domingo, 4 de dezembro de 2011

Alterar as regras do futebol, porque não?

Rever as regras do futebol, porque não? Têm medo de quê?

Tudo na vida tem um tempo ou maturação, e por esta razão também as regras do futebol devem ser objecto de permanente actualização, no sentido de fazerem melhorar o espectáculo, e por via disso, trazer aos estádios a moldura humana que esta modalidade merece, e não um estado atual consubstanciado numa multidão de cadeiras vazias.

Veja-se o caso de algumas modalidades ditas de “amadoras” ou de pavilhão, como o basquetebol, râguebi, ténis, andebol e agora com pleno êxito o hóquei em patins que estava a perder adeptos. Todas estas modalidades não tiveram problemas em mudar algumas regras para melhorar a sua imagem e darem credibilidade às suas causas desportivas.

Então por que razão o futebol profissional ainda continua agarrado a conservadorismos britânicos doentios na linha do Internacional Board, que é quem tutela o futebol?
Neste enquadramento de raciocínio vou passar a enunciar algumas sugestões concretas e de raízes essencialmente pragmáticas, para tentar mudar esta inércia anunciada de atitudes e conceitos desajustados no tempo, que passarei a enumerar e a apresentar:

1.  Existência de mais árbitros de campo, garantindo assim maior controlo e visão da área de jogo. Anote-se para o facto das modalidades de pavilhão já quase todas disporem de dois ou três árbitros de campo com uma autonomia total nas decisões tomadas. O futebol moderno não pode ficar preso a conceitos antiquados e desajustados no tempo. Há que inovar e traçar novos rumos na senda da credibilidade desportiva, dando por exemplo aos juizes de linha de baliza maior intervenção no jogo.

2.  Maior poder de acção e de decisão para os árbitros assistentes, atribuindo também a estes funções técnicas para decidir em conformidade com as leis de jogo, continuando a prevalecer a decisão final ao árbitro principal. Caberá a um árbitro assistente, por exemplo, controlar as entradas e saídas de jogadores, assim como, o controlo da qualidade das redes das balizas, o controlo da ostentação de artefactos de ourivesaria, de culto ou de peças de bijutaria (punição imediata com cartão amarelo sem aviso prévio para acabar com a palhaçada do constante aviso), etc.

3.    Apesar de poder ser uma decisão talvez ousada de mais, proponho a alteração ao tempo de jogo. 50' de jogo efectivo, divididos em duas partes distintas de 25 minutos, contabilizando-se somente o tempo efectivo de jogo, combatendo desta forma os tempos perdidos, reais ou propositados. (Opção em curso nas modalidades de pavilhão!).

4.   Possibilidade de trocas constantes durante o tempo de jogo de jogadores de campo, com todos os jogadores de banco, sem qualquer paragem do jogo e da total responsabilidade de um dos árbitros assistentes, contribuindo para um jogo muito mais pró-activo, verdadeiro e de igualdade de direitos para todos os participantes. (Opção em curso nas modalidades de pavilhão!).

5.  Nova orientação na regulamentação disciplinar com a introdução de novos conceitos e interpretações para os cartões.

   Cartão Amarelo – para punir a 1ª falta merecedora de cartão, que pode ser por acção de um simples derrube, ou até, por acção de mão na bola ou por agarrar a camisola (deixa de haver lugar a aviso prévio!),

  Cartão Azul (novo) – para punir uma 2ª falta com a consequente e imediata penalização e suspensão de 5 minutos de jogo, (a controlar por um dos árbitros assistentes),

  Cartão Vermelho – para punir uma 3ª falta, ou com expulsão directa e definitiva do recinto de jogo. (Opção em curso nas modalidades de pavilhão!). A interpretação destas regras deverão ser simples e rigorosas, e não devem conter na sua apreciação dois ou mais conceitos de interpretação. Por exemplo, os árbitros nunca devem aferir, ou decidir em função, se a falta foi cometida no início ou perto do fim do jogo, ou se foi cometida perto ou longe da área da baliza. Todas as faltas que ponham em causa a integridade física dos atletas, ou que sejam passíveis de anti-jogo (p/ exemplo agarrar a camisola do adversário), devem ser punidas com cartão azul directo no mínimo, deixando o cartão vermelho para os casos de agressão física directa, por exemplo.

6.   Depois do árbitro apitar e ter decidido qual é a equipa infractora, os elementos desta, não podem tocar na bola nem colocar-se, propositadamente, para além da distância pré determinada pela lei de jogo do local da falta, assim como, na reposição da bola em jogo pela linha lateral, um jogador que simule a reposição da bola em jogo não poderá deixar de o fazer. Outra inovação importante, será a possibilidade de cada equipa poder solicitar um minuto de desconto durante todo o tempo de jogo.

7.   Outra medida inovadora será a possibilidade de se poder recorrer a meios audiovisuais durante o desenrolar do jogo, com o intuito de dar ao evento desportivo um cunho mais fiel e verosímil com a justiça desportiva. Poderão ser assim melhor decididos lances duvidosos, disciplinares ou técnicos, que possam por em causa alterações profundas no resultado do jogo, mas sempre no seguimento imediato do lance em dúvida e na condição de o jogo se encontrar pontualmente suspenso.

8.  Relatórios, classificações e avaliações dos delegados técnicos dos árbitros tornados público, contribuindo assim para a total transparência e credibilidade do fenómeno desportivo.

9.    Outra medida inovadora será a introdução de um Conselho de Disciplina, constituído por antigos árbitros de futebol que se encontrem bem enquadrados com a dinâmica do futebol actual. Este órgão terá a seu cargo a missão de esmiuçar ao máximo todos os lances dos jogos da 1ª. Liga. Devem, portanto, todos os jogos serem objecto de gravação vídeo e áudio, com as condições mínimas julgadas necessárias para se poder aferir e atingir os objectivos pretendidos. Neste propósito, dar-se-á a oportunidade de se poder fazer justiça à posteriori sobre qualquer lance menos bem ajuizado pela equipa de arbitragem, retirando ou mesmo acrescentando se for o caso, punições de cartões de disciplina. Errar é humano, mas também é humano emendar o erro cometido, ou não será?

10.  Outra novidade a introduzir no campo da disciplina e também de grande importância estratégia e funcional, na defesa dos pressupostos que presidem aos objectivos e aos fins a atingir, na credibilidade do futebol como fenómeno desportivo que é, é a obrigatoriedade de a Comissão de Disciplina ter que decidir sempre no mesmo espaço de tempo, não dando assim azo a insinuações de vária ordem e de vários quadrantes, que para uns casos se decide com enorme celeridade de processos, e que para outros casos homólogos, se processa com enorme lentidão na decisão final. O veredicto final não deve ter direito a recurso, devendo para isso as partes beligerantes, caso assim o entendam, poderem estar presentes no último dia da elaboração do acórdão disciplinar, para defesa dos seus constituintes. E esta situação tem muito a ver com o que estava a acontecer actualmente, pois, incompreensivelmente ou não, não tinha muita lógica haver rectificações de acções disciplinares. Que de duas uma, ou a acção disciplinar fora mal aplicada e a entidade disciplinar que ajuizou o caso foi incompetente e deve ser demitida, ou, propositadamente, e ainda mais grave, alguém estaria a agir de má-fé. Assim como não me parece lícito, de bom-tom e extemporâneo o direito à elaboração dos famosos actos sumaríssimos a meio duma época, pois põe em causa a coerência de oportunidades e a igualdade de direitos para todos os intervenientes ao longo do campeonato. Por fim, a discussão sobre a melhor solução para a nomeação dos árbitros, em termos de se saber se será melhor haver árbitros nomeados por sorteio, ou por nomeação directa é um falso problema. Qualquer destas situações estará correcta desde que estejamos na presença dos melhores árbitros, e que os mesmos sejam objecto de uma observação cuidada, credível e verdadeira. Os árbitros também têm que ser como o azeite e o algodão, quando são bons vêm logo ao de cima e o algodão não engana.


Remate Final

Depois de toda esta panóplia de pontos de vista, só me resta deixar uma palavra de incentivo para os verdadeiros protagonistas do espectáculo futebolístico, que são todos os jogadores profissionais, os seus treinadores e os seus dirigentes. Por favor, deixem-se de folclores, de palhaçadas carnavalescas e joguem futebol, ou façam jogar o futebol pela via mais assertiva, fazendo alterar a filosofia de jogo dos nossos praticantes, deixando de jogarem para não perderem, em detrimento de passarem a jogar sempre para ganharem, ao que eu denomino de - Princípio Básico da Competitividade e do Bom Espectáculo Desportivo -, condição sine qua non para convencer os amantes deste desporto a voltarem aos estádios de futebol, sem adornos, sem manhas, com fair-play, sem as constantes entradas extemporâneas dos massagistas em jogo, e sem esquecer de pôr, definitivamente, os olhos na atitude e na forma de encarar o futebol pelos jogadores ingleses, ou não fossem eles o pai do futebol mundial em termos de atitude desportiva.
Agora, depois de toda esta demonstração de princípios e de vontades, penso que já posso dizer com toda a certeza, que se pode estar por dentro ou por fora do “Sistema”. E é muito simples. Basta só escolher a linha própria de actuação no terreno. 

De qualquer das formas e apesar de tudo, só posso dar um forte grito acalorado e apaixonado de, apesar de tudo - Viva o Futebol.     

Por: Natachas

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