domingo, 12 de agosto de 2012

Supertaça: FC Porto 1 - 0 Académica (Crónica)









Primeiro jogo oficial, primeiro título em disputa e primeira final GANHA! Objectivo conquistado e está dado o mote para mais uma temporada de um Dragão faminto de títulos. Quarta Supertaça Cândido de Oliveira consecutiva, mais um feito inédito com a chancela portista! A décima nona Supertaça no palmarés do FC Porto em trinta e quatro edições da prova. E o fosso para a concorrência que não pára de aumentar…






O jogo foi disputado, mas sem brilhantismo. O FC Porto ainda está em pré-época, preso às indefinições do mercado e ao ajuste à equipa dos jogadores que vão e vêm dos incontáveis jogos de selecções que atormentam a preparação da equipa.

Vítor Pereira manteve-se fiel ao onze inicial que apresentou no jogo de apresentação frente ao Lyon. A presença de Defour foi surpreendente, mas coerente com o trio de meio campo que mais jogos fez na pré-época.

A Académica fechou-se sempre muito bem. Uma linha defensiva coesa e bem protegida por uma dupla de médios defensivos. Foi esta guerra a meio campo que tornou o jogo muito disputado e difícil para o FC Porto. Sempre que possível, flanqueava o seu jogo para manter os laterais do FC Porto à distância.

Na primeira parte, o FC Porto entrou bem, mas, rapidamente, ficou controlado pelo meio campo defensivo da Académica. Há mérito da estruturação do meio campo da Briosa e do esforço dos seus jogadores de meio campo, mas, também, é o resultado dos problemas já identificados na pré-época portista. As melhores oportunidades foram do FC Porto, é certo, mas três delas resultam de lances de bola parada. Duas cabeçadas de Mangala a errar o alvo após cobranças de canto (uma a abrir o jogo e outra a fechar a primeira parte) e uma recarga atabalhoada de Atsu após uma cobrança de livre de Maicon.

O FC Porto revelava um défice criativo pelo corredor central e quase não conseguia flanquear jogo. Ainda por cima, Defour não conseguia fazer transporte vertical de bola. O Belga aparecia mais vezes na área a tentar desequilibrar, que a fazer transporte de bola. Lucho, por seu lado, ficava muito fixo atrás e, sempre que se soltava, o capitão academista limitava a acção do Argentino. Quem sofria era Jackson! A cada lance que passava, afastava-se mais da área. O jogo pelos flancos não corria melhor. Astu não carburava à esquerda e o flanco direito vivia das subidas de Miguel Lopes, já que James voltou a ter um jogo perdido entre a posição 10 e de extremo direito. Pedro Emanuel revelou astúcia ao tentar colocar Marinho o máximo de tempo possível no flanco de Miguel Lopes, inibindo, assim, as subidas do lateral portista.





É pois, sem espanto algum, que nas duas situações em que consegue flanquear o seu jogo, o FC Porto crie as suas duas oportunidades de golo de bola corrida durante a primeira parte. Primeiro, é Miguel Lopes que, muito bem desmarcado por Lucho, ganha a linha de fundo, flecte para a área e, num passe atrasado, serve James. O Colômbiano não pega bem na bola à primeira e, na sua segunda tentativa, sai uma bola muito enrolada e fácil para Ricardo. A segunda oportunidade, caiu para Atsu. Lucho consegue ser ponto de apoio ao centro e foge ao radar de Flávio Ferreira. Mal recebe, endossa de primeira para o movimento vertical de Atsu no flanco esquerdo. Atsu ganha metros e entra na grande área. Jackson posiciona-se bem na pequena área, mas Atsu arrisca o remate, que sai fácil para Ricardo.





O diagnóstico ao intervalo era fácil de fazer. Primeiro que tudo, o FC Porto precisava de um 8 que transportasse bola verticalmente. Fernando chegava e sobrava para segurar a equipa defensivamente, faltava era quem iniciasse a transição ofensiva. Em segundo lugar, tornar mais criativo e dinâmico o seu jogo ofensivo. Quer pelos flancos, quer pelo centro do terreno.

A segunda parte iniciou-se sem alterações, logo, a toada manteve-se. Há uma excepção. Maicon lança directamente para o ataque. Lucho, à entrada da área, serve de primeira Jackson que não aproveita a escorregadela do central da Académica para facturar. No fundo, é o ratificar das dificuldades de construção do FC Porto. É um lance que nasce no lançamento directo do central para o ataque. Logo a seguir, a Académica deixa um aviso. O meio campo portista não pressiona, Cissé foge a Otamendi e a bola é metida nas costas do central argentino. Valeu Maicon!

Vítor Pereira mexe cedo, como estava forçado a fazer pelo desempenho da equipa em campo. Faz duas substituições: retira Defour e Atsu, colocando Moutinho e Djalma em campo. Com a primeira substituição, o principal problema de construção do FC Porto ficaria resolvido e seria o fim do “descanso” para os médios defensivos da Briosa. Quanto à segunda substituição, Atsu não conseguiu transformar-se num problema para a defesa da Académica e Djalma traria maior acutilância. Pouco tempo depois, o FC Porto dá sinais de melhoras. Centro de James na esquerda, Jackson não chega, mas, nas suas costas, Djalma antecipa-se ao seu marcador e na zona do ponta-de-lança falta-lhe clarividência para efectivar o desvio. O FC Porto começa a aumentar o seu volume de jogo ofensivo e a Académica sente maiores dificuldades. O FC Porto volta a ter uma grande oportunidade, desta vez, após uma bola parada. Canto de James, confusão e ressalto na área e a bola sobra para Otamendi que de bicicleta tenta surpreender Ricardo. O guarda redes da Académica defende à segunda e quase sobre o risco de golo.

Pedro Emanuel percebe que o flanco direito do FC Porto está a ganhar rotação e coloca músculo em campo para o travar. A entrada de Ogu serviu para tentar aplacar as subidas de Miguel Lopes e travar o entendimento com Djalma. No outro flanco, Marinho, que deixara o flanco direito aquando da entrada de Ogu, causava dificuldades, juntamente com Galo. James na esquerda também fugia para o centro e Mangala via-se aflito com o duo academista a subir pelo seu flanco. Para resolver a questão, Vítor Pereira tem que fazer uso de Varela. Com a entrada de Varela e a saída do extenuado Lucho, o FC Porto resolve dois problemas. Primeiro, Varela fixa Galo na defesa e, segundo, ganha maior criatividade na zona central com a passagem de James para os seus terrenos. As saídas de bola do FC Porto são, cada vez mais, mais perigosas.



O justo prémio estava guardado para o fim. Varela fixa a jogada na esquerda e dá para Moutinho. Este abre no flanco oposto para a subida de Miguel Lopes. Este aproveitava o espaço aberto deixado por Djalma, que arrastara a marcação ao atacar a área academista, para centrar com precisão para a cabeçada vitoriosa de Jackson. Varela, atrapalhando a marcação, saltou nas suas costas de Jackson e James estava por perto para a sobra. Ou seja, neste lance ofensivo, com dois extremos que atacam a área e um 10 que se junta mais ao ponta-de-lança, o FC Porto coloca 4 jogadores com potencial finalizador na área. Jackson já não é afogado pela marcação, nem tem que sobreviver fora da área. Está mais solto e livre para predar o golo na área e não fora dela. Juntemos, ainda, um 8 com visão de jogo, capacidade de transporte de bola e grande qualidade de passe e o resultado é expectável. Porque não joga mais vezes o FC Porto assim? Mistério!




A vitória é justa e merecida, frente a uma Académica que tudo fez para aplacar a capacidade ofensiva do FC Porto. Quando o FC Porto passou a jogar como deve jogar, a estratégia da Académica ruiu. Foi bom o FC Porto só ter chegado ao golo e á vitória com todos os predicados que sustentam o seu modelo de jogo no campo. Hoje, foi mais uma prova cabal que o 4-3-3 do FC Porto não funciona com um conjunto de médios quase iguais e nem com falsos extremos. Essa amálgama de jogadores ao centro engasgam o jogo nesse sector, definham o jogo pelos flancos e condenam o ponta-de-lança a jogar fora do seu habitat natural. Resta ver se esta lição frente aos “estudantes” ficou aprendida ou se corre o risco de ser chumbada.



Quando alguém se atrever a sufocar 
O grito audaz da tua ardente voz 
Oh, Oh, Porto, então verás vibrar 
A multidão num grito só de todos nós



Esta quadra do nosso hino serve de mote ao festejo do 72º título. Por mais que nos tentem sufocar, verão vibrar a nossa multidão num grito só: CAMPEÕES!



Análises Individuais:

Helton – Jogo tranquilo. Só uma cabeçada de Cissé é que lhe deu algum trabalho e esticou-se a um livre de Hélder Cabral que passou rente. De resto, autoritário e seguro até ao último minuto, onde afastou a soco o último esgar de perigo da Académica.

Miguel Lopes – Jogo sério a defender, tendo pela frente um jogador muito objectivo e rápido como é Marinho. Na primeira parte, esteve no lance de maior perigo e, na segunda parte, fez a assistência para o golo. Passou por dificuldades físicas, mas não virou a cara à luta. Com tão pouco tempo de pré-época, melhor é difícil.

Mangala – Já se viu muito defesa esquerdo de raiz a fazer bem pior. Defendeu com galhardia e atacou com intensidade. Não é defesa esquerdo, claro!, mas meteu todo o seu carácter e futebol em campo. É uma estranha forma que o FC Porto arranjou para fazer crescer os seus centrais, é certo, mas a necessidade da equipa a isso obrigou e a resposta é muitíssimo satisfatória.

Otamendi – Na primeira parte, grande corte de cabeça numa bola cruzada de forma perigosa para a área. Excelentes reflexos e execução de pontapé de bicicleta, na área contrária, ao tentar o golo. Na segunda parte, deixou escapar Cissé no lance mais perigoso da Académica. Um percalço numa exibição quase imaculada.

Maicon – Pelo alto, ganhou tudo ao gigante Cissé. Pelo chão, a mesma coisa e ainda dobrou Otamendi na única vez que deixou escapar o ponta-de-lança da Académica. No ataque, além de ser uma ameaça nos lances aéreos, cobra livres a preceito. Está um senhor central!

Fernando – Começou perro e algo lento. Rapidamente, subiu de rendimento. A tal ponto, que, sozinho, domava o meio campo ofensivo da Académica e ainda distribuía classe sobre os médios da Académica. A Académica foi uma quase nulidade ofensiva porque Fernando secou quase tudo. Com entrada de Moutinho, soltou-se ainda mais. O melhor em campo!

Defour – Começou bem. Aparecia na área de quando em vez e lá tentava levar a bola para a frente. Foi decaindo no jogo, até quase desaparecer. O trabalho miudinho foi feito. Não pode ficar só por isso. A um 8 do FC Porto muito mais é exigido. Tem que arriscar mais no transporte vertical de bola e no passe.

Lucho – Fez uma boa primeira parte. Não foi brilhante, mas a espaços tentou ser o epicentro da criatividade do futebol ofensivo do FC Porto. Flávio Ferreira esteve muito acutilante na sua marcação e levou a melhor na maior parte dos lances. Tem um talento enorme e a sua classe brota em pequenos detalhes. Na segunda parte, entrou bem, jogou ainda melhor após as substituições, mas rebentou 10 minutos depois.

James – Mais um jogo cinzento. Vai ser sempre assim até Vítor Pereira se capacitar que, de James, só consegue extrair futebol de grande nível e a doses generosas se o colocar no centro. Até lá, vai ser um projecto anfíbio falhado. Nem vai chamar casa à água, nem à terra.
O problema é tão grave à esquerda, como à direita. Não vale a pena trocar de flanco.

Atsu – Fez a estreia a titular num jogo oficial pelo FC Porto. É um menino e deve ser tratado com estima. A equipa não estava a jogar bem, faltava criatividade e Galo jogou muito na retranca enquanto Atsu esteve em campo. Mangala esforçou-se ao máximo para o apoiar, mas não é mesma coisa que ter um “especialista”. Enfim, todo um conjunto de factores que fizeram com que Atsu não estivesse tão brilhante neste jogo. Nada de grave. O talento está lá. A inspiração vai voltar!

Jackson – Longa provação até à redenção! É um jogador em adaptação ao futebol europeu. A equipa, da forma como joga, expõe-no ainda mais a esse processo. Obrigado a jogar longe da área e de costas para a baliza, mais sofre com a marcação apertada e dura que por cá se faz. É um excelente jogador, já deu para perceber. Se é um goleador, veremos. Mas se a equipa jogar no modelo que jogou nos últimos 5 minutos, vai andar bem perto do golo e a sua adaptação será mais suave.


Moutinho – Entrada decisiva em campo. Moutinho é um 8 de enorme classe e valia. A sua entrada foi uma injecção de adrenalina no meio campo do FC Porto. O transporte de bola melhorou substancialmente e a qualidade de passe explodiu. Tem uma visão de jogo muito boa e ficou bem patente na abertura que faz para o Miguel Lopes no lance do golo.

Djalma – Misturou coisas bem feitas, com outras mal feitas. Falta-lhe confiança. É um saltimbanco entre várias posições e um bombeiro de serviço. Falta-lhe continuidade sustentada numa posição para render. A sua entrada deu acutilância ao flanco direito e formou com Miguel Lopes uma parceria produtiva.

Varela – Desperdiçou um contra-ataque muito perigoso de uma forma infantil. Fora isso, tal como Djalma, entrou bem em campo e abriu a frente de ataque em definitivo. Tem uma acção “sombra” decisiva no lance do golo. É quem fixa a jogada no flanco esquerdo no princípio do lance e é quem salta nas costas de Jackson para atrapalhar a marcação ao ponta-de-lança do FC Porto.



FICHA DE JOGO

FC Porto-Académica, 1-0

Assistentes: João Santos e Luís MarcelinoÁrbitro: Olegário Benquerença (Leiria)
Quarto árbitro: Jorge Tavares

FC PORTO: Helton; Miguel Lopes, Maicon, Otamendi e Mangala; Fernando, Lucho (cap.) e Defour; James, Jackson Martínez e Atsu
Substituições: Defour por João Moutinho (57m), Atsu por Djalma (57m) e Lucho por Varela (86m)
Não utilizados: Fabiano, Rolando, Castro e Kleber
Treinador: Vítor Pereira

ACADÉMICA: Ricardo; Rodrigo Galo, João Real, Reiner Ferreira e Hélder Cabral; Flávio Ferreira (cap.), Makelele e Cleyton; Marinho, Cissé e Afonso
Substituições: Afonso por Ogu (71m), Marinho por Magique (86m) e Makelele por Edinho (91m)
Não utilizados: Peiser, João Dias, Henrique e Bruno China
Treinador: Pedro Emanuel

Ao intervalo: 0-0
Marcadores: Jackson Martínez (90m)
Cartões amarelos: Defour (53m), Hélder Cabral (61m), Otamendi (88m) e Jackson (91m)

Por: Breógan
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