quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Moutinho e o problema do meio campo.





O insuficiente jogo pelas alas foi sempre um dos grandes problemas do F.C. Porto de Vitor Pereira, nomeadamente na sua segunda época no clube. A falta de extremos de qualidade levou a que, muitas vezes, o antigo treinador optasse por médios adaptados à posição. Se James era uma adaptação já habitual e que fazia todo o sentido, dada a sua excelente interpretação da posição hibrida entre a ala e o número 10, já a adaptação de Defour e até (ainda que pouco habitual) Castro deixavam a equipa completamente manca e pouco capaz de criar desequilíbrios no último terço do terreno.



Resumidamente, este era, talvez, o principal problema do F.C. Porto 2012/2013.

Com o virar de página no ciclo de Vítor Pereira no Dragão, seria esse, portanto, um dos pontos a aperfeiçoar. James também deixou o clube e para a posição chegaram Licá, Ricardo e ainda os adaptáveis Josué e Quintero. Jogadores que, no entanto, estão longe de suprir totalmente as necessidades para a posição. 

Se Licá é mais avançado que extremo, Ricardo ainda é um menino com qualidade para ser útil mas longe de ser um desequilibrador. Josué tem sido testado na posição, mas não consegue dar largura ao jogo e pouco aparece por terrenos centrais, enquanto Quintero, para já, tem jogado essencialmente na sua posição de origem, a número 10.

Identificado o principal problema da época passada e, não sendo o mesmo corrigido no mercado de transferências, surge um outro problema para a nova época: a saída de João Moutinho.

O internacional português, indiscutivelmente um dos melhores números 8 da actualidade, saiu bem cedo no mercado de Verão, o que o impediu de se cruzar com Paulo Fonseca, dando assim tempo de sobra ao novo técnico para preparar a nova época sem o motor da equipa.

Defour assumia-se desde início como a opção natural ao português, mas Herrera também foi contratado com esse propósito. Além do mexicano, o meio-campo foi retocado com outras opções como Carlos Eduardo, Quintero e Josué, dando outro leque de escolhas a Paulo Fonseca.

E foi pelo meio-campo que Paulo Fonseca começou a mexer na equipa, este que era o sector mais importante do futebol da época anterior.

O triângulo inverteu-se, passando a equipa agora a jogar com 2+1 em vez do 1+2 tradicional do clube. Defour assumiu a posição ao lado de Fernando, tendo mais liberdade que o brasileiro para assumir o jogo ofensivo. No vértice ofensivo, Lucho assumiu o lugar, longe do local onde se sente mais confortável.

E é por aqui que muitos dos problemas da equipa têm surgido até ao momento. Com a dupla Defour/Fernando, perde-se capacidade de chegada à frente, porque o belga tem provado ser um jogador que se sente mais confortável atrás, não criando movimentos de ruptura sem bola e não é um jogador de progredir muito com bola. À frente, Lucho está constantemente longe desta dupla, mais perto do ponta de lança (Jackson). Sem um médio com boa chegada à frente, a distância acentua-se e o futebol portista fica partido. 

Isto leva a concluir que Defour é mais uma opção a Fernando que uma opção a Moutinho.

Se Defour não tem capacidade para substituir o internacional português, não faltam no plantel jogadores com características para, neste sistema, jogarem na sua posição. 





Lucho é o primeiro nome dessa lista. O capitão é um 8 puro e sente-se muito mais confortável nessa posição do que a pisar terrenos tão adiantados como os que tem pisado, na posição 10. Traz ao jogo a capacidade defensiva de Defour, melhor capacidade de pressão e incomparavelmente melhor jogo sem e com bola, diminuindo o fosso entre os 2 médios mais recuados e o número 10. Em grande parte dos jogos do campeonato pode jogar nesta posição deixando a posição 10 para Quintero.




Depois há Herrera. O internacional mexicano foi o reforço mais caro da época e dá outra dimensão física ao jogo da equipa. Consegue progredir muito bem com bola entre linhas e tem qualidade de passe, caindo também bem nas alas e seria uma óptima solução para acabar com o fosso existente no meio campo. Defensivamente é um óptimo recuperador de bolas. Está cada vez mais adaptado à equipa e vai ganhando protagonismo, podendo ser também uma boa solução nos jogos mais complicados com Lucho a fazer a posição mais adiantada do meio campo.

Por fim existe Carlos Eduardo. Veio rotulado mais como número 10 do que 8, mas a verdade é que tem jogado preferencialmente mais recuado em campo e tem mostrado argumentos. Tecnicamente é muito dotado, sendo forte fisicamente e rápido. Quando parte de trás torna-se muito difícil de parar. Defensivamente está a registar grandes melhorias, sendo a equipa B importante neste processo. Neste momento está tapado pelos outros médios, mas poderá ser uma boa surpresa.

Também Josué já foi testado na posição de Moutinho, mas, mais que Defour, mostra problemas no jogo sem bola. Tem um raio de acção demasiado curto para a posição e, apesar dos seus bons pés, a equipa ressente-se tanto ofensiva como defensivamente.

Resolver o problema do substituto de Moutinho não resolve por si o problema do meio campo, mas é um caminho. Isto, aliado a um ligeiro recuar do número 10 da equipa fará a equipa ter linhas mais próximas.

Deste problema do meio-campo surgem os principais problemas da equipa: maior dificuldade em pressionar alto, dificuldade em controlar os jogos em posse e também enormes dificuldades a sair a jogar desde trás. Tudo pontos fortes da equipa de Vítor Pereira que, neste momento, são carências da equipa. E tudo parte (não só, mas essencialmente) do meio campo.

Só depois de resolvido este problema a equipa e o treinador poderão olhar de frente para o problema da época passada: falta de criatividade e largura na frente de ataque.


Por: Eddie the Head

Enviar um comentário
>