domingo, 5 de agosto de 2012

FC Porto B: FC Porto B 4 - 0 Celta de Vigo B (Crónica e apreciações individuais)









Está apresentado o FC Porto B. Uma apresentação que impressionou e atropelou  a equipa B do Celta de Vigo. O Celta de Vigo só jogou os primeiros 10 minutos, após esse período, foi um espectador privilegiado do talento dos jovens portistas.









O FC Porto entrou nervoso e com dificuldades de marcação a meio campo. Dez minutos onde o meio campo do FC Porto demorou a definir que posição e atribuições caberiam a Edú e a Sérgio Oliveira. O meio campo do Celta de Vigo aproveitou para avançar no terreno. Por duas vezes, em remates fora da área, testou os ferros de Stefanovic.

A partir daqui, só deu FC Porto. Com Sérgio Oliveira a comandar a criação de lances a meio campo, Edú nas compensações e com os flancos do FC Porto a carburarem jogo ofensivo. As transições rápidas começaram a surgir e a serem insustentáveis para o Celta de Vigo.

É numa transição rápida que o FC Porto chega ao primeiro golo. Sérgio Oliveira recebe da esquerda e coloca a bola na subida vertical de David. O defesa direito galga metros e coloca primorosamente na diagonal de Sebá. A classe do brasileiro define o lance e dá vantagem ao FC Porto. Se o FC Porto já tinha o domínio do jogo, após ganhar vantagem no marcador, o FC Porto partiu para uma primeira parte de luxo. Somam-se as oportunidades e começa a resposta do FC Porto aos ferros da baliza galega. O segundo golo é o corolário perfeito deste período do FC Porto, com Sérgio Oliveira a colocar todo o seu talento em campo, com uma arrancada e assistência de elevado nível para a finalização de Frédéric.




A segunda parte começa com o FC Porto em cima do Celta de Vigo. Sem dar hipóteses à equipa galega, o FC Porto chega aos 3-0 por Zé António num cabeceamento a um canto marcado por Victor Luís. Com uma vantagem folgada no marcador, o FC Porto reduziu o ritmo e o Celta aproveita para pregar o último susto aos postes de Stefanovic. O canto do cisne galego. Pouco tempo depois, o FC Porto chega aos 4-0. Alex mete na desmarcação de Frédéric, o extremo ganha a linha de fundo e centra com precisão para o movimento de desmarcação de Vion. Mais um grande golo. Até ao final, o FC Porto ficou a dever a si mesmo não sair do jogo com uma mão cheia de golos. Fábio Martins falhou um lance isolado frente ao guarda-redes adversário e Alex, no ressalto, envia um petardo ao ferro.

O que se extrai deste jogo é que este projecto do FC Porto tem pernas para andar. É uma total mudança de paradigma do anterior projecto da equipa B. Tem jogadores com potencial para dar o salto competitivo para a equipa A. Se o vão dar ou não, é outra questão. Mas há talento para ser trabalhado e é transversal à equipa e não pontual como acontecia anteriormente. O plantel é curto, mas coerente. Quem veio, veio para ser mais-valia e há nítida preocupação na selecção de jogadores para integrar o projecto.




Para enfrentar o campeonato da segunda liga, a equipa revelou muita solidez na zona central da defesa; criatividade e capacidade de trabalho a meio campo; velocidade e poder de finalização na frente. É uma equipa bem orientada. Será bem interessante acompanhar esta equipa.


Breves análises individuais:

Stefanovic – É um excelente guarda-redes. Tem trabalho pela frente, mas é um guarda-redes que se projecta para o futuro do FC Porto. Hoje, o que não defendeu, ou foi para fora ou ao poste. A baliza esteve sempre protegida!

David – Precisa de ganhar maior capacidade de choque para ser mais eficaz a defender. Tecnicamente é um regalo. O lance do primeiro golo é metade seu. Está ali o melhor do David.

Victor Luís – Está visto que o seu principal desafio é crescer defensivamente. Tem garra, tem ousadia, mas faltam-lhe as rotinas de marcação. No plano ofensivo, é muito competente e tem uma bola parada que mete respeito.

Zé António – É o porto seguro da equipa. É um regalo vê-lo a dar indicações aos seus colegas assim que a equipa entra em transição defensiva. É sobre este pedra que irá crescer o talento dos nossos jovens.

Tiago Ferreira – Uma exibição magnífica. Quem foram os pontas-de-lança do Celta de Vigo? Aproveita bem a calma do seu colega de sector e abafa tudo o que lhe chega. Muita frieza e qualidade de jogo.

Mikel – É um jogador em crescimento. Tem que ser mais controlado na entrada ao lance e mais confiável no passe. Não é tosco nenhum, o que lhe falta é moderação e sensatez no seu jogo. Mas há matéria-prima e sabe jogar futebol.

Edú – Levou algum tempo para definir com Sérgio Oliveira quem faz o quê. É um jogador de fino recorte técnico e muito inteligente nas movimentações. Um óptimo ponto de equilíbrio para as transições defensivas e ofensivas.

Sérgio Oliveira – Tem muito futebol nos pés. Já é sobejamente conhecido o talento do Sérgio Oliveira. Resta ver se consegue adoptar uma atitude mental e de trabalho que suportem o talento que tem. Se quiser, será um dos melhores médios portugueses. O lance do segundo golo portista assim o demonstra.

Sebá – Uma agradável surpresa. Marcou um bom golo, deu cabo da cabeça ao defesa esquerdo do Celta e foi o dínamo do ataque portista na primeira parte. Mas a agradável surpresa foi o seu bom jogo defensivo. Claro sinal de maturidade. Quando for mais consistente no jogo, será um caso sério.

Frédéric – Mais apagado que Sebá na primeira parte, mas sempre metido no jogo. Acompanhou a arrancada de Sérgio Oliveira e foi premiado com o golo. Já antes, estivera perto de marcar. Na segunda parte, mostrou mais das suas qualidades. Um jogador rápido, muito esperto na desmarcação e com uma técnica individual muito apreciável. Frédéric é júnior. Até aqui há novidade neste novo projecto de equipa B. Agora, há espaço para que os melhores juniores possam começar a experimentar o futebol sénior. E ainda bem que assim é.

Dellatorre – Jogador muito mexido, muito interventivo e com muita qualidade técnica. No Brasil era um avançado móvel e está, aos poucos, a adaptar-se a jogar sozinho na frente de ataque. Nunca se escondeu do jogo e deu sempre a melhor solução ao lance. Pena foi ter saído lesionado.

Vion – Só vê baliza. Tudo o que faz tem esse ponto de referência. Por si só, é uma lição a todos os jovens pontas-de-lança da formação do FC Porto. O seu trabalho é o golo. Basta ver a sua movimentação para ganhar a frente do lance ao defesa do Celta e corresponder ao centro do Frédéric. Dellatorre tem arte e Vion tem eficácia. Uma luta a acompanhar!

Elói – Limitou-se a ser o libero da equipa e a apanhar algumas bolas altas. Dá confiança à equipa.

Diogo – Dos reforços brasileiros foi quem menos se destacou. David deixou a bitola bem alta e Diogo entrou numa fase em que a equipa já descomprimia. Ainda assim, deu para perceber que é um jogador com boa técnica individual e veloz.

Mbola – Foi uma agradável surpresa. Formou com Frédéric um flanco activo e foi muito acutilante ofensivamente. É ainda ingénuo a defender, mas a atacar é perigoso.

Pedro Moreira – Entrou bem, embora fosse expectável que a sua entrada em campo fosse mais marcante no jogo. Fez bem o trabalho de “formiga”, mas faltou-lhe soltar mais o seu futebol. É um excelente jogador, mas raramente liberta o seu futebol em campo.

Tozé – Trouxe muita criatividade à equipa e mais dores de cabeça ao Celta de Vigo. Passes primorosos e um golo merecido que esbarrou no poste. Um 10 com muito talento.

Fábio Martins – Veio de lesão e notou-se. Perdeu alguns lances por mau domínio de bola e falhou um golo que não pode falhar. Tem que ser mais constante no jogo. O que interessa é recuperar a forma que vinha apresentando nesta pré-época para o próximo fim-de-semana.

Tomás – Tem aquilo que Mikel não tem. Tudo o que faz é bem feito, com sensatez e precisão. Irrepreensível na posição 6. Mais um júnior a puxar o seu jogo para o nível profissional.

Bruno – Saiu o Zé António e a “zaga” manteve-se sólida. Só isso é um grande elogio. Também é um júnior a aproveitar a oportunidade na equipa B.

FICHA DE JOGO:

Estádio Luís Filipe Menezes, CTFD PortoGaia
Assistência: 700 espectadores

Árbitro: Mário Tibério
Árbitros Assistentes: Jorge Aguiar e Fábio Silva

FC Porto B: Stefanovic (62m); David (62m), Zé António (70m), Tiago Ferreira, Victor (62m); Mikel (70m), Edu (65m), Sérgio Oliveira (62m); Sebá (70m), Dellatorre (45m) e Fréderic Maciel. 
Jogaram ainda: Vion (45m), Pedro Moreira, Diogo, M’Bola, Éloi (62m), Tozé (65m), Bruno Silva, Tomás Podstawski e Fábio Martins (70m)
Treinador: Rui Gomes

Celta de Vigo B: Óscar; Kevin, Macieira, Soto, S. Maestre; Anton, David Añon, S. Santos; Ruben Martinez, Javi Lopes e Marcos.
Jogaram ainda: Peña, Felix, Valdivia, Jordan, Borja, Yago, Fidi, Aitor Aspas.
Treinador: Pichi Lucas

Ao intervalo: 2-0

Marcadores: Seba 15m, Frederic Maciel 30m, José António 49m e Vion 64m

O que disse o Treinador:

«Estou moderadamente satisfeito. Nem tudo foi assim tão bom mas o resultado foi ótimo. Fomos eficazes mas o nosso adversário também teve três, quatro ocasiões de golos. Em determinados jogos, continuamos a consentir mais do que devíamos consentir. Ainda há muito para melhorar», frisou Rui Gomes, no final do encontro.

O brasileiro Sebá, avançado cedido pelo Cruzeiro, entusiasmou os adeptos. O treinador reconhece que o jogador tem imenso potencial: «O facto de vir de um futebol diferente já obriga a um período de adaptação mas penso que nos poderá acrescentar bastante porque é um jogador com caraterísticas muito próprias, com uma dimensão física muito forte. Está a aprender a jogar na ala, uma vez que estava habituado a jogar como ponta-de-lança num esquema a dois. Ainda tem muito a aprender mas estou bastante satisfeito com ele, como estou com todos.»

Dos jogadores que aqui estiveram, três ou quatro ainda são juniores. Continuará a existir essa ligação entre o futebol profissional e o futebol de formação. Esta coordenação é para continuar», explicou o técnico com trajeto consolidado na formação do F.C. Porto.

O F.C. Porto B apresentou os mesmos princípios de jogo da equipa principal. Nada surge por acaso. «É assim que queremos jogar, mas temos de ter mais períodos com maior qualidade de posse. Sim, dentro das referências do futebol da equipa A, como é óbvio. Existe a ligação com Vítor Pereira, a nossa coabitação é diária, falamos muitas vezes e alguns jogadores já estiveram a trabalhar na equipa A. Estaremos sempre dependentes da equipa A, que tem prioridade em tudo», disse.

Rui Gomes garante que não há objetivos definidos,em termos classificativos, para a temporada 2012/13. «Os objetivos competitivos não estão definidos porque este é um ano zero. Temos equipa com qualidade para nos ombrear com qualquer outra, mas só o tempo dirá se teremos maturidade e estofo mental para o fazer ao longo de todo o campeonato»


Por: Breogán
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