segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Fenómeno Desportivo (O Futebol Indígena)





Que me perdoem as senhoras e os elementos do sexo masculino que não perdem muito tempo com estas coisas do reino dos “futebóis” e do desporto em geral, dedicando-se porventura, mais a temas de cultura geral ou de outra ordem de razão preferencial, mas a situação começa a ficar insustentável em termos de tanta polémica de baixa qualidade, de hipocrisia de procedimentos e de inverdades de opinião nos meandros do desporto-rei em Portugal, que entendi por bem proferir alguns considerandos sobre esta matéria.





Todos os anos, nos chamados períodos de defeso dos campeonatos, no mês de janeiro e principalmente no fim de cada ano desportivo, assistimos a trocas de opinião para encher páginas de jornais, no sentido de se passar a regulamentar melhor as leis que regem o futebol indígena no nosso país e a arbitragem em particular. Fazem-se estudos da matéria, promovem-se reuniões, traçam-se orientações a seguir, mas a verdade é que tudo tende a ficar sempre como está, isto é, há em Portugal uma tendência abusiva no sentido do conservadorismo doentio do que está consignado nas leis do desporto, para usufruto direto e desenfreado do poder instalado (sistema) do nosso futebol, e disto não tenhamos qualquer dúvida pois são muitos os indícios que podemos apontar como exemplos paradigmáticos desta constatação.



Os casos do Estrela da Amadora e do velhinho Salgueiros que tiveram de fechar as suas portas, por não terem condições para resolverem os graves problemas financeiros que foram acumulando, ano após ano, por erros sistemáticos de má gestão, e o Boavista por não ter tido na altura força suficiente, estratégia jurídica bem montada e ajudas interventivas importantes para minorar o problema criado, são exemplos paradigmáticos desta morte anunciada do nosso futebol, e certamente que não irão ser únicos na forma dramática e parcial que deram lugar ao desenrolar dos acontecimentos, para mal dos seus apaniguados e apaixonados simpatizantes que pouco ou nada contribuíram para este calvário desportivo dos seus clubes de coração. ...



Muitos destes problemas que aconteceram com os clubes referenciados, e outros que se perfilam com novos clubes com dificuldades de tesouraria, na minha ótica, poderiam ter sido resolvidos e evitados, se porventura, a Liga de Clubes e a FPF da altura assumissem as suas próprias responsabilidades, obrigando os clubes a terem as suas contas e os seus compromissos em dia, quer em termos fiscais com o Estado, quer na obrigação de impor aos clubes, a satisfação dos contratos assinados com os seus profissionais durante todo o ano desportivo, e não como tem acontecido, ano após ano, adiando as necessárias reformas e tomadas de decisão, por inércia de processos autónomos, por pura irresponsabilidade na aplicação de novas leis que vão ao encontro da resolução desta problemática, por se colar a interesses instalados que gravitam na classe, e também, por que não dizê-lo, por culpa de todos os clubes que não se conseguem entender entre si para resolver o problema a contento de todas as partes, e mais uma vez, como é típico em Portugal, terá que ser a FIFA e a UEFA a ordenar que se façam as devidas reformas.

Mas deixemos um pouco de falar sobre as questões de âmbito de gabinete, para nos debruçarmos sobre as questões diretas no próprio terreno de jogo, e fazer delas novos rumos de orientação para a acreditação do nosso futebol como modalidade rainha que é no nosso país.

Não sei se será nossa sina, mas em Portugal os agentes desportivos todos se queixam de tudo e de todos. Queixam-se os dirigentes de arbitragens tendenciosas e sem qualidade; queixam-se os árbitros dos mesmos dirigentes e dos jogadores que raramente ajudam nas decisões de interpretar as regras do jogo; queixam-se os clubes da comunicação social que por vezes não é isenta na apreciação dos comentários que profere; queixam-se os jogadores dos dirigentes que não cumprem com os salários atempadamente; queixa-se o público em geral pelo fraco espetáculo que os protagonistas oferecem, dos preços exorbitantes dos bilhetes para os eventos desportivos, e por último, da falta de credibilidade do espetáculo que faz com que os estádios estejam cada vez mais cheios de cadeiras vazias, etc., etc., etc.

O que é curioso, ou talvez não, é que quase todos os agentes do futebol estão de acordo com a introdução de meios tecnológicos para minimizar as imperfeitas interpretações das regras do jogo pelos árbitros, mas são incapazes de as colocar em prática e no terreno, argumentando sempre que será difícil implementa-las por razões económicas, pois seria preciso que todos os jogos fossem televisionados com o mesmo número de câmaras para garantir uniformidade de processos em todos os jogos, ou que o organismo que superintende o futebol, (Internacional Board), por razões conservadoras não apoia esta iniciativa, ou ainda, por a maioria dos árbitros de futebol não concordarem com algumas alterações, por razões que têm a ver com a perda da autoridade na decisão da interpretação das regras, e da obrigação de terem de voltar atrás em algumas das decisões tomadas, etc., etc., etc.

Para mim, tudo isto, são argumentos cegos, vazios e sem qualquer fundamento e sustentabilidade, que só servem a quem está interessado em que tudo continue como está, para assim poder intervir e se servir a contento de interesses instalados. A meu ver, quando há vontade própria e se pretende uniformidade de processos, igualdade de oportunidade para todos os clubes, e fundamentalmente, adquirir e potenciar a credibilidade do futebol indígena, só através de reformas profundas e da introdução de meios científicos e tecnológicos se pode combater este problema.

É certo que a partir do dia em que se implemente na prática um sistema de análise e de ajuda das regras de jogo, no sentido da verdade desportiva, não se pense que tudo estará resolvido ou que se deixará de falar de erros de arbitragem, mas certamente que o número de situações de erro diminuirá drasticamente a bem da tal verdade desportiva, que deve estar sempre na primeira linha do fenómeno desportivo.
É neste contexto que espero que as novas equipas de gestão da Liga de Clubes e da Federação Portuguesa de Futebol que se perfilam de novo nos corredores do poder, que em breve mostrem algum serviço em prol do nosso futebol, contribuindo desta forma com novas ideias, e mudando o rumo aos acontecimentos para bem de todos os agentes desportivos envolvidos, e fundamentalmente, fazendo potenciar a qualidade inegável do jogador português, que tão mal tem sido aproveitada em detrimento de praticantes de outros países de qualidade muito duvidosa.

Se calhar no dia seguinte, alguns jornais e algumas estações de televisão, terão alguma dificuldade no seu terreno predileto de vender os seus produtos, por não terem tantas notícias polémicas para darem, ou por faltarem lances para posterior análise dos seus colaboradores, mas se formos de facto seguidores incondicionais da credibilidade e da verdade desportiva, temos que optar entre darmos guarida a comentadores de comentadores, que alguns só servem para incendiar ainda mais o meio desportivo, para além de se servirem dele como meio de sobrevivência e sem qualquer qualidade de análise de opinião, e optar pela resolução concreta e direta do problema com total isenção de meios e sem medos de pressões, venham elas de onde vierem.

Por: Natachas
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