sábado, 5 de outubro de 2013

Segunda Liga: 10ª J.; FC Porto B 1 - 2 SP. Covilhã: Amargo.


 Um excelente jogo para se aprender.



Primeiro, que o apito do árbitro é soberano e é preciso manter a concentração até ao fim. Não interessa discutir descontos, mas manter a atitude competitiva até o homem se resolva a apitar para o fim. 

Segundo, mesmo perante uma equipa que nos foi claramente inferior em termos qualitativos, lembrar sempre que nos podem fazer sofrer, sobretudo em momentos de desconcentração. 

Terceiro, que para lá das dificuldades deste campeonato, muito competitivo, também a terceira equipa pode desequilibrar um jogo. Estes aprendizes de “Lucílio” gostam de mostrar serviço. Penalti claríssimo e quantas arrancadas de Carlos Eduardo travadas por falta grosseira ficaram por amarelar? Quatro ou Cinco? Eu perdia a conta…



Estes são os factores exógenos, mas também há factores para reflexão dentro da equipa. Começo pelo choradinho do “jogo ao meio da semana”. Bem sei que para alguns destes jogadores, sobretudo para os que são promovidos dos juniores ou ex-juniores, este contacto com o futebol sénior profissional com um calendário tão pesado é duro. Mas se é duro, ainda bem que o é! É de espinhos e não de flores que se faz o crescimento do talento.

Mas chega a hora de Luís Castro parar e pensar no que tem a trabalhar. 

Primeiro, isto é uma equipa profissional, mesmo tendo um ambiente de crescimento para jovens talentos. Assim sendo, impõe-se uma justa e correcta “meritócracia”! Quem falha, tem que perceber que tem consequência. Quem espera pela sua oportunidade não pode assistir ao erro alheio e continuar à espera.

Segundo, as falhas de marcação na zona central da defesa é algo que se arrasta há muito. Há um excesso de permissividade, ou melhor, muita falta de agressividade e abordagens pouco impositivas aos lances. Hoje, lá foram dois golos sofridos dessa forma. 

Terceiro, tem que reflectir no seu meio campo. Mikel é um 6 que se cola aos centrais o mais que pode. Lá tem um momento ou outro em que avança, mas a entrega é, quase invariavelmente, má. Ou seja, com um 6 tão metido atrás, o meio campo recua. E mais recua se o 8 for um 6 mas com as características ideais para o FC Porto. Ainda por cima, a 10 temos um 8 e o 10 está a extremo. O que resulta disto? O meio campo do Covilhã sempre encontrou conforto no jogo e não tivemos nem criatividade próxima de Kléber, nem amplitude pelos flancos. Ainda por cima, e na nossa melhor fase, assistimos a Carlos Eduardo a fazer “piscinas” transportando bola até ao ataque, quase como único fio condutor de jogo.

Portanto, Mikel não serve para 6, é um projecto falhado. Paciência. Pedro Moreira dá a segurança necessária a 6 e ainda confere uma saída de bola segura e inteligente. Tozé a 10 traria imprevisibilidade ao ataque. A 8, Carlos Eduardo quando disponível e outra solução nas suas ausências. Sempre com dois extremos em campo para termos capacidade de dar largura ao nosso jogo.

Quanto ao jogo, o FC Porto B entra bem, aproveitando a temeridade da equipa serrana. O golo madrugador chega, num lance bem flanqueado pela dupla Iva e Rafa, com Tozé na aparecer na zona 10 para concluir. Um lance que sublinha a análise acima exposta.

Coma vantagem no marcador, o FC Porto B baixou o ritmo e o meio campo do Covilhã aproveita todo o espaço para ir lançado o seu ataque. Quase toda a primeira parte vai escoando com o Covilhã a crescer cada vez mais a meio campo e o FC Porto B cada vez mais longe de Kléber e da baliza contrária. Ao cair do pano desta primeira metade, falha de marcação num canto e empate para os serranos. Murro no estômago.


A segunda parte não traz mudanças por parte de Luís Castro. Só David Bruno assume o lugar do lesionado Rafa. O FC Porto B revela dificuldades em voltar ao jogo, até que Luís Castro liberta a equipa. Tira Mikel e coloca Leandro em campo. A equipa anima-se logo e sobe no terreno. Kléber à trave e mais dois lances desperdiçados por Tozé sublinham o melhor período da equipa.

Luís Castro ainda tentou revitalizar o jogo flanqueado, tirando Tozé e lançando Vion. A substituição falhou, mas foi bem pensada. Até ao fim, o escamotear de uma penalidade a favor do FC Porto B e um balde de água fria, de novo ao cair do pano, em mais um erro infantil de marcação no centro da defesa e com Kadú a falhar estrondosamente.

Esta equipa de Luís Castro está em clara evolução face à equipa do ano passado. Para subir de patamar, basta aprender com o bom exemplo da época passada. O FC Porto B precisa de um meio com gente mais capaz e nas suas posições.


Análises Individuais:

Kadú – Foi um espectador durante grande parte do jogo. A defesa mais difícil que fez, e grande defesa que foi, foi num livre a poucos minutos do fim. No último lance, falha tão grosseiramente como o centro da sua defesa. Vida de guarda-redes de clube grande é isto. Caio para quando?

Victor Garcia – Acabou o jogo em dificuldades físicas. Fez um excelente jogo, quase sempre dominador do seu flanco. Uma das boas surpresas deste FC Porto B.

Rafa – Precisa de mais jogos na B. Defendeu mais do que costuma fazer na equipa sub-19 e isso só lhe faz bem. Grande lance com Ivo para o 1-0. Pena que, também ele, tenha saído por lesão.

Tiago Ferreira – Está muito menos errático, mas ainda longe de ser o “patrão” que já deveria ser. Falta-lhe muita autoridade e “ratice”. Não pode deixar a sua zona ser esventrada como foi nos dois golos.

Reyes – Tecnicamente muitas milhas acima do seu colega de sector. Mas precisa de aumentar os seus índices de agressividade. Na Europa, cada centímetro é um latifúndio.

Mikel – Já se sabe que mete o corpo todo. Já se sabe que disputa os lances todos. Fez um bom jogo, dentro daquilo que sabe fazer, mas não é o 6 que esta equipa precisa. Mais, não é o tipo de 6 que este clube precisa.

Pedro Moreira – Meio perdido na posição 8, embora sempre tentou levar a equipa para a frente. Quando foi para 6 deu um recital. A diferença foi tanta que entrava pelos olhos dentro.

Carlos Eduardo – Foi o melhor em campo. As suas arrancadas iam dando a vitória, não fosse a complacência arbitral à forma que era faltosamente travado. Fez “piscinas” demais, fruto de ter de sair de 10 para vir buscar jogo atrás. É um 8 de grande classe.

Tozé – Passa tempo demais longe da sua posição. Não tem perfil de extremo e, ainda por cima, hoje não esteve muito altruísta. Exibição apagada.

Ivo – Boa primeira parte e excelente a partir o seu adversário no lance do golo. Teve muitas dificuldades na segunda parte, por cansaço (jogou pelos sub-19 na Champions a meio da semana). Ainda bem. São dores de crescimento. Na recta final, cheio de ganas, tentou dar a equipa a profundidade que esta precisava.

Kléber – Andou muito tempo longe da equipa. Demasiado tempo. Fica na retina o seu cabeceamento à barra. Precisa de mais equipa para brilhar.


David Bruno – Cumpriu a sua missão. Seguro a defender e sempre pronto para sair para o ataque.

Leandro – Faltou-lhe aqui e ali mais qualidade na definição. A sua entrada estruturou melhor o meio campo e a equipa jogou melhor.


Vion – A substituição falhada. Bem feita, mas falhada. Entrou e desapareceu.  Até Ivo, já em esforço, foi bem mais dinâmico que Vion.



FICHA DE JOGO

FC Porto B-Covilhã, 1-2
Segunda Liga, 10.ª jornada
5 de Outubro de 2013
Estádio de Pedroso, em Vila Nova de Gaia
Assistência: 420 espectadores

Árbitro: Hugo Miguel (Lisboa)

FC PORTO B: Kadú; Victor Garcia, Reyes, Tiago Ferreira, Rafa (david Bruno 45´); Mikel (Leandro 63´), Pedro Moreira, Carlos Eduardo; Ivo, Kléber, Tozé (Vion 67´).
Substituições: Rafa por David Bruno (46m), Mikel por Leandro (63m) e Tozé por Vion (67m)
Não utilizados: Caio, Zé António, Tomás e André Silva
Treinador: Luís Castro

COVILHÃ: Taborda, Tiago Lopes, Rocha, Edgar, Alex Kakuba, Vítor Massaia (Gui Inters, 29), Báta, Gilberto, Carlos Manuel, Tiago Martins (Nené, 85) e Forbes (Adriano, 89)
Substituições: Vítor Massaia por Gui Inters (29m), Tiago Martins por Nené (85m) e Nuno Forbes por Adriano (8pm)
Não utilizados: Igor Araujo, Joel, Samuel e Lucas
Treinador: Francisco Chaló

Ao intervalo: 1-1
Marcadores: Tozé (11m), Rocha (45+2m) Edgar (90m+3)
Cartões amarelos: Victor Massaia (13), Mikel (54) e Rocha (75)


Por: Breogán
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