quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Atsu: Crónica sobre um futuro Príncipe.

O Homem e o seu percurso:




É no futebol de pé descalço que nasce mais um talento para o futebol. Na zona central do Ghana, nos subúrbios da capital Accra, o menino Christian vai fintando os pedidos da mãe para se aplicar nos estudos e foge para balizas do seu contentamento. Chama a atenção da Academia do Feyenoord no Ghana. Convencer a família a agarrar esta oportunidade foi mais difícil, só com a garantia que Atsu continuaria os seus estudos na Academia é que a família cede. Christian parte, mas o coração fica. As saudades tornam-se insuportáveis após três anos de afastamento, mesmo com a família a esconder a Atsu o estado de saúde do seu pai para não perturbar o seu rendimento.










Decide-se a regressar para perto dos seus. A solução foi o Cheetah FC em Kasoa, bem mais perto de casa. Com o apoio familiar renovado, Atsu brilha e capta a atenção de um empresário que o propõe ao FC Porto. Aos 17 anos, vêm a 3 dias de testes no FC Porto. O futebol de Atsu convence e o FC Porto acorda com o Cheetah FC um período de empréstimo de 5 meses. Após a regularização demorada da sua inscrição, Atsu estreia-se na parte final do campeonato.





Brilha na fase final e convence o FC Porto a renovar o seu empréstimo por mais um ano. Sofrendo com a ausência dos carinhos maternais, a segunda época nos juniores do FC Porto não tem um arranque fulgurante, mas um final demolidor. Atsu explode na fase final e catapulta o FC Porto à conquista do título de campeão nacional de juniores. Logra 6 golos, 3 dos quais às equipas da segunda circular de Lisboa. Arrasador.

Como prémio, é chamado ao estágio de pré-época do Verão passado. Christian Atsu comprova competências e qualidades, mas concorre para uma posição já com muitos candidatos de peso. Ainda assim, tem meio campeonato atrás dos seus préstimos. Quase todos querem o talento de Atsu. Ganha a corrida o Rio Ave FC e é às mãos experientes de Carlos Brito que vai parar o talento do futebol descalço. Rapidamente convence o mestre da foz do Ave, ganha a titularidade e é o “menino dos olhos” do estádio dos Arcos. No Rio Ave não perdeu os bons hábitos e já marcou um golo às equipas da segunda circular Lisboeta.


Atsu conquista dentro e fora de campo. De trato simples e humilde, Atsu agarra-se à sua fé e às suas ligações familiares para se manter centrado naquilo que hoje sabe fazer de melhor: futebol de pé com chuteira. O menino do futebol descalço já anda por outros palcos e com o pé mais aconchegado, já soma prémios de relevo. Em Junho de 2011, Atsu ganha a bola de ouro (prémio para o melhor jogador) do torneio juvenil FIFA/Blue 2011 em Zurique, mas a cereja em cima do bolo estava reservada para 24 de Outubro de 2011.




Christian Atsu ganha o Dragão de Ouro na categoria de atleta jovem do ano. Por certo, que por esta altura a sua mãe já terá abençoado as escapadelas dos estudos para os campos em redor de sua casa…





A análise ao jogador:






Atsu é ainda um talento a moldar. É um jogador com uma habilidade inata impressionante, que se revela, sobretudo, na capacidade de drible. Alia um drible imprevisível com elevada velocidade de execução e de arranque. Todas estas características apontam para um extremo, mas Atsu também explora todas as suas capacidades a 10, onde revela boa capacidade de finalização e de interligação com o jogo a meio campo. Onde assentará Atsu? É uma questão em aberto. Dependerá do seu crescimento táctico, sobretudo, do seu jogo defensivo.






Uma coisa é certa, Atsu tem rendimento quer no jogo exterior, quer no jogo interior. É um jogador alegre, positivo, que levanta a equipa com o seu jogo de habilidade. Tecnicamente é um jogador muito eficiente, sobretudo no passe e no remate (as suas diagonais são diabólicas). Falta a Atsu ser mais constante no jogo e não ter medo de usar o seu talento para desequilibrar. Virá a seu tempo, com uma confiança crescente e uma melhor adaptação a um futebol mais físico, ao qual não se poderá mostrar receio do choque. Atsu precisa de conciliar os seus dois mundos. Não perder a poeira no pé do seu futebol descalço, mas também, não fugir do ferro dos pitons do futebol de chuteira.


Ficha técnica:

Nome: Christian Twasam Atsu
Data de nascimento: 1992-01-10 (19 anos)
Naturalidade: Gana
Altura: 172 cm
Peso: 68 kg
Liga Portuguesa: 808 minutos e 3 golos.



Entrevista:

Tribuna Portista- Podes fazer uma breve discrição da tua infância e da tua vida no Gana?

Christian Atsu: Eu tive uma vida difícil no Gana, a partir de um certo  momento da infância e acompanhou-me durante o meu crescimento. 
No Gana, eu não me importava nem sequer com a alimentação quando estava a jogar futebol.
A minha mãe estava contra a minha vontade de querer ser jogador de futebol e de andar na rua a jogar com os amigos, mas eu lutei pelo meu objectivo até contra a vontade dela porque amava jogar futebol na rua.
A minha mãe sempre quis o melhor para mim e para  a minha irmã gémea, sempre me ajudou a  fazer os trabalhos de casa, mas ficava difícil porque eu passava o tempo a jogar futebol, sempre primeiro o futebol no meu pensamento e só depois a escola.
Um dia um scout viu-me jogar na escola e convidou-me para ir treinar a um clube de futebol tinha eu menos de 12 anos.
Depois o Feyenoord Academy reparou no meu "talento", viram potencialidades em mim e convidaram-me para a sua academia. Para a minha mãe foi uma alegria e comecei a ter o apoio dela porque a Academia também tinha uma escola própria.
Passei ainda pelo Cheetah FC onde joguei apenas cerca de um mês, vários clubes desportivos queriam-me mas as coisas não funcionam bem assim, até ter a felicidade que agradeço a Deus de vir para Portugal e integrar a equipa de Juniores do FC Porto.
     
TP- O teu país Gana é muito diferente de Portugal?  

CA: Sim o Gana é muito diferente de Portugal, em Portugal o "ambiente" é bonito, embora mais frio torna-se mais agradável, com pessoas bem diferentes mas simpáticas.

TP- Já conhecias o FC Porto antes de vires para Portugal?

CA: Sim, já conhecia o FC Porto antes de vir para Portugal, conheci a equipa quando venceram a champions em 2003/2004 era Mourinho o treinador e venceram por 3-0

TP- Qual o teu jogador preferido?

CA: O meu jogador preferido é o Messi (ndr: Atsu é conhecido no Gana como o Messi Africano.), ele torna o futebol tão simples...

TP- E do FC Porto qual o teu jogador preferido?

CA: No FC Porto e em Portugal prefiro "O Incrível Hulk", porque acredita em tudo que faz no campo, é destemido, tudo o que faz, faz sem medo algum.

TP- Aprendeste muito com ele durante a pré-época?

CA: Sim, sim, aprendi muito com ele durante a pré-época, inclusive aprendi alguns movimentos perigosos que ele sempre faz no campo.
Mas a coisa mais importante que aprendi foi, Ele não tem duvida nenhuma do que esta a fazer, das opções que toma, acredita sempre que rematando vai dar golo e que os Dribles vão resultar.

TP-  Fizeste treino de desenvolvimento muscular específico nos juniores do FC Porto?

CA: Sim, enquanto estava nos Sub19 do Porto fiz vários treinos de desenvolvimento muscular.

TP- Como chegou o FC Porto até ao Atsu no Gana?

CA: Tinha acabado de chegar ao Cheetah FC e apareceram vários clubes interessados, entre eles o FC Porto e aqui estou.

TP- Qual a tua posição preferida no terreno de jogo?

CA: Eu considero-me especialmente perigoso a jogar como extremo em ambas as alas, jogo em qualquer um dos lados, prefiro jogar como 7 ou 11.

TP- O que mais aprendeste com Rui Gomes?

CA: Foi uma experiência que nunca vou esquecer, recordarei para sempre, Rui Gomes foi um treinador maravilhoso, é uma pessoa humilde e com grande capacidade de trabalho, com ele aprendi a ser uma pessoa séria no trabalho e em cada sessão de treino aplicar-me ao máximo.

TP- O que mais tens aprendido com Carlos Brito?

CA: Carlos brito é uma pessoa muito Humilde, tal como Rui Gomes trabalha com muita seriedade, tem me ajudado e ensinado a ser sempre concentrado a nunca perder esse objectivo e também a trabalhar de forma séria.

TP- Como descreves o futebol Africano?

CA: O futebol Africano é mais baseado na força natural, os jogadores são muito habilidosos, tentam entreter-se e entreter o público.
Os jogadores são muito habilidosos e imagina usam essas habilidades naturais para obter dinheiro dos fãs mesmo durante um jogo o que é incrível (risos)

TP- Quais os teus maiores sonhos no futebol?

CA: O meu maior sonho é a minha cabeça que o vai decidir, neste momento é voltar ao FC Porto e jogar lá.

TP-  Qual o treinador ou treinadores que mais te marcaram?

CA: Rui Gomes porque foi o treinador com quem mais evoluí até agora com jogador.
André Villas Boas porque me deu a oportunidade de trabalhar com a primeira equipa do FC Porto.
Vitor Pereira, ele reconhece em mim potencial e ajudou-me ao decidir emprestar-me a uma equipa de primeira em Portugal, o Rio Ave.
Carlos Brito, com ele tenho encontrado o meu caminho e vou caminhando para o meu objectivo, tem-me ensinado muito.

TP- Como gostas de passar os teus tempos livres?

CA: Nos meus tempos livres gosto de ir à praia, ouvir música, especialmente Reggae e Gospel, ler a bíblia, dormir e cozinhar.

TP- Foi bom para ti teres a companhia do Kelvin em Vila do Conde?

CA: Sim é para mim uma grande honra jogar com Kelvin na mesma equipa, ele desempenha um papel muito importante na equipa do Rio Ave para além de ser jogador de futebol, é humilde e gosta muito de dizer as suas piadas. Agora somos como irmãos, compartilhamos brincadeiras e as nossas ideias em conjunto. Não raras vezes eu janto em casa dele mais a sua família. No vestiário senta-se ao meu lado, é uma pessoa muito agradável para conviver (risos)

TP- Obrigado Atsu

CA: Grande Abraço.



Por: Breogán
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