentos interiores. A defender, revelou fragilidades.

Mangala – Para quem viu o jogo em Chaves da equipa B, rapidamente percebe porque Mangala é o bombeiro de serviço quando falta Alex Sandro. Alguns problemas perante Ceballos, mas nada de monta. No ataque, ainda deu um bom jeitinho.

Abdoulaye – Entre ele e Maicon, não se aproveitou nenhum. Nunca souberam funcionar em dupla, nem dividir a marcação. Quem ganhou o concurso do disparate? Não sei.

Maicon – A única coisa que há a acrescentar é a responsabilidade. Já não é um menino. Já não é um novato. Já tem tarimba e não andou até há pouco tempo emprestado. Anda perdido.

Fernando – Muito do nosso futuro imediato passa por aqui. Até agora, andou à caça de gambozinos. Agora, voltou a ser o 6. Fez um bom jogo. Mas não o suficiente. Precisamos não de um bom Fernando, mas de um super Fernando. Muito do crescimento do Arouca, noutros tempos era impensável. É catedrático na posição, não precisa de tanto treino e automatismo como os outros. Tem que ir para a frente do touro e ser o primeiro a agarrá-lo pelos cornos. Ainda assim, o melhor em campo.

Defour – A minha análise vai na mesma linha que a de Fernando. Nos bons momentos do FC Porto, foi dos melhores. Nos maus momentos do FC Porto, foi muito ausente. A verticalidade e a intensidade que a posição exige para sustentar o 4-3-3 são muito grandes. Fez, no global um bom jogo, sendo até dos melhores em campo, mas confesso as minhas dúvidas se é jogador para esta posição nos jogos que se seguem. Outro nível.

Carlos Eduardo – Desde a lesão que não voltou ao seu nível habitual. Pouco intenso, pouco incisivo, pintalgando o jogo com o seu talento, como no golo, mas sem consistência. Gostava de o ver a 8, com Fernando e um 10, mas confesso que pouca intensidade nos últimos jogos não me está a deixar confortável com essa opção.

Varela – Mais um jogo no lado lunar de Varela. Merece banco. Sobretudo, após a boa entrada de Ghilas.

Quaresma – Continua o rei da bola parada. Um dia vai dar barraca. Um jogo muito à sua imagem. Estragou muito, mas soube definir nos lances chave. Não ganhou maturidade no seu jogo e está demasiado epidérmico nas suas reacções.

Jackson – Lá fez o golinho para aplacar o jejum. No entanto, foi um jogo estranho. Continua muito arredio do bom futebol, mas não se esconde. Hoje, até pareceu mais contente. Havia mais azul ao pé de si. Ganhou uma nova dimensão com a entrada de Quintero.



Quintero – Trouxe alegria ao nosso jogo e só isso obrigou o Arouca partir-se a meio campo. Boas aberturas, boa visão de jogo e trouxe maior velocidade à circulação de bola. Uma boa novidade para o que aí vem. Que lhe dê bom uso o Luís Castro.

Ghilas – Excelente entrada. Causou muitos problemas ao Arouca e trouxe soluções ao nosso ataque. Até que enfim, Ghilas a ser usado com Jackson da forma como deve ser. Que seja para continuar, até a titular!

Licá – Pouco fez, mas deu consistência. Ao menos, Luís Castro parece perceber o que pode dar Licá ao FC Porto.




Ficha de Jogo:

FC Porto: Helton, Danilo, Maicon, Abdoulaye e Mangala; Fernando, Defour e Carlos Eduardo (66, Quintero); Quaresma (87, Licá), Jackson e Varela (78, Ghilas).
Suplentes: Fabiano, Reyes, Quintero, Ricardo, Licá, Ghilas e Josué.
Treinador: Luis Castro

Arouca: Cássio; Ivan Balliu, Diego, Nuno Coelho e Tinoco; Rui Sampaio e Bruno Amaro; Ceballos, David Simão (84, Hugo Monteiro) e André Claro (60, Roberto); Cissé (60, Pintassilgo).
Suplentes: Rui Sacramento, Miguel Oliveira, Pintassilgo, Roberto, Stephane, Soares e Hugo Monteiro
Treinador: Pedro Emanuel

Árbitro: Hugo Miguel


Por: Breogán
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