segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Os preços exorbitantes dos bilhetes de futebol.







Um dos graves problemas que estará na linha da frente para não termos em Portugal estádios de futebol repletos de massa humana, ou no mínimo com uma lotação que prestigie o espectáculo desportivo e se sinta o calor humano de um jogo de futebol, será certamente o preço elevado dos bilhetes que se praticam por parte da maioria dos clubes, mesmo tendo em conta as renovadas condições de receptividade que a maioria dos clubes da 1ª Liga já patenteia e a sua própria legitimidade na aplicação dos preços em causa.




Desde os primórdios da minha actividade enquanto espectador e amante do desporto-rei em Portugal, que constato que o preço dos bilhetes para assistir ao vivo a jogos de futebol se traduz numa política consubstanciada em conceitos conservadores, especulativos e de aproveitamentos de circunstância, pelo menos quando está em jogo a presença de um clube denominado de “grande”, não deixando o clube visitado, embora com todo o direito que lhe assiste, de aproveitar a oportunidade para exercer o direito de vender os bilhetes ao maior preço que lhe é concedido pela tutela, e mesmo assim, por vezes, assistimos a jogos com os estádios cheios de cadeiras vazias.

Ainda me lembro de há uns anos atrás, no tempo do saudoso Estádio das Antas, como sócio do FCP, ter a possibilidade de fazer entrar comigo no estádio uma criança até aos 10 anos de idade sem pagar bilhete, o que fazia as delícias de muitos jovens que não tinham naquele momento condições financeiras para assistirem aos jogos do seu clube de coração ao vivo, mas que num futuro próximo devido às raízes desportivas entretanto adquiridas viriam a ser os potenciais sócios do clube, o que se traduzia para a instituição desportiva em causa como um bom investimento a curto prazo na base da massificação do fenómeno desportivo.

Com o decorrer dos tempos modernos e com as novas regras de segurança e de marcação dos lugares cativos nos atuais recintos desportivos, este tipo de iniciativas deixaram de ter um cunho habitual, se bem que alguns clubes em determinados jogos tenham optado por fazerem campanhas promocionais no sentido de oferecerem um bilhete na compra de outro, ou até darem aos acompanhantes femininos a possibilidade de entrarem de borla, porém, no ano em que o IVA dos bilhetes do futebol subiu de 6 para 23%, a situação ficou ainda mais complicada com a subida do preço dos bilhetes, tendo até o presidente do FCP criticado de viva voz o Governo lembrando que há outras indústrias no país em que o IVA se mantém a uma taxa menor, como é o caso dos bilhetes para cinema onde se exibem filmes pornográficos com o imposto a uma taxa reduzida.

Quando temos estádios que custaram milhões de euros aos clubes e ao erário público e continuam com assistências que muitas vezes não ultrapassam um quarto da sua real lotação, há que fazer alguma coisa no sentido de potenciar o número de espectadores ao vivo, aumentar as receitas dos clubes, e ao mesmo tempo criar um cenário típico de um grande evento desportivo como acontece noutros quadrantes europeus, numa modalidade que em Portugal até consegue mover multidões quase ao estilo das peregrinações a Fátima ou a Meca, bastando para isso que todas as instâncias desportivas se interessem de vez pelo assunto, e trabalhem no sentido de se arranjar soluções para resolverem o assunto a contento de todos os intervenientes.

Penso que, tanto para os clubes como para a FPF, Liga de clubes e o próprio Estado, era importante que se juntassem todos à mesa tentando delinear alternativas credíveis e que por si só, tenham como principal missão a alavanca final para a massificação do futebol em termos de uma maior assistência ao vivo, potenciando em termos de receita os patrimónios dos clubes e dando ao fenómeno desportivo um clima mais colorido e envolvente como acontece em outras ligas, contribuindo assim para um campeonato com mais qualidade e mais competitivo, dentro e fora do nosso país, trazendo e perpetuando em Portugal mais e melhores artistas da bola.

Neste princípio de raciocínio, devem os agentes desportivos que envolvem o futebol compreender o problema pela via mais racional, e se deixarem de princípios conservadores, estatutários e especulativos que só dificultam o acesso aos estádios de futebol, pois, se enveredarem por preços mais baratos e apelativos para um nível de vida mais consentâneo com a crise que atravessamos, certamente que as receitas de bilheteira subirão na mesma proporção desejável com o maior número de espectadores, e todos os agentes desportivos ficarão a ganhar.


Por: Natachas.
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