domingo, 6 de maio de 2012

FUTEBOL, Campeonato Nacional, 29ª jornada: FC Porto 2 - 0 Sporting (CRÓNICA)









A festa e a consagração do bicampeão! A nossa festa! A alegria de quem não se rende. A vitória numa época atribulada, difícil e complicada, onde de tudo aconteceu e tudo teve que ser feito para conseguir-se manter a liderança técnica e a união do grupo. (bi) CAMPEÕES!!! NÓS SOMOS BI CAMPEÕES!!!!!!








O jogo foi uma fotografia exacta ao FC Porto desta temporada. Os seus defeitos e as suas virtudes foram bem explícitos neste jogo, perante um adversário que tinha que ganhar, mas que veio jogar ao Dragão na retranca. Vítor Pereira repete o onze que apresentou, na semana passada, no Funchal. Mais uma vez, Hulk a 9, James a extremo e Varela a titular. Chiclete?




De cabelos e barbas pintados, o FC Porto entra em festa no jogo e van Wolfswinkel assusta logo nos minutos iniciais. O FC Porto percebe a dica e sacode a festa para o fim do jogo. Seguem-se 15 minutos de domínio portista, um domínio que nunca foi intenso ou avassalador, mas que no qual ganhava todas as segundas bolas a meio campo (com Fernando e Moutinho em destaque) e com Hulk a procurar espaços para explodir em direcção à baliza.

O adversário foi-se fechando, jogando cada vez mais atrás e com a linha de meio campo cada vez mais em cima da sua linha defensiva. Com os espaços curtos no ataque do FC Porto, as dificuldades de construção começaram-se a evidenciar. Hulk não tinha espaço para embalar; James na faixa não joga nem um quarto do que pode render no centro; Varela com a sua inoperância não se revelava solução e Lucho não conseguia meter criatividade pelo centro do terreno. 



Passado esse quarto de hora inicial de domínio, o jogo cai num impasse até ao intervalo, só interrompido por contra-ataques sportinguistas a aproveitar o jogo flanqueado para causar algum perigo.

A segunda parte começa igual forma ao final da primeira parte. Sem alterações ao intervalo, não seria expectável que o rumo do jogo fosse alterado. O jogo continua morno, sem chama, até que o despertador toca no Dragão. Após um canto e alívio para a zona frontal, Polga aproveita a bola de ressalto para colocá-la no ferro da baliza de Helton. Aí, finalmente, Vítor Pereira percebe que terá de dar armas à equipa para ganhar o jogo e corrigir o seu onze inicial. Cinco minutos depois, começa-se a definir a vitória do FC Porto. Entra Danilo e sai Sapunaru. Consequência? Acabaram-se os contra-ataques para Insúa e não mais apareceu a rematar. Tinha agora que se ver com as progressões de Danilo (frequentemente interiores). Entra Janko e sai Varela. A melhoria nesta substituição é indirecta, Hulk sai do radar dos centrais sportinguistas, mas a baliza não sai do seu. 









O FC Porto começa a ganhar velocidade no ataque. James vem para terrenos interiores dar a criatividade que tinha vindo a faltar à equipa e recai nos laterais portistas o trabalho de flanquear o jogo. Hulk ganha liberdade para moer a cabeça à defesa contrária e, rapidamente, o FC Porto ganha o domínio do jogo. Vítor Pereira solidifica a sua lateração táctica, aumentando a pressão a meio campo com a entrada de Defour e a saída de Lucho.





Onyewu é a primeira vítima, sem capacidade para acompanhar Hulk, leva o segundo amarelo e o FC Porto atinge a vantagem numérica. Depois é Insúa que não tem capacidade para acompanhar Danilo, que oferece o golo a Janko com um centro açucarado, mas o tamanho do falhanço de Janko é da exacta proporção à qualidade do centro de Danilo. Até quando iria aguentar a equipa que lutava pelo 3º lugar? Dois minutos. Foi quanto bastou para Hulk ganhar a frente a Pereirinha, arrumar com a sua ténue resistência e servir Janko para o remate de calcanhar. Patrício defende, mas a sobra fica para James que ganha a zona central para rematar e é rasteirado por Polga. Penalti, expulsão de Polga e 1-0 no marcador na conversão por Hulk. Estava resolvida a questão, viesse a festa! E a festa veio. Tardou, pois Janko volta a desperdiçar, grosseiramente (sozinho e na marca de penalti!), novo lance criado por Hulk, desta vez sobre Insúa (atormentado que estava!, ora com Huk, ora com James, ora com Danilo). 





A festa tarda, mas não falha. Hulk arranca pelo centro, passa Elias, senta Patrício e solta a festa! O golo perfeito para o jogador do campeonato!




Após o final do jogo começou a consagração de uma época difícil e muito complicada. Público, equipa técnica e jogadores em festa. Que se celebre e que se festeje! CAMPEÕES!!! BICAMPEÕES!!!!!

Mas que nada nos desvie do caminho da vitória. Nem mesmo a alegria e o reconhecimento a quem deu tudo si. O que sabe e o que não sabe.

Em breve começará outra “festa”. O diz que entra, diz que sai. Diz que vem, diz que vai. Confiemos em quem nos lidera.


Análises individuais:

Helton – Importante na primeira parte a fechar a baliza aos contra-ataques do adversário. Na segunda parte, bastava lá estar o poste. Um pilar desta época.

Sapunaru – Exibição agradável, até bem mais ofensiva que o habitual. Mas o seu flanco nunca se fechou aos intentos dos oponentes. A culpa não é só sua, pois nunca teve apoio do seu extremo.

Alex Sandro – Precisa de crescer? Claro. Mas é um talento extraordinário. Nem quando perde o lance, desiste. Tem nervo, tem talento, tem qualidade. Falta experiência e ensinamento. Capel não existiu no seu flanco. Carrillo teve um momento…e Jeffrén nem o vi.

Maicon – Aquele a quem pomposamente chamam de novo van Basten (que ignomínia ao astro Holandês!) durou 60 segundos no jogo. Os primeiros 60 segundos. A partir daí, foi triturado por Maicon. Patrão da defesa, comandou a linha defensiva, limpou tudo pelo ar e ainda auxiliou Otamendi. Talento.

Otamendi – Grande corte ao 22 minutos. Teve alguns lapsos, mas brilha mais com Maicon do que brilhava com Rolando. Maicon é melhor complemento para as suas qualidades.

Fernando – Já está em rotação de fim de época, mas não deu qualquer hipótese a Matias. Abafou toda a construção do adversário e só pelos flancos é que construíram perigo. Outro pilar desta conquista.

Moutinho – Mais um grande jogo. Nem Schaars, nem Elias conseguiram chegar a Matías. Grande trabalho de Moutinho no domínio do meio campo. Mais solto após a inclusão de Defour, teve a alegria de festejar neste jogo mais um campeonato. Maçã bem saborosa.

Lucho – É um comandante. Foi essa a sua virtude nesta conquista. Um homem que joga tanto no balneário como em campo. Em campo o rendimento já não é o mesmo. Ontem foi mais um exemplo disso. Não que tenha jogado mal, nada disso. Mas faltou-lhe capacidade para desequilibrar pela zona central.

James – Continua o calvário de jogar amarrado ao flanco. Quando joga pelo centro o nosso jogo ilumina-se. Com esta sua colocação a equipa perde duas vezes. Perde um flanqueador,  pois não tem velocidade e nem tem esse registo no seu jogo (James é baliza!). Perde o melhor 10 do campeonato. James é para ganhar penaltis ao Polga e não para ganhar a linha de fundo ao Pereirinha. O espantoso disto tudo é que, juntamente com Maicon, consegue ser a revelação desta época. Ambos tiveram que passar por posições que não são as suas. Maicon já regressou à normalidade. E James? Para quando?

Varela – A exibição mais triste da noite. Tão só mais um episódio desta época. Após o que se passou nos Barreiros, e segundo a teoria da chiclete, fica complicado compreender, de novo, a sua titularidade.

Hulk – Lutou por uma nesga de espaço no centro do ataque. Os adversários perceberam que com a estrutura inicial do FC Porto era ele a única fonte de perigo. Quando, finalmente, Vítor Pereira o devolve ao seu habitat natural e reorganiza a equipa, os perigos multiplicaram-se. Hulk ganhou espaço…e espaço para Hulk é golos! O CRAQUE deste campeonato. Deste e dos anteriores. É chegada a hora do adeus? Se sim, sai em grande. Já muito rendeu em campo, esperemos que muito renda na tesouraria. É que este, por muito que a imprensa tacanha cá do rectângulo o tente ignorar e menosprezar, é CRAQUE de nível mundial.

Danilo – Ainda não está a plenos pulmões. A lesão que teve travou a sua adaptação. Mas a sua classe é imensa. Entrou e acabaram-se os contra-ataques do adversário no nosso flanco direito. Passamos a ser nós a dizimar. Ofereceu uma bola tão redonda a Janko que o atrapalhou.

Janko – Analgésico para a dor de cabeça que estava a ser a posição 9. Analgésico de curta duração. Aliviou por uns jogos quando chegou, mas a dor de cabeça voltou. Analgésico é assim, alivia mas não cura. Falha duas bolas imperdoáveis. Não pode estar em melhor posição, nem com a bola mais à sua frente. Teve mérito no lance do penalti, onde revelou sagacidade ao fazer o remate de calcanhar.

Defour – Entrou para a luta do meio campo. A luta foi pouca. Cinco minutos antes, Sá Pinto tinha tirado o seu melhor extremo do jogo e nunca mais chegaram à frente. Cinco minutos depois, o primeiro central do adversário foi tomar banho e o FC Porto chega ao 1-0.






FICHA DE JOGO:

FC Porto-Sporting, 2-0
Liga portuguesa, 29.ª jornada
5 de Maio de 2012
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 50.212 espectadores

Árbitro: Pedro Proença (AF Lisboa)
Assistentes: Bertino Miranda e Ricardo Santos
Quarto árbitro: Cosme Machado

FC PORTO: Helton; Sapunaru, Maicon, Otamendi e Alex Sandro; Fernando, João Moutinho e Lucho; James, Hulk e Varela
Substituições: Sapunaru por Danilo (57m), Varela por Janko (57m) e Lucho por Defour (64m)
Não utilizados: Bracali, Kléber, Rolando e Djalma
Treinador: Vítor Pereira

SPORTING: Rui Patrício; Pereirinha, Onyewu, Polga e Insúa; Schaars, Elias e Matías Fernández; Carrillo, van Wolfswinkel e Capel
Substituições: Carrillo por Jeffrén (60m), Matías Fernández por André Martins (71m) e Schaars por Diego Rubio (78m)
Não utilizados: Marcelo, Carriço, Evaldo e Xandão
Treinador: Sá Pinto

Ao intervalo: 0-0
Marcador: Hulk (82m, pen., e 88m)
Cartões amarelos: Sapunaru (14m), Carrillo (16m), Onyewu (20m e 67m), Moutinho (41m), Fernando (43m e 90m+3), Lucho (49m) e Hulk (83m)
Cartões vermelhos: Onyewu (67m, por acumulação de amarelos), Polga (80m) e Fernando (90m+3, por acumulação de amarelos)


Palavra do Treinador:

"Só a equipa mais consistente levaria o título"

A conferência após a consagração, celebrada com uma vitória clara sobre o Sporting, abriu com dedicatórias e acabou a versar sobre um processo de aprendizagem e evolução. Do treinador e da equipa. Pelo meio, ficou sublinhado o mais importante: a vitória da equipa mais consistente e regular, que acrescentou a esses dois dados a capacidade de se assumir nos momentos decisivos.

Título com dedicatória
"Quero dedicar este título a muita gente: aos jogadores, que são os principais obreiros, à massa associativa, que esteve sempre connosco, à Administração e a todo o staff do FC Porto."

Vitória com mérito
"Foi um jogo complicado, contra uma boa equipa, com uma primeira parte aberta, jogo corrido e oportunidades de um lado e de outro. Chegámos à vitória com todo o mérito, mas creio que também não seria justo ter vencido por mais golos, porque o Sporting bateu-se bem."

Mais que justificado
"Foi um campeonato difícil e competitivo. Viemos de uma época com muitos títulos e enfrentámos dificuldades características de quem ganhou tudo. Fomos regulares, competentes, ultrapassámos fases menos boas, e acabámos a jogar bom futebol e a justificar claramente o título. Foi um campeonato muito disputado, como se previa. Só a equipa mais consistente e mais regular conseguiria levar o título, e nós temos o melhor ataque e a melhor defesa. Nos jogos decisivos, a equipa assumiu-se e isso tem a ver com o carácter dos jogadores."

Ano de aprendizagem
"Não tenho problemas em assumir que se tratou de um ano de muita aprendizagem. Fomos crescendo, para chegarmos ao fim da época fortes e capazes de resolver os jogos decisivos. Todas as experiências são de aprendizagem e nós vamos crescendo com elas, e eu tenho humildade suficiente para o reconhecer e para saber que ainda vou crescer como treinador. Acredito que no futuro serei melhor, mas não estou aqui a fazer promessas."

Por: Breogán 
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