domingo, 5 de agosto de 2012

Futebol: FC Porto 0 - 0 Lyon (Crónica e Análises Individuais)











Permitam-me começar pelo momento da noite de ontem. A homenagem justa que o FC Porto guardou para o Sr. Costa Soares. Foi delicioso ver o clube e os seus adeptos saberem ser gratos a quem tanto lhes deu, tanto contribuiu e tanto ajudou para que o FC Porto seja aquilo que é. Para mim, a gratidão é uma das melhores qualidades humanas, é um sinal de inteligência e de maturidade. Foi um momento alto do Portismo.









Foi o último jogo de preparação e a introdução da equipa às exigências do Dragão. Jogos de preparação são tubos de ensaio para testar a equipa. Ainda assim, o Dragão responde com exigência desmedida. É sinal que somos ganhadores, sedentos de vitória e fiéis ao sucesso.

O FC Porto entra em campo com uma alteração no 11 inicial que apresentou em Valência. Sereno cede o seu lugar de defesa esquerdo adaptado a Mangala. Parece ser aqui a única dúvida de Vítor Pereira para a Supertaça frente a Académica. Para já, Mangala parece levar vantagem na preferência. Outra posição em aberto é a 8. Moutinho ainda não foi titular na pré-época, mas será difícil não equacionar a sua titularidade no primeiro jogo oficial da época.

O jogo de ontem, frente a uma equipa equilibrada e competitiva, foi mais um teste à consistência do FC Porto. Genericamente, pode-se afirmar que defensivamente a equipa passou no teste, mas que ofensivamente chumbou. Uma conclusão que vem na linha do que já tinha ocorrido em Valência.

Mesmo com as dificuldades com as laterais, o FC Porto revela consistência defensiva: sabe fechar os espaços atrás e os jogadores são solidários. Fernando está em subida de forma e o seu futebol está a ganhar a dimensão física que o caracteriza.

No plano ofensivo, cabe a Vítor Pereira definir a equipa e tomar decisões. Enquanto não o fizer, a equipa terá dificuldades na criação de jogo para o seu ponta-de-lança. É verdade que a ausência de Moutinho é notada a nível ofensivo. Defour substitui melhor Moutinho no plano defensivo que no plano ofensivo. Defour não tem o jogo vertical de Moutinho, nem o seu à vontade de progredir com bola. Sem um jogador verdadeiramente criativo pelo centro, a ausência de Moutinho tem peso no processo ofensivo da equipa. Ainda assim, esta é quase uma questão menor nas nossas actuais dificuldades de construção ofensiva. Atsu é o melhor em campo, não só reflexo do seu inegável talento, mas sobretudo por ter dado vida ao único corredor consistentemente funcionante do ponto da criação de jogo. E é este o problema ofensivo do FC Porto. 








O flanco direito, por regra, é uma ausência e a zona central vive dos momentos em que James lá chega e não fica pelo caminho. Foi assim que se construiu a grande oportunidade do FC Porto na primeira parte. Lucho a fazer o trabalho de 8, James de 10 e Jackson a obrigar Lloris à defesa da noite. Na segunda parte, foi Atsu que pelo seu flanco constrói a grande oportunidade do jogo (com Lucho a rematar ao lado), num lance que já tinha sido tentado por si mais vezes, na primeira parte, no flanco esquerdo. Em todo o jogo, nunca se viu nada de semelhante no flanco direito. Enquanto este desequilíbrio criativo existir, por se forçar o encaixe dos jogadores no 11 inicial, os nossos adversários terão tarefa facilitada. Para consumo interno, até serve, sem dúvida. Mas frente equipas maduras, competitivas e de outro nível como o Valência e o O. Lyon, já outro galo canta.








Após as várias substituições, o jogo decaiu de qualidade e interesse, mas há uma conclusão que deve ser tirada. Mais uma vez, foi tentado o duplo pivot na estruturação do meio campo. Uma vez mais, o FC Porto perdeu o domínio do jogo com essa solução. Mesmo perante um O. Lyon já com alterações ao seu 11 inicial. O meio campo defensivo recua em demasia e são alocados dois jogadores que revelam dificuldades em sair no momento ofensivo.

Restava o fim da festa. Confirmou-se que Bracalli e Addy já não fazem parte do grupo. Expectável.

Agora, é a doer! Força FC Porto!
Venceremos!


Breve análises individuais:

Helton – Jogo tranquilo. Defendeu o que Gomis ainda lhe fez chegar e revelou segurança no jogo aéreo.

Miguel Lopes – Está em crescendo. Segurou bem a sua posição defensiva e ainda tentou esticar jogo pelo seu flanco. Bem nas compensações interiores.

Mangala – Não é defesa esquerdo, como Maicon não é defesa direito. Agora, tal como Macion, é visível o seu esforço, empenho e evolução na posição à qual foi forçado a adaptar-se.

Maicon – Seguro na defesa, magistral pelo ar e um perigo no ataque. Que se lembre sempre que um grande central chuta para fora do estádio se preciso for!

Otamendi – Algumas vezes ultrapassado por Gomis e algumas dificuldades no jogo aéreo. De resto, formou com Maicon uma dupla sólida.

Fernando – Está a crescer na sua forma. Mais físico, mais duro no choque e mais abrangente na sua posição. Veio de lesão e terá saído mais cedo por precaução.

Defour – Trabalha muito e compensa muito bem a equipa. Não pode continuar a fazer só isso, tanto que, jogou melhor a 6 com Moutinho a 8, que a 8 com Fernando a 6. É jogador para jogar mais futebol.

Lucho – Mais um jogo pontuado de talento. Boas aberturas e passes inteligentes. Falhou a oportunidade de ouro do jogo, mas o seu movimento para a área é brilhante. Defensivamente, revelou muito empenho.

James – Mais uma vez foi votado à intermitência. Quando chegava ao centro brilhava, como na assistência que faz para Jackson, na primeira parte. Quando ficava no flanco ou a meio caminho apagava-se do jogo. Um luxo deixar um talento deste tanto tempo “fora de jogo”. Foi bom ver muito o seu empenho defensivo.

Atsu – O homem do jogo e quem fez saltar o público do Dragão. Velocidade e técnica para dar e vender. Quando for mais consistente e mais preciso no passe e nas suas acções, algo que virá com o tempo e com a confiança, vai fazer muita mossa.

Jackson – Tem muito talento. Só não ver quem não quer. Falta-lhe ainda o golo. Mas o que lhe falta é jogo para fazer golos. E isso não é culpa dele. Está em adaptação ao futebol Europeu. Nota-se que fica surpreendido com a marcação que lhe fazem neste lado do Atlântico. É muito mais aguerrida, mais em cima e mais dura. Com James nas suas costas…e seriamos um tormento.


Moutinho – Com Moutinho a 8 a equipa ganhou outra rotatividade ofensiva. O pior foi quando passou para duplo pivot com Castro. Quase que se apagou do campo.

Castro – Voltou a entrar mal em jogo. Muito passe falhado, muito esforço e pouco futebol. O esquema de duplo pivot não o beneficia, mas precisa de assentar o seu jogo e ser mais produtivo.

Varela – Até a sua entrada, o flanco esquerdo estava bem produtivo. Com Varela, eclipsou-se. A pior entrada em campo.

Djalma – Enquanto a extremo direito, ainda deu uma graça a um flanco que nunca a teve. Quando passou para lateral direito, sacrificou o seu jogo pela equipa.

Fabiano – Ganhou a vaga a Bracalli. É justo. Apesar das suas debilidades (é um GR que precisa de trabalho), está bem mais próximo de Helton que Bracalli. Entrou ontem em jogo e não se notou diferença. O que é um óptimo começo.

Rolando – Manteve o nível de solidez no centro da defesa. Se ficar, vai ter que ser humilde e esperar pela oportunidade de voltar a ser titular. Culpa sua.

Sereno – Mais uma demonstração de qualidade e polivalência. Quando se preparava para passar para central, um francês decidiu marcar-lhe o joelho. Está na luta com Mangala para a vaga de defesa esquerdo para a Supertaça.

Kelvin – Detalhes de craque. Não dava para mais. A equipa jogava com duplo pivot e muito recuada.

Kléber – Voltou a demonstrar alegria. Vá lá! Pelo menos, forçou a Koné a empenhar-se para tirar-lhe a bola!

Itrube – Prémio ou castigo?! Dois minutos em campo?!





FICHA DE JOGO:

FC Porto-Lyon, 0-0
Jogo de Apresentação 2012/13
Assistência: 42. 709 espectadores

Árbitro: Artur Soares Dias (Porto)
Árbitros assistentes: Rui Licínio e João Silva
Quarto árbitro: Hugo Pacheco

FC PORTO: Helton; Miguel Lopes, Maicon, Otamendi e Mangala; Fernando, Defour e Lucho (cap.); James, Jackson Martínez e Atsu
Substituições: Fernando por João Moutinho (46m), James por Varela (67m), Atsu por Djalma (67m), Defour por Castro (67m), Otamendi por Rolando (78m), Helton por Fabiano (78m), Jackson Martínez por Klebler (78m), Lucho por Kelvin (78m), Miguel Lopes por Sereno (78m), Sereno por Iturbe (89m)
Não utilizados: Kadú e Alvaro
Treinador: Vítor Pereira

LYON: Lloris; Réveillère, Cris, Koné e Cissokho; Fofana, Gonalons (cap.) e Gourcuff; Briand, Gomis e Lacazette
Substituições: Gomis por Benzia (56m), Fofona por Malbranque (56m), Cris por Untiti (72m), Réveillère por Dabo (72m), Lacazette por Pied (79m), Briand por Grenier (79m)
Não utilizados: Vercoutre
Treinador: Rémi Garde



Palavras do Treinador:

Vítor Pereira: 

Vítor Pereira não fugiu ao tema Álvaro Pereira na conferência de imprensa. Após o empate a zero frente ao Ol. Lyon, na apresentação do F.C. Porto aos seus adeptos, o treinador foi confrontado com uma realidade esclarecedora: o uruguaio foi o único jogador não utilizado, a par do jovem guarda-redes Kadu, no encontro.

«O Alvaro Pereira é nosso jogador. Gosto de jogar com laterais a laterais, com centrais a lateral, etc. Mas eu entendo é a dinâmica do mercado, no ano passado senti isso na pele e eu tenho de estar concentrado no título que vamos discutir e tenho de me agarrar aos que me dão mais garantias. É esse o meu foco, é esse o caminho», disse o técnico, dando a entender que o jogador poderá não estar totalmente concentrado.

Uma vez mais, Vítor Pereira forma o plantel sem certezas. De qualquer forma, não teme o mercado. «A questão não é temer ou deixar de temer. É a realidade. É natural que o interesse surja, a especulação também. A experiência faz-nos evoluir e o que eu quero é preparar a equipa para disputar um título, seguindo o meu rumo. Já manifestei a minha opinião, o mercado não devia estar aberto até final de agosto. Está, mas não perco uma noite a pensar nisso. Durmo tranquilamente», garante.

Jackson Martínez disse em entrevista que gostaria de jogar ao lado de Hulk. O treinador acha natural: «É natural que o Jackson tenha vontade de jogar ao lado de Hulk, os bons jogadores gostam de ter bons jogadores ao lado. Eu se fosse jogador, também queria o Hulk ao meu lado.»

De resto, Vítor Pereira não considera haver um défice de médios no plantel. «Estamos bem servidos no miolo, não espero reforços e estou contente com os jogadores que tenho. Vamos ver até final de agosto o que acontecerá»


Por: Breogán
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