segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Taça da Liga, 3ª Jornada: FC Porto 2 - 0 Setúbal

Lucho González




Melhor? Nem por encomenda!

Assim foi o jogo de ontem do FC Porto.
Mais até que o jogo, que mais não foi que o culminar de toda uma semana de palpitações, retornos e promessa de golos, após o desaire rotundo de Barcelos. Há melhor forma de esquecer tão difícil derrota e voltar a dar ânimo às hostes? Não há. Sobretudo, quando se aproximam decisões em todas as frentes.








Quanto ao jogo, era previsível que fosse fácil, de sentido único e de domínio total. Pela frente um Vitoria de Setúbal já sem aspiração na prova que não fosse meramente matemática, com contas difíceis no campeonato, liderado por um treinador a prazo e com o trio de meio campo mais frágil do campeonato. O que não seria previsível era que o filme fosse tão perfeito, pelo menos, no que diz respeito aos reforços que cá chegaram no princípio da semana.



Dois reforços, dois golos, dois momentos de explosão no Dragão. 

Um pelo retorno, o outro pela promessa de golos. Mas mais que estes dois momentos de catarse, o que importa é o que trouxeram à equipa. Com Lucho, Vítor Pereira muito dificilmente irá ser capaz de repetir um meio campo sem um criativo na sua constituição. É, até, paradoxal que aquele que incumbiu dessas funções em alguns jogos recentes, tenha sido utilizado neste jogo na posição 6 em substituição de Fernando. Com Janko, a equipa ganha tréguas na frente. Janko chuta, o público aplaude, Kléber chuta, o público assobia.



Janko



Mas há mais momentos do filme que são igualmente importantes. Já se sabia que já não havia margem para não colocar Danilo no flanco direito. A resposta dada pelo brasileiro em campo é definitiva. O flanco direito do FC Porto está reabilitado. No flanco esquerdo também há uma boa nova, com Alex Sandro a mostrar capacidade. No centro da defesa, dois jovens com muito talento e capacidade de afirmação. A meio campo, finalmente, um criativo a tempo inteiro e uma solução menos inventiva a 6. E bastou isso. Bastou tornar o meio campo mais elástico, mais imprevisível, mais abrangente nos seus movimentos, para o jogo ofensivo e defensivo do FC Porto subir uns bons degraus. Pena foi o tempo e os pontos perdidos, porque um criativo para o meio campo já existia neste plantel. Passa a vida amarrado ao flanco, como admite Vítor Pereira, mas não sai de lá nem por nada.




Faltaram golos no marcador, tal foi o domínio, por vezes empolgante, do FC Porto frente a um Vitória de Setúbal frágil que ainda consegue atirar à barra do FC Porto, no seu único momento de inspiração. De resto, só FC Porto, campo inteiro e a toda a largura.


FC PORTO: Bracalli; Danilo, Maicon, Mangala, Alex Sandro (Alvaro Pereira 63), Fernando (Defour 36), Lucho Gonzalez, João Moutinho; Janko, Varela e Christian Rodriguez (James Rodriguez 63).

Golos:  Lucho Gonzalez (24), Janko (68). 


Análises Individuais:

Bracalli – Resolveu tudo o que lhe chegou. Não teve oportunidade de brilhar.

Danilo – Defensivamente ainda não está a 100%. Não por ser uma jogador muito ofensivo, mas porque ainda está a perceber até onde pode esticar a corda deste lado do oceano. Ofensivamente, por vezes, tenta fazer o que fazia no Santos e pisa terrenos muito interiores. No FC Porto, com a qualidade que abunda nos jogo interior, a sua ajuda não é necessária. Bastaram 5 minutos para perceber que no Dragão mora um dos melhores laterais direitos do mundo: capacidade física, arranque, técnica e argúcia táctica.

Alex Sandro – Continua a mostrar franca evolução no seu jogo defensivo e ofensivamente é poderoso. Sem Alvaro e com Danilo, a equipa poderia virar da esquerda para a direita, mas Alex Sandro não deixou e disputou volume de jogo com Danilo. Merece mais minutos.

Maicon – Soube sofrer e morder o lábio na sua passagem pelo flanco direito. Prepara-se para colher os frutos de tanta abnegação e demonstração de capacidade. Cresceu e evoluiu porque teve espaço para errar. Era uma adaptação e não se podia pedir muito mais. Acabou sendo a melhor coisa que lhe aconteceu. Hoje é melhor central do que quando começou a temporada.

Mangala – Tem tudo para ser uma grande central. Tem é que perder alguns pequenos e incomodativos pecadilhos, como aquele em que se deixa antecipar num lance aéreo e vê a bola a ir à nossa barra. Tem qualidade técnica e potencial físico como nenhum outro central do FC Porto.

Fernando – O jogo estava fácil, até fácil demais. Já tinha perdido uma bola que não pode perder para um contra-ataque do Vitória de Setúbal. Saiu lesionado e permitiu à equipa testar uma nova opção para o seu lugar.

Moutinho – Sempre omnipresente e com outra vida. A entrada de um criativo libertou-o o que fez com o seu futebol fluísse. Dos melhores em campo. Grande abertura para James dar o 2-0.

Lucho – Que (re)estreia. Golaço, passes de morte, trabalho de sapa, fintas de corpo que só ele, bola de flanco a flanco ou orientada para o ponta de lança. Hoje o FC Porto tem um maestro e este é impossível de ser colado a extremo. Valha-nos isso! O homem do jogo.

Rodríguez – Mais uma vez titular, mais uma oportunidade. Mais uma vez, o retorno foi o mesmo. Entregou-se ao jogo como se tinha entregado aos adeptos em Barcelos, sempre à procura da redenção. O pior é o resto. Depois do futebol ser espremido, nada no fundo do copo.

Varela – Meteu qualidade e velocidade, mas não foi consistente a desequilibrar. Em ambos os flancos os laterais criaram mais que os extremos. Revelador. Está melhor, está mais próximo daquilo que já mostrou no FC Porto e ainda bem que assim é. Nota-se mais participativo, já toma as melhores decisões e arrisca. Com James de novo colado ao flanco, com Hulk próximo do regresso e com Djalma já despachado da CAN, Varela vai melhorar porque a concorrência assim o exige.

Janko – Permitam-me que as primeiras palavras sejam para Kléber. Deve-se ter perguntado por onde andava este FC Porto. Com dois flancos carburantes, com um criativo a meio campo e sem soluços a meio campo. Paciência, a vida é injusta. Aproveitou Janko, que não sendo um talento extraordinário, mostrou ao que vem. Trouxe alegria e paz ao jogo ofensivo e mostrou trabalho, quer na área, quer fora dela. E por agora basta. Já ganhou crédito nas bancadas e isso é importante. Se vai ser uma máquina de fazer golos, veremos. Este jogo não passou de um aperitivo, virão pratos mais difíceis de degustar.


Defour – Entrou para o lugar de Fernando. O rendimento foi muito satisfatório. É certo que o meio campo do Vitória de Setúbal nem luta dava, mas mostrou disponibilidade física para varrer de flanco a flanco e capacidade de sacrifício a fechar espaços. Ontem apoiava o ponta de lança, hoje, é uma solução a 6 mais interessante que Souza.

James – A diferença que deixa no jogo para C. Rodríguez é abismal. Talento puro. Mesmo que deslocado.

Alvaro – Manteve o nível de Alex Sandro. O que demonstra a qualidade do Brasileiro.










Por: Breogán

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