sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

QUAL É A PRESSA?

#FCPorto #JorgeNunoPintodaCosta #Campeões #pressa #benfica #sporting

Não tenho pressa. 

Esta foi uma semana calma depois do stress da anterior. 

Chego a Domingo à noite olho para o calendário e vejo que não há Porto-Benfica na 4ª feira. Foi adiado. Ainda bem. Qual é a pressa?

Na minha vida de portista já assisti a períodos tão ou mais complicados que este. O Porto de Octávio pré- Mourinho e o Porto de Ivic pré-Robson foram talvez piores a nível de resultados e exibições.






Nesses períodos sinto uma obrigatoriedade ainda maior de ver o jogo. Está nos estatutos da alma de um portista que é imperdoável não ver um Dinamo Kiev-Porto com Jesualdo pós derrotas consecutivas e um Shakthar-Porto com Vitor Pereira pós catástrofe de Coimbra.






A penitência da falta de comparência perante um Spartak Moscovo- Porto com André Villas Boas ou de um Dinamo Kiev-Porto com Vitor Pereira é bem menor. Maluquices.

Nestes momentos de crise os nossos olhos têm que lá estar. No Dragão, onde o Porto jogar ou num qualquer ecrã de tv ou stream da internet.

Se tudo isto for impossível e os olhos lá não estiverem os ouvidos não podem falhar. Relato.

Senti sempre essa obrigatoriedade dos sentidos. Com Octávio, com a 2ª passagem de Ivic e agora com Paulo Fonseca. Nada de estranho.

O estranho é que agora não tenho pressa e nesses outros 2 períodos nunca deixei de a ter.

Também tinha medo de não ganhar ou de sofrer em demasia com Octávio e Ivic.

Também cheguei a ter uma certeza absoluta que com eles o Porto não ia a lado nenhum mas nunca me faltou a pressa.

“Quando é que joga o Porto? Sábado? Fixe! Domingo à Noite? Xiiiiiiiii….ainda falta tanto!”

Agora continuo a querer ver o Porto mas não tenho pressa que chegue o fim-de-semana. 

Nunca, mas mesmo nunca me lembro de ter tão pouca pressa. 

Se o jogo for na 2ª melhor do que se for no sábado.

Sinto-me o António José Seguro dos adeptos.

É uma chatice que a Liga Europa já aí venha. Precisávamos de mais umas semanas para burilar uns pormenores.

É uma felicidade que a Taça da Liga esteja num imbróglio jurídico.

É porreiro que a 1ª eliminatória da Taça seja só lá para final de Março.


Curioso é pensar que nos únicos 2 termos de comparação que faço com o período de Paulo Fonseca o tempo nos veio dizer que a única coisa que hoje se pode questionar é o timing.


A pressa.

Teria Robson conseguido o título se entra mais cedo? E Mourinho? Daria para chegar lá?

É também inegável que Ivic, Octávio e Paulo Fonseca têm atenuantes.

Ivic fez uma época de sonho depois da partida de Artur Jorge pós-Viena. 

Octávio foi o adjunto modelo durante anos no clube e quem esteve ao lado do Rei Artur nas campanhas vitoriosas.

Paulo Fonseca conseguiu fazer uma época fabulosa capaz de rivalizar – dada a dificuldade da tarefa - com qualquer outro feito de um treinador no campeonato português nos últimos 10 anos.

A única e talvez relevante diferença é que Ivic e Octávio tinham conseguido esse crédito no Futebol Clube do Porto quando as coisas começaram a correr mal.

Paulo Fonseca fê-lo no Futebol Clube Paços de Ferreira.

Todos os outros termos de comparação de períodos complicados foram mais doces que este. Até no de Victor Fernandez/Couceiro não se via a descrença no futuro que se vê hoje e a subjugação que o Porto é vítima jogo após jogo.

Podíamos entrar mal no jogo – como Paulo Fonseca tem referido em 7 dos últimos 8 jogos -, mas essa má entrada não implicava o desnorte e o descontrole do eixo defensivo da equipa.

Nestes últimos 20 anos quando se dizia que o “Porto jogava mal” isso implicava automaticamente que atacávamos mal, seja por deficiência de talento, de atitude ou de táctica.

A questão do domínio de jogo ou de padrões mínimos de segurança defensiva não entravam para esses epítetos.

Podíamos levar 3,4 ou 5 como chegou a acontecer nos últimos anos mas esse placard não tinha cariz estrutural. Levando 4 ou 5 de equipas inglesas de nomeada logo chegávamos ao confronto com equipas mais modestas e voltava o domínio e o controle do jogo.

Podíamos jogar mal, entrar mal no jogo, empatar ou perder mas ninguém vinha ao Dragão com o espirito de que é possível discutir cá o jogo, ter tantas ou mais oportunidades de golo e sem medo de ser posto em sentido.

Este ano isso deixou de acontecer com o Gil Vicente, o Guimarães, o Atlético de Madrid, o Zenit, o Sporting, o Nacional, o Áustria de Viena, o Braga, o Marítimo, o Estoril e o Paços de Ferreira.

Não podemos cair no erro de fazer uma análise descontextualizada.

Lembrem-se que “No FC Porto a analise que se faz ao futebol é quase sempre depreciativa. Neste momento, é muito fácil dizer mal do FC Porto.”

A 2ª parte dominadora do Gil foi porque os jogadores estavam com a cabeça em Viena.

A 2ª parte dominadora do Guimarães foi porque os jogadores ficaram inseguros por causa das imensas oportunidades falhadas na 1ª parte.

O período entre os 25 e os 65 minutos contra o Atlético foi porque o Porto estava a ganhar e era o Atlético que tinha que correr atrás. A isto acresce que o Atlético é uma grande equipa e tinha envergonhado o Real no Bernabéu.

Contra o Zenit a culpa foi do Herrera. Com 11 não tínhamos sido dominados.

No início da 2ª parte contra o Sporting fomos encostados porque o Porto, ao contrário do Sporting, vinha de uma intensa e desgastante jornada europeia a jogar com 10 durante 84 minutos.

Contra o Nacional o período foi mais curto. Foi sorte do Manuel Machado que mexe na equipa aos 70/75 minutos e cria instabilidade. Tal como contra o Guimarães o resultado curto mexe com a parte emocional dos jogadores e a equipa treme à conta disso.

Contra o Áustria vínhamos na ressaca do inesperado empate com o Nacional e a equipa parece duvidar dela própria. A isto acresce a pressão de o Zenit ter desperdiçado pontos no jogo da tarde o que nos obrigava a ganhar. A forte reacção na 2ª parte prova que o problema era, sobretudo, mental.
Na 1ª parte contra o Braga o clima era de cortar à faca depois da sequência Nacional, Áustria e Académica. O público não ajuda e começa a assobiar cedo e a bola queima. Foi só por isso que fomos dominados. Por isso e pelo duplo pivot. Por isso e pelo Lucho em vez do Carlos Eduardo.

Contra o Marítimo tínhamos 2 problemas. A saída inesperada e traumática do capitão e o sprint pela qualificação com o Sporting que nos obrigava a atacar e a desguarnecer o sector defensivo. Lembro que o Marítimo jogava sem pressão.

Contra o Estoril é Taça. Jogo de Taça tem surpresas. É certo que a equipa podia estar a perder 2-0 à meia hora de jogo. É também certo que só tivemos o primeiro canto ao minuto 60 mas a reacção da equipa no suspiro final mostra fibra.

Contra o Paços entramos mal no jogo. O Calisto foi esperto e colocou os velocistas tentando aproveitar as deficiências físicas dos desgastados laterais. Não esquecer que fomos obrigados a fazer mudanças na zona nevrálgica do meio-campo dada a lesão do Carlos Eduardo.


Sei que ainda vamos a Barcelos, Guimarães, Alvalade, Choupana e Braga.

Temos mais 4 jogos com o Benfica e 2 com o Frankfurt mas……
………..QUAL É A PRESSA?

Nunca é demais relembrar:

“No FC Porto a analise que se faz ao futebol é quase sempre depreciativa. Neste momento, é muito fácil dizer mal do FC Porto.”

Para além das vicissitudes apontadas que só podem ser escamoteadas por quem goste de dizer mal convém não esquecer o seguinte:

a) A arbitragem do Senhor Manuel Mota no Estoril;

b) O livre estilo BD e o golo em fora-de-jogo do Arda Turan;

c) A expulsão do Herrera contra o Zenit;

d) A paragem cerebral do Mangala contra o Belenenses;

e) As paragens cerebrais de Mangala, Alex e Helton contra o Zenit. O incrível penalty feito pelo       Otamendi no mesmo jogo;

f) A paragem cerebral do Danilo contra o Áustria de Viena;

g) O penalti falhado do Danilo contra a Académica;

h) Mais um golo à Euromilhões do Atlético de Madrid. As 4 bolas no poste. O penalti do Josué;

i) A expulsão do Carlos Eduardo em Alvalade que nos obriga a ser mais conservadores;

j) A arbitragem do Senhor Artur Soares Dias e os penaltis escamoteados na Luz;

k) O inacreditável penalti que Danilo faz nos Barreiros.


Tudo isto são externalidades ao comando de um treinador. Sorte do adversário, aselhice própria de jogadores que têm paragens cerebrais, arbitragens incompetentes ou mal-intencionadas.

Quando tudo isto não acontecer, o público não enervar a equipa com os assobios, a equipa superar o desgaste físico e/ou emocional do jogo anterior, a equipa não sofrer por antecipação com o desgaste físico e/ou emocional do jogo posterior tudo vai correr bem.

Eu sei que ainda vamos a Barcelos, Guimarães, Alvalade, Choupana e Braga.

Eu seu que temos mais 4 jogos com o Benfica e 2 com o Frankfurt mas…..
……QUAL É A PRESSA?


Por: Walter Casagrande

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