sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Para quando de novo o nosso Zénite do sucesso?

Zénite

Passou meio ano,estávamos no zénite do sucesso, embriagados com tanta vitória e com uma ilusão do tamanho do mundo, tínhamos a certeza de ter um treinador competentíssimo, ambicioso e com amor ao clube que nos dava garantias de espremer todo o talento dos jogadores, julgávamos ter aí uns 10 jogadores que valiam de 15 milhões para cima.

Tínhamos uma SAD brilhante que para além de transformar jogadores desconhecidos em ouro agora também tinha o toque de midas para descobrir onde estavam os génios da táctica.

Se havia mais “Specials One” por descobrir já se sabe quem os encontraria, NÓS, éramos considerados como sendo a 3ª melhor equipa da Europa só atrás dos colossos espanhóis.  



Hoje, meio ano volvido, acabamos de ser eliminados às mãos do Zenit, a frustração é grande porque sentimos e vimos que éramos melhores que eles. Como quando um sujeito de seu nome Manuel Neuer resolveu fazer a melhor exibição de um Guarda-Redes no estádio do Dragão.

Só que este ano a frustração é diferente porque o percurso não é ascensional.
Há meio ano atrás éramos equipa de meia-final de Champions.
Hoje, pasmem-se, cabe-nos defender o prestígio que tínhamos há meio ano na Liga Europa.

O que mudou em meio ano? Passamos do zénite da alegria para a depressão pós-Zenit.
O grande obreiro do zénite foi-se. 
Recebi uma oferta que senti que tinha que aproveitar, foram as suas palavras.
Não há amor que resista a propostas indecentes como vimos no filme protagonizado por Robert Redford/Demi Moore.

A bola ficou do lado da Estrutura. Da SAD. O que fazer com este filho órfão nas mãos?
A ideia inicial era a de voltar a transformar o inesquecível em repetível.
Depois da fuga de André Viilas Boas a ideia manteve-se até porque, segundo palavras do Presidente Pinto da Costa, “eu via quem dava os treinos”.
Assim manteve-se o plano com o pormenor de na cadeira de sonho ser substituído o Portista 15 milhões pelo Portista 18 milhões.
Só não se segurou quem não era segurável.
A cláusula do Falcao era batível como se provou ao sair por 30 milhões (os 40 que se falam são sem as milionárias comissões).
À excepção da posição 9 o plantel era melhor. Mais e melhores opções com Djalma, Defour, Mangala, Alex Sandro.

O que falhou?


Quem mais falhou foi a SAD. Pela enésima vez sobreavaliou a sua importância nos sucessos do clube e subvalorizou o carácter decisivo do gestor dos homens que fazem funcionar a máquina. Os jogadores.
A seguir temos Vítor Pereira que já provou que não é treinador para manter o Porto no nível que herdou. E como este Maomé não vai à montanha o que está a acontecer é que é a Montanha que se está a adaptar ao nível de Maomé.
O Porto está a descer passo a passo de nível futebolístico até que se instale num patamar confortável para a qualidade de quem o dirige do banco.
Os jogadores apercebem-se dessa transformação e como todos os humanos não se sentem muito motivados em fazer parte duma regressão.
A SAD vê tudo isso e por cada dia que não age complica a decisão do dia seguinte.
Porque agir no dia seguinte implica a confissão de 2 erros: o da escolha inicial e o de não o ter corrigido no dia anterior quando o erro já era visível.
É uma inacção que gera inacção principalmente para quem se acha infalível ou tem pânico de confessar um erro publicamente.

Descritos os erros do pós-Zénite importa encarar o próximo semestre do Pós-Zenit.

O que fazer?

1 – Mudar de treinador na paragem natalícia
2 – Emagrecer o plantel em número, egos e salários.

Objectivos:

Motivar, motivar, motivar.
Motivar os sócios e adeptos que precisam de acreditar que não é o Porto que se tem que adaptar à qualidade do treinador/jogadores escolhidos e sim o contrario.
É o Porto, representado pela Estrutura, que define o nível em que quer estar e jogadores e treinador é que têm que demonstrar se estão ou não à altura.
Se não sobem o Porto não desce para os apanhar.

Motivar os jogadores que permanecem num grupo mais reduzido com mais possibilidades de utilização/valorização nas 3 provas que sobram.
Este ano os jogos da Taça da Liga de Janeiro devem ser encarados com dois objectivos: rotinar um onze e ressuscitar a dinâmica de vitória.
Dar minutos aos menos utilizados em Janeiro é não perceber que este ano, ao contrário de outros, já desbaratamos 4 meses na formação duma equipa.

Motivar um treinador desligado do passado recente e que verá a conquista duma Liga Europa/Campeonato como uma vitória pessoal de alguém que inverteu a lógica de declínio do ultimo semestre.

A época 2011/2012 não está perdida. Por incrível que pareça ainda podemos ser felizes.

Basta querer.



Por: Walter Casagrande
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