domingo, 26 de agosto de 2012

FC Porto 4 - 0 V. Guimarães (Crónica e apreciações individuais)




Decisões simples, mas boas, obrigam a equipa a jogar melhor.






O FC Porto não jogou melhor frente ao Vitória de Guimarães do que havia feito em Barcelos por estar mais entrosado, com maior velocidade na transição ofensiva ou porque teve a sorte de marcar na sua primeira oportunidade de golo. Nem, tão pouco, porque a oposição do Vitória de Guimarães tenha sido, significativamente, mais frouxa que a da equipa Barcelense, ou pelo factor casa.







O FC Porto jogou melhor porque Vítor Pereira foi confrontado com a necessidade de tomar decisões. Vítor Pereira percebeu que já não tinha tempo para as adiar. Tomou as decisões mais simples, que são sempre as mais efectivas.

Na análise ao jogo de Barcelos, terminamos a crónica com duas interrogações:

Até quando vamos jogar só com um extremo?
Até quando não vamos jogar com o melhor 10 do campeonato?

Felizmente, a primeira questão e a mais premente, teve a sua resposta hoje! Vítor Pereira decidiu manter-se fiel ao 4-3-3 e não truncá-lo com um falso extremo. Uma decisão sábia. Manter o 4-3-3 não abriu mais uma frente de polémica e manteve a equipa confortável com a sua táctica usual. Ao jogar com dois extremos, o FC Porto abriu a sua frente de ataque e não permitiu ao Vitória de Guimarães imitar o Gil Vicente. O FC Porto circundava toda a defensiva vimaranense e não permitia que os laterais contrários se libertassem de tarefas defensivas.

A segunda pergunta foi parcialmente respondida. James ainda não é o nosso criativo titular, mas, pelo menos, parece que está dada por encerrado o seu desterro nos flancos. A sua entrada em campo, para ocupar aquela que é a sua posição, demonstrou que é ali, de facto, onde James é um jogador à parte neste campeonato. Foi preferível ver James no banco e permitir a equipa respirar num verdadeiro 4-3-3, que prolongar o sofrimento táctico da equipa e o sofrimento individual do jogador adaptado. As decisões de Vítor Pereira não se ficaram por aqui. Ao dar a titularidade a Alex Sandro e Danilo, ficou evidente que a não titularidade de ambos em Barcelos deveu-se a questões do foro mítico que a substanciais motivos futebolísticos. Estavam prontos e disponíveis.






Com decisões simples e certeiras, o FC Porto entra em campo dominador. Dois laterais com capacidade física e técnica para percorrerem os dois corredores e um meio campo estruturado que não se deixava empurrar ou abafar pelo meio campo vimaranense. O Vitória de Guimarães fechava-se como podia, à espera que a maré azul e branca passasse. Mas não passou, nem poderia passar. As decisões tomadas obrigavam a equipa a manter-se no controlo do jogo e em cima do adversário, mesmo com dificuldades de entrosamento no jogo ofensivo e sem velocidade nas transições. Alex Sandro enchia o flanco esquerdo e Hulk arrasava no direito.





FC Porto chega ao golo no primeiro lance de perigo. É uma jogada que demonstra a vantagem táctica de ter um 4-3-3 com dois extremos abertos e um meio campo estruturado. A jogada inicia-se no flanco direito com Danilo. Atsu faz um movimento interior, arrastando o seu defesa. Atsu recebe a bola de Danilo e dá de primeira para Moutinho. Este coloca em Fernando que está a meio do meio campo vimaranense. Fernando, de primeira, mete em Lucho que entra no espaço deixado por Atsu. Tenta colocar a bola em Jackson, mas esta ressalta. Lucho ganha, de novo, o controlo da bola, aproveita a vantagem e com um remate em arco faz o primeiro golo. Uma jogada desenvolvida em cima do meio campo defensivo do Vitória de Guimarães e a toda a largura do terreno. É impressionante o que se ganha com um par de decisões simples, mesmo com a equipa a não exibir um futebol de encanto.

A partir daqui, foi Alex Sandro quem mais brilhou. Primeiro, assiste Hulk para um remate cortado pela mão do central do Vitória de Guimarães na área. Mais um penalti por marcar no Dragão. Depois, cruza para Lucho que remata de primeira, mas Defendi intercepta. A fechar a primeira parte, Atsu com um remate em arco quase marca.

Não foi um domínio avassalador, mas mais que suficiente para o FC Porto sair para o intervalo com um resultado mais dilatado.

A segunda parte começa com um ritmo muito baixo. O Vitória de Guimarães fecha-se, mas depois, tenta procurar espaços para atacar a baliza Portista. Com a saída de Barrientos, o Vitória de Guimarães procura fazer de Toscano um criativo mais influente para a equipa. Ricardito e Marco Matias tentavam bloquear a progressão dos laterais portistas e acompanhar Soudani no ataque. Mas o Vitória de Guimarães só criaria perigo de bola parada. Num canto, Helton soca defeituosamente e Soudani falha o alvo por pouco. O aviso estava dado, era preciso revitalizar o jogo ofensivo do FC Porto. Faltava quem agarrasse a criação de jogo ofensivo. À falta de resposta do banco, a solução veio de Hulk. Lucho faz um corte soberbo a meio campo e corta a transição vimaranense. Coloca, imediatamente, em Moutinho e o FC Porto ganha vantagem táctica na zona interior. Moutinho só teve que colocar a bola para o correr do gatilho de Hulk. Bomba e 2-0 no marcador.




Após o 2-0, só houve FC Porto em campo. O 3-0 demoraria cinco minutos. Mais uma vez, largura total no terreno de jogo. Lucho e Fernando abafam a saída de bola vimaranense. A bola sobra para Hulk no flanco direito e Lucho dispara para a área. Hulk faz uma ligeira pausa e abre para o flanco esquerdo onde entra Alex Sandro. O brasileiro ganha o espaço interior, mas abre, de imediato, para Atsu encher o pé. A sobra do guarda-redes vimaranense fica para Lucho que termina em golo a jogada que iniciara a meias com Fernando.






Com o 3-0, Vítor Pereira dá descanso a Lucho e coloca James a 10. A vida do Vitória de Guimarães não iria ficar facilitada. A imprevisibilidade e velocidade do passe aumentaram. O FC Porto começa a jogar de pé para pé e metendo velocidade no passe. Numa dessas jogadas, James, Moutinho e Alex Sandro envolvem a defesa do Vitória de Guimarães e Moutinho é derrubado na área. Penalti para Jackson converter, com abuso de estilo, mas com classe!

Com o 4-0 o FC Porto descansou. Por duas vezes rondou o 5-0. Primeiro, é James que faz uma abertura primorosa para Hulk chutar cruzado e rente ao poste contrário. Já perto do fim, Jackson demonstra qualidade. Recebe na área, prega o seu adversário no relvado, roda sobre ele e remata cruzado. Falhou, mas por uma unha negra…

O que falta? Mais entrosamento e, sobretudo, mais velocidade na transição ofensiva. Depois, que Vítor Pereira saiba usar os seus “meios campos”. Temos possibilidades de usar múltiplas derivações no trio de meio campo que nos permitem jogar jogos diferentes com soluções distintas.

Ainda assim, o que faz mesmo falta é sossego. O sossego que só se terá com o mercado fechado. Até lá, é aguentar!



Análises Individuais:

Helton – Num jogo em que foi pouco mais que espectador, não esteve ao seu nível no único lance em que a equipa precisou dele. Socou mal e para uma zona proibida!

Danilo – Na primeira parte, jogou de forma mais defensiva. Era a sua estreia esta época e optou por uma abordagem conservadora. Nota-se que ainda não está o seu melhor momento de forma física. Na segunda parte, mesmo quando a equipa jogava pior, foi um dos melhores em campo. O flanco direito começou a carburar ao nível do flanco esquerdo e muito se deveu a Danilo.

Alex Sandro – O homem do jogo. Nem de propósito. Rei morto, rei posto! Está nos últimos dois golos e em muitas outras jogadas de perigo. Pelo meio, meteu o jovem talento do Vitória de Guimarães no bolso. Uma exibição portentosa!

Maicon – Imperial. Só faltou um golo de livre! O Vitória de Guimarães não chegava à frente e os centrais quase que tiveram uma folga.

Otamendi – Está a formar com Maicon uma dupla sólida. Mais um bom jogo.

Fernando – Eclipsou Barrientos e depois Toscano. Jogou dentro do meio campo do Vitória de Guimarães. Uma classe tremenda, só manchada com uma infantilidade perante Ricardito.

Moutinho – Ainda não foi uma exibição à Moutinho, sobretudo no início da segunda parte. Participou em 3 golos, matou muito jogo do Vitória de Guimarães e foi interventivo no jogo ofensivo. Veremos o que nos aguarda nos próximos dias. É isso que o limita.

Lucho – Grande jogo do capitão! Muita vontade em preencher o espaço até Jackson e tenacidade na luta a meio campo. Apareceu muitas vezes na área para concluir jogadas. Ainda assim, onde mais se evidenciou foi no jogo a meio campo. Grande recuperação de bola para o 2-0. Essa foi de craque!

Atsu – Fez um jogo um pouco atabalhoado. Esteve algo trapalhão com a bola, mas deu à equipa profundidade pelo seu flanco. É um menino que precisa de tempo para crescer e confiança para evoluir. Precisa de ser mais objectivo e mais firme nas suas acções.

Hulk – Um jogo à Hulk. Grande golo, mais alguns momentos de levantar o estádio e outros onde não tomou a decisão correcta. Mas faz sempre a diferença. Sempre. E isso é algo que se paga caro no mercado mundial. Bem caro.

Jackson – Foi um jogo estranho. Esteve sempre dentro do jogo, mas este não lhe chegava em condições. Sofreu e soube sofrer. Foi premiado com um penalti que converteu de forma abusiva. Tinha que deixar a sua marca. No último minuto do jogo, demonstra todo o seu potencial! Três jogos, dois golos! Temos homem.


James – Jogou na sua posição e iluminou o campo. Ali é um craque.

Varela – Nem se viu. Uma vez mais! Ou melhor, deu-se por ele quando atrapalhou Alex Sandro!

Defour – Deu tempo para Moutinho pensar na sua vida e ganhar mais uns minutos de jogo.




FICHA DE JOGO:

FC Porto-Vitória de Guimarães, 4-0
Liga, segunda jornada
25 de Agosto de 2012
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 35.503 espectadores

Árbitro: Hugo Miguel (Lisboa)
Assistentes: Pedro Garcia e Hernâni Fernandes
Quarto árbitro: Luís Ferreira

FC Porto: Helton; Danilo, Maicon, Otamendi e Alex Sandro; Fernando, Lucho e João Moutinho; Hulk, Jackson Martínez e Atsu.
Substituições: Lucho por James (76m), Atsu por Varela (76m) e João Moutinho por Defour (80m)
Não utilizados: Fabiano, Kleber, Miguel Lopes e Mangala
Treinador: Vítor Pereira

V. Guimarães: Douglas; Alex (cap.), N’Diaye, Defendi e Bruno Teles; El Adoua e André André; Ricardo, Barrientos e Toscano; Soudani
Substituições: Barrientos por Marco (46m), Marco por Lalkovic (64m) e Toscano por Leonel Olímpio (73m)
Não utilizados: Matej, Leandro Freire, João Ribeiro e Siaka Bamba
Treinador: Rui Vitória

Ao intervalo: 1-0
Marcadores: Lucho (16m e 71m), Hulk (66m) e Jackson Martínez (80m, g.p.)
Cartão amarelo: Defendi (80m) e Leonel Olímpio (90m)

Palavras do Treinador:

"Jogadores mereceram salva de palmas"


Vítor Pereira agradeceu aos jogadores a exibição e a vitória sobre o Guimarães, dedicando a goleada à massa associativa, que "merecia um jogo assim". Lucho González desvalorizou ter sido ele o autor de dois golos e mostrou satisfação "pela boa diferença no marcador".

Vítor Pereira

"Fizemos um jogo sem mácula. Dinâmica muito grande. Todos os jogadores contribuíram para um bom jogo. Bom jogo também para quem viu".

"Todos contribuíram para um excelente jogo e estou satisfeito pela massa associativa, que merecia um jogo assim".

"Só comentarei saídas e entradas concretas. Hulk fez mais um grande jogo. Está cá, conto com ele. Quero dar os parabéns à equipa pelo jogo que fez, mereceram esta salva de palmas".

Lucho González

"Não mudou nada, o que nos faltou no primeiro jogo foi concretizar uma das muitas ocasiões. Sabemos que neste clube não se pode ter dois empates seguidos e fizemos um bom jogo. O importante é a equipa ganhar, quem marca não interessa. Ainda nos falta um pouco de ritmo, mas jogámos a ritmo alto e alcançámos uma boa diferença no marcador".

"Neste clube é normal notícias de transferências, até dia 31 vai haver mais, mas, como dizemos, todos estamos concentrados neste grupo. Se ficarem connosco muito melhor. Se alguém sair há que lhe

Por: Breogán
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