quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Aproxima-se mais uma fase final do campeonato nacional de juniores Sub19, como tal fazemos uma breve análise sectorial ao plantel.



O FC Porto aborda esta fase final como campeão em título e vencedor da zona Norte com 19 pontos de vantagem sobre o segundo classificado, tendo registado só uma derrota e quatro empates. Com mais uma equipa recheada de talento, o objectivo é a renovação do título. A tarefa é exigente. Não só pelos adversários maduros e graúdos que nos esperam, mas também pela brilhante incompetência de quem gere os quadros competitivos: a FPF. Na fase regular, disputaram-se 4 jornadas em 2 meses (9ª à 12ª jornada), agora, na fase final, toda a primeira volta é compactada em 5 semanas (média de jogos de 5 em 5 dias), sendo que, os primeiros três jogos disputam-se com três dias de intervalo. Estes solavancos de ritmo competitivo são mais um adversário a vencer e uma demonstração cabal de como a Federação não sabe, nem quer, cuidar da formação em Portugal.




O FC Porto, como era esperado, dominou a primeira fase, mesmo com Rui Gomes a provocar uma rotação constante do plantel. A equipa revelou-se quase sempre coesa e competente para chegar à vitória. Com duas excepções. Duas excepções que merecem reflexão por parte da equipa técnica e estrutura do FC Porto. A equipa falhou nas duas deslocações que retiraram a equipa da sua área geográfica de conforto. Nas duas visitas à Madeira, a equipa só conseguiu um ponto. Há trabalho psicológico a fazer nos escalões de formação do FC Porto e a próxima fase traz deslocações a terrenos muito hostis.
Rui Gomes apresenta a equipa num sistema de 4-3-3, em que privilegia a posse de bola no trio de meio campo e transições rápidas e verticais dos seus extremos. A defesa é forte e coesa, sobretudo pela zona central, sendo a equipa que menos golos sofreu na fase regular. O meio campo tem jogadores de boa capacidade técnica, muito solidários e que definem muito bem as posições que lhes são incumbidas cumprir. A frente de ataque trabalha em desmarcações constantes, abrindo linhas de passe e possibilitando a aproximação do seu meio campo.



Análise sectorial da equipa:




Kadu

BALIZA: A disputa vai ser entre Kadú e Elói. O jovem Angolano é aposta da SAD, tendo sido chamado para os trabalhos de pré-época e para alguns jogos da taça de Portugal e taça da Liga. É um guarda-redes que impressiona pela sua estampa física e exuberância na baliza. Utilizado em 12 jogos, sofreu 9 golos, alguns dos quais evitáveis. Elói é um guarda-redes com percurso nas selecções jovens Portuguesas e com um excelente desempenho no título de juvenis de há dois anos. É um guarda-redes seguro, que transmite tranquilidade e confiança ao sector defensivo. As estatísticas não mentem: 10 jogos e 2 golos sofridos. Caio (ainda utilizado na fase regular) e Luís Pinto são juniores de primeiro ano e não deverão ter grandes oportunidades de jogar na fase final.





DEFESA: Na defesa tudo está definido, excepto no lado esquerdo. É um sector sólido e bem rotinado.

Na lateral direita, a adaptação muito bem sucedida de André Teixeira não dará grandes hipóteses a Jorge Azevedo. Pena é que esta adaptação já não se tenha iniciado desde os juvenis, quando André Teixeira já dava mostras de ter mais futuro a lateral que a central.

No centro da defesa, Tiago Ferreira é inquestionável. É o jogador mais maduro desta equipa, um central de fino recorte técnico e premiado, justamente, com uma chamada aos trabalhos de pré-época da equipa sénior. Ao seu lado, surge Hugo Basto que tem vindo a mostrar grande margem de evolução e características físicas muito interessantes para a posição. Gil, surpreendentemente, tem sido pouco utilizado, ele que era apontado como um grande reforço nesta equipa e deverá perder a corrida para Hugo Basto. Lima Pereira, a cumprir o seu primeiro ano no escalão, constituirá a quarta opção.

No flanco esquerdo é onde reside a maior dúvida do onze portista. Floro nunca revelou solidez e capacidade suficiente para cumprir na posição e Rui Gomes chegou a chamar o juvenil Luís Rafael em alguns jogos. Em Janeiro, chegou o Zambiano M’Bola. Resta saber o que poderá acrescentar à equipa.




Tozé

MEIO CAMPO: É o sector onde reside muita qualidade. O sector tem como base o meio campo que ganhou o título nacional de juvenis de há dois anos e o nacional de juniores do ano passado. Esse trio que já joga junto há quatro anos constitui o núcleo duro (e ganhador) da equipa.

Começando pela posição 6, Paulinho parece ser, ainda, o dono do lugar. É um jogador muito regular, com qualidade técnica e o 6 das anteriores campanhas vitoriosas. Este ano enfrenta maior concorrência, sobretudo, em Mikel. O Nigeriano é um jogador de elevada potência física e, por vezes, abusa desse predicado recorrendo a entradas muito duras sobre os adversários. É um jogador ainda muito cru na sua formação futebolística, embora dimensão física do seu jogo seja um bom complemento ao jogo da equipa.



Na posição 8, o grande destaque vai para Alves. Tal como Paulinho, campeão nos últimos dois anos. Iniciou a temporada a todo o vapor, embora nos últimos jogos não tenha estado ao mesmo nível. É um jogador que empresta uma dimensão física muito interessante ao jogo de meio campo e que possui uma boa visão de jogo e um excelente pontapé (capaz de furar qualquer defesa). Leandro será a alternativa na posição, ele que cumpre o seu primeiro ano no escalão de juniores.

Na posição 10 e com a batuta de maestro: Tozé. Jogador com uma capacidade de drible desconcertante, tremenda qualidade técnica nas bolas paradas e uma atitude guerreira em campo. Foi o melhor marcador da fase regular e é quem completa o trio que soma títulos de na formação azul e branca. Cardoso, mais um ex-juvenil, será a alternativa a Tozé ou a adaptação de um extremo à posição.



ATAQUE: É um sector onde há forte concorrência, sobretudo nos flancos, e onde reside uma das boas surpresas desta equipa. Foi o sector onde houve mais rotação na fase regular.

Nos extremos, a luta será a quatro. Começando por Ebo, o Ganês tem jogado a extremo, porque na sua posição natural Tozé tem estado a grande nível. É um jogador que alia poder de arranque, velocidade de execução e capacidade de drible. Inspirado é muito difícil de parar. Em fase de adaptação às exigências do futebol europeu, ainda não é um jogador regular, e tal como Cristian Atsu no ano passado, tem tudo para ser tão decisivo e influente. Por ventura, acuse essa pressão extra, mas pode “explodir” nesta fase final, como Atsu fez no ano passado. 

Outro extremo em destaque é Fábio Martins. Teve um arranque da temporada portentoso, somando golos e assistências. Depois, foi-se a apagando. A equipa precisa de um Fábio Martins ao mais alto nível, porque é dos jogadores mais desequilibrantes e um dos grandes talentos da equipa. Quem também luta por um lugar é Frédéric. Ainda júnior de primeiro ano, teve um percurso semelhante a Fábio Martins, um arranque forte na temporada, com um afrouxar já para o final da fase regular. É um extremo rápido e muito inteligente nas suas movimentações. O quarto extremo na luta pela titularidade é Adriano. É dos quatro o menos exuberante, mas talvez, o mais regular. Sempre que foi chamado cumpriu e mostrou ser opção válida se a equipa precisar. Catarino é a quinta opção, claramente atrás dos outros quatro.



Vion

No centro do ataque, temos a grande surpresa da equipa: Vion. Só começou a jogar na segunda volta da fase regular, marca 7 golos em 8 jogos (6 deles titular). É um avançado com excelente técnica, rápido, bom jogo aéreo e muita fibra. É um jogador em desmarcação constante e que com a generosidade do seu jogo, pode jogar em todas as posições da frente de ataque. Poderá ser decisivo nesta fase final e já foi convocado por Vítor Pereira para alguns jogos da equipa sénior. No seu encalço pela titularidade está Gonçalo. Mesmo sendo esta a sua época de estreia no escalão, está muito aquém do avançado centro que demonstrava classe na equipa juvenil do ano anterior. É um jogador fino, tecnicamente muito dotado e bem ciente das suas capacidades. Este ano joga um futebol triste e sem chama. Era bom que voltasse ao seu nível. Por fim, Lupeta sofreu uma lesão grave, já falhou boa parte da fase regular e não estará disponível na fase final. É um jogador que dava uma dimensão mais física à posição de ponta de lança. Desejamos, desde já, o seu rápido restabelecimento.






Por: Juary
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