quarta-feira, 2 de maio de 2012

OUTROS TEMPOS, OUTRAS VITÓRIAS, OUTROS HERÓIS: OS DONOS DO GOLO.



Uma parte do estádio grita de alegria, a outra desespera; quem é o responsável? O goleador! A essência máxima do futebol é o momento em que a bola entra na baliza. Há outros instantes belos, como drible ou a grande defesa do guarda-redes, mas o facto que leva o público aos estádios é o golo! Não há campeões sem goleadores, e tão raros são os especialistas…





Revejam-se os méritos, estudem-se os processos, procurem-se as razões das conquistas do Pentacampeonato que entre elas, estarão sempre dois nomes: Domingos e Jardel. Primeiro o português, porque era da casa, comandou as duas primeiras sagas e justificou os méritos, com 44 golos e muita magia; depois, o brasileiro, não por ordem de talento mas pela ordem cronológica, porque Jardel é “bicho raro” da área, multiplicador de triunfos, coleccionador de esquemas, ortodoxos ou não, para bater os guarda-redes. Em três anos festejou 96 golos…






As comparações serão injustas para qualquer dos artistas. Porque são diferentes na forma de estar e jogar. A discrição fora dos relvados de Domingos contrasta com o espírito de samba de Jardel; o enfeite do português, no relvado, chega a ser tão eficaz como o remate de primeira do brasileiro. O que um tem o outro disfarça…

Tudo começou, em 1994/95, na teimosia de Domingos, que nunca desistiu de provar a Bobby Robson que o lugar era seu, tão seu que na condição de suplente utilizado, era o melhor marcador da equipa. O inglês convenceu-se e deixou que o génio comandasse a armada dentro das quatro linhas e iniciasse a aventura que levaria ao Penta. Um ano mais, melhor do que o anterior, e Domingos continuava estrela de primeiríssima grandeza. Chegou António Oliveira e, com ele, Jardel, então e ainda agora a mais cara contratação de sempre do FC Porto. O banco estava-lhe destinado mas Domingos lesionou-se gravemente. Jardel nunca mais permitiu que lhe roubassem o lugar no eixo do ataque. Foi então Domingos a bater um recorde financeiro, materializando com entrada nos cofres das Antas da até então mais cara transferência feita pelo futebol português, partindo o avançado para Tenerife.







Jardel não voltou a ter concorrência. Foi rei e senhor dos golos do FC Porto e do Campeonato português. Três épocas, três títulos, três vezes o melhor marcador. Brilhante na primeira temporada, com 30 golos, menos eficaz na segunda, com 26, fabuloso na terceira, que agora acaba, com 36. Com a cabeça, com o pé, com a parte do corpo que estiver mais a jeito, de primeira ou enfeitando com um pormenor, que pode ser de “letra”, Jardel marca quase sempre. Mais do que isso, também dá a marcar, juntando aos tentos próprios mais uns quantos dos companheiros em que teve participação decisiva.





Para a história do feito que o FC Porto acaba de conseguir, os nomes de Domingos e Jardel são incontornáveis. Porque a festa do futebol são os golos e os heróis mais visíveis os goleadores.


CURIOSIDADES:

DOMINGOS, 

Época 1995/96

- Vencedor do ranking Jogador, Avançado Mais Valioso e rematador Mais Eficaz.
- Vencedor da lista dos melhores marcadores com 25 golos em 122 remates, com uma eficácia de remate/golo de 22%.
- Jogo, logo marco… logo ganho. É uma máxima de Domingos que apresenta uma média de 0,9 golos por jogo. O FC Porto venceu sempre que Domingos marcou!
- Foi o jogador do Nacional com mais remates dentro da área e 2º com mais contabilizando todas as áreas, com uma média de 4,2 por jogo. Cotou-se como o 5º jogador com mais ataques do campeonato com uma elevada média de 8,2 por jogo.
- Apresenta uma eficácia de passe de 79%, um bom valor para um avançado.
- Foi preponderante na manobra da equipa: contabilizou 30% dos golos, 20% dos remates, 23% de assistências e 44% dos foras-de-jogo.
- É claramente mais ofensivo nos jogos em casa, pois os seus índices sobem nos ataques, cruzamentos e remates. Em casa do adversário perde mais a bola e é apanhado mais vezes em fora-de-jogo.
Como marcou os golos: 8 com o pé esquerdo; 30 com o pé direito; 8 de cabeça e 3 de penalti.

JARDEL, 

Época 96/97

- Jogador e Avançado Mais Valioso e 3º Rematador Mais Eficaz
- Melhor marcador do campeonato com 30golos em 31 jogos. Só à sua conta marcou 42,8% (30 em 76) dos golos do FC Porto.
- A sua produção destaca-se pela quantidade e qualidade: Foi o maior rematador do campeonato (média de 5 por jogo). É o 1º com mais remates na pequena-área (1 por jogo), mais remates à baliza (2,4 por jogo), mais remates de cabeça (2,1 por jogo). O 2º com mais foras-de-jogo (1,8 por jogo)

Época 97/98

- Jogador e Avançado Mais Valioso e 4º Rematador Mais Eficaz
- Jardel imita em quase tudo a excelente época anterior. Escrever sobre o seu rendimento é como “rezar” as mesmas “contas do terço”: Homem golo do campeonato com 26 tentos. Fez 34,6 (26 em 75) dos golos da equipa
- Jogador com mais remates (5,2 por jogo), com mais remates de cabeça (2,6), mais remates dentro da área (4,7) e mais remates à baliza (2,29).
- Consegue uma eficácia de 16%, ou seja, um golo em cada 6 remates.

Época 98/99

- Melhor marcador do campeonato e Bota de Ouro, com 36 golos.
- Jogador e Avançado Mais Valioso e 3º rematador Mais Eficaz, com uma eficácia de 22%. Marcou um golo em cada 4,5 remates.
- Esteve em 54% dos golos da equipa (46 em 85)! Marcou 36, fez 8 assistências para golo, 1 cruzamento com remate/golo e sofreu ainda 1 penalti convertido com êxito.
- Fez 2 “hat trick” e em 10 jogos marcou por duas vezes
- Sempre que marcou, apenas por 8 vezes se ficou por 1 golo.
- É um finalizador nato por excelência. As suas performances no capítulo do remate são impressionantes: foi o jogador do campeonato com mais remates (5,1 de média por jogo), mais remates dentro da área (4,7 por jogo) e mais remates de cabeça (2,3).
- Fez 70 remates de cabeça e 93 com o pé, totalizando 163.
- Mandou 11 bolas ao poste.
Como marcou os golos: 13 com o pé esquerdo; 37 de cabeça; 42 com o pé direito e 4 de penalti.

Fonte: «OJOGO» - Edição especial FC PORTO PENTACAMPEÃO - 4 Junho de 1999



Por: Nirutam
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