quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Taça da Liga 1ª Jornada, Paços de Ferreira 1 - 2 FC Porto




Objectivo cumprido, é o que fica deste jogo. Mais de meio caminho andado nesta fase de grupos da taça da liga. Pelo meio, algumas boas novidades, alguns bons regressos, algumas experiências antigas que voltaram a mostrar que não são solução e algumas decepções.










O jogo foi como o tempo, “enevoeirado”, frio e lento. Um jogo de final de ano que mais parecia de final de época. Um jogo que nunca cresceu para lá da rotação do onze inicial portista e da depressão competitiva em que está a equipa pacense. Um jogo como pede esta competição, a mais débil e desinteressante de todas.






O FC Porto entra a ganhar, com o arreganho de Rodríguez ao facturar num remate desviado. Bastou um pouco mais de determinação e vontade para logo marcar diferenças, mesmo sem brilhantismo. Ainda assim e dadas as circunstâncias, tivemos quinze minutos de bom Porto. Boa pressão, algum talento e largura de jogo. Depois, o golo do Paços, que como vem sendo tradição na taça da liga, tem sempre dedo do nosso GR. Um golo caído do céu para os pacenses e o jogo gela. Quinze minutos de muito mau futebol. Pachorrento, lento, sem ponta de imaginação. Trocou-se e voltou-se a baralhar. Varela para o flanco, Rodríguez para interior e o FC Porto lá arrebita e acaba por cima nos quinze minutos finais.







Vem o intervalo e Vítor Pereira começa a destrunfar. Tinha que ser. Tira Maicon para não voltar a ter calafrios e mete Moutinho para ganhar, definitivamente, o meio campo a um Paços de marcha-atrás metida. Domínio conseguido (o que não era complicado de atingir, pela ausência ofensiva do Paços no jogo de hoje), faltava o perigo. Volta Vítor Pereira a destrunfar. Mais um ás de espadas para o campo. Com Hulk e Djalma no mesmo flanco, o lado esquerdo da defensiva do Paços nunca mais voltou a ser o que era. Ainda tentou ripostar, mas depois de Djalma perceber a lição, foi fatal. Até que ao minuto 70 Hulk tomba a balança e sofre penalti. Convertido o penalti e com o “toque” a notar-se em Souza, Vítor Pereira volta a destrunfar. Fernando em campo e fim de história para o Paços. Se algo acontecesse, e esteve quase (por Hulk, claro), seria o avolumar do resultado e nunca novo empate.



Permitam-me a reflexão. Mesmo nestes jogos, mesmo nesta competição, ou colocamos em campo alguns dos ases de espadas do onze habitualmente inicial, ou o que pedimos ao restante naipe é muito elevado. Não por falta de competências, mas de rotinas e de motivação.

Análises individuais:


Bracali – Jogo ingrato. Não lhe permitiu brilhar porque o Paços demitiu-se de atacar. Na única bola com jeito que pinga na área falha. Tem carácter para não desistir e o benefício de sabermos o que vale depois de muitos anos de Nacional.

Maicon – Um dia saberemos os motivos desta adaptação. É óbvio que Vítor Pereira sabe as limitações da mesma e tem que existir um motivo de fundo. Hoje, foi mais um jogo que mostrou a fragilidade da opção. Não por culpa de Maicon, que batalha e dá o que tem, mas porque não nasceu para ser defesa direito. Um jogo grande aproxima-se e Danilo que nunca mais chega.

Alex Sandro – Bom toque de bola, boa mudança de ritmo, boa capacidade de leitura do jogo interior e exterior. É jogador, está mais que visto. Até a defender mostrou serviço, a quem tanto vaticinam ser só jogador do meio campo para a frente. Está a adaptar-se a um novo futebol e mostrou esperteza ao não arriscar em demasia. Foi temerato, mas seguro. Essa é a base de um bom defesa esquerdo. Só não gostei de não ter saltado com William no golo do Paços. Atrapalhar, pelo menos.

Otamendi – Voltou a demonstrar fragilidades que não são correspondentes com o seu estatuto. Bolas nas costas são um problema, ora perde em velocidade, ora abdica e deixa para os outros resolverem. O problema é que não se defende, mas arrisca mais, expondo-se.

Mangala – Ganhou aos pontos ao seu colega de sector. Intransponível, intratável no jogo aéreo e muito acutilante sobre William. Pequenos erros, alguma inexperiência a vir ao de cima e vontade demais em se mostrar. Mas sempre, seguríssimo.

Souza – Tem um toque de bola de veludo e uma saída de bola quase perfeita. O ritmo de jogo está melhor, mas ainda é demasiado baixo. Tenta ser agressivo, mas não tem fibra para a posição. Nem fibra, nem amplitude de jogo, nem capacidade de empurrar o nosso meio campo para cima do adversário. A verdade é que se Fernando estiver impossibilitado, o FC Porto tem um grave problema. Souza joga (bem) noutra posição.

Belluschi – Numa posição mais recuada, conseguiu ser o elo de ligação da equipa, causar perigo com bons remates e passes e dar uma ajuda preciosa a Souza. Uma das exibições agradáveis da noite.

Rodríguez - Uma exibição ao seu estilo. Empenho total. Enquanto jogou a interior, a sua verdadeira posição, foi um problema para o Paços pelo seu futebol aguerrido. Quando foi colocado no flanco, desapareceu. Uma exibição de solavancos. Ora uma raça tamanha na disputa do lance, ora um erro técnico desolador. Ainda assim, uma boa montra.

Varela – Ausente do jogo, sem qualquer capacidade de desequilíbrio ou alegria para emprestar ao jogo. Muito distante do Varela que encantou no FC Porto. Nem na luta pela bola se empenhou. Muito mau.

Djalma – Uma primeira parte em que teve que ajudar Maicon. Equilibrou o seu flanco e ainda deu uma ajuda lá à frente. Na segunda parte, recua para defesa direito e tenta formar com Hulk um flanco dinâmico. Apanha dois sustos, aprende a lição, apaga Melgarejo do jogo e suporta a dinâmica imposta por Hulk.

Kléber – Muito pouco jogo lhe chegou, mas também pouco o procurou. Tem que se meter mais em jogo e ser mais incisivo na procura da baliza. Falta-lhe alegria no jogo.

Moutinho – Matou a resistência do meio campo pacense e permitiu o avanço do Belluschi para os seus terrenos. Com a sua entrada o Paços morreu ofensivamente.

Hulk – Entrou para a fazer a diferença e fez. Marcou um e quase fechava o jogo com outro.

Fernando – A sua entrada colocou a possibilidade do empate para o Paços no cume dos Himalaias.



Por: Breogán
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