quarta-feira, 21 de março de 2012

Taça da Liga, Meia-Final: Benfica 3-2 FC PORTO (Crónica)









Perdemos. O povo já tem o que festejar e já estão preparados para ganhar a taça SLB (se Deus quiser o único trofeu que metem as mãos em cima, novamente).
Claro que fico triste em perder. Claro que perder com o visitante que, neste caso, era visitado ainda custa mais. Mas vamos ao que interessa.










Gostei do 11 escalado pelo Vítor Pereira. 

Jogar sem o Fernando altera o nosso jogo por completo e, por isso, não havia muita volta a dar. Defour-Moutinho a segurar o meio-campo, com o Lucho solto atrás de um Kléber muito mais móvel que o Janko.
Nas alas, Hulk para ir moendo o lateral de 15 milhões, Capdevilla, e na outra um improvisado Álvaro Pereira.
A defesa era a melhor possível dentro das opções que o treinador possuía.

Começa a 1ª parte, o visitado entra forte e pressionante especialmente pelo lado direito, onde quer o Mangala, quer o Alex Sandro apresentavam alguns sinais de nervosismo. O golo deles surge numa múltipla falha da nossa equipa. Do mau passe do defesa central francês até ao não acompanhamento do Palito ao Maxi Pereira. Se o Álvaro Pereira fizesse nos primeiros 5 minutos, o que fez em praticamente no resto do jogo, não tínhamos sofrido este golo tão madrugador.








Que reacção temos? A melhor que se poderia pensar! A equipa não abana, assume o jogo e começa a “despejar” bolas para o Hulk. Este ultrapassa uma e outra vez, o lateral-esquerdo do visitado até que surge o nosso golo, onde o Lucho teve a sorte do seu lado (O feitiço virou-se contra o feiticeiro!). 
Continuamos a pressionar alto, a ganhar as bolas todas no meio do terreno e chegamos naturalmente ao 1-2 numa excelente elevação do Mangala.






A partir daqui e até, aproximadamente, aos 30 minutos de jogo podíamos ter feito o 1-3 por diversas vezes. 
Muita raça no centro do terreno e agora a apostarmos no nosso lado esquerdo. Alex Sandro muito interventivo, a ganhar muitas bolas e a combinar bem com o Álvaro. Mais frieza e tínhamos consolidado o resultado.

Entre os 30 minutos e o intervalo conseguimos passar só com um golo sofrido, vá lá. Descoordenamos-nos completamente defensivamente e o visitado apercebeu-se do nosso espaço vazio entre os centrais e a dupla Defour-Moutinho. O Witsel todo contente por não ter o Polvo atrás dele, lá foi aproveitando este tal vazio e, em colaboração com o Aimar, ganhando umas faltinhas aqui, ali e acolá. Em cada uma era uma tremideira que não atinávamos nem na marcação ao homem, nem no tempo de salto. 
Resultado: 3 bolas nos nossos ferros e depois desta mossa, golo meio atabalhoado que restabeleceu o empate.

Chega o intervalo, finalmente.

A 2ª parte começa num ritmo mais pausado, onde ambas as equipas parece que estão à espera da próxima jogada do adversário. Lucho quase que fazia outra vez o gosto ao pé. 
Só que a 2ª parte fica marcada por outro dado que iria condicionar o nosso jogo até final. O Hulk tinha arrefecido e já não parecia disponível para fazer cavalgadas de 2 em 2 minutos. Estavámos agora atacar com um rumo definido (a baliza), mas sem trajecto concreto.
O visitado apostava sempre nos passes para a zona central do nosso meio-campo, ou na excentricidade do Nolito, mas o jogo continuava morno e a desesperar por substituições.






São eles os primeiros a mexer, retirando o Bruno “Entrada limpa” César e metendo o Gaitán, que deu maior velocidade à ala direita visitada, ou seja, mais problemas para a dupla Álvaro/Alex. 
O Vítor Pereira mexe bem e tira o Lucho que nesta altura do jogo já estava a desaparecer da maioria das iniciativas e coloca o James Rodríguez onde ele tem que jogar, onde o exponenciamos ao máximo. No vértice mais adiantado do meio-campo. O problema é que não tinha muito para onde servir. O Hulk continuava arrefecido e o Álvaro tinha agora mais preocupações de cariz defensivo.
As 3 alterações seguintes é troca por troca. Na nossa única, Janko por Kléber pouco traz ao jogo de novo.






Surge o 3-2, numa fase onde menos se esperava. 
Mangala tem aqui o seu erro mais crasso. 
Deveria saber que o Cardozo é muito mais lento do que ele e, consequentemente, era melhor ter apostado na velocidade ao invés da antecipação, que falhou, permitindo que o paraguaio se isolasse. 

Até ao final do jogo e apesar da entrada do Iturbe (uns minutinhos de vez em quando fazem-lhe bem!) não criámos mais nenhuma situação de perigo. Não deixar de ressalvar o fora de jogo mal assinalado ao Hulk que daria, com toda a certeza, o 3-3.
Umas vezes é fora de jogo claríssimo, outras é um lance casual resultado de um jogo de elevada intensidade. Siga a marinha, no pasa nada.

Fizémos um bom jogo no geral e foi pena não termos conseguido consolidar o mais o resultado depois do 1-2.

Fomos eliminados da Taça da Liga, mas mais importante que isso perdemos com o visitado, que nos deixa sempre um pouco em baixo, mas penso que não vamos desanimar para o que falta do campeonato e ganhar na Mata Real é já o próximo desafio.


Análise aos jogadores:

Bracali – Não teve culpa nos golos e quando foi chamado respondeu de pronto, em especial na 2ª bola aos ferros do visitado onde realiza uma excelente defesa.

Sapunaru – Sempre muito atribulada a sua luta com o Nolito, mas ainda encontrou tempo e espaço para subir no terreno por diversas vezes, especialmente na 1ª parte, onde quase marcava. Não comprometeu e revelou-se eficaz a defender.

Rolando – O melhor dos centrais, anulou bem o Nélson Oliveira, nunca lhe dando muito espaço para manobrar. Não tem intervenção directa em nenhum dos golos sofridos. Defender o Michel como defendeu o jovem avançado português!

Mangala – Apesar de ter marcado um excelente golo, fica ligado pela negativa aos 3 golos sofridos. No 1º faz um terrível alívio de bola, permitindo nova investida do visitado. No 2º calcula mal o tempo de salto, vendo a bola passar nas costas. 
O erro que não se admite é o 3º por razões que já expliquei. Ganhar ao Cardozo em velocidade!! 

Alex Sandro – Entrou nervoso, mas rapidamente se recompôs e partiu para uma boa e sólida exibição. Muito seguro a defender e veloz a atacar, foi um vaivém constante no nosso lado esquerdo. É craque!

Defour – Muito melhor jogo que sexta-feira, mais interventivo e lutador a meio-campo. Não sabe e não pode fazer de 6. A culpa não é dele. Boa companhia desta vez para o Moutinho. 
Parecer querer mostrar serviço e isso é bom. Gostei.

Moutinho – Mais uma excelente exibição do nosso 8. Sempre a levar nas pernas do Witsel, do Javi e até do Aimar, nunca desistiu de combater e transportar jogo para o ataque. Grande alavanca naquele período áureo da 1ª parte. Conseguiu conter ao máximo a pressão do visitado.

Lucho – Sempre pronto a ajudar o ataque, com mais mobilidade sempre que se descola do avançado. Tentou o remate por várias vezes, sendo feliz numa dessas tentativas. Muito inteligente (como sempre) na marcação ao Caceteiro Garcia. Saiu visivelmente cansado.

Hulk – Faz uns 30 minutos demolidores a partir por completo o Capdevilla. Sempre a usar a sua incrível velocidade e agilidade, conseguiu dar profundidade ao nosso lado direito.. na 1ª parte.
Arrefeceu na 2ª e só acordou quando já estava 3-2. Tarde de mais.

Álvaro Pereira – Aposta estranha para a ala esquerda. Excepto o 1º golo do visitado, defendeu quase sempre bem e também ajudou na construção do ataque. Parece já mais focado em querer ajudar a equipa e, assim, os cruzamentos já não são puros despejos para a área.

Kléber – Demonstrou muito querer, mas não teve possibilidade para saciar a sua fome de golos, apesar de estar sempre pronto a receber e a dar.
Deu muita luta aos centrais do visitado e marcou presença. Saiu apagado, mas, naturalmente, sem muita culpa. 
James – Entrou para a posição onde deve jogar, mas também como já referi, não tinha quem servir. Quem criasse o espaço, para ele colocar lá a redondinha. Também provou o gosto das chuteiras do Javi e do Witsel.

Janko – Troca por troca, resultado por resultado. Pouco ou nada chamado ao jogo, foi para ganhar bolas pelo ar, mas nem isso teve hipóteses de fazer.

Iturbe – Muito importante ir coleccionando minutos de jogo para ganhar confiança aos poucos. O talento está lá, todo lá. Vai explodir, com certeza.


Ficha de Jogo:


Jogo no Salão de Festas, em Lisboa


Assistência 28.533 espectadores


Benfica: Eduardo, Maxi Pereira, Luisão l75’, Jardel, Capdevila l88’, Javi Garcia l70’, Witsel l79’, Bruno Cesar (Gaitan, 56’), Nolito l88’, Aimar (Saviola, 72’) e Nelson Oliveira (Cardozo, 65’). 
Treinador Jorge Jesus


FC Porto: Bracali, Sapunaru, Rolando, Mangala l41’, Alex Sandro l23’ (Iturbe, 85’), Defour, Lucho Gonzalez (James Rodríguez, 63’), João Moutinho, Álvaro Pereira l90+1’, Hulk e Kleber (Janko, 72’).
Treinador Vítor Pereira

Árbitro Artur Soares Dias, do Porto. 

Amarelos Alex Sandro (23’), Mangala (41’), Javi Garcia (70’), Luisão (75’), Witsel (79’), Capdevila (88’), Álvaro Pereira (90+1’).

Golos Maxi Pereira, 4’; Lucho, 8’; Mangala, 17’; Nolito, 42’ e Cardozo, 77’ 






Por: Dragão14
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