quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Danilo, O Homem e o seu percurso.



O Homem e o seu percurso:




É em Bicas, pequena cidade do interior do estado de Minas Gerais – Brasil, onde nasceu Danilo. Começa o seu percurso futebolístico na sua cidade natal, dividindo-o entre os dois rivais da cidade: o Esporte Biquense e o Leopoldina. 

Danilo dá nas vistas logo desde início e a família decide apostar no talento do rapaz. Com sacrifício, dão o próximo passo: uma cidade grande do estado Minas Gerais – Juiz de Fora. É no Sport Juiz de Fora que Danilo chama a atenção de um clube da capital do estado. Aos 12 anos parte para Belo Horizonte, não para um dos dois grandes clubes da metrópole Brasileira (Atlético Mineiro e Cruzeiro), mas para o mais modesto América FC (também conhecido como América MG).





É na formação do América MG que Danilo cresce e ganha reputação, saltando escalões de formação até atingir a sua estreia na equipa principal do América MG aos 17 anos. Decorria a época de 2009 e participa em dois jogos do campeonato Estadual de Minas Gerais (Mineirão) e em 9 jogos da Série C do Campeonato Brasileiro como titular, dando um contributo decisivo à promoção do América MG ao segundo escalão nacional do futebol Brasileiro: Série B. 

Nova época de 2010 a chegar e Danilo já está consolidado na equipa titular do América MG. Como de costume, a época arranca com os estaduais e na edição do Mineirão 2010, o América MG prega um susto de morte ao Atlético Mineiro. Nos quartos-de-final, disputado a duas mãos, o resultado salda-se num empate 5-5 entre os dois conjuntos de Belo Horizonte. Passa o Atlético Mineiro à próxima fase (sangrando-se, no final, campeão), por desempate de golos fora. Danilo marca em ambos os encontros frente ao Atlético Mineiro e é eleito a revelação do Mineirão. Os dois grandes clubes de Belo Horizonte terminam o Mineirão a “salivarem” pelo maior talento do estado.

E a salivar ficaram, pois quem ganha a corrida por Danilo é o clube do litoral Paulista: o Santos FC. Talento sobre talento, é um pouco assim que se pode definir o projecto do Santos. 

Com Robinho como general dos “moleques da Vila Belmiro” o talento passeia-se junto à praia de Santos: Neymar, Ganso, Alan Patrick, André, Wesley, Arouca, Rafael e um tal de Alex Sandro.

 Projectos de craques, de astros maiores, uns mais consistentes, outros nem tanto, é, no entanto, à equipa mais “badalada” do Brasil à qual se junta Danilo. Da série B para a favorita à conquista do Brasileirão de 2010. De um clube modesto de Belo Horizonte, para a maior força em 2010 da grande São Paulo. Deixar a sua marca, ganhar o seu espaço já seria difícil, mas Danilo ainda sobe a expectativa. Num acto de agradecimento ao América MG e aproveitando a paragem que o Brasileirão iria ter no Verão de 2010 devido ao Campeonato do Mundo, Danilo pede para adiar por 15 dias a sua chegada ao Santos. Tempo suficiente para realizar os seus últimos 3 jogos pelo América MG e despedindo-se com o contributo em mais duas vitórias (o América MG, no final do campeonato, consegue o segunda promoção consecutiva, atingindo o Brasileirão).




Dois meses após a chegada a Santos, Danilo é titular. Não só é titular, como consegue destacar-se no meio de tanto mediatismo. Versátil, adapta-se a várias posições, uma capacidade de metamorfose que já demonstrava no América MG. Chega 2011 e vem um ano farto em títulos. Logo a abrir, conquista o Sul Americano de Sub-20. Marca na final frente ao Uruguai, naquela que é a sua estreia em grandes competições pelas selecções jovens do Brasil. Segue-se o estadual de São Paulo. O Paulistão é ganho frente ao rival Corinthians. Segue-se a Copa Libertadores (a taça Continental mais importante da América do Sul) frente ao Peñarol, onde após um empate a zero em Montevideu, o Santos FC recebe e ganha 2-1 na Vila Belmiro, com o golo decisivo a ser marcado por Danilo. Fecha as contas com o Campeonato do Mundo de Sub-20, onde é titularíssimo e capitão da selecção Brasileira, um título ganho frente à selecção Portuguesa. Há, também, o amargo de voltar a falhar o objectivo da conquista do Brasileirão, pelo segundo ano consecutivo. Um amargo mitigado pelo objectivo alcançado a 14 de Setembro de 2011: a estreia na Canarinha. E logo frente à Argentina.


O Brasileirão 2011, também, trouxe uma experiência nova: o confronto com o seu ex-clube. Danilo demonstra todo o seu afecto ao América MG (afirma que Belo Horizonte é a sua “casa” e o América MG a sua segunda família, onde é visita frequente), mas contribuiu com duas vitórias Santistas frente ao seu ex-clube.


A análise ao jogador:





Danilo é um canivete suíço. Versatilidade e qualidade. Um grande treinador Holandês, considerado o pai do “futebol total”, dizia que não se preocupava em que posição um jogador iria jogar, mas onde iria render. Danilo tem essa capacidade, rendimento e qualidade garantidos em várias posições.








Danilo estreia-se no América MG a lateral direito. É um lateral ofensivo que aos 17 anos tem a potência física e a qualidade técnica para ser a maior ameaça ofensiva da sua equipa pelo flanco direito, mas nunca descurando a cobertura defensiva. No seu segundo ano de América MG, no Mineirão, actua em alguns jogos a extremo, de forma a aproveitar todo o seu potencial ofensivo. Equação complicada, pois manta que tapa à frente, destapa atrás. Danilo volta à sua posição de lateral e “explode”. Chegado a Santos começa a lateral, faz uns jogos e extrema e acaba a médio interior. Com a saída de Wesley para a Alemanha, Muricy recorre a Danilo para reformular o meio campo. Já no Campeonato do Mundo de Sub-20 chega a actuar como médio mais defensivo. Uma metamorfose constante à qual responde com rendimento e golos decisivos.

Do Danilo do América MG ao Danilo do FC Porto há uma evolução impressionante. Tornou-se hábil em muitas posições no campo, com um rendimento constante, mas conservando toda a sua capacidade em desequilibrar um jogo em favor da sua equipa com o seu talento. Conservou a sua capacidade de desequilíbrio, mas ganhou robustez no seu jogo. Danilo é rendimento.

Danilo possui uma técnica requintada, robustez física, um arranque impressionante e astúcia táctica de um veterano. É um jogador seguríssimo no passe, possui um remate colocado e potente e é um marcador exímio de bolas paradas. Nunca se desliga do jogo e sabe acelerá-lo quando a equipa precisa. É um “motor” da equipa, sempre dinâmico e disponível para a equipa. Não há que ter medo das palavras, Danilo é craque. Falta-lhe ganhar maior consistência defensiva e irá precisar de tempo (pouco, quase de certeza) para adaptar-se a uma novo ritmo e intensidade de jogo e a uma marcação individual mais intensa. Mas Danilo é rendimento e vai render. A sua porta de entrada no onze do FC Porto deverá ser a lateral direito, posição em que explora melhor todas as suas vastas potencialidades, sendo, ainda por cima, uma posição onde o FC Porto tem utilizado uma adaptação (Maicon). Como bónus, temos um jogador sempre pronto para saltar para o meio campo ou para extremo caso a equipa necessite.

As expectativas são altas. Tal como a sua chegada a Santos foi adiada, a sua chegada ao FC Porto também o foi. Ainda por cima, envolvido num negócio nos limites da realidade do futebol português e envolta em detalhes, no mínimo, surpreendentes. A cobrança será alta e imediata, mas será para responder como tem respondido até aqui. Em campo, com rendimento e sempre decisivo. À craque.


Ficha Técnica:

Nome: Danilo Luiz da Silva
Naturalidade: Bicas, Minas Gerais
Data de nascimento: 1991-07-15 (20 anos)
Altura: 184 cm
Peso: 73 kg
Brasileirão: 3849 minutos e 5 golos marcados
Copa Libertadores: 1260 minutos e 4 golos marcados
Clubes: América MJ, Santos FC e FC Porto.



Por: Breogán
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