segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Campeonato Nacional de Futebol, 18ª Jornada: FC Porto 4 - 0 União de Leiria





É um daqueles jogos em que o resultado disfarça os problemas que se arrastam. O volume do resultado tem proporcionalidade directa com as dificuldades que a equipa apresentou para contornar uma equipa fechada e determinada a roubar dois pontos ao FC Porto. Ao contrário do Vitória de Setúbal, o clube do distrito de Leiria apresentou um meio campo combativo, solidário e reforçado com Ogu. Cajuda puxa o seu médio ofensivo para trinco, porque o objectivo é só um: roubar dois pontos e não conquistar um. É aqui que começam os problemas do FC Porto.






Mais uma vez, a equipa entra apática no jogo, como se não soubesse os resultados da véspera, a urgência da vitória ou como se tivesse certa que a mesma acabaria por aterrar no seu colo. Uma vez mais, o FC Porto perde na determinação à abordagem ao jogo.


 Entra sem chama, sem cerrar os dentes, sem vontade de colocar tudo em campo logo desde o minuto um. Com isto, o adversário foi fechando e ganhado confiança. A resposta do FC Porto mantém-se a mesma. Dificuldades de penetração pelos extremos, os laterais sem ordens para apoiar e um 10 estaticamente perto de Janko, mas distante do restante meio campo. A raiz destes problemas é dupla: baixíssima velocidade de execução e rigidez táctica que não permite trocas posicionais constantes. É impossível ganhar vantagem sobre o adversário de forma consistente quando um jogador não recebe já em aceleração. Quando há uma sucessão de passes em que o jogador está, consecutivamente, parado para efectuar a recepção, quem está a sacar vantagem é o adversário. O cenário piora quando os jogadores se entregam à marcação, não efectuando rápidas trocas posicionais, procurando diagonais para a receber a bola em velocidade. Para cúmulo, o luxo de se deixar o melhor 10 do campeonato, aquele que apresenta um futebol mais perenemente imprevisível e sempre em aceleração, no banco.






A primeira parte resume-se, quase na sua totalidade, a este nó difícil de desatar que o FC Porto apertou sobre si mesmo. Nó que mostra que os reforços não serão reforços por si mesmos, se não houver atitude competitiva, ambição de vitória, liderança desde do banco e lógica nas escolhas e nas opções tácticas. Foi uma primeira parte que serviu para dar moral à missão da equipa do distrito de Leiria. Só Hulk fazia tremer a defensiva contrária. Só Hulk dava velocidade e génio em raros momentos.

Na segunda parte, o arranque nada prometia de bom. O intervalo não trouxe novidade nenhuma. Nem no onze em campo, nem na atitude. Foi um momento de loucura sul-americana, bem sancionado pelo árbitro, que libertou o aperto do nó. Com vantagem numérica, acabaram-se os pudores ofensivos e, finalmente, foi dada ordem de soltura aos laterais. Mas o nó, mais solto, continuava por desatar e os minutos, impiedosamente, escoavam.




Até que ao minuto 60 solta-se do banco a luz que a equipa tanto precisava. Com James a equipa ganhou outra rotação, outra criatividade em movimento, mais que isso, casou a criatividade com a velocidade. Em cinco minutos a equipa jogou o que não tinha jogado em sessenta. Um arranque de Moutinho, fintado quem lhe aparecia à frente, um acompanhar em velocidade de James para ao primeiro toque meter no coração da área, onde Janko fez o que tinha que fazer. Acabou-se a missão das gentes do distrito de Leiria, acabou-se o fosso de 7 pontos para liderança e acabaram-se os espartilhos tácticos, mentais e de escolha que limitavam o FC Porto. O avolumar do resultado acaba por ser um prémio a essa libertação.







Só resta esperar que quem comande perceba a diferença entre o antes e o depois. Entre o que inibia o FC Porto e de onde veio a sua capacidade de improvisar sobre as amarras impostas pelo adversários. O FC Porto não pode ser tanto auto-limitante, nem recusar-se a usar todos os seus recursos por força de qualquer argumento táctico.







Análises individuais:

Helton – Um espectador. Nem uma bola de perigo lhe chegou. Não era essa a missão do adversário.

Danilo – Amarrado, limitado e preso. Quando se soltava fazia tremer o jogo. Foi dele o primeiro esticão, logo a abrir o jogo. Ensinar ao Danilo o que é jogar ao mais alto nível na Europa não tem que ter como princípio retirar do seu jogo a sua maior força. O que o torna um lateral direito de elevado quilate. Bem diferente foi o Danilo quando o FC Porto passou o minuto 60 e muito melhorou com Djalma no seu flanco.

Alvaro – Gozou sempre de maior liberdade que Danilo. Ainda assim, não tinha via verde. Defensivamente teve alguns lapsos (nesse capítulo perdeu para Danilo), mas acaba o jogo em grande, engolindo o flanco direito do adversário.

Maicon – Um exibição fantástica. Serena e autoritária. Um Maicon que, finalmente, mostra todo o seu potencial.

Mangala – Ao mesmo nível que Maicon. Rápido e incisivo sobre a bola. Muito seguro nas dobras a Alvaro.

Fernando – Na primeira parte, controlou a zona de construção do adversário. Matou todas as jogadas que podiam criar perigo. Na segunda parte, teve maior pendor ofensivo, aproveitando a vantagem numérica. Algo errático a nível do passe.

Moutinho – Faltou-lhe mais Lucho na primeira parte para crescer no jogo. Lucho não entrava no jogo e era obrigado a encostar a Fernando. Com isso, o nosso meio campo nunca esteve verdadeiramente sobre o meio campo do adversário. Na segunda parte, e com vantagem numérica, tudo se alterou. Trouxe a capacidade de desequilíbrio vertical em progressão que Lucho não deu à equipa e constrói com James o momento de libertação.

Lucho – Uma coisa é a moleza do meio campo sadino, outra coisa é o meio campo defensivo da equipa do distrito de Leiria reforçado com o músculo de Agu. Muito parado, algo desligado do jogo a meio campo, Lucho nunca conseguiu dar ritmo e imprevisibilidade ao jogo do FC Porto. Com a entrada de James ganhou liberdade e subiu de produção.

Varela – Uma das desilusões da noite. Nunca deu à equipa rasgo e capacidade de penetração pelo flanco. Perdeu-se nas suas próprias fintas e raramente tomou a decisão mais ousada. Saiu tarde.

Hulk – Foi quem susteve o jogo ofensivo do FC Porto até James entrar e partilhar a tarefa. Era o único que perigava a defesa contrária e o único capaz de apanhar em contra-pé. Merecia um golo neste regresso.

Janko – Felizmente, vive em paz com os adeptos. Uma primeira parte onde raramente se libertou da marcação de Édson e quando o fez, falhou. O público soube ser paciente e esperar pelo seu golo. Abriu o caminho da vitória e somou mais créditos. Que assim seja por muito tempo.


James – É o homem do jogo. Entra, vai para 10, o flanco esquerdo fica entregue a Alvaro e muda o jogo do FC Porto. Um golo e duas assistências em 30 minutos. Um luxo!!! Um luxo ter o melhor 10 em Portugal e um dos maiores talentos mundiais escondido no banco.

Defour – Entrou para descansar Moutinho para a batalha de Quinta-Feira. Manteve o nível.

Djalma – Boas arrancadas no flanco direito e excelente combinação com Danilo. Uma assistência de muita qualidade. Após a CAN, ei-lo de volta.


Ivo Pinto – Muito competente a fechar o seu flanco, foi o lateral da equipa do distrito de Leiria que mais se aproximava das linhas avançadas. Na segunda parte, teve dificuldades, mais que previsíveis, perante Alvaro. Não tinha ajuda e o Uruguaio soube aproveitar. Está mais maduro, mais competente e é um jogador a acompanhar de perto.











Por: Breogán
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