quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Anábase

#Joker
Ciro, o Jovem
Governador da Lídia
Queri’a Pérsia
Pr’o dia d’ontem…

Irmão de Rei
E favorito!
Tem-se proscrito
Por força da Lei…

Mas reivindica
O direito ao trono
Concebend’o plano
Em qual s’aplica

E nisto recria
Um grande exército
Em cujo mérito
O grego é guia…

É o espartano
De capa ao vento
O seu portento
A ganhar o trono!

O príncipe persa
Tem no mercenário
O vector primário
Par’a que vença!

E lá avança
À Babilónia
Desd’a Jónia
Reclamand’a herança!

Cem mil guerreiros
São asiáticos…
Mas os emblemáticos
São os estrangeiros!

Mas Artaxerxes
O Grande-Rei
Do Império é a Grei
Dos seus alicerces!

E esper’a vaga
Do “invasor”
C’o exército maior
Junt’a Cunaxa!

Dá-se o embate
Junt’ao Eufrates
E Artaxerxes…
Ganh’o combate!

É morto Ciro
E empalado…
C’o grego armado
Por mau agoiro!

Pois vencedora
A falange grega
Na luta cega
Sai perdedora…

Ao desobedecer
Ao desejo de Ciro
Em cujo martírio
Se fez ceder

Por atacar
A parte frontal
Em número desigual
Sem s’apoiar…

Pois que sabia
Qu’era surpresa
Da força grega
Qu’os venceria!

Essa falange
Eram os “Dez mil”
De força febril
Em máscara d’esfinge!

Grandes guerreiros
Como Leónidas!
Que das Termópilas
Eram herdeiros!

Abandonados
À sua sorte
No campo de morte
Foram cercados…

Mas por respeito
O Imperador
Não tev’o ardor
Pr’a novo pleito!

E esses guerreiros
Como perdidos
Foram seguidos
Por tais carreiros…

Pois qu’ao retirar
Em terra estranha
Só uma façanha
Os levaria ao mar…

Ao ponto Euxino
Ao mundo grego
A qu’este degredo
Tinha destino!

Ao retroceder
Tinham as montanhas
Grandes entranhas
Pr’a se morrer…

C’o um Império
Na sua peugada
E uma terra escarpada
Por cemitério….

Tribos aguerridas
No seu encalço
Tomam do aço
As suas vidas!

Em graves refregas
Nesse terreno
Contr’o inverno…
As vitórias, gregas!

E sem os comandantes
Atraiçoados…
Outros são dados
Como gigantes!

Tudo vencendo
À sua passagem
A que só a coragem
Não foi cedendo!

Persas e Medos
Curdos, Arménios…
Aldeias, impérios
Planicies, rochedos…

Contr’o desconhecido…
Relatou Xenofonte
Não há reino ou monte
Qu’os tenha vencido!

A que só a união
Desses grandes soldados
Não os teve derrotados
À força da situação…

É pois da História
Que levamos exemplo
Que val’a tod’o tempo
Pr’o rosto da Vitória!

Que sendo Deusa grega
Nos serv’a nós, humanos
Não há pretensos planos
Qu’a vença p’la cega…

Por isso há que pensar
Na “guerra” e na “paz”
A que só a coragem jaz
Como modo d’a apoiar!

Sem os dois ingredientes
É pois a morte, certa!
Qu’a moira está deserta
Por novos “combatentes”!

E no mundo d’agora
O que vemos em reflexo
A qu’o futebol por nexo
Se mostre por desforra?

Que nunca se desiste
Em grave desespero
Qu’esse é grave erro
A quem a tudo resiste!

E sendo nossa prática
A tudo resistir!
Não vamos desistir
Por convicção ou táctica!

Pois aquela acusação
A qu’o catalogavam
(Que só os espanhóis calçavam…)
É pura invenção!

Pois essa lista tem
Uma verdadeira falange!
Que vejo ir bem longe
Vencendo quem lá vem!

E escarpando montes
Montanhas e Impérios…
Os escribas serão sérios
Ao ver novos horizontes!

Também perdi a esperança
A espaços, no caminho
Mas não estava sozinho
Até ond’a vista alcança…

E mesmo tortuoso
O caminho de regresso
Será esse sucesso
A génese do colosso!

Pois como Alexandre
Que denotou a fraqueza
Desse Império Persa…
Se fará o Grande!

Assim será o Porto
Em nova cronologia
C’o Império já ruía
Por já saber-se morto…



Por: Joker
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