domingo, 8 de janeiro de 2012

Em análise 14ª Jornada, Sporting 0 - 0 FC Porto




Tropeçar e não cair. Poderá ser assim sintetizada esta actuação do FC Porto em Alvalade.

 Fez-nos perder terreno, fez-nos abrandar o ritmo na perseguição ao objectivo do campeonato, mas ainda não perdemos nada de substancial. Se há algo que se perdeu, foi uma oportunidade de afastar, definitivamente, um concorrente, de instalar o pânico por aquelas bandas, não só no lado verde da segunda circular, mas também no lado vermelho. Falhou-se o objectivo. Não por falta de tempo ou de espaço para preparar o jogo, aliás como já tinha acontecido frente ao Zenit, mas porque faltou ousadia de o ir buscar.





O jogo foi amarrado. Sobretudo, pelo nosso lado. Com dois extremos mais preocupados em serem os primeiros defesas nas laterais e com um Moutinho sem liberdade para se soltar. Já o Sporting, apostava tudo pelos flancos, imprimindo velocidade e verticalidade, mas fragilizando-se pelo centro, onde decide estrear um médio defensivo. Estava dado o mote para um primeira parte morna, com o FC Porto a controlar as operações a meio campo, mas sem capacidade de atacar o ponto fraco do Sporting (o seu médio defensivo) e o Sporting, igualmente, incapaz de decidir pelas alas, onde o FC Porto colocou um verdadeiro bloqueio. O empate táctico mantém-se e só em lances de bola parada se cria perigo no “relvado com areia pintada de verde” de Alvalade.



Seria o intervalo capaz de desfazer este empate? Conseguiria o FC Porto criar perigo na zona 6 do Sporting, obrigando o meio campo contrário a recuar e o FC Porto a esticar jogo pelas alas, mesmo não tendo uma referência no centro do ataque?



Do intervalo veio a mesma solução e acaba por ser Domingos a ser o primeiro a mexer no jogo. Retira o seu ponto fraco no meio campo, mas não consegue elevar o jogo da sua equipa, porque continuava com o problema do médio defensivo por resolver, mas vai provocando maiores desequilíbrios pelas faixas, com Matías a fugir da marcação no centro do terreno. A resposta de Vítor Pereira é pronta, entra James. Um jogador explosivo e imprevisível, mas sai Djalma o que fragiliza o flanco de Maicon. Seria por aí que o Sporting, sobretudo quando Matías descaia no flanco para fugir a Fernando, iria criar maior perigo. Vítor Pereira opta, então, por reforçar o meio campo com Defour, arrumando com qualquer possibilidade do Sporting controlar o jogo. O jog parte-se e quando entra Kléber, para o ataque aos 15 minutos finais, o FC Porto tenta, por fim, colocar o sentido do jogo na direcção da área do Sporting e aproxima Defour do trio da frente. Infelizmente, foi tarde demais para agarrar os 3 pontos.



Análises individuais:


Helton – Uma exibição ao seu nível, resolveu todos os problemas (alguns bem bicudos) que apareceram. Frio e concentrado, o capitão segurou o zero na nossa baliza.

Maicon – Nada mais se pode exigir. Foi inteligente e defendeu-se muito bem. Ultrapassado só por Matías, num lance em que lhe faltou capacidade de arranque. Mais uma exibição de raça onde Capel foi figura menor.

Álvaro – Ofensivamente sustentou o flanco. Defensivamente revelou algumas fragilidades. Ainda assim, num flanco em que tem a missão de fazer tudo e numa época onde não apresenta a mesma disponibilidade, foi uma exibição razoável.

Otamendi – Grandes momentos, poucos, grandes falhanços, muitos. Dobrou bem o Alvaro em alguns lances e meteu tudo o que tinha em campo. Pena é que não consiga transmitir a segurança que a defesa precisa porque mistura o óptimo com o sofrível. Como treme a zona central defensiva do FC Porto!

Rolando – Tem dois lances, quase seguidos, sobre van Wolfswinkel na segunda parte que roçam o ridículo. Perante um holandês visivelmente atrapalhado em controlar a bola, conseguiu perder a frente do lance por duas vezes, salvando-o Helton. A primeira parte foi razoável, a segunda foi mazinha.

Fernando – Jogo tremendo, sobretudo na segunda parte em que varre Matías da zona central. Empurrou a equipa e soltou Moutinho para frente. Muito seguro no passe.

Moutinho – De volta a um estádio hostil, mostrou toda a sua classe. Foi o garante do jogo ofensivo na primeira parte e o primeiro a compensar as subidas de Alvaro pelo flanco. Ganhou a luta a Elias e ainda deu água pela barba a Schaars.

Belluschi – Nunca entrou no jogo, nem conseguiu fazer os desequilíbrios que tão bem faz pelo flanco direito. Lutou, mas não criou jogo.

Djalma – Faltou-lhe confiança, sobretudo na primeira parte. Foi pena não ter confiado mais nas suas capacidades e ter cedido aos nervos (como se viu naquele atabalhoamento na nossa área na primeira parte). Cresceu com o jogo e acabou por ser o extremo do FC Porto que mais dores de cabeça deu. A sua saída foi sentida por Maicon.

Rodríguez – Não dá uma bola por perdida e tem uma disponibilidade tremenda. O pior é o resto. Nem um lance com consequência. Nem um rasgo de talento. Nem é grande ajuda a defender o flanco. Se não fosse Moutinho…

Hulk – Lutou é inegável. Mas como se não bastasse ter jogar pelo centro, teve a equipa muito longe de si, sobretudo na primeira parte. Tem já tendência de resolver pelo individual e assim isolado, mais individualista se torna. Quando voltou à sua posição já estava esgotado.

James – Colocado no flanco não rende tanto e tende sempre para fugir para o centro. Foi um jogo que apresentou uma oportunidade perfeita para termos o James a jogar a 10. Teve o golo da vitória nos pés, mas Otamendi retirou-lhe o estatuto de herói.

Defour – Deu mais consistência à equipa, mas não é jogador para aquela posição. Jogará no seu lugar no próximo jogo, em virtude do castigo do Moutinho.

Kléber – Entrou tarde. Com a sua entrada a equipa arrumou-se melhor, mas Hulk já estava esgotado, James arrumado num flanco e Defour a tentar chegar a si. Ainda assim, foi importante nas tabelas.




Por: Breogán

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