domingo, 11 de março de 2012

O quinto dos Infernos. Liga Sagres, 22ª Jornada: FC Porto 1-1 Académica (crónica)







Eis-nos de volta ao quinto dos infernos. Uma equipa incapaz de responder em campo ao desafio imposto pelo Sp. Braga poucos minutos antes e de colocar pressão na equipa da freguesia de Benfica na deslocação à Mata Real. Uma equipa sem arreganho, sem ALMA, sem estrutura a meio campo e que se entrega ao desespero perante as suas incapacidades, sobretudo, às que abundam no seu banco de suplentes.







O que mais impressiona é a profundidade do falhanço na abordagem ao jogo, sobretudo após mais uma vitória brilhante no nosso salão de festas. É algo que ultrapassa a simples incompetência. Pior se torna quando à incompetência se junta a impotência.


A equipa entrou arrastando-se (onde está o brio dos jogadores? Nem eles?), continuou a arrastar-se, chega ao intervalo a arrastar-se, vem do intervalo a arrastar-se, continua a arrastar-se após as pífias substituições tão demoradamente (não) pensadas e só acorda quando o “tic-tac” se torna insuportável e o público do Dragão já não aguenta mais. Mas aí já não haveria terço beijado que valesse aos muitos minutos perdidos, aos erros estruturais da equipa, às substituições que sucumbem a estatutos internos e à anarquia táctica que tomou conta da equipa, resultante do desespero de quem a comanda.

A arbitragem foi aquilo que se esperava. Os sinais foram dados após a vitória da semana passada. Viu-se Jorge Jesus a atribuir a sua derrota ao árbitro, sublinhando a premeditação do mesmo e o presidente da agremiação a exigir o fim de árbitros “condicionados”. Viu-se Rui Costa de dedo em riste para o delegado da Liga e de ameaça firme. A tudo isto a classe arbitral e a liga responderam com cobardia e com um silêncio que não é inocente. O alerta vermelho tocou e tomou conta das estruturas. Quem viria ao Dragão apitar este jogo? Um árbitro com o segundo grau em Lucílio Baptista, obviamente. Um árbitro que não vê penaltis para o FC Porto, um árbitro complacente com o jogo violento da Académica e que comete e proeza de distribuir o mesmo número de cartões entre as duas equipas. Um árbitro que construiu, ontem, uma carreira sólida. Receberá as suas insígnias FIFA, andará por cá muitos anos.

 Aprendiz de Calabote.




O jogo arranca com uma boa novidade, Maicon é devolvido ao seu lugar. Tudo o resto, é o habitual amontoar de más opções que inibem o FC Porto de arrancar rumo ao título. Continuamos com um meio campo não estruturado. Fernando, incompreensivelmente, continua a não participar na primeira fase de construção, obrigando Moutinho a vir buscar jogo atrás. Lucho continua ausente do meio campo, acantonado nas costas de Janko, a jogar a passo, sem dinâmica criativa e longe de ser foco de perigo constante para os adversários. Pelo meio, um enorme vácuo que Moutinho desespera por preencher. Basta ao adversário ter um par de médios um pouco acima da mediania e o nosso jogo a meio campo é sufocado. Ainda não ter percebido isto a poucas jornadas do fim é grave, no mínimo. O meio campo não avança sobre o adversário e, partido pelo meio, dá um espaço vital para o adversário controlar o nosso jogo.



James continua a extremoTitular, sim, mas a extremo! 

Vítor Pereira já admitiu que sabe que o Colombiano não é extremo, mas não consegue colocá-lo na sua posição, mesmo que a equipa DESESPERADAMENTE o necessite. Não consegue libertar-se do estatuto que Lucho. Com isto, não empresta à equipa a dinâmica que precisa na posição 10 e que só James pode dar (é o melhor talento do campeonato se, e só se, jogar na sua posição), como também, implode o nosso jogo pelos flancos. O FC Porto fica a atacar com dois falsos extremos, dois jogadores que procuram frequentemente o jogo interior e ninguém que o estique até à linha de fundo. Sem meio campo estruturado, sem dinâmica na zona 10 e sem vida nos flancos, o que resta? Basta ver o nosso jogo ontem. Nada. Nem Janko se safa, tal qual Kléber não se safava.




É assim a primeira parte do FC Porto, sufocado debaixo dos seus erros e da mão arbitral. Como se não bastasse, o FC Porto é duplamente penalizado. Um golo Academista, num falhanço duplo da defensiva. Primeiro, é Álvaro a deixar Saulo ter espaço no flanco e cruzar à sua conveniência. Depois, é Rolando ao falhar a marcação a Edinho, deixando-o saltar solto nas suas costas. Já antes, Fernando saíra por lesão. Uma ausência que jamais foi compensada e que minou qualquer regeneração do jogo a meio campo. Mais uma demonstração cabal de um erro grave de construção de plantel. Ou há Fernando, ou o FC Porto fica sem nada naquela posição. Tenta disfarçar, mas na verdade, fosse Souza, seja Defour, ou outro qualquer, é quase o mesmo. Pouco mais que nada.





Se a primeira parte já foi má, a segunda parte, foi pior. O mão negra arbitral sonega um penalti mais que evidente e, não satisfeita, aproveita o lance para ganhar vantagem para o próximo jogo, afastando Hulk do jogo da Choupana. O “dois em um” perfeito.

Do lado do FC Porto as coisas não correm melhor. Precipitação, pouca inspiração e desvario táctico. O lado direito da defesa tem sido laboratório de experimentação. Vítor Pereira não escapa à nova moda das bancadas do Dragão. Há-de fazer de Djalma um defesa direito, porque sim. Sai Sapunaru, entra Djalma. E pede a Djalma para ser extremo a defesa direito. Seria mais fácil ser o extremo que o FC Porto procurava, se entrasse para extremo, derivando James para 10 e retirando Lucho. Não senhor! Vamso pelo caminho difícil e turtuoso.

Djalma jamais poderia ser extremo a defesa direito. Já não havia Fernando para compensar as suas subidas e Diogo Valente nunca deixaria de aproveitar as suas costas. Mas pior que isso, é o próprio Vitor Pereira que desmonta esta substituição e arruma com o jogo flanqueado do FC Porto. Tudo numa só cajadada. É dose. Nem 10 minutos depois, retira Rolando e coloca Kléber em jogo. Fixa Djalma e Álvaro num esquema de três defesas (estará mesmo convencido que o Djalma é defesa?), o jogo flanqueado fica cingido às incursões de Hulk e duas torres na frente à espera de cruzamentos que NUNCA chegariam (fora as vezes em que se atrapalharam, sobretudo pela imobilidade de Janko). Pedro Emanuel não cabe em si de contente. Faz o que lhe compete. Refresca o meio campo para garantir que continua a dominar o meio campo e a aproveitar todos os espaços concedidos (entre a linha de Defour e Moutinho e a linha do inerte Lucho). Depois, refresca o flanco para ter a certeza que Djalma e Álvaro não sairiam lá de trás.





FC Porto vive das jogadas que, teimosamente, James vem fazer à posição 10 e de Hulk, sempre ele, sozinho porque não há quem o acompanhe. Uma anarquia táctica, um desespero perante o escoar dos minutos. Lá chegou o penalti que nos deu 1 ponto. Ao soar do gongo. Sempre é melhor que nada.


Para a Madeira, nem Hulk, nem Djalma (pelo menos as hipóteses de um defesa direito à pressão diminuem), veremos se Fernando recupera (o que a não acontecer é terrível) e margem de erro ZERO.



Acreditar, acredita-se sempre. Todos sabemos o potencial desta equipa. O problema é que o potencial não entra em campo. Precisa de ser extraído. É aqui o problema. Não há mão. Mão de treinador.



Análises Individuais:

Helton – A Académica atacou muito pouco e quase não teve trabalho. Sem culpas no golo.

Sapunaru – Está longe do fulgor que teve na época passada. É um jogador ausente nesta época. Mas é o que temos. Não há que inventar. Teremos é que tentar regenerar o que temos. Sai, uma vez mais, lesionado. Como quase em todos os jogos em que participa.

Álvaro – Um dos piores em campo. Na primeira parte, pouco subiu e quando subiu não conseguiu construir um lance com conta, peso e medida. A defender foi um desastre. Saulo faz o que quer em três lances. Na segunda parte, desaparece do jogo ofensivo e a defender continua errático. Totalmente perdido.

Maicon – O único que se salva do desastre defensivo. É um jogador em contra-ciclo. Enquanto a maioria desaprendeu, Maicon brilha como nunca brilhou. Um esteio na defesa e uma ameaça na frente.

Rolando – Mais uma vez, um desastre. Edinho não é um adversário complicado, nem teve jogo por aí além. Ainda assim, deixou-o fugir em duas situações. Numa delas, deu golo, num erro primário de marcação. Sai de campo não como capitão, mas como um amuado. Rico exemplo.

Fernando – Temos o melhor 6 do campeonato, mas não o utilizamos em plenitude. Um desperdício com patrocínio da equipa técnica do FC Porto. Não é o primeiro construtor de jogo, o que não se compreende. Com isso, o meio campo recua. A sua lesão foi mais de meio caminho andado para o desastre a meio campo. Esperemos que recupere para a Choupana. Ou ele, ou (quase) nada.

Moutinho – É um grande jogador, mas não faz tudo. Tal é o vazio que se cria entre si e Lucho que não consegue preenchê-lo. Passa demasiado tempo ao lado ou atrás de Fernando para conseguir chegar a Lucho. Não consegue fazer pressão alta e o nosso meio campo sucumbe.

Lucho – O meio campo do FC Porto precisa de outra dinâmica, de um jogador que imprima velocidade, que saiba ganhar os espaços entre os médios contrários. De um jogador que não se distinga só no passe, mas também no drible, na velocidade, na capacidade de desequilibrar no flanco numa troca posicional e no remate fácil. O FC Porto não pode ficar refém do estatuto de Lucho. É uma referência, é um jogador de grande qualidade, mas não é o 10 que o FC Porto precisa. Temos melhor, temos muito melhor e precisamos dele como de pão para a boca.

 James – Titular. Mas assim, não vale a pena. Ser titular para ser colocado a extremo é perder o jogador. Quase tudo o que de bom o FC Porto fez foi com James a jogar por dentro. Para quando concordância entre as palavras de Vítor Pereira e as suas decisões? Até quando o FC Porto terá que jogar sem o seu melhor 10, sem o seu jogador mais desequilibrador, por decisão táctica aberrante?

Hulk – Jogou muito sozinho? É verdade. Mas que poderia mais fazer. Negaram-lhe dois penaltis, foi o jogador mais desequilibrador e o melhor da linha ofensiva. Não beneficiou nada com a troca de Sapunaru por Djalma. O Angolano não podia subir, nem entrou para o outro flanco para o ressuscitar. Tinha mesmo que tentar fazer sozinho o que o comando técnico não conseguia resolver desde o banco.

Janko – Até para ser pinheiro é preciso ter arte. Se as bolas não chegam redondas e fácies, com Janko não há golos. Simplesmente, porque não tem futebol para mais. Foi a primeira vítima das decisões tácticas do jogo. Não lhe chegou jogo e “morreu”. A verdade, e para choque dos adeptos portistas anti-Kléber, é que Janko já tem uma média pior que Kléber em golos por minuto para o campeonato. Pois é!


Defour – Todos os passes que exigiram mais classe, falhou-os. Todos eles. Entrou com vontade, mas sem classe suficiente para preencher o meio campo. Teve, ainda, uma perda de bola comprometedora. Uma época bem abaixo do esperado.

Djalma – Não entrou para o seu lugar, nem para fazer o que as suas características podem dar à equipa. Há um novo defesa direito a crescer no delírio de muitos e Vítor Pereira não escapa. O que há é menos um extremo vertical no Dragão. Isso sim. Para gáudio dos adversários!

Kléber – Foi quem deu mais ar fresco à equipa. Janko atrapalhava quase tanto como os centrais Academistas, mas foi tentando. Que fez para merecer tamanho castigo? Porque é quase um proscrito? Que fez de pior que Janko para ser assobiado e Janko aplaudido?










Por: Breogán
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