terça-feira, 24 de março de 2015

Não pode voltar a acontecer


Uma crónica como a de jogos do passado sábado demoram mais. Por vários motivos.

Primeiro porque esta exibição custou a engolir. Pela segunda vez este ano tivemos oportunidade de apertar este adversário de forma significativa e não o fizemos. Da primeira vez bastava apenas ganhar-lhes e ficávamos na frente. No sábado ficaríamos a 1 ponto. Falhamos em ambas.

Depois porque não queremos ser injustos nas criticas. Como adeptos e sócios temos o direito e o dever de elogiar e criticar sempre que acharmos conveniente. Mas acima de tudo é uma responsabilidade. Nem depois do jogo contra o Basileia éramos os melhores do mundo, nem está tudo mal agora.

Sejamos realistas. No sábado de manhã se perguntassem a qualquer adepto se no final da jornada queria estar a 3 pontos e não a 4 como estava todos aceitaríamos. Mas então porquê toda esta frustração? Porque maior parte de nós dormiu mal nessa noite? Simplesmente porque tivemos tudo para fazer bem mais e não fizemos por culpa nossa. E isso nenhum adepto aceita...

Não está só em causa o empate. Já vimos empates encherem-nos de orgulho e a equipa a ser elogiada. Já aconteceu este ano. Queremos sempre ganhar mas sabemos que numa época nem só vamos conhecer esse resultado.

Surge aqui a primeira questão. Há uma equipa na Champions e outra no campeonato? O empenho é diferente? Vínhamos de 7 vitórias consecutivas. Não se consegue isto se não houver uma equipa empenhada.

Outra questão nos assalta o pensamento. Lopetegui teve culpa? Bem, como qualquer treinador é sempre o responsável. E é verdade que as substituições trouxeram o efeito contrário ao que queríamos. Mas já lá vamos.

Comecemos pela escolha do 11. No jogo anterior Quaresma foi um dos melhores em campo. O Mustang está em grande forma. Tello também estava a jogar bem e tem sido decisivo. Mas e Brahimi? O mago argelino é um craque. Normalmente é titular indiscutível. Todavia não tem tido uma boa sequência de jogos (exceção aos jogos da Champions). Não vamos especular sobre os motivos, não acredito existir mais empenho num e menos noutros. Acredito sim numa má fase. O próprio jogador admitiu andar muito cansado. Terá sido este o primeiro erro de Lopetegui? Não seria de aproveitar a boa forma de Quaresma para descansar Brahimi? Totobola à segunda é mais fácil, mas talvez tivesse sido uma boa opção.

No resto apenas Oliver vs Evandro. Aqui menos discutível. Oliver vem de paragem embora tenha jogado contra o Arouca e Evandro tem jogado bem.

Entramos em campo nervosos. Entendo isso. Tinha visto minutos antes o jogo em Vila do Conde. Eu também estava nervoso.

Nunca fomos o que fomos durante os últimos tempos. Falhamos mais do que o normal. Controlamos menos que o normal.

Mesmo assim foi uma primeira parte de domínio nosso. O golo de Tello (mais um!) dava-nos uma vantagem merecida ao intervalo.

O que aconteceu depois do intervalo é mais dificil de explicar.

Ainda estávamos nos primeiros minutos e a primeira machadada. Sai Casemiro.

Li no dia seguinte num jornal que se tratou de problemas físicos. A confirmar-se o treinador está ilibado por natureza. Não se confirmando foi uma opção estranha que só nos enfraqueceu.

Não está em causa o valor do Ruben que entrou. Mais ano menos ano será o titular. Só não é já porque há Casemiro e porque o próprio ainda está em fase de adaptação e crescimento futebolístico. A alteração causa estranheza pelo que se via. Casemiro não estava a fazer um grande jogo e estava amarelado é certo. Mas o nosso mal não estava aí.

Custa entender o que se pretendeu. Herrera dava sinais evidentes de cansaço já aí. Evandro não estava a conseguir ligar os sectores como o fez antes. Custa entender a saída e os seus benefícios.

E como estava o jogo, Casemiro sendo forçado a sair porque não Marcano lá? Mais físico e mais "tampão" numa fase que fisicamente começávamos a mostrar dificuldades? Havia Indi no banco que é sempre uma garantia.

O certo é que começou aí o crescimento da equipa adversária. Por questões fisicas e táticas eles ganharam o meio campo. E o jogo mudou...

Bastou uma dezena de minutos e eles empataram. Gravíssimo erro de Alex Sandro que parecia estar a dormir e deixou o adversário ter espaço para encostar.

A resposta de Lopetegui foi um erro colossal. Perdemos o meio campo, mostrávamos fragilidades físicas nesse setor e qual a opção de Lopetegui? Quintero.

A saída de Evandro nem é estranha. Pessoalmente Herrera dava maiores sinais de falta de capacidade física. Um lance ficou na retina. Perda de bola e o mexicano tentou descer no terreno como sempre o faz bem. Tentar ele tentou. Como tenta sempre. Mas viu-se que não o conseguia.

Loptegui escolheu Evandro. Ok, também estava a falhar.

Poderia ser uma tentativa de recuperar o dominio, de sufocar e não deixar o adversário ter bola. Não foi essa opção. Acrescente-se Quintero.

Que o colombiano decide um jogo num só lance já sabemos. Mas para o poder fazer é preciso ter uma equipa que lhe consiga dar bolas para tal. Um meio campo ainda mais frágil não era a solução. Não teve muitas e quando as teve também nada conseguiu.

Só não sofremos o segundo por manifesta falta de competência do avançado da equipa insular.

A última opção foi tardia. Talvez tão tardia como o tempo de jogo. Sai um irreconhecível Brahimi para entrar Quaresma. Esta substituição foi a única com efeitos. O nosso 7 agitou o jogo, conseguiu levar a bola para a área adversária.

Já era tarde. 1 - 1.

Foi um soco em cheio.

O regime tem um calendário muito acessível. Não andam a jogar nada. Isso ainda me permite acreditar muito neste título. Nunca será um título em circunstâncias normais, assistimos a muito este ano para poder ser considerado normal. Seremos campeões desde que não voltemos a jogar como na Madeira.

Análise individual:

Helton: Muito seguro quer entre quer fora dos postes. A equipa ganha tranquilidade sempre que recorre a ele para jogar com os pés. No mais importante num guardião, as defesas foi também competente. A defesa a um livre directo pouco antes do golo sofrido é brilhante.

Danilo: Regressou à competição após o susto da Champions. Não foi dos melhores jogos de Danilo como não foi de ninguém. Defensivamente sempre controlou Christian. Ofensivamente Christian sempre o seguiu, pelo que não foi tão influente como normalmente. Mesmo assim ainda atirou ao poste após combinação com Tello.

Maicon: Dos melhores na Madeira. Tem voltado nos últimos tempos ao melhor que conhecemos dele. Autoritário pelo ar, eficaz pelo chão. Bom timing na antecipação e sem cerimónias no corte. Atento e sempre bem posicionado, ainda evitou males maiores e apagou alguns fogos causados pelos companheiros. Tal como Danilo também atirou aos ferros. Maicon foi de livre e bateu na trave.

Marcano: Teve uma falha de marcação que quase dava o segundo golo à equipa madeirense. 1 erro em 90 minutos de serenidade e autoridade. É o patrão da defesa neste momento.

Alex Sandro: Tal como nós adeptos também dormiu mal de certeza. Tem enormes culpas no golo sofrido. A forma como deixou o adversário antecipar-se para encostar é inadmissivel e não pode acontecer. Erro muito grave e muito penalizador. Na primeira parte ainda se mostrou ofensivamente.

Casemiro:  Não foi dos seus melhores jogos mas até foi um dos que mais visivel foi a sua importância para a equipa. Está a tomar gosto aos livres e voltou a tentá-lo. Saiu provavelmente com queixas fisicas e a equipa começou aí a descarrilar.

Herrera: Não foi nem de perto nem longe o jogo ideal para o mexicano. Menos eficaz nos momentos de transição do que é hábito. Nunca desiste e isso é de louvar mas o corpo já não respondia. Está visivelmente cansado.

Evandro: O brasileiro nem sempre dá nas vistas mas é importante na forma como liga a equipa. Não esteve bem e isso viu-se.

Tello: Mais uma vez decisivo. O jogo não lhe correu de feição, teve alguns maus dominios e não soube dar sequência a muitas jogadas. Mesmo assim é dos poucos com nota positiva, marcou um belo golo.

Brahimi: Criou mais perigo à nossa baliza do que à baliza do adversário. Isto chegaria para ter uma noção do que foi o seu jogo e é o actual momento deste grande jogador. Perdeu uma bola infantilmente que Maicon resolveu. No 1*1 raramente passou o adversário mas insistia sempre na jogada individual. Precisa de voltar a ser mais prático. Saiu de campo tarde demais.

Aboubakar: Quase marcava num remate de primeira. Foi das poucas acções positivas. Tentou ser Jackson na forma como entrava na construção de jogo e não o consegue, tens outras caracteristicas. A equipa pediu-lhe que fosse Jackson e desaproveitou o que de bom o nosso avançado tem.

 
Ruben Neves: Entrou para um meio campo em declinio e sozinho não o conseguiu segurar. Também falhou mais no passe do que habitual.

Quintero: Parece fora de forma. Culpa sua. Nunca se espera que corra como Oliver ou Herrera mas espera-se maior comprometimento com as necessidades da equipa. Que o seu enorme talento não seja desperdiçado. Mas depende mais dele do que do resto.

Quaresma: Fez mais em poucos minutos que a maioria no jogo todo. Entrou muito bem e está em boa forma. O defesa esquerda nacionalista agradeceu não ter levado mais tempo com Quaresma.  

Ficha do Jogo:
Nacional-FC Porto, 1-1
Primeira Liga, 26ª jornada
Sábado, 21 Março 2015 - 20:15
Estádio: Madeira
Assistência: -


Árbitro: Manuel Oliveira (Porto)
Assistentes: Bruno Rodrigues e Alexandre Freitas
4º Árbitro: Iancu Vasilica

NACIONAL: Gottardi, João Aurélio, Rui Correia, Zainadine, Sequeira, Aly Ghazal, Christian, Gomaa, Luís Aurélio, Lucas João, Willyan.
Suplentes: Rui Silva, Camacho (45' Willyan), Fofana, Campos, Edgar Abreu, Wagner (57' Christian), Francisco Soares (75' Lucas João).
Treinador: Manuel Machado.

FC PORTO: Helton, Danilo, Maicon, Marcano, Alex Sandro, Casemiro, Herrera, Evandro, Tello, Aboubakar, Brahimi.
Suplentes: Andrés Fernández, Martins Indi, Quaresma (73' Brahimi), Quintero (65' Evandro), Óliver Torres, Rúben Neves (53' Casemiro), Gonçalo Paciência.
Treinador: Julen Lopetegui.

Ao intervalo: 0-1.
Marcadores: Tello (45'), Wagner (62').
Disciplina: Cartão amarelo a Casemiro (27'), Danilo (68'), Gottardi (90+3').


Por: Paulinho Santos



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