sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Uma noite de amargura, Liga Europa: FC Porto 1 - 2 Manchester City








Uma noite de amargura: uma primeira parte de outras épocas seguida de uma segunda parte desta época; lesões graves e limitativas para outros objectivos; autogolo e erros primários, como sempre acontecem nos nossos grandes embates europeus; substituições tardias e uma eliminatória já difícil de reverter.










É difícil definir o que mais custou. Ainda assim, a lesão de Danilo tem franco destaque. A seguir, a incompreensível dicotomia entre a primeira e a segunda parte. Chega a ser assustadora. Como é que uma equipa é afoita e positiva numa parte e, na outra, nem à baliza do adversário consegue chegar. O que 15 minutos de intervalo podem fazer! Por fim, já não há pachorra para tanto erro individual (muitos deles por incapacidade de aguentar a pressão competitiva do jogo) que deita por terra objectivos fulcrais em jogos de grande nível (nos últimos anos foi contra o Chelsea, Manchester United, Barcelona, etc…). É algo que deve merecer atenção. A factura já vai pesada.







A entrada no jogo é muito forte. Muita dinâmica nos dois flancos, alimentada pelo labor dos dois laterais. O meio campo, enquanto teve pilhas, dava conta do meio campo de combate do Manchester City. Na frente, com Hulk novamente a 9, as coisas não rendiam ao mesmo nível. O FC Porto teve um elevado volume de jogo, mas muita dificuldade na definição do ataque. Não confundir com dificuldades a nível da finalização, mas sim, na organização do ataque. Foi frequente centrar-se para ninguém, procurar-se com um passe na área quem lá não estava e não havia ninguém para o combate corpo a corpo com os centrais dos Citizens, de forma a abrir brechas para quem vinha em progressão do meio campo. É um erro que decorre do onze escolhido. Com um ponta de lança no banco, a opção cai sobre um avançado móvel.



Aos 23 minutos a grande contrariedade da noite. Danilo saiu por lesão, abandonando o jogo e, muito provavelmente, o restante da época. Até esse momento, o flanco esquerdo do Manchester City tinha sido uma inexistência. Cinco minutos mais tarde, o FC Porto chega ao 1-0. Hulk foge dos seus terrenos de 9, caindo sobre a extrema esquerda e centra tenso para a entrada de Varela, que ainda aproveitava as últimas ondas de choque deixadas por Danilo no flanco esquerdo do Manchester City.

Vantagem no marcador, magra pelo volume de jogo, mas correcta pela dificuldade que o FC Porto tinha de se organizar e criar perigo no ataque.
Ainda assim, o Manchester City foi sempre avisando e Helton termina a primeira parte com uma colecção excelentes defesas a manterem o zero no marcador para o lado inglês.

O que se passou no intervalo é um mistério. O que é certo é que o FC Porto não entra com a mesma dinâmica, não vai à procura do segundo golo e retrai-se. 

O Manchester City avisa logo, com uma bola no ferro de Helton. O FC Porto nem assim acorda e no banco nada se mexe. Como se não bastasse, Alvaro e Helton dividem entre si a oferta ao Manchester City que os leva a igualar o marcador. O FC Porto vê-se esfumar uma vantagem para a qual tanto porfiou na primeira parte, mas que não teve ousadia de reforçar na segunda e o Manchester City percebeu que mesmo não jogando bem, podia ganhar o jogo e levar para Manchester a eliminatória já meia decidida. Percebe-se que o meio campo do FC Porto começa a claudicar, com uma erosão progressiva de Moutinho e Fernando. Tudo porque na posição 10, o FC Porto já não tinha um homem fisicamente capaz de responder ao choque físico dos médios defensivos do Manchester City. Lucho desaparece do jogo, deixa o meio campo do Manchester City avançar sobre Moutinho e Fernando, que o seguram enquanto podem. Nos flancos, também há uma quebra de rendimento, sobretudo no flanco direito, órfão de Danilo por lesão e de Varela por consequência.




O Manchester City aposta cada vez mais no lado físico do jogo e com o árbitro a ajudar à festa, vai coleccionando cartões amarelos (e ver perdoados vermelhos), mas moendo, pedacinho a pedacinho, o meio campo do FC Porto. Até que aos 85 minutos, já com Moutinho e Fernando sem grande capacidade de recuperação, Nasri é esquecido na posição 10 sem marcação e a subida de Touré não tem compensação. Bastou um ressalto de bola ganho pelos jogadores do Manchester City, uma triangulação sobre o Rolando e o Manchester City ganha vantagem no marcador e na eliminatória. Depois da casa roubada, trancas à porta. Tarde, muito tarde. Tão tarde, que não só colocou em causa o resultado deste jogo, como a decisão da eliminatória.





Análises Individuais:

Helton – Na primeira parte, foi um porto seguro da equipa. Na segunda, também tem uma intervenção de grande nível, mas borra a pintura a meias com Alvaro.

Danilo – Estava em grande. Soberano no flanco e a carburar muito jogo para Varela. A sua saída diminuiu a equipa. Se se confirmar a gravidade da sua lesão é uma baixa terrível para o resto da temporada.

Alvaro – Este jogo é um retrato fiel daquilo que tem sido a sua temporada. A defender, nem sempre disponível e a recuperar a passo; a atacar com toda a força, embora a definição final seja francamente sofrível. Por fim, um autogolo caricato.

Rolando – Bem na marcação de Balotelli, quando este aparecia na sua zona de acção. Nunca foi o comandante que a equipa precisou. Nesse aspecto, até Maicon se mostrou mais autoritário sobre a bola e adversário. No segundo golo, é apanhado no meio de uma triangulação, com a velocidade e tenacidade do movimento vertical de Touré a fazer muito estrago.

Maicon – A central foi a melhor exibição da defesa. Seguríssimo. Quando teve que voltar a lateral direito, soube defender-se e proteger a equipa.

Fernando – Meteu Touré num bolso na primeira parte. Ganhou todos os lances, mesmo os divididos no ombro a ombro. Na segunda parte, foi quebrando. Já não era só Touré. Era Touré e Barry ou Touré e de Jong. Acaba a lateral direito, com 1-2 no marcador.

Moutinho – É quase um decalque de Fernando. Uma primeira parte tremenda, de alta rotação. Na segunda parte, o meio campo do Manchester City dá dois passos em frente e começa a “moagem”. Sem um 10 que perigasse as costas dos bulldozers do Manchester City, ia ser um jogo muito sofrido. E foi.

Lucho – É um grande jogador, merece o estatuto que tem, mas sua áurea não se pode sobrepor às necessidades da equipa. Fez uma primeira parte de elevado nível, mas foi a primeira vítima do meio campo do Manchester City. Na segunda parte, nunca agarrou o jogo e foi sempre demasiado posicional e sem capacidade de explosão. Com isso, condenou os seus colegas de sector a uma luta inglória com 3 bulldozers. Com a dinâmica a cair nos flancos e Lucho desaparecido de jogo, faltou a entrada de um extremo e a passagem de James para 10.

James – Uma primeira parte brilhante, em que deixa RiIchards estonteado. Na segunda parte, com o decaimento abrupto de jogo que houve, só brilhou quando pegou no jogo em posições interiores. Faltou James, com todos os seus argumentos técnicos e explosão, na criação do jogo ofensivo do FC Porto na segunda parte.

Varela – Uma boa primeira parte, aproveitando, e muito bem, o trabalho de Danilo. Incisivo no golo e com mais duas arrancadas de registo. Na segunda parte, cai a pique. Soma perdas de bola e nunca mais testa Clichy.

Hulk – É um grande jogador. Só assim, mesmo jogando fora da sua posição a maior parte de tempo e não estando, particularmente, inspirado, consegue ser determinante e fazer uma assistência. Esteve demasiado tempo na luta ente Lescott e Kompany. Algo para o qual não tem pachorra, nem vocação.


Mangala – Excelente entrada, mostrando, uma vez mais, todas as suas qualidades. Voltou a ser decisivo em algumas dobras que fez a Alvaro. Merece maior tempo de utilização.

Kléber – Substituição tardia. Não trouxe nada de novo, porque quando entra já a equipa estava quebrada.

Defour – Lá diz o povo: “casa roubada, trancas à porta”. Com 1-2 no marcador, com poucos minutos para jogar e com Maicon a ter que regressar a central, o que faria mais sentido? Entrar Defour e adaptar Fernandoa lateral direito? Ou entrar Djalma e ser ele lateral direito?







Por: Breogán
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