sábado, 25 de fevereiro de 2012

BOXEUR






Quem se expõe a escrever o que vai pensando semana a semana sujeita-se ao erro.
Quando escrevia na passada semana que para a SAD tão importante como ganhar é a forma como ganha e os méritos de quem ganha esqueci-me de referir algo tão ou mais relevante nos dias de hoje.
Ganhar não é o único sentido. Profissionais competentes e experimentados sabem que podem perder e acautelam devidamente esse cenário.





Quando se perde é preciso que fique inequívoco aos olhos de todos quem é o vilão.


A Grande farsa começa em 2009 quando o Paulo Bento sai do Sporting. É esse o momento em que as maquinações começam.

André Villas Boas depois dum jogo em Portimão deixa-se querer dizendo que espera que a Académica ouça o que o Sporting tem a dizer. No dia seguinte inverte a marcha tecendo juras de amor ao projecto e garantindo que permanece em Coimbra.
No banco do Porto está um treinador que desportiva e financeiramente foi talvez o que melhor entendeu e soube potenciar o modelo de gestão do clube.

No final do ano de 2009 ocorre o jogo da armadilha Hulk/Sapunaru em que perdemos 1-0 na Luz. Derrota no bucho, época natalícia e vai tudo de férias.



Regresso das férias e o que é que vemos no jornal próximo da SAD do Porto?

Entrevista de 4 páginas com André Villas Boas na qual é definida a sua linha orientadora. Criticas indirectas mas claras ao modelo de jogo excessivamente táctico, à predominância da transição em relação à posse e valorização do espectáculo face às estratégias rígidas que amarravam o talento dos jogadores.

A nova era do Porto foi anunciada a 2 de Janeiro de 2010. Para a SAD era importante preparar mediaticamente a transição.
Pelo meio tínhamos um Porto atrás com obrigação de lutar pelo título.
O boxeur Jesualdo combatia mas ficava sozinho no canto no intervalo dos rounds. 

Um exemplo dessa realidade ocorre quando ainda na luta pelo titulo. No grupo de trabalho ainda ninguém tinha atirado a toalha e o Presidente do clube vai à RTP 1 dizer a Judite de Sousa que Jorge Jesus mudou o Benfica porque a equipa joga com garra e que um dos motivos pelo qual o Porto está atrás é a de jogarmos com menos garra.





Estava fechado o círculo e apontado o caminho. Depois disto vemos ainda uma inenarrável conferência de imprensa em que André Villas Boas aparentemente agindo a solo se atira a Jesualdo Ferreira numa conferência de imprensa após um jogo da Taça da Liga.

Acontece tudo como planeado. O Porto perde o campeonato e a dupla assume os comandos da época 2010/2011 com o sucesso que se sabe.





Chegamos a Dublin depois duma época de sonho e André Villas Boas recebe uma proposta de sonho capaz de o mandar abaixo da cadeira.

Aí o que sabemos é que Pinto da Costa um mês antes da fuga diz a Vítor Pereira que sabe que André foi a Londres de fim-de-semana questionando-o se está pronto a assumir as rédeas do clube. 
Entre essa a conversa e a fuga dá uma entrevista a Fátima Campos Ferreira garantindo que o André não abandona a cadeira ainda que a proposta de sonho ocorra.
Bate com a mão no peito dizendo: “Ele fica porque é tão portista como eu”.

Sabendo que pelo menos uma das frases de Pinto da Costa não pode ser verdadeira deixo à vontade de cada um a escolha de qual a correcta. 
Eu acho que este foi mais um episódio da farsa.







A fuga do portista acontece com uma forma de tratar as coisas pouco próprias para companheiros de guerra e de anteriores maquinações.
Em pleno início de época a rescisão é via fax, metendo advogados e André refugia-se em Londres arrebentando com o sonho nascido da noite de Dublin com epicentro em Munique.

Volta a ser o vilão. Mediaticamente são passadas as mensagens necessárias para que não subsistam dúvidas quem é o vilão.







“Tentei demovê-lo (afinal sempre conversaram!!) dizendo que ele ainda era novo e que ainda era cedo mas respondeu-me que podia levar 4 ou 5 do Barcelona e lá se ia o estatuto”

“A obsessão Mourinho conduz o seu percurso”

A forma mediática como a fuga é apresentada une os portistas em torno da sua SAD e do seu humilde mas fiel treinador que não desertou como o outro.

O humilde e fiel treinador começa a mostrar que não tem a qualidade mínima obrigatória para gerir e dirigir um grupo de trabalho como o do Porto.

A SAD continua a trabalhar mediaticamente com a gala dos Dragões de Ouro. Já não interessa muito que a massa portista esteja com Vítor Pereira. Ele é, como Jesualdo, um figurante na grande farsa. Servirá, como Jesualdo, para sugar tudo o que for negativo da época 2011/2012 para que depois qual chiclete seja atirada para o balde do lixo do esquecimento.
Na era Vítor Pereira, como na era Jesualdo, Villas Boas é estrategicamente apresentado como vilão para que passo a passo faça o caminho gizado.

Quando ele foge para o Chelsea a preocupação da SAD não é a gestão da época mas a gestão da mudança técnica.
Todos os que ficarem são heróis, o que foge é o vilão.
When the going gets stuff já não importa que todos fiquem bem vistos. Toca a cozinhar Vítor Pereira.


Quando se torna evidente que só um milagre levará este Porto ao sucesso com Vítor Pereira aos comandos vem a estocada final.




Colocar André Villas Boas entre Reinaldo Telles e Pinto da Costa não é uma casualidade. Não é um encontro de amigos que fizeram as pazes depois de desavenças profissionais. Aquela fotografia, aquela imagem tem o mesmo condão para a era Vítor Pereira que aquelas entrevistas na era Jesualdo Ferreira.
Pinto da Costa e a SAD colam-se sempre aos homens que lhes permitem fazer a gestão mediática pretendida.
A gestão da mudança da equipa técnica da temporada 2011/12 obrigava às farpas ao amigo André.
O fracasso de Vítor Pereira muda a agulha. Ele é o réu para a nação portista e deixa-me mas é sentar ao lado do herói do passado. 

“Tu não prestas, eu não tenho nada a ver com isso e vou ver se concerto o que tu estragaste este ano”



Esta panóplia de directores de comunicação, imagem, informação e o diabo a quatro arrebentaram com o que o Porto tinha de bom. 
Era possível preparar a substituição de Jesualdo Ferreira secretamente. 
Sem fragilizações mediáticas de quem sai e preparação mediática para quem vai entrar.
Não se desiste da época 2009/2010 quando se está no ringue.

Era importante ter despedido Vítor Pereira quando ficou evidente que com ele seria mais difícil ganhar.
Não despedindo era ABSOLUTAMENTE OBRIGATÓRIO dar sinais internos e externos de apoio ao Vítor Pereira.
Não dar esses sinais ou transmitir os opostos como o presenciado em Manchester é de uma enorme cobardia.

Eu vejo isto desta forma:

1) Colocamos um peso-pluma num combate de boxe contra um peso-pesado.

2) Ao fim de uns quantos rounds quando o peso-pluma está a ser socado por todos os lados e já tem um         olho meio-fechado e precisa de estancar o sangue o gongue salva-o.

3) Dirige-se para o seu canto do ringue para ter o apoio que precisa e não está lá ninguém.

4) Ele que passe o minutinho de intervalo sozinho porque tratamento médico não vai ter.

5) O médico, o enfermeiro e o treinador já estão sentados lá em cima com outro boxeur de peso   adequado a preparar o próximo combate.


Eu sei que fomos nós que o lá metemos numa luta que não devia ser dele.
Eu sei que mesmo assim ele se fez ao ringue não se escudando no seu peso desigual para fugir ao combate. 
Eu sei que ele está à beira do KO e precisava de ajuda.
O que interessa é que eu tenho perdido dinheiro e estatuto à conta dele e portanto é deixá-lo esvair em sangue até à morte porque já não interessa.






Como portista tive orgulho de ver aquele jogo na televisão e ouvir uma massa humana carregada de ilusão e a fazer-se ouvir a plenos pulmões.
Foram apoiar a sua equipa gastando dinheiro e tempo para fazer a sua parte naquele combate desigual.

Como portista sinto vergonha de ver que são os adeptos os únicos preocupados em ganhar esta época. Por eles Vítor Pereira já lá não estava mas se lá está não se abandona o homem no meio do combate. Foram educados assim.






Os que quiseram que ele lá continue são os que o abandonam à sua sorte.
Os que quiseram que ele lá continuasse são os que brincam com o portismo dos adeptos abandonando o barco ainda antes de ele ir contra o icebergue.

Os que educaram os portistas a não abandonar os seus são os que abandonam os que escolhem e mantêm.

“Cantem e apoiem para aí!”

O que interessa é entreter toda a gente enquanto se prepara a época 2012/13.

Esta será a época da chiclete.







Por: Walter Casagrande
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