sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Liga Europa, 16 Avos - 1ª Mão; FC Porto 2 - 2 Eintracht Frankfurt

Gatinhar

O FC Porto gatinha. Já se tenta pôr de pé, mas logo vai com o rabo ao chão. Mas já gatinha. Ao menos já tem uma ideia de locomoção. Eu que pensava que iríamos passar a época toda na fase de sentado.

Este Eintracht de Frankfurt é um bom exemplo de uma equipa que já caminha pelo seu próprio pé. Ideias claras, linhas sempre juntas, saber sofrer sem nunca perder de vista o ataque, bons princípios de jogo flanqueado. Podem não ter um andar muito adulto ou que dê para altos voos, mas sabem andar e sabem colocar um pé à frente do outro.


foto1





O FC Porto, não! O FC Porto está na sua pré-época. Finalmente, percebeu para que servem as pernas. Ainda só gatinha. E a liga Europa não se compadece.







Só agora, temos uma ideia clara de como se deve montar o meio campo do FC Porto. Ainda assim, na segunda parte, foi massivamente assassinada. Mas já lá vamos.

Finalmente, começamos com um meio campo estruturado. Fernando já respira, temos um 8 forte e poderoso nas transições e um criativo. Só ainda não sabem jogar em conjunto. “Só”. O Fernando andou a jogar em duplo pivot. O Herrera desterrado na B. E o Josué um pouco por toda a parte do meio campo e até a falso extremo. A questão é simples, o ponto onde estamos hoje deveria ter sido vivido na fase final da pré-época. Passamos meio ano em experiências alucinadas e isso tem um preço. Enquanto outras equipas estão em velocidade cruzeiro, nós ainda estamos com os soluços do arranque.

  
O jogo deixa aquele amargo de boca. Caramba, já fomos brutalmente mais incompetentes esta época e safamo-nos. Neste jogo, até fizemos uma boa primeira parte, bom ritmo, boa amplitude e dominadores a meio campo. A segunda, mesmo em perda acentuada, com dedinho de mestre da mula russa, também não foi tão execrável como tantas outras nesta época. Oferecemos golos, falhamos alguns e já estamos condenados a ter que ir ganhar a Frankfurt. Mesmo que Paulo Fonseca teime em ir para Leverkusen.

 Começamos muito bem. Fortes e rápidos. Somamos oportunidades de golo, com Jackson em destaque na hora de somar golos falhados. O nosso meio campo impunha-se, com Herrera avassalador sobre a transição do adversário. A bola circulava rápido, embora o ataque ao espaço fosse deficiente. Ainda só estamos a começar! O Eintracht de Frankfurt, sempre que podia, esticava a manta. Mas as investidas eram travadas com relativa facilidade.







O FC Porto nunca conseguiu ser avassalador, mas manteve sempre o controlo da partida. O golo tardava, até que o remate genial de Quaresma traz justiça ao marcador, já em cima do intervalo.






A vantagem era escassa, até demasiado escassa para o domínio portista. Restava tentar ampliar a vantagem na segunda parte e ganhar conforto para a visita à Alemanha. Mas não. O problema adiado do FC Porto ressurge. Herrera recua, Fernando ganha um parceiro indesejado e o Eintracht de Frankfurt começa a ganhar o domínio a meio campo.

Logo no reinício dispõe de duas oportunidades. Nem assim, o FC Porto corrige. O jogo vai caindo nas mãos alemãs e o FC Porto cada vez mais refugiado no contra-ataque. Jackson volta a ameaçar por duas vezes, até que Varela eleva para 2-0.


Estava ganho, julgávamos nós. Em cinco minutos, o Eintracht de Frankfurt empata, em dois lances que nos penalizam por erros individuais, com destaque para o segundo, verdadeiramente caricato. Mas mais que isso, fomos penalizados por abdicarmos do controlo do jogo, por abdicarmos de sermos os mais fortes na transição ofensiva. O lance que dá origem ao canto do segundo golo do Eintracht de Frankfurt é sintomático. Havíamos perdido o controlo a meio campo.

Abdicamos de ser o FC Porto frente a um “Bayern” para sermos o FC Paços de Ferreira frente ao Eintracht de Frankfurt. O problema adiado ataca sem apelo ou agravo!

Depois, veio o desespero. Se dúvida houvesse da qualidade táctica de Paulo Fonseca, a substituição aos 83 minutos acaba com ela. Ávidos para (re)ganhar o controlo a meio campo para atacar a baliza alemã, num assalto final para tentar ganhar alguma vantagem para a segunda mão, Paulo Fonseca retira Fernando e coloca Ghilas. Nada contra a entrada do avançado, como é óbvio, mas abdicar do nosso melhor recuperador de bolas e o jogador que equilibra o meio campo, não lembra ao careca! É a típica substituição do treinador fraquinho em desespero. Tirar Varela ou Quaresma? Nada disso. Molhinho lá na frente!

Já se nota que nem os jogadores percebem o que ele quer. Nem eles acreditam na sua liderança. É uma equipa à deriva à espera do desastre.

Nada estaria perdido. Temos mais que equipa para ir a Frankfurt ganhar. Só não temos treinador.
Mero detalhe!

Na entrevista pós-jogo, Paulo Fonseca afirma: “Temos feito bons jogos, tanto na Liga dos campeões como agora na Liga Europa. Com certeza que os adeptos saberão reconhecer o bom jogo que fizemos perante uma equipa difícil.”

Só uma breve nota de rodapé: sete jogos Europeus esta época, uma só vitória e zero jogos ganhos em casa.

Bem sei que Paulo Fonseca não diz isto por despeito, nem desrespeito a nós. Diz porque não sabe mais o que há-de dizer. Diz porque quer acreditar no que diz. Diz porque é a primeira coisa que lhe vem à cabeça, porque não tem discurso nem mensagem. Diz porque mais vale uma ilusão que a dureza da realidade. E sim, até tem um pingo de verdade. Hoje não fomos medonhamente maus, pelo contrário, tivemos uma primeira parte bem boa, mas deitada a perder pelas suas limitações.







A culpa não é dele. A culpa é quem o adia. A culpa é de quem se esconde atrás dele. Por isso, e por um mínimo de decoro, ao menos que o Rui Cerqueira, de uma vez por todas, arrume a questão. Paulo Fonseca, até ao dia que sair do FC Porto, não deveria ir muito além do “sim” ou “não” como resposta às perguntas que lhe são colocadas. E ainda assim, sabe Deus!




Análises Individuais:

Helton – Seguro no assalto inicial da segunda parte. No primeiro golo não tem hipótese, mas no segundo fica-me aquela sensação que deveria fazer mais. Não é frango, nada disso, mas uma coisa meia atrapalhada.

Danilo – Seguro a defender e disponível para atacar, na primeira parte. Após o intervalo desaparece do ataque. Ordens?!

Alex Sandro – Anda a precisar de dar com os dentes no banco. Amorfo a defender, algo que já vem a agravar-se há algum tempo. A atacar, sai a preceito mas define mal.

Maicon – Boa primeira parte, mostrando que só lhe fez bem o tratamento de banco após aquela vergonha frente ao Marítimo. Na segunda, erra no momento mais crítico.

Mangala – Anda demasiado intranquilo. Parece que não lhe assenta bem o papel de líder da defesa. Pavorosa a forma como é batido no segundo golo.

Fernando – Boa primeira parte, onde aniquila quase toda a criação de jogo do Eintracht de Frankfurt. Na segunda parte, Paulo Fonseca resolve voltar a Paços. A linha criativa dos alemães agita-se logo. Herrera é mais estorvo que ajuda e no píncaro da loucura, para não dizer burrice, Paulo Fonseca abre mão de Fernando.

Herrera – Grande primeira parte, pelo que fez neste período, merece ser o melhor em campo. Solto, agressivo e muito forte na transição ofensiva. Ganha imensa qualidade quando ataca. Como prenda, Paulo Fonseca, mete-o no duplo pivot na segunda parte. Danke Paulo Fonseca!

Josué – Depois de ter sido saco de pancada por todo o lado, começa uma nova etapa no seu lugar. Primeiro, está muito aquém da dinâmica que um 10 precisa. Tem que ser mais rápido, mais esperto e mais eficiente. Esse é um choque táctico que não vai ser dado por este treinador! Segundo, precisa de ter outra capacidade física.

Varela – Marcou um golo e pouco mais. Pouco influente no jogo, deveria ser ele a dar o lugar a Ghilas.

Quaresma – Tal como Varela, pouco influente no jogo. Salva-se o seu momento de génio, com um golo brutal a dar o 1-0. Espero que não lhe suba à cabeça.

Jackson – Anda azedo com os golos. Falhou demais. Nunca virou a cara à luta, mas a equipa precisa que volte a encontrar o caminho do golo. Para isso, seria preciso que o conjunto funcionasse e que Jackson recebesse mais jogo. O que não me parece que vá acontecer neste consolado.



Carlos Eduardo – Entrou numa fase onde o FC Porto já não tinha controlo sobre o meio campo. Meio a frio, ainda tentou dar alguma magia, mas rapidamente foi varrido pelo meio campo defensivo alemão.

Ghilas – Ainda a tempo de falhar um golo cantado, não teve grande impacto no jogo, pois foi para a “molhada”, quando o meio campo do FC Porto nem conseguia ter domínio


Ficha de Jogo:

FC Porto: Helton; Danilo, Maicon, Mangala e Alex Sandro; Fernando, Herrera e Josué; Quaresma, Varela e Jackson.
Suplentes: Fabiano, Reyes, Licá, Carlos Eduardo, Quintero, Ghilas e Ricardo.
Treinador: Paulo Fonseca

Eintracht Frankfurt: Trapp; Jung, Zambrano, Madlung e Oczipka; Schwegler e Russ; Rode, Meier e Flum; Joselu.
Suplentes: Wiedwald; Djakpa, Lanig, Aigner, Schrock, Barnetta e Kadlec.
Treinador: Armin Veh

Árbitro: Matej Jug (Eslovénia)
Assistentes: Matej Zunic e Roland Brandner; Dragoslav Peric e Dejan Balazic

4º Árbitro: Robert Vukan

Golos:  Quaresma (44), Varela (68), Joselu (72) e Alex Sandro (auto-golo, 77)

Assistência: 25.107 espectadores



Por: Breogán






Enviar um comentário
>