segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Liga Zon Sagres, 16ª Jornada; FC Porto 3-0 Vit. Setúbal: Estaleiro

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Valeram os golos, alguns minutos de bom futebol e um visitante dócil. Respondemos bem à pressão de jogarmos em último lugar, sabendo que os outros já haviam vencido. Mas continuamos num processo de pré-época que ameaça chegar até ao fim da época.





Pela frente o Vitória de Setúbal, uma equipa que só existe do meio campo para trás e orientada por um treinador a quem, um dia, Pinto da Costa ofereceu a gravata. Foi lutando contra o tédio que o FC Porto construiu o resultado, lentamente vergando a debilidade do adversário.

O FC Porto é um eterno estaleiro de obras. Voltamos a ter Mangala e Maicon na dupla de centrais. Será para ficar? Na verdade, não se sabe. Este Vitória de Setúbal nem chegou ao ataque.


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À frente, parece que finalmente a coisa assentou. Quaresma e Varela bem abertos nos flancos. Depois de tanta experiência, com falsos extremos, sem falsos extremos, com este e aquele. Ali, até ver, parece que é para durar. Menos mal. Tanto se variou, tanto se inventou e no fim a verdade veio ao de cima. Extremos abertos e acutilantes, a cumprir as “asas” do 4-3-3 à Porto.




  
  No meio campo, as obras prosseguem. Sem fim à vista. A insistência no duplo pivot vai queimando almas.

Fernando joga incomodado. Dividido entre o “chega para lá” e o “vou fugir para a frente”. Daqui em diante é um corrupio. Lucho quer jogar mais à frente, a 8 mesmo, mas cumpre o duplo pivot e desaparece. Está tanto fora de água junto da área de Jackson, como está próximo da área e Mangala e Maicon. Sai a 15 minutos do fim e Paulo Fonseca desata a experimentar. Quase em frenesim.

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Carlos Eduardo tenta ser 10, mas vê cavado um fosso até ao duplo pivot e tenta preenchê-lo. Ubiquidade é algo difícil para humanos. Ainda assim, não se livra de mais uma passagem no estaleiro. Começa a 10, mas passa para 8 no duplo pivot, ao tal minuto 75. Aguenta-se e mostrou dinâmica.






Entra Josué para 10, mas logo passa para 8 no duplo pivot, com a aparição de Quintero. Entrou bem e logo que recua desvanece.

Finalmente, Quintero volta ao activo, já no ocaso do jogo treino (sem remoque ao histórico clube sadino!), mas a tempo de experimentar o palco a 10.


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Três experiências a 10. Três experiências a 8. Tudo em 15 minutos e sem contar com Defour e Herrera. É um estaleiro de obras, o que sendo o coração da equipa e já com Fevereiro à vista, é um tanto dramático.

Vou dar uma de Freitas Lobo. Sempre que olho para o meio campo do FC Porto, na sua metamorfose constante, lembro-me daquele sinal amarelo de trânsito com o homem de pá na mão, junto a monte de terra. E o efeito é um pouco o mesmo. Tudo abranda. Para a frente e para trás.




E é por aqui que, julgo, este jogo não ter sido mais que um jogo entretido. Houve promessa de goleada, mas não se cumpriu. Houve promessa de um jogo empolgante, mas não se cumpriu. Houve promessa de bom futebol, mas ficou aquém.


Jogamos bem nos períodos em que os jogadores se sentiram cómodos nas suas posições a meio campo e rasgavam com a ordem estabelecida do banco. Nesses breve períodos de liberdade responsável, cheirou-se futebol e não pó de obra.

E agora vamos à Madeira. Onde vai ser preciso mais que inspiração individual para trazer os três pontos. Bem mais que isso.
Já agora, onde esteve aquele jogador do centro de letra contra o Penafiel?



Análises Individuais:

Helton – Ainda a tempo de um disparate numa saída extemporânea onde leva amarelo. Deu para marcar presença, num jogo onde nada teve que fazer.

Danilo – Algo atabalhoado no passe, não se soltou muito para o ataque. Até por aqui se nota o efeito negativo deste duplo pivot. Os laterais eram mais soltos com Fernando sozinho a 6, que com este duplo pivot.

Alex Sandro – Soltou-se mais no ataque, mas foi mais permeável a defender.

Maicon – Mesmo sem trabalho para fazer, revelou alguma tremideira na altura de ser mais impositivo no corte. Boa saída de bola.

Mangala – Mais sólido a defender que Maicon. Impôs a sua lei a Cardozo.

Fernando – Joga incomodado. Precisa de espaço para esticar os tentáculos. Abafou toda a iniciativa ofensiva dos sadinos.

Lucho – É bom cumpridor. Treinador pede e cumpre. Brilha quando vem para 8, sucumbe quando cumpre o duplo pivot.

Carlos Eduardo – Pode-se achar que não está ao mesmo nível do que quando surgiu na equipa principal. Pura ilusão. Desdobra-se tanto que fica sem tempo para fazer o que devia. Precisa de um 8 mais próximo de si. Quando vai para 8, mantém o nível e arrasa com um golaço!

Varela – Ajuda-o ter Quaresma no outro lado. Passam a existir dois corredores funcionantes no ataque portista. Desvia atenções e espevita-o. No despique com Quaresma sai a ganhar. O melhor em campo e um golaço para recordar.

Quaresma - Ainda causa mais terror no adversário pela fama que pelo seu jogo. Percebe-se que tenta ser positivo e dar à equipa qualidade e acutilância pelo flanco. Até se mostra disponível para defender, mesmo não sendo constante nesse aspecto. Quando a dimensão física acompanhar o seu talento, será determinante para o nosso sucesso.

Jackson – Pouco jogo lhe chegou. A verdade é essa. O FC Porto não teve quase opositor, teve extremos em dia sim, mas pouco jogo chegou ao seu avançado centro. Faltou meio campo e isso é fatal para um avançado centro. É a sua principal fonte de alimentação.



Kelvin – Entrou mal, mas acaba bem. Tentou umas fintas e perdeu-se. Perante a impaciência eminente do Dragão, salvou-se na parte final, ao mostrar fibra e talento. Só é pena que só agora se esteja a dar minutos para este talento crescer.

Josué – Confirmou que é pelo centro que melhor joga e a 10, de preferência. Grande remate, que merecia golo.

Quintero – Com escassos minutos reservados por Paulo Fonseca (porquê?!), logo tratou de se mostrar. Notava-se que queria mostrar e jogar futebol. Talento há ali aos quilos.


Ficha de Jogo: 

FC Porto: Helton, Danilo, Alex Sandro, Mangala, Maicon, Fernando, Lucho González (Josué, 76m), Carlos Eduardo (Quintero, 88m), Varela, Quaresma (Kelvin, 65m), Jackson Martinez
Treinador: Paulo Fonseca

Vit. Setúbal: Pawel Kieszek, Frederico Venâncio, Javier Cohene (Adama François, 27m), Nélson Pedroso, Pedro Queirós, Miguel Pedro, Tiago Terroso (João Mário, 66m), Dani Soares, Bruninho (Rafael Martins, 46m), Pedro Tiba, Ramón Cardozo
Treinador: José Couceiro

Amarelos: Nélson Pedroso (23m), Helton (26m), Miguel Pedro (52m), Adama François (77m) e Pawel Kieszek (80m)
Marcadores: Jackson Martinez (11m), Varela (35m) e Carlos Eduardo (87m)

Árbitro: Hugo Pacheco




Por: Breogán
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