sábado, 28 de janeiro de 2012

Afinal há mais vida para além de Hulk.



Hulk


Andam por aí muitos falsos arautos da verdade que tendem a querer afirmar a pés juntos que o FC Porto está dependente de Hulk, devido ao peso e ao valor que um jogador com as competências técnicas que ele tem patenteado, pode significar e trazer mais-valias desportivas ao grande clube do norte de Portugal.

Porém, e ao contrário do que se poderia pensar em termos práticos, sem Hulk, o FC Porto já por diversas vezes provou que num desporto coletivo como é o caso do futebol, uma andorinha nunca faz a primavera, que é como quem diz, sozinho ninguém consegue jogar isoladamente, mesmo tendo a noção que por vezes o tenha conseguido a espaços, através do seu irrequietismo e individualismo quiçá demasiado persistente, e nos tenha habituado a jogadas e golos de enorme valia técnica.





O que assistimos no último domingo no Dragão com o Guimarães, a meu ver, foi precisamente a prova desta minha tese ou axioma, o FC Porto conseguiu sem a sua principal vedeta uma excelente exibição, talvez das melhores vistas este ano no seu estádio, conseguindo por esta via contrariar muitos apaixonados do futebol espetáculo e centralizado num único elemento, em detrimento de outro mais virado para a componente coletiva, e tendo como principal objetivo a desejada vitória, e só depois se pensar em jogar bonito para a plateia.



Ricardo Quaresma



Ainda está bem presente na minha mente, os tempos em que Quaresma passou pelo FC Porto, jogador também de grandes atributos técnicos e que por vezes nos deliciava com alguns golos de antologia, todavia, também estou lembrado que por cada 10 tentativas lá conseguia uma jogada genial para ser aplaudido por uma plateia sedenta de golos e da tal espetacularidade dos seus lances, mas ao mesmo tempo, curiosamente, era apupado de imediato pelos mesmos que o tinham aplaudido anteriormente, quando sistematicamente ficava sem a bola por excesso de dribles, e se limitava a esperar que os seus colegas lhe recuperassem a bola para encetar uma nova jogada. 

Sempre fui apaixonado por um misto de futebol coletivo e ao mesmo tempo espetacular, se bem que a conjugação perfeita destas duas vertentes ainda estará longe de alguém um dia a conseguir por inteiro, todavia, também não posso esquecer algumas equipas do FCP que na minha perspetiva estiveram muito perto deste desiderato. Quem não se lembrará daquela famosa equipa que foi campeã europeia onde Futre e Madjer eram o centro das atenções, ou ainda, uns anos mais tarde, onde pontificava Jardel excelentemente servido pelas alas por Drulovic e Capucho, dois jogadores que pautavam a excelência do seu futebol na assistência quase compulsiva e altruísta ao seu avançado centro com excelentes resultados.




É por esta e outras razões que gostaria de ver um novo Hulk, mais virado para as necessidades coletivas da equipa e só depois da certeza da vitória, poder encetar algumas jogadas de antologia como só os predestinados como ele sabem fazer, penso que desta forma ganharia o próprio jogador, o clube, os seus associados e o futebol em geral seria mais atrativo, trazendo ao meio desportivo os verdadeiros amantes desta modalidade, e ao mesmo tempo fazendo calar algumas vozes apoiantes do individualismo exacerbado e de princípios duvidosos, no que toca ao verdadeiro objetivo da competição, que passará sempre em primeiro lugar pela senda da vitória real em detrimento da vitória moral.



Por: Natachas

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