quarta-feira, 7 de março de 2012

O FC PORTO E OS TRI PERDIDOS: De Artur Jorge a Bobby Robson.


Continuamos com a nossa série de crónicas sobre a história do nosso clube, esperamos que gostem...

Parte 3


1986/1987: GLÓRIA EUROPEIA MAS O TRI PERDIDO






A temporada de 86/87 marcou decisivamente uma nova era na história do FC Porto. Foi conseguido o difícil e até impensável feito de conquistar a Taça dos Clubes Campeões Europeus, mas, em Portugal, o FC Porto não conseguiria mais do que o 2º lugar, atrás do Benfica. Mais uma vez o sonho do”tri” era desfeito, embora desta feita fosse largamente compensado com o título europeu.







Novamente, numa época em que os portistas poderiam sagrar-se campeões, o futebol português foi invadido por inúmeras questões paralelas ao que ia decorrendo nos relvados nacionais. As peripécias de Saltillo enchiam as primeiras páginas dos jornais. Pinto da Costa e Francisco Silva acaloravam as manhãs cinzentas de Outono com uma guerra de palavras, mas tudo foi esquecido quando o Sporting de Manuel José, goleou por 7-1 o Benfica, de John Mortimore. O destino demonstrou, uma vez mais, que quem ganha uma batalha, não pode ecoar os cânticos de glória. O Benfica viria a travar a corrida do FC Porto ao “tri”, enquanto o Sporting limitou-se a lutar por um lugar “uefeiro”, ficando na quarta posição do campeonato.










Em Novembro, Artur Jorge, o homem que treinava os portistas, alertou os mais incautos que estava preparada uma orquestra nacional para adormecer o FC Porto. O alerta, contudo, não surtiu grandes efeitos a nível nacional e tudo ficaria praticamente decidido quando o FC Porto perdeu em Alvalade, já no mês de Abril. Até mesmo Pinto da Costa reconheceu que o “tri2 já era inatingível, quando depois do encontro com o Sporting mandou um recado mordaz: “Agora, o Conselho de  arbitragem já pode dar descanso ao Carlos Valente, que o Benfica já é campeão…”







Parte 4

1993/1994: IVIC VOLUNTÁRIO NA CROÁCIA E CATROGA HIPOTECA RETRETE





Carlos Alberto silva chegou do Brasil como um anónimo à Antas, conquistou dois campeonatos consecutivos, e partiu para a sua terra sem que os adeptos portistas o tenham aclamado. Pinto da Costa pensou que havia chegado finalmente a hora de conquistar o primeiro “tri” e apostou num treinador que, no FC Porto só tinha sido eliminado da Taça dos Campeões Europeus pelo Real Madrid. Tomislav Ivic, o homem que tinha treinado o FC Porto em 87/88, foi eleito pelo presidente portista para prosseguir os êxitos iniciados por Carlos Alberto Silva, mas a passagem do técnico croata pelo Benfica no ano anterior não augurava uma época brilhante para Ivic.

Com um inicio de campeonato aos tropeções, tornava-se insustentável a presença do simpático, mas pouco eficiente à frente da equipa técnica do FC Porto. Pinto da Costa anunciou que Ivic havia solicitado para que o clube portista o deixasse partir para reorganizar o futebol no seu país, homem de bons sentimentos, o presidente portista deixou sair um homem que contribuiu para alguns dos mais importantes títulos que estiveram na Sala de Troféus das Antas.






Rapidamente, para tentar salvar o que ainda podia ser salvo, Bobby Robson, despedido de Alvalade, entrou a substituir Ivic que deixara o FC Porto a duas vitórias do Benfica, então líder do campeonato. Pouco tempo depois, os portistas foram derrotados pelo Benfica na Luz, mas para Robson o resultado do jogo havia sido Mozer 2 – F. Couto 0. O central portista agrediu o brasileiro, foi expulso e marcada uma grande penalidade contra a sua equipa. Couto pagou uma multa de mil contos (5mil euros) e foi treinar sozinho, ambos os castigos impostos pelo clube.







O título voltava a ser uma miragem e, nem os 5-0 arrancados em Bremen, na Liga dos Campeões, satisfizeram as hostes portistas. Pinto da Costa, feliz com o resultado, aproveitava o momento para demonstrar a sua indignação pelo facto do Estádio das Antas e, em particular a retrete dos árbitros, ter sido penhorada. Surgiram as manifestações de protesto, em que, se dúvidas houvesse, Pinto da Costa provava a força que tinha junto dos adeptos portistas. Catroga entrava, desta forma, para a história do futebol.







O FC Porto, todavia, perdia a quarta oportunidade de se sagrar tricampeão. A Taça de Portugal e a presença nas meias-finais da liga dos Campeões foram os maiores feitos da última temporada em que o FC Porto não foi campeão nacional.



Fonte: "Jornal OJogo"


Por: Nirutam
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