segunda-feira, 9 de julho de 2012

O fim dos empréstimos de jogadores entre equipas do mesmo escalão







Mais uma vez e à boa e tradicional maneira portuguesa, ao lançarem-se extemporaneamente novas diretrizes de âmbito desportivo sem se medirem bem as distâncias e as devidas consequências, a cerca de 48 horas do início dos trabalhos da nova época e em Assembleia Geral, os clubes da principal Liga de futebol profissional, decidiram por maioria acabar com os empréstimos de jogadores entre equipas do mesmo escalão, através de uma proposta emanada por um dos clubes insulares, na circunstância o Nacional da Madeira.




Sem querer aqui fazer o devido juízo de valor dos princípios que nortearam a alteração dos regulamentos pelos clubes, tendo em conta que esta decisão foi objeto de uma votação democrática em sede da Liga de clubes, não poderei aqui e agora de deixar de lamentar o timing desta decisão, pela simples razão de que a maior parte dos clubes já tinham acordado alguns empréstimos de jogadores, sendo agora obrigados pelo novo regulamento a começarem quase do zero toda uma planificação de base dos seus plantéis para a época em curso.

O que eu quero aqui discutir não é a génesis da decisão nem do que dela possa advir em prol da verdade desportiva ou da melhoria do futebol praticado, mas o facto de não ser uma boa ideia em termos de gestão desportiva, mudar as regras de jogo a poucas horas do início de uma nova temporada, mesmo sabendo da existência de alguns contratos verbais camuflados entre alguns clubes para que certos jogadores não fossem utilizados em determinados jogos.

Na minha ótica, o que esta decisão irá configurar certamente na prática, será mais uma avalanche de jogadores estrangeiros de nível duvidoso a entrarem no nosso país, em detrimento de jogadores portugueses talentosos e acabados de sair das nossas escolas de formação que já deram mostras de serem das melhores do mundo, como o demonstrou o último Portugal – Espanha em sub-19, o que em nada trará de benéfico para os nossos clubes e para esses talentosos jovens, que necessitam urgentemente de ritmo de jogo para o nível futebolístico da nossa Liga e para a própria seleção nacional, para além de exigir aos clubes mais encargos com a contratação direta de jogadores, e de mais honorários avultados para os seus empresários sempre ávidos de realizarem as suas transferências sazonais.

E se de facto a ideia desta alteração estava consubstanciada na exigência da verdade desportiva, ou na simples gestão dos orçamentos ou dos próprios recursos por parte dos clubes, então não se entende muito bem a razão pela qual os mesmos subscritores desta transformação regulamentar, não se manifestem também na autêntica verdade desportiva, ficando-se pela rama da resolução do real problema e encarrilando pela via do simples modo acessório sem mexer no que seria essencial e sensato, ao não introduzirem na modalidade tecnologias que permitam corrigir no momento, (e sem lugar a paragens do jogo para ajuizar os lances como condição sine qua non), decisões erradas das equipas de arbitragem, ou ainda, posteriormente haver a possibilidade de se retirar cartões mal ajuizados, ou mesmo, castigar jogadores que, eventualmente, não tenham sido objeto de punição por falta de uma melhor e mais aturada observação da equipa de arbitragem.
O tempo se encarregará de julgar esta alteração aos regulamentos como uma boa ou má opção e que vá ao encontro de melhorias na nossa Liga, todavia, na minha opinião será uma alteração com os dias contados, prevendo-se já formas mágicas para dar a volta aos acontecimentos, à boa maneira portuguesa de encarar e ultrapassar os problemas.


Por: Natachas.


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