segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Meio campo de Lucho?




#FCPorto #LuchoGonzalez #PauloFonseca

El Comandante Lucho Gonzalez deixou o plantel do F.C. Porto no mercado de Inverno, quando poucos o previam. A justificação pública, tanto do clube – pela voz de Paulo Fonseca - como do jogador, apontam no sentido de se ter tratado de uma oportunidade única nesta fase da carreira do jogador, que assim faz um contrato milionário a apenas 6 meses de terminar o vínculo anterior.





Contudo, na opinião de vários adeptos e mesmo comentadores, a facilidade com que o clube deixou sair Lucho deve-se essencialmente ao seu abaixamento de forma nos últimos tempos, abaixamento esse que tem sido associado à sua idade. A perda de influência do antigo capitão no jogo portista era evidente, e muitos associaram esta saída – sem retorno financeiro directo para o clube – como uma boa resolução tanto para o treinador, como para o jogador, evitando-se assim uma situação de banco para um símbolo do clube.

Mas será verdade que Lucho não tinha mais para oferecer ao jogo portista? E será que o seu rendimento estava abaixo da bitola média da equipa?

Facto: tirando breves momentos em alguns jogos (como a 1ª parte no Dragão contra o Guimarães e a 2ª com o Braga), nunca a equipa do Porto este ano jogou com um 8, um jogador com as características de Lucho. O argentino foi sendo encostado ora à frente (jogando entre a posição 10 e 2º avançado, algo que o desgastava muito mais que a qualquer outro elemento em campo) ora atrás (integrando o famoso duplo pivot, ao lado de Fernando). Com isto chega-se ao óbvio: Lucho praticamente nunca jogou na sua posição esta época. Se a número 10 ainda foi disfarçando, devido à grande cultura tática que tem e, ao contrário da opinião generalizada, à frescura física que apresentou nos primeiros meses da época; no duplo pivot jogou sempre abaixo do seu nível. 

Justificações há muitas: a começar pelo seu decréscimo de forma (por se ter andado a desgastar em demasia quando jogava a 10), passando pela anarquia táctica da equipa que se vem acentuando de mês para mês, para terminar no facto de Lucho nunca ter tido as características que este lugar, neste sistema, pede: um jogador rápido, rotativo e intenso, sendo que para este ponto também contribui muito a sua quebra física.

Respondendo à questão em cima: Lucho tinha mais para oferecer à equipa, mas para isso tinha de ser melhor gerido e a equipa necessitava de jogar de outra forma. E aqui vem a 2ª questão. Não faz sentido adaptar a equipa a apenas um jogador como Lucho, mas a verdade é que Lucho não estava abaixo da bitola. Logo, o problema nunca foi Lucho, mas sim todo sistema táctico que, desde início, emperra no meio campo.

Além destes pontos, há a questão do balneário, sendo Lucho unanimemente reconhecido como grande profissional e uma voz ouvida e respeitada no balneário.

Numa época complicada, onde o título está difícil, fará sentido deixar partir o capitão a meio? Ainda para mais com perspectivas de se perder o outro esteio do meio campo (Fernando), por questões extra futebol?
Desde a saída de Lucho já aconteceram 2 jogos, ambos contra o mesmo adversário, o Marítimo, e em ambos o problema do meio campo não só se manteve, como se acentuou.

No jogo do Dragão, a equipa começou com Fernando, Defour e Carlos Eduardo, solução lógica no momento. Mas os problemas eram os mesmos, sendo que foram claramente acentuados quando, cedo na partida, Fernando se lesionou e deu lugar a Josué, que partilhou o duplo pivot com Defour. O que se viu? Uma equipa sem capacidade de pressionar no meio campo, com saída de bola ainda mais deficiente que o comum e com os 2 médios mais defensivos bem longe de Carlos Eduardo e sem capacidade de chegada à frente.

A solução seguinte nesse encontro foi a entrada de Quintero para o lugar de Defour, recuando Carlos Eduardo. A equipa acabou por vencer, mas mais por sorte e querer dos jogadores, do que por engenho táctico. O “buraco” do meio campo era evidente, a incapacidade de recuperar bolas gritante. Mas a vitória surgiu, num jogo onde a equipa teve de dar a volta.

O que faz Paulo Fonseca no jogo seguinte? Começa com Defour, Josué e Carlos Eduardo, devido à “lesão” de Fernando e , quando se vê a perder, não perde muito tempo e troca Defour por Quintero, ignorando todos os sinais de alerta do jogo anterior, olhando apenas para o resultado.

Desta vez a vitória não surgiu, nem sequer o empate. Os problemas foram os mesmos, problemas esses que não afectam apenas a defesa, mas também o ataque, porque a capacidade desta equipa recuperar bolas no meio campo é perto de nula.

Portanto, o problema não era seguramente Lucho, sendo que a saída do Capitão agrava ainda mais o estado do meio campo se não houver Fernando, dificultando a transição.

Contudo, não é por ter Lucho que estes problemas estariam resolvidos.

O problema é o treinador, e a solução só pode ser uma: mudança!

Todas estas questões já foram analisadas e discutidas e Paulo Fonseca teve tempo suficiente para repensar a sua ideia de jogo e aplicar as mudanças. Nunca o fez, nem deu sinais de o pretender. O ciclo terminou, apenas se espera a demissão. E num curto espaço de tempo, sob pena de hipotecar o resto da época.

Por último devo referir outro dos aspectos apontados por alguns adeptos para a forma como a saída de Lucho foi facilitada: o facto de a SAD já dar esta época como perdida.

Refiro este ponto, mas não dou grande importância porque me recuso a acreditar que numa época que vai a meio, e com tanto para ganhar, alguém da direcção desista.


Por: Eddie the Head

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