sábado, 27 de setembro de 2014

Primeira Liga: 6ª Jornada; Sporting 1 - 1 FC Porto: TIKI RUSH ou TIKI TAKA?

#FCPorto #Sporting



Guardiola celebrizou o TikiTaka.
Toda a gente conhece o Kick&Rush inglês. Bola no ar e passes longos.

Os primeiros jogos do Porto estão sarapintados duma mescla das 2 ideologias.
O tikitaka entre Fabiano, os 4 defesas e Casemiro.
O kick and rush depois de 25 passes entre estes 6 como forma de ligação entre a defesa e o ataque.
O Tiki&Rush é um bom resumo da 1ª parte do FC Porto que entra directamente para o ranking dos piores 45 minutos dos últimos 5 anos.

Sporting contundente, adulto, animalesco, esforçado e limitado de um lado.
Tiki&Rush do outro.

O único momento mais tranquilo ocorria quando o Sporting saía em ataque organizado. Dava tempo para o meio-campo se juntar, a defesa se organizar e, com sorte, podia cair-nos no colo um passe errado que colocasse Herrera, Quaresma ou Brahimi no jogo.

Isto, porque no tiki&rush esses 3 não existem.

Existem os 30 passes da ordem entre os 6 lá de trás que permitem golear na posse e ajudar o adversário a arrumar-se defensivamente.

Se a pressão alta e inteligente do adversário não intercepta nenhum desses 30 passes do Tiki está na hora do Rush. Sai um Kick de Marcano, Indi ou do Quarter Back Casemiro e Jackson que corra, salte e se safe.

Este foi o 3.º jogo fora que fizemos para o campeonato. 
A 1ª parte em Paços de Ferreira foi má. 
A 1ª parte em Guimarães pavorosa. 
A 1ª parte em Alvalade uma catástrofe.

Ring a bell? Anybody home Mc Fly?

O Porto não tem meio-campo.
O Porto não quer ter meio-campo.
O Porto parece fugir do taka como o diabo da cruz.
Não há jogo interior. Jogadores dispersos pelo terreno. Futebol excessivamente lateralizado. 

O grande problema do Porto está no início de construção em que prolifera o Tiki para depois se perder a bola num Kick.
O grande problema do Porto está no verdinho e deslocado médio de transição que joga no coração do jogo como o Ivica Krajl jogava quando saía um cruzamento.
Vou ou fico? Acho que vou. Espera lá….sou capaz de chegar atrasado. Fico? Vou?

Não havendo construção, não havendo transição o Porto só pode viver da pressão ofensiva.
Será que pode?

Assim, também não.

Se o médio de transição joga como o Ivica Krajl das balizas a qualidade de pressão deste Porto fica ao nível da de Paulo Fonseca. Fica ainda pior porque onde Josué e Licá eram mais úteis era nesse capítulo.

É no meio desse buraco negro que nos ia tirando pontos em Paços, nos empalideceu na 1ª parte de Guimarães e nos travou na 2ª parte contra o Boavista que vivemos a primeira parte.

Ruben perde uma bola no meio. Nani avança aos solavancos sem ter nenhum médio defensivo que lhe barre a entrada de forma brusca, Alex Sandro abandona os seus aposentos, Fabiano copia os companheiros brazucas e surge o golo.

A grande notícia desse lance é que a bola entrou e Danilo não faz penalti.

O resto da 1ª parte é demasiado penoso para gastar linhas. Tiki na defesa, Kick para o Rush no ataque. Taka no banco. Buraco no meio.

Por sorte nossa, algum deficit de talento deles e qualidade dos centrais e redes o resultado fica 1-0. 

Aí começa outro jogo. Não sei se o herói é o menino que traz o taka para a frente do tiki ou do basco que percebe que com o buraco no meio não vamos lá.

Em Guimarães Evandro pareceu virar herói. Hoje foi Oliver. 
Começo a achar que o réu é quem coloca um bom e promissor médio-defensivo a fazer de box to box e perde pau e bola.

Redondo nunca pode jogar à Arturo Vidal. Se Lippi quisesse fazer de Paulo Sousa um Yaya Touré desgraça-lo-ia. Se esses Redondos ou Paulo Sousa tivessem 17 anos e ainda longe do seu potencial físico era para lá de desgraça.


Tudo é diferente na 2ª parte. 

O tiki maçador permanece. Só que o Kick&rush desaparece. 
Oliver taka convida os seus amigos para dançar e Brahimi e Herrera parecem gostar mais desses passos.
Tello tem a sorte de ter a música que faltou a Quaresma para dançar.
Danilo e Alex perdem o medo de subir. Casemiro deixa de ter pretextos para tentar um homerun.

O Sporting continua meio robotizado.
Contundente, adulto, esforçado e algo limitado. O animalesco desaparece porque não são robots por inteiro e também se cansam.

A diferença entre a tenebrosa 1ª parte e a louvável 2ª parte obrigam Lopetegui a tirar as palas e perceber porquê. Porquê?
Será porque o Oliver ou o Evandro são muito melhores que o Rúben?
Será pela troca de extremos?
Ele tem que perceber. Eu ajudo. 
Redondo, Arturo Vidal, Paulo Sousa, Yaya Touré. Todos médios, todos diferentes.
Ivica Krajl.


Oliver pega no jogo, dá-se ao jogo, junta-se a Herrera na pressão e a equipa acorda.

Só dá Porto. Brahimi tem espaço e isola Jackson que de tanto esperar que Patricio caia perde o timing de remate.

Criam-se redes de transporte de bola. Tello, Herrera mais o lateral de um lado.
Oliver, Brahimi e o outro lateral do outro.

O Sporting tem um meio-campo duro de roer mas como não tem extremos que defendam não resiste ao ataque dos triunviratos criados a partir do minuto 46.

Numa dessas combinações Danilo aparece solto pelo lado direito e a sorte dá com uma mão para mais tarde tirar com a outra.
1-1 e vamos a eles.


Casemiro lesiona-se. E agora? Lopetegui volta a mexer bem. Não podíamos perder o momento e desfazer os triunviratos criados à esquerda e à direita.
Quem entrar vai para trinco. Homem por Homem.

Reyes é escolhido e o momento não se perde. A sensação que passa é que o Porto está por cima do jogo e que o Sporting tremendamente superior da 1ª parte sobrevive abananado com a perda de poder.

Na supremacia portista há apenas um hiato entre o minuto 70 e 80 em que o momento parece se perder com algumas perdas de bola à Herrera no inicio de construção. Num livre de Nani que dá alivio, Capel faz tremer a baliza de Fabiano.

Esse é o suspiro final do Sporting. Marco Silva faz peito com as substituições mas os últimos 13 minutos são nossos. Tello 2 vezes, Calcanhar de Jackson e Brasil-2014 de Herrera fazem com que o empate saiba a fel.
Patricio, Olegario e Mauricio juntam-se à falta de inteligência de Tello e roubam-nos mais 2 pontos.




Se Lopetegui tiver aprendido, este empate pode valer ouro.
Se Lopetegui não tiver aprendido, a lesão de Casemiro poderá servir de cábula para a Champions.
Se Lopetegui não tiver aprendido e insistir neste Tiki&Rush com Ivica Kraljs e Quarter Backs no meio-campo construtor e destruídor então estamos JODIDOS e este empate é o menor dos males.
 Análises individuais:

Fabiano – Abre o jogo com uma saída extemporânea que ajuda ao golo leonino. A partir daí esteve sempre no sítio certo e deu tempo a Lopetegui e ao Porto para ter oportunidade de dar a volta ao texto.

Danilo – A exibição dos laterais espelha o diferencial entre o inferno da 1ª parte e a recuperação da 2ª.
Não subiam porque era inútil com o TIKI RUSH. Não chegavam a tempo depois dos Kicks e era esforço inútil.
Estavam na mira do adversário se falhassem um dos 25 passes do tiki.
Não tinham ajuda dos extremos e à frente do seu sector tinham um buraco e o caos organizativo.
Sofreu muito na 1ª parte. Na 2ª, quando a música foi outra e o RUSH ficou no banco teve tempo para ser seguro atrás e ajudar no ataque.

Alex – Pior que o companheiro de sector na fase critica. Menos participativo que o companheiro de sector na boa fase do Porto.
A mediania da sua exibição é também fruto do vírus que a cratera do meio-campo espalhou por toda a equipa.

Marcano – Gostei no Domingo e gostei hoje. Os centrais do Porto mostraram que são Homens de barba rija. Capazes de não vacilar nas tempestades e de mostrar aos imberbes, imaturos e ingénuos médios que não é com subtilezas nem pormenores que a coisa vai.
Tem qualidade, tem classe e não deixa de dar o seu chutão.
Parece que acertamos nas contratações para a defesa.

Indi – MEA CULPA. Escrevi que este é o tipo de jogador seguro e fiável que nunca nos falhará mas que jamais seria o melhor em campo.
Mentira. Foi. Sempre focalizado. A distribuir a fruta por ele e pelos imberbes. A irritar o adversário. A jogar do lado oposto ao seu. A varrer. Sempre sempre focalizado.
Olhem o meu exemplo e façam pela vida.
Liderou.

Casemiro – Vou fazer copy paste da minha última análise ao Casemiro:

Um 6 deve ser um equilibrador. Casemiro é um desequilibrador. Nasceu para lavrar o campo todo, para ter e procurar bola como se não houvesse amanhã. Nem é uma questão de discutir (utilizando o exemplo dos que têm uma nova vida e uma nova alma) se ele é mais Matic e menos Javi Garcia.
Nem sequer se põe essa comparação porque Casemiro é mais Enzo Perez do que Matic.

Permanece actual. Temo que continue no copy paste de agora em diante.

Até que Lopetegui perceba. Se não perceber ao menos que lhe dê uns vídeos da movimentação do Reyes na posição. Mais cérebro, menos pernas.

Herrera – A dupla personalidade habitual. O perigo constante para todas as balizas. O desequilíbrio de génio à frente com um passe, um remate ou uma arrancada e a asneira idiota com a perda de bola em local proibitivo e o passe kamikaze atrás.
Foi o menos mau dos médios na 1ª parte. Por estranho que pareça o Herrera da 1ª parte parecia o médio em campo mais preparado para jogos desta intensidade.
O problema é que este Herrera mais preparado não é muito diferente do Herrera que era o menos preparado do meio-campo do último ano quando partilhava o relvado com Fernando, Defour e Lucho.
Nos últimos minutos balançou entre o herói e o réu.

Rúben Neves – Chamei a este menino Rocket Neves tamanha a precisão, o critério e a inteligência com que passava a bola da sua Torre de Controlo.
A jogar a 6 compensa o deficit físico e de intensidade com os antecessores Paulo Assunção e Fernando com o cérebro e o talento.
Acontece que Lopetegui quis transformar um bom controlador aéreo num piloto de aviões.

Rúben não está preparado para isso. Ele coordena, percebe e age quando está no seu quintal. Aí consegue camuflar a disparidade atlética e dar à equipa o que ele tem de melhor e o que escasseia no plantel.
Mais à frente e sem rede de apoio joga à Ivica Kralj. Parece nunca saber se está 1 passo demasiado à frente ou demasiado atrás. 
Não joga de memória porque não tem memória de ali jogar. Não consegue mostrar os atributos porque vive na dúvida e o seu corpo não está preparado para o amasso competitivo.
Afunda-se e afunda a equipa. Afundamo-nos todos.

Quaresma – Jogou pouco mas é também vítima do TIKI RUSH da primeira parte. Nem Messi dançava com aquela música grotesca.
Teve tempo para mostrar que não tem o equilíbrio emocional exigível para quem faz parte duma equipa como o Porto.


Brahimi – Tentou remar contra a maré na 1ª parte mas sem sucesso. Para participar no jogo tinha que vir fazer de médio mas depois tinha um mundo de pernas e relva para chegar perto da grande área adversária.
Os livres seriam sempre demasiado longe e as fintas inúteis.
Com o regresso do TAKA na 2ª parte fez uma optima parceria com Oliver e foi importante na revolução operada.
Acabou de rastos e seria ele a sair se Lopetegui tivesse possibilidade de uma 4ª substituição.


Jackson – A nota seria positiva caso não tivesse desaproveitado aquele lance no ínicio da 2ª parte.
A nota poderia ser estrondosa se o braço de Mauricio não existisse.
Fez o que pode no horripilante TIKIRUSH e participou activamente no TIKITAKA.


Oliver– Também é menino mas pôs ordem na casa porque se nega a jogar ao KICK.
O que o Porto precisava a gritos era de um médio associativo. Foi.
O que o Porto precisava a gritos era de um médio com intensidade e critério de pressão. Foi.

É ele o maestro da orquestra da 2ª parte. Deu vida a Danilo, Alex, Brahimi, Herrera e Jackson.
Felizmente tirou vida e importância a Casemiro.
Tem que ser titular.

Reyes – Muito bem. Tive uma sensação estranha ao vê-lo. Parecia mais seguro de si e mais capaz de transmitir tranquilidade a todos num jogo de elevado grau de dificuldade, em que jogava fora da sua posição e entrando a frio.
Foi o 6 atento e posicional que a equipa precisa. Soube não inventar, dar linhas de passe e morder o adversário na zona que era dele e só na zona que era dele.
Ainda fez cócegas ao adversário no ataque no lance em que Jackson não marca de calcanhar porque o braço de Mauricio não deixa.
Um reparo apenas: nos lances de bola parada defensivos ele (ou a equipa) esqueceram-se de guardar a entrada da área. Todos os alívios que lá iam parar eram do Sporting.


Tello – Mais um copy paste do jogo com o BATE:

Poderá vir a ser, estilo NBA, o melhor 12.º jogador das competições. Quando entra na 2ª parte a diferença de andamento faz nascer a ideia que estou num domingo à tarde a ver Formula 1 e que há um carro em pista com tanque vazio, pneus novos a dar 5 segundos por volta a toda a gente.

Mantenho este pensamento. A sua velocidade e atracção pela baliza tornam-no imprescindível nos 14. Essas qualidades ajudaram-nos a empatar o jogo.
A incapacidade que tem demonstrado na definição dos lances tornam-no questionável no 11.
Esses defeitos impediram-nos de ganhar o jogo.

Ficha de Jogo:

Primeira Liga: 6ª Jornada
Sporting 1 - 1 FC Porto
Estádio de Alvalade, Lisboa
Assistência: 37999
Àrbitro: Olegário Benquerença (AF Leiria)
Assinstentes: Ricardo Santos e Luis Marcelino
Quarto árbitro: Tiago martins

Sporting: Rui Patrício; Cédric Soares, Maurício, Naby Sarr e Jonathan Silva; William Carvalho, Adrien Silva e João Mário; Carrillo (Capel, 65), Slimani (Montero, 78) e Nani (Carlos Mané, 78).
Suplentes: Marcelo Boeck, André Martins, Rosell, Paulo Oliveira.
Treinador: Marco Silva.

FC Porto: Fabiano; Danilo, Marcano, Martins Indi e Alex Sandro; Rúben Neves (Óliver Torres, 45) , Casemiro (Diego Reyes, 60) e Herrera; Ricardo Quaresma (Tello, 45), Jackson Martínez e Brahimi.
Suplentes: Andrés Fernández, Evandro, Adrián López e Aboubakar.
Treinador: Julen Lopetegui.

Golos: Jonathan Silva (2'), Naby Sarr (p.b., 56').
Disciplina: Cartões Amarelos para; Cédric, Maurício, Slimani e Nani do lado do Sporting e Quaresma e Tello do lado do FC Porto


Por: Walter Casagrande
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