segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Em análise: 17ª Jornada, Gil Vicente 3 - 1 FC Porto





Alienação com Paixão. Misture estes dois ingredientes com cuidado, junte uma pitada generosa de incompetência táctica e uma atitude amorfa qb. Agite e terá uma mistura “implosiva”. Foi isso que tivemos hoje, a implosão do FC Porto campeão nacional, do FC Porto competente e ganhador de 2010/11.

Começando pelas nossas culpas, o FC Porto entra logo a perder com o onze escalado por Vítor Pereira. Um somatório de erros crassos de avaliação, equívocos tácticos e total alienação sobre os pontos fortes do Gil Vicente.



Explicando por miúdos:



Insistência em Maicon com a chegada de Danilo a utilização de uma solução de recurso é, já por si, injustificável. Mais o é, quando temos pela frente um ala Gilista tão rotativa como aquela composta por Richard e Caiçara e ainda ajudada, de vez em quando, por Vieira.

Souza – Não tem raça, potência e capacidade de sacrifício para ser 6 de um clube grande. Nunca teve, não tem e jamais terá. Não há alternativa a Fernando? Já se sabia há muito. É um dos erros crassos de construção deste plantel. Perante este facto, nunca forçar um jogador a fazer o que não sabe, mas alterar o modelo. Enfrentamos um meio campo que um dos melhores a defender no nosso campeonato e que serve de âncora às rápidas transições do Gil Vicente. Com Souza a 6? É ir à procura de problemas.

Moutinho e Defour – Neste duo, ninguém ganha. Percorrem os mesmos caminhos, só Moutinho dá criatividade, mas não é um criativo contínuo e ninguém liberta-se. Profundamente redundante. Pior ainda, com um Souza que não os consegue empurrar para cima do meio campo adversário. O que perante um meio campo aguerrido e entrosado é meio caminho andado para o desastre.

James – Até Vítor Pereira o afirma: “James não é extremo”. O pior é passar à prática. Quem perde? O FC Porto. Perdemos o melhor 10 do campeonato, o mais decisivo, o que tem maior abrangência de argumentos e potencialidades. Perde, também, o jogador, que se vê forçado a manter um vínculo a um flanco, mesmo tentando fugir dele quando pode e quando não pode.


Fotos da Curva



Como se não bastasse, junta-se à festa um Gil Vicente com eficácia total e um Paixão que nos foi apresentado em Campo Maior. Um artista da trapaça com insígnias UEFA. São, por isso, já reconhecidos internacionalmente os méritos de desvirtuamento da verdade deste Paixão, que quando ataca é à grande. Penaltis, não viu dois. Os fora-de-jogo, em Barcelos eram coisas que não existiam, ao contrário do que se viu ontem em Santa Maria da Feira, onde mesmo o que não era fora-de-jogo, passou a ser. Enfim, o que seria deste campeonato sem o “colinho”?








Voltando ao jogo, o FC Porto entra em campo cravado de más decisões, mas pior que isso, sem chama. Um FC Porto gelado, amorfo, rígido e sem ponta de atitude. Nem o primeiro golo do Gil Vicente acorda o campeão nacional. Com Souza alheado do jogo (faz 4 recuperações em 45 minutos!), o meio campo do FC Porto primava pela ausência. Ausência defensiva e ausência ofensiva, pois o jogo não chegava, uma vez mais, a Kléber. No banco não há quem deite a mão e em campo a equipa desmorona-se. Quase com o intervalo à vista, surge o 2-0. A ansiedade passou a ser palpável. Se durante os primeiros 45 minutos a equipa nunca deu resposta ao resultado da noite anterior, com o 2-0 no marcador a tarefa tornou-se monstruosa.






O FC Porto volta do intervalo com as substituições que se impunham. Ao menos isso. Iniciamos a segunda parte com o onze que deveria ter iniciado a partida. Mas já só havia 45 minutos para disputar e um pesado 2-0 no marcador. Cabia ao FC Porto ir à procura do resultado, lançando-se para a frente e expondo-se atrás. E assim, em 7 minutos de segunda parte, o Gil Vicente chega ao 3-0. Realisticamente, o jogo tinha acabado. Consegue-se um 3-1 final, já com um Gil Vicente cansado e um FC Porto desesperado.

Com dois dias para o mercado fechar e com a obrigatoriedade de ir ganhar a Lisboa, chega a altura da FC Porto SAD decidir se quer lutar por esta época, ou abdicar. Há ainda muito que pode ser ganho. Abdicar é incompreensível.




Análises Individuais:


Helton – Ficou mal na “meia saída” que faz no lance do primeiro golo Gilista. Ficou fora do lance e não teve sequer hipótese de emendar o erro alheio. De resto, a mesma segurança de sempre.

Maicon – Passou testes complicados, sobreviveu onde pensávamos que morreria. Ultrapassou expectativas e mostrou-se jogador de barba rija. Mas tantas vezes foi o cântaro à fonte! Hoje não teve andamento para o flanco esquerdo do Gil Vicente. Com Danilo disponível, é absurdo.

Álvaro – Não fez um jogo ao seu nível. Longe disso. Ofensivamente foi muito inconsequente e na segunda parte foi anulado pelo modelo de jogo escolhido. Defensivamente, ficou sempre demasiadamente exposto. Sem um médio defensivo que o sustentasse e sem um ala no seu flanco que o ajudasse. É pelo seu flanco que nascem dois golos. Sintomático.

Otamendi – Batido e rebatido na antecipação. No chão, perdeu muitas vezes para H. Vieira, no ar, não quis ganhar a Cláudio no primeiro golo Gilista. É um central que demora a corresponder às suas credenciais. Não são os “louros” que jogam, infelizmente. É um dos pecadilhos de Vítor Pereira. Com Mangala a mostrar competências nas oportunidades que lhe são concedidas, é o Argentino que tem sido titular, faça o que fizer.

Rolando – Vinha melhorando, mas hoje não conseguiu ser o muro de betão que a equipa precisava. Faltou-lhe capacidade de liderança numa defesa à deriva. Anda longe de outras temporadas e a forma como é batido no terceiro golo é bem demonstrativa.

Souza – Joga como jogaria no meio campo do Vasco da Gama. No mesmo passo, na mesma cadência, na mesmo baixa intensidade e com a mesma atitude de futebol altivo. Esta é a sua culpa. Ainda não acordou para o futebol Europeu. Posto isto, não tem culpa alguma. Culpa tem que pensa que o vai transformar em médio defensivo, só porque é alto e tem bom corpo. Culpa tem quem monta um plantel e faz do Souza uma pseudo-alternativa a Fernando, quando ainda joga um futebol do lado de lá do Atlântico e não possui características mentais e futebolísticas para a posição.

Moutinho – O melhor do meio campo. Com tanta coisa má a acontecer ao mesmo tempo, não seria ele a salvação. Na segunda parte, subiu ainda mais de rendimento, mas foi um oásis num deserto.

Defour – Mais um que arrisca-se a ficar catalogado por jogar numa posição que não é a sua. Defour para fazer a ligação meio campo e o ataque? Como é possível? Mais uma vez, a culpa não é do jogador.

James – Passou ao lado do jogo. Sim, isso mesmo, ao lado. Quer do lado direito, quer do lado esquerdo. Um desperdício. Um dos jogadores mais desequilibradores do campeonato, um jogador que cresce pelo centro, com liberdade e espaço. James preso a um flanco até quando?

Varela – Primeira parte inconsequente. Muito drible para ganhar nada ou muito pouco. Pouca, também, foi a ajuda ao seu lateral. Cresceu na segunda parte e foi um dos melhores nesse período. Ainda está longe daquele outro Varela.

Kléber – Sem pinga de confiança, sem capacidade de assumir o risco e com uma equipa que não chega até ele. Cruzamentos na primeira parte? Dois! Só com Danilo e Belluschi em campo teve melhor serviço. Mas a sentença a Kléber já está ditada. Numa equipa sem rei nem roque, quem pagará é o “suplente” do Falcao.

Danilo – Com Danilo em campo ganhamos um flanco e o flanco esquerdo do Gil Vicente encolheu-se. O que se percebeu hoje é que Danilo precisa de espaço para acelerar. À imagem de Álvaro, precisa de balanço desde trás para abrir a sua passada. Porque não jogou de início? Vítor Pereira lá saberá.

Belluschi – Bastava uma gota de criatividade naquele meio campo para ser-se logo brilhante. Tal o espartilho táctico imposto à equipa. Mesmo longe de outros registos, alavancou a equipa.

Rodríguez – Ei-lo de volta e a sua inconsequência também.



P. Moreira – Muito trabalho no meio campo Gilista. Não tem capacidade de se desdobrar no processo ofensivo. Demasiado curto para o FC Porto.






Por: Breogán
Enviar um comentário
>