domingo, 15 de janeiro de 2012

Em análise, 15ª Jornada FC Porto 2 - 0 Rio Ave


Um génio tomba, outro levanta-se, qual Atlas a suportar nas suas costas todo o peso da equipa.

Após o jogo no estádio da areia pintada de verde, o FC Porto volta a fazer um jogo em que revela dificuldades no processo ofensivo, mesmo perante um Rio Ave com muitas dificuldades de se prolongar no ataque. Nunca o FC Porto foi absolutamente dominador ou asfixiante perante uma equipa com extrema dificuldade em chegar a João Tomás. O problema não esteve na ausência de Moutinho, que teve em Defour um substituto à altura. O problema radica na montagem do ataque do FC Porto. Hulk diminui-se na posição 9, sobretudo, perante alguém que já sabe quase tudo, como é o Gaspar. Nos flancos. O FC Porto não apresentou um extremo capaz de dar largura à equipa. Há James que foge sempre para o seu lugar natural e Rodríguez, que na sua luta a labuta, se esquece do essencial: dar qualidade de jogo à equipa. Soma-se, ainda, um Belluschi desastrado, apático e pouco influente na condução do jogo.





É neste jogo mastigado, com o Rio Ave a olhar para o relógio e a ver o 0-0 a prolongar-se e o FC Porto a ver o intervalo chegar, que, pela meia hora de jogo, Hulk sai de jogo por lesão. Um génio que tomba. Entra Kléber, o 9 esquecido, para um jogo sem flanqueadores e sem um 10 à altura. A agonia prolonga-se, até ao minuto 42, bem perto da fronteira psicológica do intervalo. É nesse minuto que outro génio se levanta. Bola sobra para James…e génio. Com 1-0 ao intervalo a equipa poderia respirar melhor, aliviar a pressão do resultado do jogo desta noite anterior ao seu e partir para uma segunda parte à FC Porto.








Promessas são sempre difíceis de cumprir. Sobretudo quando não sustentadas em bom futebol colectivo, mas nas pinceladas de génio deixadas aqui e ali por os artistas que carregam a equipa. O FC Porto entra na segunda parte como jogou em toda a primeira parte. O Rio Ave, pelo seu lado, já olhava para o relógio de forma diferente e via 45 minutos para ir buscar um ponto. É numa fuga de Yazalde a Maicon que quase consegue esse fito, com, tão só, 3 minutos da segunda metade. Passado o susto, o FC Porto continua na mesma. Seriam necessários mais alguns minutos para Vítor Pereira fazer a jogada que muda o jogo. Belluschi vai para a direita e James é colocado na sua posição natural. O jogo pelos flancos manteve a bitola baixa, mas a criatividade pelo centro explodiu, o que obrigou o meio campo Vilacondense a recuar. Com isso o Rio Ave deixa de criar perigo. Tudo o resto decorre dessa alteração táctica. Carlos Brito tenta insuflar capacidade ofensiva na equipa trocando, primeiro, de 10 e, depois, de extremos. Uma causa perdida, pois o FC Porto juntava um trio a meio campo altamente eficiente, rotativo e criativo que nunca deixou o meio campo do Rio Ave alimentar o seu ataque. Do lado do FC Porto a tentativa foi de corrigir o pior sector da equipa. Saíram os “extremos” e entram outros. Resultou, porque o jogo do FC Porto foi sempre melhorando, sendo premiado, no fim, por um lance do génio disponível. No seu lugar, no tempo exacto, James fecha as contas da partida.






Faltava o acto final, uma expulsão desnecessária no único lance em que se viu João Tomás no jogo.
Fica um jogo onde a equipa técnica do FC Porto pode tirar valiosas conclusões. Já se percebeu onde rende James. Já se percebeu que o FC Porto precisa de extremos que abram o jogo e não que façam só movimentos interiores ou que travem o lateral contrário. Já se percebeu que Fernando tem talento, capacidade e vontade para participar na primeira fase de construção. Ajuda a equipa a subir no terreno, a ficar em cima do adversário. Hoje viu-se um Fernando pleno. Temos o jogador, é preciso dar-lhe uso.



Análise individual:


Helton – Um jogo descansado. Parou o remate de Kelvin e assustou Yazalde. Serviço ao seu nível.

Maicon – Mais um jogo em que mostrou fibra. É verdade que deixou escapar Yazalde e é verdade que não subiu pelo seu flanco. Mas é justo criticar? Não. Fez o que pôde e disfarçou muito bem as ausências dos laterais direitos do plantel.

Álvaro – Um jogo ao seu nível. Kelvin teve que fugir de si para criar perigo. De resto, fez tudo pelo seu flanco. Defendeu e atacou, usando o seu “extremo” como uma tabela. Uma das boas exibições da noite.

Otamendi – O Rio Ave nunca testou a dupla de centrais do FC Porto, até ao último minuto de jogo. Com Álvaro a fazer um jogo impecável pelo flanco esquerdo, pouco sobrou. Mostrou determinação na forma como abordou os lances.

Rolando – Num jogo tranquilo, onde esteve seguro, borra a pintura no minuto final. Uma expulsão por desleixo. O jogo só termina quando o árbitro apita. João Tomás, no alto dos seus 36 anos, sabe isso de cor e salteado. Rolando não tem a mesma veterania, mas nem isso lhe vale!

Fernando – Um jogo assombroso. Um 6 moderno, altivo e efectivo. Defensivamente, um muro, ofensivamente um tormento para o adversário. A melhor exibição da noite. Não se pode continuar a desperdiçar toda a sua amplitude de jogo.

Defour – Na sua posição natural, brilhou. Passe seguro, disponibilidade e trabalhinho de formiga. Falta-lhe ser mais presente no jogo, mais constante e um pouco mais afoito no passe vertical.

Belluschi – Basta dizer que a equipa subiu vários degraus quando Vítor Pereira o encosta à direita e cede a posição criativa a James. Um jogo falhado. Valeu sempre a disponibilidade para participar nos movimentos ofensivos, mesmo que errando mais que acertando.

Rodríguez – Um cabeceamento, num lance de bola parada, para uma estrondosa defesa de Huanderson. De resto, disponibilidade, vontade, labuta e mais nada. Nada de substancial ou de qualitativo.

James – O génio da noite. Toda a qualidade de um talento raro na vitória de hoje. Se brilhou no flanco, explodiu a 10. Uma exibição onde mostrou que rende mais, muito mais, com liberdade criatividade pelo centro. Mas a cereja no cimo do bolo foi a sua disponibilidade para ajudar a defender.

Hulk – Meia hora de incómodo numa posição que não é sua. Deu trabalho, mas a lesão retirou-o do jogo.

Kléber – Entrou mal no jogo. Está longe daquele Kléber alegre, positivo, dinâmico e confiante que brilhava no Marítimo. A equipa não ajuda, é verdade. Não tem amplitude, nem dinâmica para o sustentar. Ainda assim, o seu principal problema é motivacional e o tempo de banco não está ajudar ao processo.

Iturbe – Um jogo ansioso, nervoso, de menino que dá os primeiros passos. Assume o risco e precisa de mais minutos, mais tempo para poder arriscar, errar e acertar. Chega a hora de Iturbe.

Varela – Entrou mais alegre. Será? Pareceu-me que sim. Uma nova atitude e sem medo de arriscar. Se assim for, será um bom reforço de inverno.

Kelvin – Tal como Iturbe, tem ainda caminho a percorrer. Mas assume o risco e criou perigo no Dragão. Perdeu gás com o decorrer do jogo e nem sempre foi objectivo nas suas acções. Está em boas mãos para aprender. Um bom cartão de visita deixado no Dragão.



Por: Breogán
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