sábado, 11 de fevereiro de 2012

UM PEIXE FORA DO AQUÁRIO E O POLVO NA REDOMA.





Já todos sabemos quem é o Polvo. Se não sabemos todos porque é que ele deve estar na redoma aposto que a maioria perceberá se assistiu à 1ª fase da temporada em que quando o Polvo não jogava a equipa não fazia jus ao nome. Era cada um por si.

Soubemos ontem que o Souza vai ser emprestado. Lemos hoje as suas declarações transformando o Polvo num eucalipto que tudo seca à sua volta.





O Polvo – diz ele – é um dos melhores trincos do mundo e não dá hipótese.

Vimos há uma semana um Porto revitalizado com um velocista em cada ala e dois corredores com muita profundidade ofensiva e maior risco defensivo.

Imaginamos como será esse Porto até ao final da época com Danilo à direita, Álvaro à esquerda e o talento de Lucho, Moutinho, James e Hulk.

O maior pesadelo seria ver o que imaginamos todos sem Polvo e seus tentáculos.
Parece que vamos colocar mais homens no último terço do terreno e atacar em profundidade, em simultâneo, pelas alas.

O que será da equipa sem Fernando? Quem jogaria ali? Quem estaria disposto a fazê-lo com o mesmo rigor táctico, a mesma velocidade de ponta e a mesma qualidade de corte e posicionamento?
Quem estaria disposto a se apagar em prol equipa.



Há substituto no plantel? Não.

O que fazer então?

2 Hipóteses:

a) Mudar a táctica transformando o 6 num duplo pivot
b) Não mudar e colocar lá ou Defour ou Moutinho.

Dentro do pior a menos má é a segunda. Dentro da que é menos má o pior é que nem Moutinho nem Defour vivem bem ausentes do jogo. A posição 6 é de semi-espectador /semi-jogador em que os olhos jogam tanto como as pernas. Quem está muito habituado a ter bola e a estar no jogo esquece-se do semi-espectador e da importância posicional.







Solução: Redoma com ele. À excepção do Barcelona o Polvo seria titular indiscutível em todas as equipas do mundo que jogassem em 4-3-3. Todas.

Nós não temos substituto. Temos uma equipaça com super-jogadores mas o Danilo só se notabilizará pelas assistências para golo em vez dos buracos que abrir cá atrás se o Polvo e os seus tentáculos o cobrirem.
Sem Polvo todos serão piores, todos valerão menos e todos diremos que a equipa não joga como tal.






REDOMA COM ELE!


Vamos ao Peixe. Não, não é nada relacionado com o agora nosso predilecto fornecedor de craques.

O peixe por natureza só vive se estiver com água à volta. Sem água se o peixe definha e morre a culpa não é dele mas de quem não o soube rodear de algo vital para a sua sobrevivência.

Esta é outra evidência. Evidência quando falamos em peixes mas que parece escapar a alguns quando falamos de jogadores de futebol.

O Falcao é um enorme ponta de lança. Imaginem-no a jogar em Camp Nou ao serviço do Atlético de Madrid. 

Não precisam de imaginar. Ele já lá jogou e não fez nada. Nada fez porque era um peixe fora de água. A água é produção de jogo ofensivo. Produção de qualidade.


O que é que o Atlético de Madrid produziu ofensivamente? Nada.
O que é que o Peixe fez? Nada.


Se há jogador que depende da produção da equipa é o da posição 9. Se a equipa nada produz em 2,3 jogos e, em consequência, o 9 não nada atropelam-se os jornais desportivos com as já habituais estatísticas.


“X não marca há 3 jogos, Y está há 37 dias sem fazer o gosto ao pé”.


Muitas vezes até se podem meter ao barulho paragens de campeonato, pré-épocas e afins. O ano passado aconteceu o mesmo com o Falcao em que o tempo em que ele esteve a banhos contava para a contabilização da seca.

Esses números impressionantes e impressionáveis servem para retorcer a cabeça de todos. Se o peixe não nada e nada faz não interessa se a água existe ou não. 

O que interessa é que o peixe não marca há 5 jogos e que o peixe está há 45 dias sem fazer o gosto ao pé.





Estas estatísticas pressionantes e impressionáveis abalam por norma qualquer peixe.
Se abalam qualquer peixe fragilizam perigosamente aqueles peixes de tenra idade com potencial e habilidade para fazer muito desde que não se descure o pormenor relevante para o seu crescimento: existência de água.

Quando a pressão é externa ainda vá que não vá. O pior é quando de dentro saiem sinais que, reconhecendo a inexistência de água, colocam a culpa no peixe.

Vai daí tiram o peixe da equipa e colocam lá outro animal que sabendo nadar não nasceu para viver debaixo de água.




Arrumado para lá o peixe e fragilizado o seu estado anímico com o atestado de incompetência vindo de dentro somam-se mais umas 3 semanas em que sentado no banco o Peixe não faz o gosto ao pé.
Os jornalecos babam-se com o fenómeno estatístico e os portistas comentadores, quais génios da lâmpada, fazem do rendimento do peixe a causa e não a consequência dos insucessos da equipa.

O animal lesiona-se e não havendo mais ninguém com aptidão para a natação o Peixe é obrigado a voltar ao aquário.
Está criado o clima ideal para o julgamento sumário. Aliás, o julgamento já tinha sido feito e a condenação traçada. Aqueles jogos serviriam apenas como provas irrefutáveis da justeza da condenação.

O peixe continua a não nadar. Mesmo com alguma água não consegue fazer aquilo que sabe. Os jurados ficam aliviados. Estava encontrado o criminoso.

É por causa do peixe que ocorreu o roubo da Champions e o roubo dos pontos que nos colocavam atrás no campeonato. 

Na última derrota do Porto o Peixe teve um ou dois apontamentos de ponta de lança entre os quais um fantástico cabeceamento. Desvalorizado.

Entre Barcelos e o regresso do Lucho o Porto contratou um Peixe-Grande habituado a nadar, menos talentoso e mais experiente mas com uma grande vantagem:

Seria igualmente julgado, como todos os peixes, com a vantagem dos jurados terem vontade de o inocentar. O alívio da solução do problema reside na sapiência da anterior condenação.
Se os roubos continuassem com o peixe na cadeia os génios da lâmpada transformar-se-iam em jagunços carniceiros que tinham assassinado um peixe inocente.

Vai daí o Peixe-Grande faz (ao Setúbal) um golo igualzinho aquele que o Peixe-Jovem tinha feito ao Shakthar. 

O Peixe-Grande faz um cabeceamento de menor dificuldade técnica igualzinho ao que o Peixe-Jovem tinha feito há uma semana.

O Peixe-Grande falha uma oportunidade de golo com a baliza aberta que, se protagonizado pelo Peixe-Jovem, acarretaria uma retaliação das bancadas algures entre a monumental vaia e a invasão de campo.

Conclusão dos jurados: Isto com o Peixe-Grande é outra loiça. Ele sabe-se movimentar, ele sabe cabecear e marca. Tem cultura de nadador ao contrário do outro.

A água que Lucho e Danilo trouxeram é irrelevante. O golo falhado de baliza escancarada um pormenor que neste julgamento não deve ser lavrado em acta e no outro seria prova irrefutável de condenação à morte.

Eu acho que o Peixe-Grande fazia falta ao Porto. Especialmente após o talentoso Peixe-Gordo ter emigrado.




Acontece que o Porto não pode jogar sem Peixe. E na quinta-feira tem um jogo fundamental para o resto do campeonato. A única forma da equipa se galvanizar para o arranque necessário é mostrar competência contra equipas fortes.
A única forma da equipa não desmoralizar com o percurso imaculado do Benfica é ter o ego cheio com vitórias na Liga Europa e Taça da Liga.

Se o Helton estivesse impedido de jogar contra o Manchester City eu acharia bem que o Bracalli jogasse amanhã com o Leiria.
Eu achei bem que a dupla Maicon/Mangala fosse testada uma semana antes.

Proponho que tirem o nosso peixe mais talentoso da cadeia antes de novo julgamento.
Amanhã reconcilia-se para 5ª feira brilhar.




Caso contrário voltaremos a ter o animal no aquário na 5ª feira. 
Voltarão os desequilíbrios oriundos da imprevisibilidade. Desequilíbrios que, de tão imprevisíveis, nos colocaram a jogar à 5ª feira.


Amanhã com o Polvo a 100% jogava com Polvo+Peixe+9
Amanhã com o Polvo a 80% punha o Polvo na Redoma e era Peixe+10.


Colocar o Peixe a jogar amanhã seria uma sábia gestão de recursos humanos. Vais jogar amanhã porque acredito que és bom mesmo com a disponibilidade do agora amado Peixe-Grande.

Injecção de moral.




Por: Walter Casagrande
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