quarta-feira, 4 de setembro de 2013

GUARDA-REDES DO FCP II



PRÉ-SISKA

O final da carreira de Lino Moreira no FCP, correspondeu à ascensão de Luiz Peixoto da Silva. Peixoto fez a época quase completa de 1923/24, apenas para ser José Borges de Avelar o guarda-redes da final do Campeonato de Portugal desse ano. Apesar das boas críticas que Borges de Avelar teve, esta foi uma das poucas (única?) aparições deste guarda-redes na equipa de primeiras categorias do FCP. Na época seguinte haveria de chegar o primeiro mito das balizas do FCP: Miguel Siska. Peixoto ainda seria o guarda-redes das segundas categorias do FCP por algum tempo.


MIGUEL SISKA

Mihaly Siska foi o primeiro grande ícone das balizas do FCP.

Para além da classe que sempre demonstrou a defender a baliza do FCP, converteu-se num verdadeiro portista.



Na Hungria, no Vasas de Budapest, muito jovem, alinhava onde fosse necessário ou onde faltassem jogadores. Fora do futebol, era mecânico-dentista.

Em 1924, chegou a Portugal por indicação de Akos Teszler – o primeiro verdadeiro treinador do FCP – com apenas 18 anos. Foi, provavelmente, o primeiro estrangeiro a ser contratado para jogar futebol em Portugal.

A sua chegada ao FCP enquadrou-se nas disputas de então entre a defesa do profissionalismo ou a manutenção do amadorismo (ou profissionalismo encoberto…). A sua contratação foi mesmo levada a Assembleia Geral. No final, acabou por assinar pelo FCP a troco de um salário mensal de 1.000 escudos, não deixando, porém, de trabalhar numa sociedade de vinhos.

A sua estreia deu-se num jogo contra o Celta de Vigo, onde o FCP perderia por 2-9. Acabaria por fracturar a clavícula, mais tarde, estreando-se oficialmente pelo FCP em 23-11-1924, no Bessa, numa vitória do FCP por 6-1 sobre o Progresso (havendo relatos de que teria marcado o último golo e … de bola corrida).




No final da sua primeira época – em 1924/25 – começou, verdadeiramente, o mito de Siska, com uma exibição fantástica e recordada por muitos anos, na final do Campeonato de Portugal que o FCP haveria de vencer, em Viana do Castelo.

No FCP permaneceu até ao final da sua carreira, sagrando-se ainda Campeão de Portugal em 1931/32, em Coimbra. A esses dois Campeonatos de Portugal, juntam-se os 9 Campeonatos do Porto – todos os que disputou.

Em todos os anos ao serviço do FCP, poucos foram os jogos em que Siska não defendeu a baliza do FCP.
A sua identificação com o Porto e Portugal, levaram a que se naturalizasse português, “aportuguesando” o seu primeiro nome para Miguel.

Era um guarda-redes alto e forte, rijo (numa altura em que os guarda-redes não gozavam da protecção dos tempos mais recentes) e com excelentes reflexos. As crónicas da época recordam um sem número de jogos onde foi decisivo e incluem as finais do Campeonato de Portugal já referidas, (mas também jogos épicos como a meia-final contra o Belenenses, em Santarém, em Maio de 1930 ou o jogo em que defendeu dois penalties, contra o Salgueiros).

E aliava a esta extraordinária capacidade de defender as balizas, uma modéstia, uma correcção e uma educação, elogiada por todos, colegas, mas também adversários. Combinava esta educação com uma reserva inerente à sua própria timidez, evitando falar de futebol fora do campo.

Infelizmente, a sua carreira não haveria de ser longa, deixando de jogar futebol ainda antes dos 30 anos, por problemas de saúde. Pelo contrário, a sua reputação mantém-se viva e longa, sobrevivendo-o por muito, pois ainda hoje é recordado como um ícone do FCP.



Assumiria o cargo de treinador do Progresso, treinando o FCP em dois jogos durante a época de 35/36. Regressaria, definitivamente, em 1937, conseguindo um segundo lugar com igual número de pontos do primeiro e sagrando-se bi-campeão, em 1939 e 1940.

Uma vez mais, a sorte haveria de ser madrasta e atacado pela doença e incapaz de treinar, acabaria os seus dias remetido a uma secretária, como funcionário administrativo do FCP.

O FCP ainda organizaria um evento desportivo com um jogo contra a Sanjoanense e um desafio de velhas glórias do FCP e do Benfica, mas a que Siska já não assistiria.

Siska é um exemplo e um ídolo do FCP, transversal a todas as idades. E, numa altura em que os relatos vivos das gerações mais antigas se tornam cada vez mais raros, é importante recordar que para existir um Vítor Baía, foi preciso Miguel Siska abrir a porta.


SUPLENTES DE SISKA

O período em que Miguel Siska defendeu a baliza do FCP foi demasiado curto, mas a sua regularidade neste período foi notável. Os jogadores que asseguraram a sua substituição, para além do já referido Peixoto, foram Luiz Retumba, António da Mota Freitas e Giles Holroyd. Luiz Retumba, para lá de guarda-redes do FCP, era, igualmente, um conhecido praticante de hipismo (na figura retratado por Simplício) e de andebol. António da Mota Freitas começou na equipa de infantis do FCP em 1924. 




Fez todo o percurso no FCP, culminando como o guarda-redes das segundas categorias, atrás de Siska. Giles Holroyd também defendeu as redes do FCP, sobretudo, nas segundas categorias. Para além de guarda-redes, Giles participava em corridas de automóveis, onde chegou a ser colega do cineasta Manoel de Oliveira. Foi, igualmente, voluntário da Marinha do Reino Unido na 2ª Guerra Mundial.


PÓS SISKA

O fim da era Siska poderia antecipar muitas dificuldades para o seu sucessor. Na realidade, não veio a ser assim, pois Manuel José Soares dos Reis foi outro ícone da baliza do FCP.





Por: Jorge



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