segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

ANTÓNIO OLIVEIRA, COMO SEMPRE, IGUAL A SI PRÓPRIO




Sem que nada o fizesse prever, António Oliveira, antigo treinador do FC Porto e selecionador nacional, prestou em direto e numa entrevista à RTP, declarações que pela sua especial essência e profundo significado, certamente irão fazer as delícias dos mais diversificados órgãos de comunicação social, que ávidos como sempre de notícias bombásticas e polémicas, irão aproveitar para esmiuçar ao máximo a importância e a responsabilidade de quem teve a ousadia, a coragem e a frontalidade de as proferir, independentemente, de as mesmas poderem ser consideradas verdadeiras, impróprias ou até extemporâneas.





António Oliveira, se estivermos bem atentos, sempre pautou a sua carreira, quer ainda como jogador genial que foi, quer depois mais tarde como treinador, com intervenções de um género de personalidade bem vincada e explosiva, nunca tendo receio do valor da responsabilidade associada às suas palavras, ou mesmo do que elas poderão vir a ter no contexto e desenvolvimento do fenómeno desportivo e mediático no nosso futebol indígena.




Ao afirmar publicamente que não tinha dúvidas em garantir que é a empresa Olivedesportos controlada pelo seu irmão, Joaquim Oliveira, que decide quem se torna presidente da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga, declarando categoricamente e textualmente para quem o quis ouvir na RTP que: «O presidente da Federação é colocado por um lóbi fortíssimo que existe em Portugal. O presidente da Liga é colocado na Liga por interesses do lóbi que domina o futebol em Portugal. Quem? A Olivedesportos, obviamente. Mas eu já o disse publicamente. Enquanto não se alterar este estado de coisas, vai tudo continuar na mesma», declarou António Oliveira ao seu melhor estilo, e através destas mesmas palavras frias e contundentes, afirmando ainda para gáudio e surpresa dos seus colegas de painel desportivo, que Fernando Gomes é apenas o homem escolhido pela Olivedesportos para substituir Gilberto Madail.






Como reza o ditado popular, quando se zangam as comadres, sabem-se as verdades!, e o simples facto de neste momento, António Oliveira, se encontrar de relações cortadas com o seu irmão e proprietário da Olivedesportos, poderá ser à partida para um vasto leque de opiniões públicas, condição sine qua non para a escolha do momento das suas declarações, todavia, como sabemos, ao contrário do seu irmão que sempre pautou a sua personalidade por uma linha introvertida, Oliveira, é precisamente a antítese desta forma de estar na vida, dizendo o que lhe vai na alma de uma forma extrovertida, polémica e direta ao assunto, mesmo que isso implique prejuízos para si ou mesmo para os meandros do futebol em geral.

A história do futebol fora das quatro linhas está repleta de situações como esta, e quem não se lembrará de Dias da Cunha, antigo presidente do SCP, que um dia também por coincidência num programa desportivo na RTP, lançou mais umas achas para a fogueira tocando no que ele na altura apelidou de “Sistema”, e que mais tarde viria a fazer correr por debaixo das pontes da informação, várias opiniões e teses sobre a matéria.



Na minha opinião, por vezes, há que dar um murro na mesa e ter a coragem de dizer algumas verdades, para com isso tentar chamar a atenção de certos casos merecedores de análises profundas, e à responsabilidade dos seus principais intervenientes, e saber depois usar as armas mais convenientes para acabar com os “Sistemas” e com os lóbis, só que pelo andar da carruagem todas estas formas opacas, pouco transparentes e que em nada vêm dignificar o futebol, tendem cada vez mais a perpetuar as suas raízes e a lançar os tentáculos de um polvo que já ultrapassou as fronteiras do nosso país há muito tempo, e vice-versa, com o beneplácito régio dos mesmos mandatários do costume, que há muito tempo vêm a controlar todo um manancial de objetivos, sempre orientados para o lado cooperativista e do lucro centralizado, e em detrimento da sustentabilidade do fenómeno desportivo em termos do modelo ideal, no que concerne à promoção e aposta do jogador português, que se for devidamente apoiado pelas instâncias oficiais, já demonstrou que será tão bom ou melhor do que alguns dos seus pares estrangeiros que por cá têm passado.



Por fim, e ainda na senda das várias histórias por contar que o futebol português nos tem proporcionado, gostaria de formular um desejo de há muito tempo, no sentido de ainda um dia termos através dos seus intervenientes mais diretos, a verdade dos factos em torno do caso “Vitor Baía”, ou das razões que nortearam um dos melhores guarda-redes do mundo a ser sistematicamente colocado fora das convocatórias do selecionador nacional da altura, Luís Filipe Scolari.





Penso que o povo português e os amantes do futebol na generalidade terão o legítimo direito de um dia, saberem da boca dos principais responsáveis deste triste episódio, a verdade pura e crua dos factos que estarão subjacentes a tão secreta e propalada decisão, que se nunca for bem contada, pois continua a haver fortes divergência de opiniões, manchará para sempre o bom nome da FPF e de todos os seus mais diretos intervenientes, fator que não ajudará em nada na boa imagem de Portugal e do futebol em particular.






Por: Natachas
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