segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Liga Zon/Sagres 7ª J.;Arouca 1 - 3 FC Porto: Dunas



Reininho diz que as dunas são como divãs. Se são uma espécie de cama, então são um bom sítio para tirar um soninho.

O FC Porto é um pouco isto, um conjunto de dunas, que se movem por processos eólicos lentos e que criam uma monotonia paisagística onde o sono se sente em casa.






Já não sei bem mais o que escrever. Talvez me falte vontade ou força anímica. Os problemas são sempre os mesmos, embora este jogo trouxesse um boa novidade, mas já lá iremos. Esta equipa arrasta-se em campo, ganha vantagem e adormece e se o Arouca não fosse Arouca, sei lá o que poderia acontecer.






A única boa novidade que trouxe este jogo foi Herrera. Finalmente, um médio com potencial para preencher a posição 8. Tudo o resto foi quase só sofrimento. O jogo flanqueado roça o medonho e se não há soluções, também não há arte para as inventar. É um conjunto de dunas, estéreis, monótonas e sem velocidade de progressão. Insiste-se em esconder o único jogador com criatividade plena no banco, essa duna silenciosa que assiste ao jogo. O meio campo fica a milhas de Jackson e lá trás a festa continua. Ora os centrais, ora Helton, ora os laterais, ora em duetos. Aí também se nota a consistência de areia ao embate dos adversários contrários.

Ganhamos bem. É fácil perceber que por muitas que sejam as nossas deficiências, sempre era um estreante Arouca que tínhamos pela frente.

Entramos bem no jogo, e foi isso que nos valeu. Alguns momentos de siroco, esse vente quente do Saara, para remexer algumas dunas. E esse siroco incorporou em Alex Sandro,q eu numa jogada individual, causa o desequilíbrio para Jackson facturar.

Posto isto, o deserto. Duna, mais duna e outra duna. Chuto para a frente e só Herrera, o estreante, ia tentando levar a bola em progressão. Cheguei a ter a impressão que o nosso momento ofensivo era Herrera e Jackson a tentar que este levasse a carta a Garcia.

Lá chegou o intervalo. Felizmente.

A segunda parte é a mesmíssima coisa. Duna e mais duna. Paulo Fonseca liberta-se do seu torpor e troca Varela por Licá. Adivinham? Pois. Duna e mais duna. Tira e põe e é só areia por todo lado. Uma secura imensa de ideia. Um calor tórrido que queima qualquer neurónio pensante. O golo é uma miragem. Jackson e Herrera um oásis. Os camelos? Também andavam por lá, mas não os vou chamar pelos nomes. Só um, um manhoso de apito que inventou a bom inventar. Alucinações do deserto, só pode.







Pedro Emanuel, na pobreza franciscana de talento do Arouca, lá tentava mexer, mas até para si a sorte é tão escassa como a água no deserto. Ceballos que chateava o FC Porto sai lesionado e o Arouca perde o pouco veneno que tem.







É então que, revoltado, Otamendi decidiu passar para extremo e fazer aquilo que os cactos que habitam aquela zona se recusavam a fazer. Velocidade, encara o adversário, drible e passe preciso, como dizia o mestre Robson. Golo!

Nem sei se merecíamos esta água para molhar os beiços. Mas neste deserto de futebol, ninguém desdenha essas preciosas moléculas com hidrogénio e oxigénio. Eu não! Lucho já havia saído e entrara Ricardo. O jogo flanqueado não melhorou, embora no centro Josué encontrara a sua praia de areia.

E quando todos nós, após tantas dunas vencidas, finalmente avistávamos a saída do deserto, eis que o Arouca levanta uma tempestade de areia e reduz para 1-2.







Segundo acordar de Paulo Fonseca do seu torpor. Pudera, os lábios já ressequidos e gretados e com uma desidratação severa e contínua de futebol, restava tentar aplacar tão perigoso adversário. E num rasgo iluminado, como raio a rasgar os céus estéreis de nuvens e ideias, decide colocar o seu ás de trunfo em campo. Ao minuto 90, mas a tempo do milagre.





Quintero entra, sofre falta, levanta-se, mete-a na baliza e celebra o 1-3. Abrem-se os céus e cai um dilúvio de talento (água) no deserto. Daquelas chuvadas só ao alcance dos predestinados.

E ainda há quem goste que não chova?! Pode lá uma pessoa entender isto. Os cactos abrem em flor, e o deserto amarelo ganha tons de verde. Mesmo com uma chuvada tardia a ameaçar seca prolongada.

Duas perguntas a Paulo Fonseca:

1      Para quando Quintero a 10?

2      E Ghilas? Tenho a certeza que se move mais que um cacto!

Até lá, não perder o que de bom Herrera trouxe.

Confesso, acho muito difícil transformar tanta duna em vales férteis. É preciso muita água e muito rasgo luminoso no céu pensante.
Assim vamos.





Análises Individuais:

Helton – Já não bastava a triste figura frente ao Atlético, decide voltar armar-se em Areias. Ninguém o critica se chutar para a bancada de quando em vez. Não quero que mude a sua forma de estar, só não quero é que abuse.

Danilo – Dificuldades a mais frente a Ceballos. Curto no ataque e pouco sólido a defender. Sofreu com a nulidade dos extremos colocados à sua frente. Ninguém o ajudou, sobretudo Varela.

Alex Sandro – Percebeu que o flanco só poderia contar com ele. Não foi implacável a defender, mas subiu a preceito. É a ele que se deve o primeiro golo, num rasgo individual.

Otamendi – Um ou outro deslize, mas foi o pronto-socorro da defesa. Fartou-se da carência ofensiva nos flancos e deu uma aula para muito extremo de azul e branco aprender.

Mangala – Continua a errar ao cubo. O que aprendeu do jogo passado? Nada, ao que parece. Muito perdido na marcação, tenta compensar, mas chega quase sempre atrasado.

Fernando – Controlou bem a sua zona de acção. Empurrou o meio campo, mas faltou quem o esticasse do outro lado. Ainda está a entrosar com Herrera.

Herrera – Uma lufada de ar fresco. Falta-lhe ainda muitas coisas. Falta-lhe ser constante no jogo, falta-lhe perceber os automatismos da equipa e entrosamento com os colegas de sector. Mas trouxe dinâmica, transporte de bola e velocidade na circulação. Ganhamos um oito!

Lucho – Só mais uma vez: esta não é a sua posição. Esforça-se ao máximo, mas não tem futebol para ser a muleta criativa de Jackson.

Josué – O seu jogo divide-se em duas fases. Primeiro, a falso extremo, fugia sempre para o centro. No inicio, ainda deu alguma criatividade. Mas depois foi desvanecendo. A tal ponto, que se volta a perder em quezílias estéreis. Um dia, ainda paga a factura! Ele e nós. Foi descendo de produção até ser quase inócuo. Depois, passa para a zona central, assumindo a posição 10. Melhora a olhos vistos, mas não o suficiente para ser determinante no jogo.

Varela – Dois lances se salvam de um subrendimento inaceitável. Uma vergonha!

Jackson – O melhor em campo. Tudo estéril à sua volta. Chegaram-lhe duas bolas. Dois golos. Agradecido e que continue a encontrar a redes. A nossa salvação.


Licá – Sai Varela e entra Licá. Tudo na mesma. Mau demais!

Ricardo – Foi o melhor dos extremos, mas curto. É um menino. Faz 20 anos e deveria entrar para crescer, com tudo a rolar. Não para salvar!


Quintero – Mais uma vez demonstra o óbvio. E agora? Volta para o banco?




FICHA DE JOGO

Arouca-FC Porto, 1-3
Liga, 7.ª jornada
6 de Outubro de 2013
Estádio Municipal de Arouca

Árbitro: Vasco Santos (Porto)
Assistentes: Nuno Pereira e Alexandre Freitas

AROUCA: Cássio; Luís Dias, Mika, Diego e Ivan Bálliu; Nuno Coelho, Bruno Amaro (cap.) e David Simão; Ceballos, Pintassilgo e Roberto
Substituições: Luís Dias por Paulo Sérgio (55m), Ceballos por Serginho (67m) e David Simão por Romário (82m)
Não utilizados: Igor, Miguel Oliveira, Soares e André Claro
Treinador: Pedro Emanuel

FC PORTO: Helton; Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro; Fernando, Herrera e Lucho (cap.); Varela, Josué e Jackson Martínez
Substituições: Varela por Licá (53m), Lucho por Ricardo (69m) e Quintero por Josué (90m+1)
Não utilizados: Fabiano, Maicon, Defour e Ghilas
Treinador: Paulo Fonseca

Ao intervalo: 0-1
Marcadores: Jackson Martínez (12m e 74m), Pintassilgo (90m) e Quintero (90m+2)
Disciplina: Cartão amarelo a Lucho (34m), Mangala (50m), Paulo Sérgio (56m), Fernando (79m) e Bruno Amaro (83m)






Análise dos intervenientes: 


Paulo Fonseca

“Entrámos determinados e marcámos cedo, mas de forma merecida. O Arouca privilegia o jogo directo e isso faz com que haja muitos duelos, muitas faltas. Foi difícil para nós, mas tivemos sempre o controlo do jogo, começámos a sair de forma mais incisiva para o ataque e ganhámos de forma merecida, com outra determinação na segunda parte. Penso que o golo do Arouca foi injusto para a minha equipa. Foi um golo de bola parada, mas num contexto diferente dos outros. Pela forma acertada como defendemos, não merecíamos sofrer um golo aqui.”

“É verdade que a determinada altura o jogo pediu maior agressividade nos duelos individuais, nas ‘segundas’ bolas, e nem sempre conseguimos ser mais fortes nesse capítulo. Foi mais difícil sair para o ataque nesse momento. Não foi um jogo fácil, foi muito físico e teve muitos duelos, num terreno pesado. Tivemos um jogo de grande intensidade com o Atlético de Madrid, na terça-feira, e isso pesou numa certa fase do jogo, em que não conseguimos chegar com tanta frequência à baliza adversária.”

“Estou satisfeito com o Herrera e com a segunda parte de todos, mas o Herrera esteve num plano muito bom, assim como a maioria dos jogadores que estiveram em campo.”

Herrera

“Sabíamos que era um jogo complicado e tínhamos de entrar com tudo. Merecemos a vitória e temos de continuar a trabalhar. Penso que a equipa fisicamente está bem. Para mim o tempo que passei na equipa B foi importante, sobretudo por causa do ritmo que ganhei. Tinha de estar ao ritmo da equipa principal e do futebol na Europa, e os jogos com a equipa B ajudaram-me bastante. Depois, quando aparece a oportunidade, temos de aproveitar.”




Por: Breogán
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