domingo, 2 de novembro de 2014

Primeira Liga, 9.ª jornada, FC Porto 2- 0 C. D. Nacional: Cobertor

#FCPorto #Nacional #Futebol

Cobertor


Aí está a velha teoria do cobertor. Aquela que me habituei a ouvir em centenas de comentários sobre as equipas que tapavam a cabeça e destapavam os pés.

O jogo com o Nacional fez-me lembrar o jogo com o Guimarães em casa do ano passado.

Uma equipa entusiasmante no ataque com muita gente capaz de desequilibrar e um meio-campo exposto à transição. A teoria do cobertor no seu esplendor.

Naquele jogo fizemos uma primeira parte de luxo e podíamos estar a ganhar por 2 ou 3 ao intervalo. A 2ª parte foi horrivel e totalmente descontrolada e acabamos por ganhar com um pénalti sobre Quintero.

Os dois jogos tiveram Quintero a 10.

Ontem, o período de entusiasmo foi menor. Bons 20 minutos em que a equipa teve gás.

Ontem, o período de descontrole na 2ª parte foi menor porque Lopetegui viu e agiu quando há um ano Paulo Fonseca não tinha conseguido agir independentemente da qualidade de visão.

Este Porto pós-Sporting não tem sofrido tanto na construção porque Bilbao, Arouca e Nacional entraram nos jogos de uma forma expectante. É verdade que ter Quintero a dar linha de passe ajuda porque o colombiano é, a par de Oliver e Rúben Neves, quem vê e passa melhor a bola.

Atenuado o problema da construção mais por inacção externa do que alteração do preconceito o cobertor aparece como o novo perigo.

A parcela de terreno que Quintero consegue proteger defensivamente é do tamanho de uma noz. Ele corre e esforça-se até aos limites da sua escassa capacidade fisica mas quando joga no meio o Porto tem menos um médio a defender.

Vale a pena jogar com -1 a defender e ter +1 jogador de ataque de classe mundial?

Muitos dirão que para o perfil da nossa Liga e tomando como referência o Benfica de Jorge Jesus não são precisos muitos cuidados defensivos.

Não penso assim. O Porto precisa de treinar processos e sedimentar uma equipa para a época. Não faz sentido apresentar 6 atacantes contra o Penafiel e 9 defesas perante o Real Madrid.

E é falso que ser mais ofensivo contra equipas fracas compense a tremideira atrás. É preferivel que um jogo tenha 6 oportunidades de golo e que 5 sejam nossas do que surjam umas 20 com uma divisão de 14 para o Porto e 6 para o adversário.

O que aconteceu ontem foi isso. O Porto comprou com a insegurança defensiva a possibilidade de criar mais perigo à baliza do Nacional.

Enquanto o jogo está entusiasmante e há gás o preço parece barato. Quando tudo estabiliza e os nossos criativos fazem os motores hibernar a cotação do 11 comprado cai como as acções do BES.

Na 1ª parte o Nacional foi a equipa que no Dragão conseguiu chegar mais vezes à cara de Fabiano. Isto sem que tenham ocorrido os harakiris de construção habituais.

A 2ª parte começa com a mesma toada com a agravante dos criativos se terem desligado da partida. Brahimi muito egoista, Quaresma pouco acertado e Quintero a rebentar.

Mesmo com os 2 únicos médios a se apresentarem em bom nivel todos os portistas perceberam que com aquele 11 a vitória ia correr perigo. Lopetegui agiu bem e a equipa acabou por estabilizar com mais um médio e menos um jogador que ataca bem mas só ataca.

Manuel Machado arrisca tudo esventrando o seu miolo e o Porto ganha o controle do jogo apresentando aquele ritmo em que o balanço das oportunidades são mais o 5 para 1 do que o 14 para 6 que estávamos a ver até ali.

Se o Porto controla há mais espaço para que os criativos que sobram tenham  suporte para fazer o que sabem. A equipa aguenta esse peso.

Depois de uma 2ª parte errática Brahimi faz um golo à bola de ouro. Dança para lá, dança para cá e bola no barrrbantchi.

O jogo acaba com o talento mas começa-se a ganhar pela substituição de Lopetegui quando acaba com o cobertor.


Análises Individuais:

Fabiano  - Continua a mostrar que é redes de equipa grande. Em Arouca e contra o Nacional fez defesas que valem pontos.
Na estatistica de jornal não lhe será atribuído esse mérito mas convém não esquecer o resultado do jogo quando Fabiano evita golos certos. Em Arouca 0-0 e ontem 1-0.

Danilo – Parece um queniano a correr pela ala. Vai e vem, vai e volta sempre. Marcou o golo que já merecia há muito mas teve mais dificuldades do que Alex em segurar o seu adversário. Marco Matias causou-lhe problemas.

Alex Sandro – Em crescendo. A defender esteve imperturbável e a atacar começa a mostrar um cheirinho do melhor Alex Sandro.

Maicon – Continua a jogar em modo “Socorro! O que é que eu faço?”. Não está tranquilo, age por instinto puro e sem qualquer recurso ao cerebro e à racionalidade.
Não meteu água mas não transmitiu segurança. Precisa de 2/3 bons jogos para voltar à fase inicial da época onde era patrão e parecia jogar à central 30 milhões.
O problema é que já teve tempo suficiente para deixar de ser um central carrossel.

Bruno Martins Indi – É o contrário de Maicon. Muitas vezes parece que a bola tem de ser dele e Indi não vai. Espera que o adversário venha para se encostar.
É mais paciente sem ser menos agressivo. Para construir é  um seguro de vida se comparado com o parceiro de sector.
Pode melhorar mas é, sem dúvida, o titular indiscutível do eixo da defesa.

Casemiro – Não sei se ter 2 pesos pluma como parceiros do meio-campo ajudou mas na minha óptica fez o jogo mais responsável na posição 6 desde que jogou ao Porto.
Menos impulsos agressivos de pressão louca, maior cobertura do centro do terreno sem desposicionamentos nas alas e mais intercepções de bola relevantes.
Um 6 tem que tocar na bola com o seu guarda-redes pelas costas. Ontem Casemiro soube fazê-lo.

Oliver – Muito bom jogo. É peso pluma mas sabe defender e ser intenso. Sabe passar a bola, ajudar na construção e descongestionar o jogo para zonas menos povoadas.
Interpretou bem o facto de estar a jogar num meio-campo com Quintero. Oliver é o jogador que em simultaneo pode ajudar a acabar com o harakiri  - porque sabe construir – e impedir que se aplique a teoria do cobertor porque defende e ataca bem.

Quintero – Jogou equipado à Adrian o que só por si já era um mau prenuncio. Começou bem mas durou pouco tempo a sua influência ofensiva. Quando não está em dia sim no ataque a sua substituição é uma obrigatoriedade porque o dia sim na defesa é raro.
Recordo-me de uma boa falta na 1ª parte quando Danilo e Quaresma estavam para trás o que revela alguma – ténue – melhoria na capacidade tactica.
Na 2ª parte tinha que sair. 10 contra 11 fica dificil.

Quaresma – O melhor da 1ª parte. Jogou com as melhores armas do Quaresma trintão. Passe, cruzamento e finalização.  Quando se limita a fazer o que sabe sem pensar que é Brahimi a equipa agradece e Quaresma ganha pontos.
Na 2ª parte foi dos piores. Voltou a ser o Quaresma que julga que é world classe player. Complicou o que antes era simples e deixou o passe/cruza/decide para o arranca/dribla/perde.

Brahimi – Deverá ser dos jogadores mundiais mais dificeis de travar no um contra um. Na primeira parte teve oportunidade de relembrar a cada defesa que lhe aparecia pela frente do seu talento, da sua dança corporal e da capacidade que tem em rodar o tornozelo 360 graus à Iniesta.
Juntou a isso um egoismo exasperante. Quando recebe a bola mais atrás nunca aproveita uma linha limpa de passe e vai sempre para a finta. Na 2ª parte essa tendência foi-se agravando chegando ao ponto de prejudicar mais do que o seu talento ajudava.
Entretanto...entretanto foi Brahimi, fez aquele golo e lembrou-nos que ele tem direito a ser egoísta de vez em quando. Ele e só ele.

Jackson – Jogo sem golo com um adversário mais fraco e em casa poderia servir para uma avaliação negativa. Não é o caso.
Mesmo parecendo algo limitado fisicamente – o joelho estará bem? – fez o costume. Dar linhas de passe aos médios, segurar a bola e os defesas, tabelar e finalizar. Meio golo do Danilo também é dele.


Herrera – Mostrou porque é que a rotatividade não lhe toca. Enquanto Lopetegui continuar a ver Casemiro a 6 é necessário ter um jogador mais fisico e rotativo à frente.
A equipa pedia a sua entrada e sua entrada descansou a equipa. Não fez mais do que o costume mas mostrou que o costume não pode ser desvalorizado.

Tello – Muito bom na correria e na ultrapassagem ao opositor e mediano no último toque. Não teve tempo para provar o contrário desta análise simplista.


Aboubakar – Uma boa combinação, uma perda de bola, correria, vontade e apito final.


Ficha de Jogo:

FC Porto 2- 0 C. D. Nacional
Sábado, 1 Novembro 2014 - 20:15
Competição: Primeira Liga, 9.ª jornada
Estádio: Dragão, Porto
Assistência: 30.202

Árbitro: Nuno Almeida (Algarve)
Assistentes: Pais António e Luís Ramos
4º Árbitro: Eugénio Arêz

FC Porto: Fabiano, Danilo, Maicon, Martins Indi, Alex Sandro, Casemiro, Óliver Torres, Quintero, Quaresma, Jackson Martínez, Brahimi.
Suplentes: Andrés Fernández, Marcano, Tello (75' Brahimi), Herrera (55' Quintero), Adrián López, Rúben Neves, Aboubakar (82' Jackson Martínez).
Treinador: Julen Lopetegui.

NACIONAL: Rui Silva, João Aurélio, Miguel Rodrigues, Zainadine, Marçal, Boubacar, Aly Ghazal, Gomaa, Mario Rondón, Lucas João, Marco Matias.
Suplentes: Gottardi, Ayala, Camacho (79' Lucas João), Reginaldo, Willyan (55' Miguel Rodrigues), Sequeira, Edgar Abreu (79' Boubacar).
Treinador: Manuel Machado.

Ao intervalo: 1-0.
Marcadores: Danilo (9'), Brahimi (74').
Disciplina: amarelo a Casemiro (19'), Gomaa (45+1'), João Aurélio (57'), Boubacar (63'), Fabiano (82'), Alex Sandro (90').




Por: Walter Casagrande
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