sábado, 14 de fevereiro de 2015

FC Porto 1 - 0 Vitória - Muito Porto para resultado tão escasso



Vigésima primeira jornada. A primeira das finais deste ciclo importante de jogos. Respiramos bem e para o continuarmos a fazer só um objectivo serve. Os 3 pontos. Neste e nos jogos seguintes.

Lopetegui, bem, já tinha avisado na antevisão. Nada mais importa senão este jogo até o árbitro apitar no fim dos 90 minutos. Os jogadores perceberam bem a mensagem. Em campo ia entrar um 11 muito parecido ao da ultima jornada, apenas uma alteração. 


Já muito se discutiu o estilo de jogo deste Porto. Tikitaka? Nem por sombras, nem é isso que se pretende. Desse estilo apenas fomos buscar o que de melhor esse estilo tem. Não, não me refiro à posse de bola. Isso é consequência de algo feito antes. A principal qualidade é a defesa que nem deixa o adversário organizar-se. O adversário recuperou a bola? Então, pressão neles. Saber fazê-lo de forma competente é extremamente dificil. Não é pressionar um a um, não é pressionar só quem tem a bola. É ter um bloco que atrapalha quem tem bola e não dá espaço nem tempo a quem a tenta receber. 



Essa característica este Porto versão 2014/15 tem ou tenta ter. 



Essa característica deu-nos uma entrada em grande. A equipa adversária tinha um handicap. Estava privada do jogador que melhor sabe lidar com isso. Arrisco dizer que mesmo com ele em campo, víamos o mesmo de ontem nos primeiros 45 minutos. Um Porto mandão, um Porto protagonista como o nosso técnico gosta de dizer.


Fabiano foi um espectador. Danilo e Alex Sandro viam-se mais no último terço do campo a criar desiquilibrios que na defesa. O adversário não consegiua sair do seu meio campo. Perigo só numa baliza, a deles.


Foram tantos, tantos lances. Jackson esteve perto do golo em mais que uma ocasião, Herrera teve chances, Quaresma teve chances, Danilo teve chances, Brahimi também.


Foram uns primeiros 45 minutos com futebol entusiasmante. Dominio absoluto. Muita bola. Jogo interior competente, médios muito activos com Herrera e Oliver a pautar o jogo, cada um no seu estilo. Extremos a conseguirem espaço para também criar jogo e até surgir no apoio ao avançado. 


Muito jogo, pouco aproveitamento. A cada lance bem construído, ineficácia e ingenuidade a finalizar. Golos só 1. De Brahimi. Não foi a primeira vez que marcou legalmente a este adversário mas foi a primeira vez que contou. Um lance que mostra muito do qu falamos antes. Oliver recebe a bola na área, bem pelo meio do terreno. Boa recepção, espera pelo apoio e encontra Brahimi na altura certa a surgir pela esquerda. passe bem medido e finalização eficaz. Simples, bonito, eficaz. Estava aberto o marcador.


O intervalo chegou e apenas dois amargos de boca. Apenas um golo, quando podia e devia ser 4 ou 5. Alex Sandro, um dos 3 jogadores em risco de exclusão já tinha visto amarelo.


Depois do recomeço do jogo, bastou um minuto para o Guimarães fazer o que não havia feito até então. Chegar com perigo à nossa área. 


Eles subiram as suas linhas. A isso juntaram dureza. Não aquela dureza de futebol que se gosta. Também a tiveram. Mas aqui e ali ultrapassaram bastante essa linha que separa virilidade de quem quer ganhar, de bater forte e feio. 


Raramente assustaram Fabiano. Não tiveram verdadeiros lances de golo. Mas bastou para equilibrar o jogo.



Lopetegui gritava e dava indicações. Queria a equipa mais subida. Queria a mesma pressão. Queria Herrera a explorar espaços e não tão atrás. 


O certo é que a equipa não o conseguiu. Então vamos reorganizar, temos de estar por cima.



Sai o mexicano, entra Ruben. Não foi uma substituição defensiva. Foi uma substituição de quem quer dominar a cada lance. Oliver joga uns metros mais à frente do que antes. Ruben mais atrás. Casemiro na mesma função de sempre. 



Resultou. Casemiro estava atento. Soube perceber o jogo. Dobrou bem, posiciou-se bem. Na sua área de acção varria. Ruben foi importante nisso. 


Estava recuperado o ascendente na zona intermediária. E nem à patada o perdemos. 



Retive um lance em particular. Cafu, esse mestre da entrada a pés juntos, estava nas suas 7 quintas. Já devia ter sido amarelado antes. Não o foi. Podia esticar-se. Esticou-se demasiado. O árbitro deixou. A entrada a pés juntos sobre Casemiro merecia vermelho. Por bem menos Maicon foi expulso contra o Boavista. E numa noite bem diferente, com um terreno bem mais complicado. Pelos vistos mudaram o critério...



Se tínhamos recuperado o meio campo, vamos dar velocidade ao ataque e explorar o espaço que podia surgir. Tello lá dentro e Hernâni no fim. Mais uma vez bem. 



Estivemos bem mais perto do segundo do que eles do primeiro. Mesmo sem a exuberância da primeira parte. 



Apito final. Vencemos. Era o mais importante. Vencemos com mérito. Bom jogo. 



Ainda temos muitas de vencer muitas batalhas para vencer a guerra. Uma de cada vez. Segue-se uma batalha diferente. Basileia, na primeira mão dos oitavos da Champions. O objectivo é voltar às 8 melhores equipas da Europa. 



Um aspecto a melhorar. Não é de ontem, mas algo em que temos evoluído pouco. Pode parecer apenas um pormenor mas esse detalhe pode dar vitórias. Os lances de bola parada ofensiva. Tivemos 6 cantos, mais de uma dezena de livres, até um dentro da grande área. É verdade que conseguimos rematar 3 vezes e um dos lances até foi bem trabalhado. Mas a enorme maioria dos cantos, lançamentos e dos livres laterais não estão a sair bem. Ora falha o cruzamento, ora falha o passe, ora o lance parece mal ensaiado. Há ideias trabalhadas, nota-se isso. Mas falta saber colocá-las em prática. 






 Análise individuais: 



Fabiano: Poucas vezes foi chamado a parar verdadeiro perigo. A equipa vimaranense rematou uma meia dúzia de vezes mas quase sempre de longe e fraco. Quando foi preciso esteve seguro.



Danilo: Acabou o jogo e foi assistido após um lance com Casemiro. Sem qualquer problema defensivo com quem aparecia na sua zona, destacou-se ofensivamente. Esteve perto do golo em duas ocasiões, ambas finalizadas ao lado, após diagonais. Iniciou a jogada do golo. Viu um amarelo e não pode jogar no Bessa.



Maicon: O Vitória foi um adversário macio, não criando grandes problemas à nossa zona defensiva. Não permitiu espaços, esteve seguro nas dobras e imperial no ar. Quase marcava de cabeça na 2ª parte. Um reparo. Jogou longo e nem sempre com acerto quando tal não o justificava.



Marcano: Titular em detrimento de Indi pela segunda vez consecutiva. Não foi posto à prova mas teve um corte defeituoso nos descontos que permitiu um remate (sem perigo) já no fim do jogo. Boa visão de jogo a assistir Maicon num lance que deixou o companheiro muito perto de marcar.



Alex Sandro: Tal como Danilo destacou-se pelas acções ofensivas, funcionando muitas vezes como um 2º extremo. Combinou bem com Brahimi.



Casemiro: Gradualmente tem vindo a melhorar no que diz respeito ao posicionamento de 6. Ontem foi um desses casos. Serviu sempre como um tampão às investidas de Bernard, não lhe dando tempo nem espaço para pensar. Muito se fala da sua virilidade mas ontem foi o principal alvo dos adversários. Entradas a pés juntos, saltos com os braços abertos, rasteiras, pequenos e grandes toques. Sofreu de tudo um pouco. 



Herrera: Excelente primeira parte. Deu profundidade, criou espaços, soube surgir na área e cair entre linhas. Foi um dos principais responsáveis pelos muitos lances de perigo na primeira parte, em que interveio na maioria deles. Na segunda parte baixou de produção. Tentou segurar enquanto Lopetegui lhe pedia para avançar e criar desiquilibrios. 



Oliver: Tem a bola e sabemos que dificilmente não dá sequência ao lance. Xavi do Barcelona uma vez disse que a sua função era encontrar espaços. Oliver deve pensar o mesmo. Se der para jogar curto e em progressão fá-lo. Tem demasiada gente naquele lado do campo, vira o flanco. A isso acrescenta uma característica que encanta qualquer treinador. Não pára um segundo. Quem tem o privilégio de poder assistir em casa ou fora a um jogo da nossa equipa lanço um repto. Durante 5 minutos sigam-no a ele. Não irão perder nada do jogo, onde a bola está ele está perto. 



Quaresma: Não é o Harry Potter que decide sozinho como foi em tempos. Não é uma crítica, pelo contrário. Este Quaresma é hoje bem mais importante que apenas esses lances. Também os sabe ter se for preciso, mas primeiro é útil à equipa. Deixou de ter um par de lances mágicos por jogo e uma dezena de perdas de bola para ter apenas um lance mágico mas nas restantes dá mais sequência aos lances. 



Brahimi: Foi dele o golo do triunfo. Teve mais uns lances à Brahimi, daqueles em que "dá um nó" ao rim do defesa mas também ao cérebro. Todavia, ainda não é o Brahimi que encanta. Esse precisa de mais uns jogos e de voltar a ser mais prático. Mesmo assim, um dos melhores.



Jackson: Surpresa, não marcou. Teve oportunidades para isso mas não resultou. Teve uma má decisão quando num lance de 3*2 rematou quando Brahimi e até Quaresma davam linha de passe em melhor posição. Uma má decisão que não belisca a sua importância. É um craque e o porto seguro da equipa. Domina como ninguém, nunca se esconde do jogo e mesmo quando não é ele que finaliza sabe abrir espaços para os colegas arrastando marcações. 




Rúben: Substitui Herrera mas não entrou com as mesmas funções. A Herrera Lopetegui gritava para que o mexicano fosse mais incisivo no ataque. O nosso míudo maravilha entrou para dar estabilidade quando parecia que a podíamos perder. Como sempre esteve bem. 



Tello: Entrou bem mas nem sempre deu sequência. Ainda assim foi o principal responsavel pelos lances de maior aperto para a defesa adversária no fim da partida. 



Hêrnani: Estreou-se com a mais bela camisola do mundo no mais belo estádio do mundo. Entrou  e logo depois quase marcava. Pode vir a ser importante no futuro da equipa. Depende dele. Ontem os adeptos mostraram-lhe que acreditam no seu valor. 

Ficha do jogo: 

FC Porto 1-0 Vitória de Guimarães
Sexta-feira, 13 Fevereiro 2015 - 20:30
Competição: Primeira Liga 21.ª jornada
Estádio: Dragão, Porto (TV: SportTV)
Assistência: 26.108
Árbitro: Nuno Almeida (Algarve)
Assistentes: Paulo Ramos e Luís Ramos
4º Árbitro: Vasco Santos

FC Porto: Fabiano; Danilo, Maicon, Marcano, Alex Sandro; Casemiro, Herrera (Rúben Neves 65') , Óliver Torres; Quaresma (87' Hernâni), Jackson Martínez (c), Brahimi (Tello 65').
Suplentes não utilizados: Helton, Martins Indi, Quintero,   Aboubakar.
Treinador: Julen Lopetegui

V. Guimarães: Assis; Bruno Gaspar, Josué (c), João Afonso, Breno, Bouba Saré (Nassim 74'), Cafú, Bernard, Sami (Gui 59´), Alex (Tomané 82´), Jonatan Álvez.
Suplentes não utilizados: Douglas, Moreno, Otávio, Valente.
Treinador: Rui Vitória

Por: Paulinho Santos
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