terça-feira, 7 de janeiro de 2014

África Minha

Eus%C3%A9bio+-+1966+-+o+choro+de+eus%C3%A9bio


Vivi em África momentos
Com’os que Karen escreveu
Conheço o sol e o breu
E o silêncio dos tempos…

Que nesse terra s’escuta
No compasso dos sons
Que proliferam, quais dons!
Por essa terra acústica

E nesse perfume audível
Que sufraguei em tais tempos
Tenh’os sentidos, tão lentos
Por lá me ter, invisível

E transportado à génese
Da criação em tal terra
Sei a razão que s’encerra
Ao africano, por tese

E nessa correlação
Entr’a terra e o homem
É a humildade, o “nomem” 
Na sua justa lição!

Pois o homem é parte
Desse legado, do todo:
A terra, a água, o ar, o fogo!
Outro elemento, por arte!

Pois da sua recomposição
A soma afigura-se maior
Não send’o centro, o melhor
É a sua criação!

E nisso se projecta o ser
Em que africano se sente
E se genial, não mente:
É-o por outro poder!

E o homem feito pantera
Na sua força e agilidade
Espanta essa humanidade
Desde esta terra austera

É um africano europeu
Projectado no império!
E voa a outro hemisfério
Por um regime que não é seu!

Colonial e segregacionista
Permite-lhe a ele negro!
Ser o seu rosto coevo
Por sua amostra benquista!

E eleva-se a esse mundo
Como o símbolo nacional
Do benfiquismo mundial!
Um africano oriundo…

E vive a sua glória
Nessa maior humildade
O que pr’a ele é a verdade:
Sem o futebol qu’outra história?

E nessa sabedoria
Tenta o caminhar por justo
Pr’a novos mundos, a custo
Mas é tido em alforria!

É o símbolo do regime
Antes de ser da nação!
E aqui se toma a benção
Do que Salazar define!

E já depois dessa glória
Sugado na sua força
É largado nessa “roça”
Pr’o trabalho sem compulsória!

E esquecido pl’o povo
Na sua quasi-pobreza
É resgatado, com firmeza
Por um presidente novo

Que tem nisso o seu proveito
Na sua gestão ruinosa
Eusébio, é a sua obra
Não o Mantorras, desfeito…

E nisso há que enaltece-lo
Por ter libertado um herói
Porque a pátria se constrói
Nas memórias do apelo!

E hoje, depois de morto
Outro resgate s’opera
O regime ainda prospera
Num africano oposto!

E tem sede no panteão
Dos maiores heróis da pátria!
Sem lamúrias ou idolatria
Por sentimento e razão!

E sendo futebolista
Nunca tentou ser perfeito!
Nessa humildade, o defeito
Para o retrato d’artista!

Pois, o africano é fidedigno
Tem-se quase por transparente
E foi num retrato comovente
Que d’Eusébio, se fez um hino!






Por: Joker
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