sexta-feira, 9 de março de 2012

O FC PORTO E OS TRI PERDIDOS: A Luz Foi Ouro

Continuamos com a nossa série de crónicas sobre a história do nosso clube, esperamos que gostem...


Parte 6

A LUZ FOI OURO

No ano em que tudo na Luz foi ouro, o FC Porto não se limitou a conseguir o primeiro tricampeonato da sua história. Arrecadou também uma Supertaça europeia e na liga dos Campeões amealhou cerca de dois milhões de contos (10 milhões de €), chegando aos quartos-de-final, para aí baquear, com algum estrondo, frente ao Manchester United.




A época abriu com uma vitória sobre o Benfica, nas Antas, por um magro 1-0, na 1ª mão da Supertaça. E a primeira escorregadela aconteceu ainda em Agosto, empate a duas bolas (Domingos, Jardel) nas Antas, na abertura do campeonato, perante o V. Setúbal. Na jornada seguinte, em Leiria, os golos (três) só chegaram a poucos minutos do fim. Muitos foram os que chegaram a temer o pior em Milão, no jogo inaugural da Liga dos campeões. Mas aí o “Dragão”deitou fogo e derrotou os super favoritos. Foi a volta de mar.

Retomado o campeonato com uma vitória em casa sobre o D. Chaves, nova jornada gloriosa, esta na Luz, (18-09-96, nunca, jamais, esquecerei esta data), na decisão da “Super”, cinco murros no estômago benfiquista… sem Jardel a marcar. Mais duas vitórias, uma para o campeonato e outra para a LC, nas Antas, e campeão de vento em popa, mas eis que o E. Amadora vai às Antas ofuscar as estrelas portistas, arrancando um empate sem golos. Ouvem-se alguns assobios no famoso “Tribunal das Antas”.
Mas a pausa do campeonato por causa da selecção, acaba por ser benéfica e os comandados de Oliveira conseguem, em Alvalade, uma vitória preciosa Neste jogo, arbitrado por Lucílio Baptista, o guarda-redes Hilário faz a sua estreia com a camisola do FC Porto. Era o início de um ciclo de 21jogos consecutivos, tremendamente vitorioso, onde o FC Porto ganhou 20 e empatou apenas 1!



Mas não há bela sem senão, uma derrota, em casa, frente ao Salgueiros e um empate na Amadora, são aproveitados pelo Sporting para uma aproximação já fora das previsões. A equipa de Octávio consegue mesmo ficar a sete pontos dos “Dragões”, depois de vencer nas Antas. Mas o campeão responde com quatro vitórias de enfiada no campeonato, apenas interroompidas por um empate caseiro frente ao Rio Ave, mas com o Sporting a largar lastro depois de ter perdido na Luz (estádio talismã, nessa época, para os portistas).
Em Guimarães, a três jornadas do fim do campeonato, o FC Porto festeja o seu 15º título nacional. Sem deixar margens mesmo para os duvidosos do costume.

PARA TI, RUI

Meia centena de jogadores entrou para a história do FC Porto como protagonistas, sazonais ou a tempo inteiro, deste tricampeonato. Mas apenas nove conseguiram estar em todas. Apenas? Nove são quase uma equipa de futebol, dando para ver por aqui que um dos segredos do FC Porto é mesmo ser capaz de manter todos os anos uma base sólida.

Domingos, Rui Barros, Paulinho Santos, Jorge Costa, Rui Jorge, Folha, Aloísio, Drulovic e João Pinto foram os tricampeões integrais. A acompanha-los esteve também o Dr. Domingos Gomes, o massagista Rodolfo Moura e o roupeiro Fernando Brandão, para só falarmos naqueles que estão mais directamente ligados à equipa.

Outros nomes de campeões para a história reter: Vítor Baía, Emerson, José Carlos, Secretário, Kulkov, Iuran, Latapy, Jorge Couto, Baroni, Bandeirinha, André, Kostadinov, Semedo, Cândido, Jaime Magalhães, Vítor Nóvoa, Lipcsei, Mielcarski, Bino, Silvino, João Manuel Pinto, Matias, Quinzinho, Erikson, Jorge Silva, Edmilson, Wozniak, Hilário, Barroso, Artur, Zahovic, Sérgio Conceição, Wetl, Jardel Lula, Fernando Mendes, Rui Óscar, Buturovic e Diaz.




No lote dos outros campeões, um deles logo foi destacado na hora em que se confirmou o feito: Rui Filipe. O malogrado futebolista – desaparecido aos 26 anos, num acidente de viação – foi o autor do primeiro de uma série de 237 golos que foram o enchimento de três campeonatos vitoriosos.
Rui Filipe Tavares Bastos marcou o primeiro golo da vitória por 2-0 sobre o Sp. Braga, nas antas, jogando os noventa minutos. O médio nascido em Vale de Cambra viria ainda a vestir mais uma vez a camisola das listas “azuis e brancas”, na Luz, num jogo da Supertaça, no qual viu um cartão vermelho que o colocou fora da convocatória para mais uma partida do campeonatp, em Aveiro, com o Beira Mar.

Na Madrugada de 28 de Agosto de 1994, a morte na estrada. Rui Filipe seria, no entanto, uma imagem bem viva que acompanharia os portistas nas pelejas que se seguiram. E mais uma vez a equipa lhe rendeu a homenagem da memória antes do jogo da consagração do “tri”, deixando junto ao seu busto, no parque de estacionamento das Antas, um ramo de flores. Talvez tenham sido amarelas como os cabelos do Rui.




OLIVEIRA BATEU ROBSON

Ao vencer na última jornada, da época 96/97 (a), o FC Porto de Oliveira ultrapassou, em termos de rendimento no campeonato, os FC Porto de Robson que estiveram na base deste “tri”.

Em 102 pontos possíveis, os portistas conseguiram 85 (!), o que proporcionou um rendimento de 83.3 %, superando os 82.3 % de 95/96 e os 79.4 % relativos a 94/95.
Mas a melhor “performance” dos “Dragões” continua a pertencer a Mihaly Siska, com uma facturação de 94.4 % dos pontos possíveis (34 em 36) na já longínqua época de 1939/40. Artur Jorge, na antecâmara do título europeu, também conseguiu um bom resultado, em 85/86 (b), com 91.6 %, entrando no clube restrito dos treinadores que atingiram uma percentagem superior a nove dezenas.

(a)-18 Equipas – 34 Jogos
(b)-16 equipas – 30 Jogos

Fonte: "Jornal O Jogo"



Por: Nirutam
Enviar um comentário
>