domingo, 12 de janeiro de 2014

Liga Zon Sagres, 15ª Jornada; Benfica 2 – 0 FC Porto: Roleta Russa



Roleta russa é um jogo de azar em que os participantes colocam apenas uma bala numa só câmara de um revólver. 

O tambor do revólver é girado e fechado, de modo a que a localização da bala seja desconhecida. Os participantes apontam a arma para a cabeça e atiram, correndo o risco da provável morte caso a bala esteja na câmara engatilhada.



Esta é a definição da wikipedia. Passemos ao Benfica-Porto.

O primeiro participante do jogo de hoje foi Otamendi. Sobrevivemos.

O segundo participante foi….Otamendi ainda antes dos 5 minutos porque temos pressa. Sobrevivemos.
Helton junta-se à festa. Também quero participar.

Não satisfeito pela quebra do monopólio Otamendi arrisca um 3.º disparo. Sem sucesso.

Capitão que é capitão não assobia para o ar. Aos 12 minutos também  tenho direito ao meu disparo. 
PUM! 1-0.

O Porto entra no jogo num esquema pouco habitual. Se já era complicado entender qual o processo, quais as dinâmicas e qual a táctica hoje tivemos uma inovação.

D. Nuno Álvares Pereira entra com a já famosa táctica do quadrado para o jogo.
Fernando é o médio interior direito e Lucho o médio interior esquerdo.



Carlos Eduardo oscila entre médio centro e médio ala direito.
Varela entre extremo direito e médio ofensivo.
Licá é quase sempre extremo esquerdo.

Depois desta descrição fica difícil perceber quem é que estava em superioridade numérica no centro do terreno.

Com esta bela dinâmica ofensiva e com a rigidez do quadrado defensivo o organizador do nosso jogo de azar – D. Nuno Álvares Pereira – vai entregando aos participantes o revólver com a bala lá dentro.

Rodem e disparem!

Jorge Jesus responde ao desafio do opositor e não muda nada. Os mesmos jogadores e outra esperteza. Quem tiver visto, pelo menos, um jogo do Porto 2013/14 contra adversários de qualidade sabe qual o ponto fraco. O principal, pelo menos.

A saída de bola.

Os médios interiores avançam até à linha de meio-campo e são os centrais que iniciam o processo. A partir daí a rede de apoios desaparece e a possibilidade de fazer passes curtos (com ou sem pressão) é inexistente.

Associado a tal brilhantismo está a qualidade individual dos centrais que saem a jogar.

Num dos disparos do Otamendi entre a bola que é chutada e a dupla de médios interiores estão 4 jogadores do Benfica. Uns pressionam e outros preparam-se para apanhar as canas do disparo.

E foi assim que Jesus se fez. Dar a iniciativa de bola, arrumadinhos e pressionantes e esperar que o nosso jogo de azar fosse a sorte deles.
À 5ª tentativa bingo.

Podia ter sido diferente se D. Nuno Álvares Pereira tivesse preparado o jogo pensando no nosso ponto fraco e nas fragilidades do Benfica.

Aos 10 minutos de jogo e quando, por sorte, nenhum dos participantes tinha levado com a bala já se percebera que as laterais do Benfica eram vulneráveis.

Com defesas laterais medianos e reduzido apoio dos companheiros da ala logo no 2.º minuto já Alex Sandro arranja espaço num lance que acaba num remate frouxo do Lucho.

Pouco tempo depois Danilo e Licá com passes simples repetem o perigo com Jackson a chegar atrasado ao cruzamento.

Podia ter sido diferente se D. Nuno Álvares Pereira conseguisse contar quantos disparos os participantes já fizeram desde Agosto até Janeiro.

Se eles insistem em pegar na pistola e vão disparando, jogo após jogo, ferindo de morte as aspirações desportivas do clube e o coração de qualquer portista quem é responsável só pode fazer duas coisas:

 - Responsabilizar os suicidas que não tem qualidade para jogar neste Porto.
 - Perceber se é este Porto que os está a assassinar. 

Este é o caso em que o trailer do filme tinha a história toda lá metida. Ao minuto 10.
Benfica cauteloso, pressionante e veloz. Porto fraco, desorganizado, incapaz.

Foi esta a 1ª parte.

Começa a 2ª parte e são dadas duas sopradelas no balão da motivação. A equipa entra com um bocadinho mais de vontade e consegue empurrar o jogo mais para lá tirando, por escassos minutos, o revolver das mãos dos participantes.




Não terá dado para perceber bem mas deu a ideia de Fernando ter passado de médio interior direito para médio defensivo e de Lucho ter avançado de médio interior esquerdo para médio centro.

Não deu para perceber porque Mangala ainda não tinha participado e porque Helton ainda não estava satisfeito.

Após uma assistência de Licá, Matic cabeceia e Mangala defende. 

O árbitro erra e não marca penalty. Os jogadores do Benfica indignam-se mas não perdem o foco.
Com Mangala a pensar no que se passou e já com Garay pouco indignado e Helton a encarnar Ivica Krajl surge o 2-0.

Logo a seguir, D.Nuno Álvares Pereira tira o extremo de que a equipa foge e recruta o extremo para que a equipa passa a correr para os braços.

Se antes a bola não ia para a Licá agora passa a só se deslocar para Quaresma qual Michael Jordan regressado de umas férias grandes.

Desaparecem Carlos Eduardo e Varela do jogo e fé na Quaresma a ver se Jesus ajuda.

Novo erro grosseiro do árbitro. Interrompendo um lance em que Jackson caminha isolado em direcção a Oblak. A reacção dos prejudicados revela a disparidade do controle emocional de um lado e outro. 

Artur Soares Dias é engolido pela multidão e alguém tem que levar amarelo: Danilo

Lembro que nesta altura ainda não havia razões para uma revolta face à arbitragem.

O roubo vem depois.

A partir daí o Benfica joga como se tivesse um milagre nos braços. 2-0 contra o Porto? Excelente. Podem fechar o tasco.

O Porto porta-se como um embriagado que cambaleia pelo relvado que não dá 3 passos seguidos sem tombar ou empurrar um adversário.

Mesmo assim ainda há tempo para mais um disparo de revolver de Mangala e dois lances na grande área benfiquista (um certo e outro duvidoso) susceptíveis de grande penalidade.

Artur Soares Dias junta-se à festa e aproveita para expulsar Danilo e assobiar para o ar.

Pareceu-me o Benfica mais fraco de Jorge Jesus que defrontamos na Luz.
Mais esperto mas fraco.

A equipa do Porto que se apresentou na Luz é a que tem menos qualidade dos últimos 10 anos. D.Nuno Álvares Pereira não tem culpa disso.

D.Nuno Álvares Pereira é o pior treinador do Porto dos últimos 20 anos. Pinto da Costa terá culpas se nada fizer.




Análises Individuais:

Helton – Numa altura em que renova e no rescaldo da exibição de Fabiano em Alvalade voltou a brindar-nos com uma exibição à Champions.

Danilo – Exibição mediana. Depois do disparo de Lucho e com o Tetraplus deslocado para médio interior direito faz parte da troika que aposta na força da mente para travar Markovic enquanto Rodrigo lhe ataca as costas.
Ficamos sem saber se o comportamento teria sido diferente caso alguém (médio ou defesa) tivesse saltado a Markovic. Se existisse equipa.

Otamendi – Pavoroso. Seria praticamente impossível fazer pior do que o que vimos nos primeiros 25 minutos do jogo. Maicon e D.Nuno Álvares Pereira devem ter ficado com as faces ruborizadas. Um pela raiva e o outro pela vergonha.
Na 2ª parte acalmou. Outro parceiro haveria de tomar o palco.

Mangala – O reverso da medalha do colega de sector. Mais seguro e tranquilo na primeira parte quando o suicida do lado fazia das suas.
Na 2ª parte elevou a fasquia do pavor. Penalty ridículo logo seguido de uma paragem cerebral num lance em que costuma ser forte. 
A cereja em cima do bolo foi quando resolve fazer uma rotação de corpo como se estivesse de andarilho e Rodrigo diz bye bye.

Alex Sandro – Não tentou suicidar a equipa e empurrou a equipa ofensivamente quando o Porto jogava com o mínimo de espírito colectivo.
Já não é mau.

Fernando – D. Nuno Alvares Pereira achou que Octoplus tem tentáculos a mais. 
Como bastam 4 para a táctica do quadrado transformou um intransponível médio defensivo num esforçado médio interior.
O Tetraplus afoga-se na primeira parte tamanha a água lançada pelos suicidas.
Quando o barco está à deriva, a cabeça está quente e já há mais esforço que estratégia no relvado emerge. Sem o Tetraplus teríamos sido goleados.

Lucho – Parece morto e não é suicida. Parece que está mal fisicamente e sem ter qualquer velocidade de reacção. Foi um dos participantes no jogo da roleta.
PUM. Morreu e nunca mais se reergueu.
Vê-se que não está a jogar bem e é claro pelo que diz e pela expressão facial que apresenta que não acredita que o navio que comanda está no bom caminho.
Seria difícil confiar no homem que o assassinou. D. Nuno Álvares Pereira.
Precisa de banco para ver se ressuscita.

Carlos Eduardo – Ele e Varela tentaram ser tudo no Porto. Médios, organizadores e assistentes. Foi o melhor jogador do Porto até à entrada de Quaresma. 
A partir daí o melhor foi Tetraplus.
Deu-se ao jogo, tentou fugir à marcação e criar alguma coisa que se visse.
Depois de Quaresma a equipa não o procurou mais e ele já não teve forças para se mostrar.

Varela – Dá a mão a Carlos Eduardo e tenta ser médio e empurrar a equipa para a frente. Não é tão bem sucedido e quando as coisas começam a correr mal desiste de tentar.

Licá – Que os adeptos não confiavam nele já se sabia. Pouco tem feito. 
Que a equipa também não confia já é novidade. Pouco podia fazer.
Ainda assim foi o mais perigoso do suposto trio da frente. Está em todas as jogadas de perigo do Porto. Na troca de bola com Danilo a que Jackson não chega no inicio e no passe/remate que Jackson corta para canto no fim da 1ª parte.
Da forma como Oblak se posiciona desconfio que aquele passe/remate/cruzamento ainda dava golo se Jackson faz que vai mas não vai.
O lance que dá o livre na meia-lua pré disparos de Mangala também nasce em Licá.

Jackson – É um fenomenal ponta de lança que está há ano e meio numa equipa com qualidade ofensiva ao nível de um Marítimo/Nacional.
O Falcao teve Hulk. Jackson tem Licá!
Entregou-se muito mas jogou pouco.
O empurrão ao Maxi do tímido e reservado Jackson revela o descontrole que grassa na equipa.


Quaresma – Pegou na batuta da equipa assim que entrou. A equipa entregou-se nos seus braços porque nunca teve plano A.
Falta pique e ritmo mas no meio de alguma asneira conseguiu isolar Jackson e sacar um penalty a Garay. Nada mau.

Josué – Entrou com o firme propósito de ser expulso. Artur Soares Dias traiu-lhe o sonho ao ter expulsado Danilo antes. Dois era demasiado. Deixa estar o Anderson da Silva.


Paulo Fonseca – Temo ser processado – justificadamente – por algum familiar de D.Nuno Álvares Pereira. 
D.Nuno Álvares Pereira ficou conhecido como um génio da táctica. Alguém que com menos recursos e recorrendo à célebre táctica do quadrado enfrentou e derrotou as tropas Espanholas na Batalha de Aljubarrota. Dai nasce uma Dinastia.
Paulo Fonseca não tem nada de génio. Se génio houvesse ficou agarrado no boné.
É alguém que com mais recursos e recorrendo à célebre táctica do quadrado vai sendo derrotado por qualquer exército minimamente organizado. 
É o estratega do jogo de azar em que nos lançamos desde Agosto.
É o Homem que transforma o Octoplus em Tetra.
É o Homem que transforma o sonho do Tetra em pó.
É o Pai dos bombistas-suicidas que temos em casa.
Por aqui se prepara para morrer uma Dinastia.

Pinto da Costa – É o dono do revólver. Cabe-lhe a ele acabar com este jogo de azar.
Cabe-lhe a ele acabar com a brincadeira.
Em alternativa pode ser ele a disparar. Ainda vamos a Braga, a Alvalade, Choupana, Barreiros, Frankfurt e com sorte ainda temos mais uns 4 jogos com o Benfica de Jesus.
Pode sempre ir rodando e disparando. 




FICHA DE JOGO:

Liga Zon Sagres – 15ª Jornada
Estádio da Luz
Árbitro: Artur Soares Dias (Porto)
Árbitros Assistentes: Rui Licínio e João Silva

Benfica: Oblak, Maxi Pereira, Luisão, Garay (Jardel 83´) e Siqueira; Matic e Enzo Perez; Markovic, Rodrigo (Ruben Amorim 86´) e Gaitan; Lima
Suplentes: Artur, Sílvio, Jardel, Ruben Amorim, Fejsa, Djuricic, Sulejmani

Treinador: Jorge Jesus

FCPorto: Helton; Danilo, Otamendi, Mangala, Alex Sandro; Fernando, Lucho (Josué 70´), Carlos Eduardo; Varela, Jackson Martínez, Licá (Quaresma 54´).

Suplentes: Fabiano, Maicon, Defour, Josué, Quaresma,Kelvin e Hilas

Treinador: Paulo Fonseca





Por: Walter Casagrande









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