sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Trilogia do Siga.

“Segui em Frente”





Um abalroamento gritante. No sábado Duarte Gomes manda seguir e nada assinala.
No Domingo reconhece o abalroamento e segue novamente. Desta vez em frente como ficou explicito no seu facebook.

Há umas crónicas atrás referi que os portistas estavam a ficar burgueses. O contexto era o assobio e a tendência para nos acharmos virtualmente superiores e que, graças a esse dom, não aceitávamos que algo corresse mal.

Essa superioridade futebolística foi real nas últimas décadas e levou a uma mudança de estratégia institucional desde o processo apito dourado.









Externamente o clube era defendido pelo treinador, papel que Jesualdo Ferreira cumpriu com louvável abnegação.

Pinto da Costa quando falava, era para dizer que o Porto só se preocupava com as quatro linhas e em contratar os melhores jogadores e treinador. Ter a melhor equipa bastava.
Em épocas normais isso ocorre. Em épocas anormais depende da almofada de superioridade.
Por exemplo, nos últimos 17 anos e meio o clube que hoje rivaliza com o Porto na liderança da 1ª Liga ganhou 2 campeonatos. DOIS!

O ganho por Trapattoni foi trabalhado fora de campo. Quem não se lembra do Estoril-gate, do jogo no Algarve para a receita, da entrada em cena de José Veiga, do defesa direito Rui Duarte auto-expulso convenientemente nesse jogo, da indignação do treinador-adjunto Carlos Xavier que rapidamente foi saneado pelo então dirigente do Estoril António Figueiredo que, por mera coincidência, tinha sido director de futebol do Benfica na época de Manuel Damásio.

Quem quiser saber pormenores basta googlar 3 palavrinhas: Estoril, Benfica, Judiciária.

O segundo e último campeonato ganho pela equipa maravilha do Benfica de Jorge Jesus seguiu a mesma bitola.

Aí as palavras a googlar serão: túnel, Hulk, Sapunaru, Vandinho, Mossoró.


Com muito Lucilio e o inevitável João Pode Ser Ferreira como tuneleiro de serviço.

O mesmo João Pode Ser que protagonizou das arbitragens mais vergonhosas que me lembro de ter visto na vida quando o Porto de Villas-Boas iniciou a temporada do Resgate com a vitória na Supertaça. Patadas, Atropelamentos, Cabeçadas, Agressões tudo valeu e tudo passava impune.
A visão do João Pode Ser Ferreira era selectiva. Se no túnel tudo via, no relvado nada vislumbrava. Também esse seguiu em frente sendo hoje um habitué no Torneio do Guadiana onde a super-equipa se passeia nas pré-temporadas.

O que quero dizer com esta lembrança? Que no futebol, como na vida, não basta ser melhor.
Para além de sermos melhores e de combatermos as nossas fraquezas internas temos que estar alerta. O Chico-espertismo também dá campeonatos.

Este ano se contabilizássemos os pontos ganhos dum lado e perdidos do outro por erros de arbitragem a liderança bicéfala não existiria.

Quando Pinto da Costa resolveu denunciar um abalroamento o mundo portista teve a oportunidade de relembrar a importância mediática do seu peso-pesado.
Há quase 3 anos que o Porto é vítima de abalroamentos, atropelamentos, agressões, patadas, cabeçadas, offsides, penalties etc. Etc.

Há 3 anos que o Porto privilegia uma estratégia comunicacional de remoques a jornalistas da bola, aos gatos fedorentos e ao padre que debita a sua homília aos domingos à noite na SIC Noticias.
Perante uma comunicação social financeiramente asfixiada, desportivamente benfiquista e ávida de sucessos que satisfizessem essa dupla vertente o Porto respondia com uma fisga.

O peão era o treinador e as armas de destruição maciça o assustador Labaredas e os portistas convidados para os debates semanais sobre arbitragem realizados à segunda-feira.
Resultado? Seguiam em frente. É graças a essa nossa olímpica indiferença no tabuleiro arbitragem que um confesso arbitro benfiquista inventa 1 penalti no jogo do título no Benfica-Porto e ”No Pasa Nada”.

SEGUE EM FRENTE.

Meses depois bate o recorde mundial do rácio penalties por minuto a favor dos vermelhos do costume e a cor do semáforo é a de sempre: Verde.

SIGA!

Sábado num Porto que ainda duvida de si próprio e com maior exposição ao erro perante um abalroamento repete a receita. Mete a sexta e Siga em frente.
Já era tempo de alguém dizer BASTA a tanto SIGA em frente. Foi preciso que o nosso peso-pesado percebesse que precisa vir a terreiro para que um dos personagens do SEGUI EM FRENTE, exteriorizasse o que estava implícito há muito.
O que Duarte Gomes escreveu no facebook no Domingo ao lado da foto na piscina e com o reverencial LIKE do jornalista da TVI José Miguel Quaresma (o mesmo que não tevo pejo em abraçar os jogadores do Benfica no Bessa no titulo do Estoril-Gate) foi induzido por Pinto da Costa.

A partir deste Sábado quando o Porto, magistralmente, denunciou a trilogia do SIGA EM FRENTE, primeiro pela voz do seu Presidente e depois pelas imagens no seu site, aquele personagem saberá que para ele o semáforo deixará de estar sempre VERDE.

Foi preciso um Basta para que a política do Siga em Frente fosse posta em causa.

Este ano, mais do que nunca, precisamos que o nosso peão seja o nosso Presidente.

Para que não seja por falta de “BASTAS” que se falhe o campeonato.

Com Pinto da Costa atento o ditado “Não há duas sem três” não segue em frente. 



Por: Walter Casagrande 
  
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