terça-feira, 1 de maio de 2012

OUTROS TEMPOS, OUTRAS VITÓRIAS, OUTROS HERÓIS: 5 ÉPOCAS – 5 ESTRELAS.









Passaram cinco anos, emergiram cinco estrelas, ou melhor, cinco jogadores de cinco estrelas.







Vítor Baía, com defesas fabulosas ou uma postura intimidatória, foi herói no início e no fim da caminhada do Penta. Em 1994/95, sofreu apenas 15 golos, o que é extraordinário, e em 1998/99 regressou para fazer a segunda volta e dar à equipa a consistência de que necessitava.

A segunda época rumo ao Penta teve em Domingos o seu grão-mestre do golo, ele que na época seguinte seria substituído na liderança do ataque Portista por um brasileiro longilíneo chamado Jardel, que desde a chegada às Antas já marcou mais de uma centena de golos.

As épocas seguintes revelaram Sérgio Conceição – entretanto transferido para a Lázio, de Itália, por 1,4 milhões de contos (sete milhões de euros) – e Zahovic, que fez uma época fantástica e também poderia estar de saída.



VÍTOR BAÍA 1994/95





Chegou à baliza do FC Porto com 18 anos e aos 19 já era titular. A partir daí cimentou uma carreira de sucesso, que conheceu um hiato de um ano já esquecido com o regresso às Antas. O primeiro título da série que conduziu ao PENTA teve em Vítor Baía a mais cintilante das estrelas Portistas. Tendo jogado a época inteira, sofreu apenas quinze golos. Um feito notável que ficou a dever-se, em grande parte, - como mais tarde viria a provar… - às qualidades do guarda-redes. E por qualidades não pode entender-se apenas os reflexos, a elasticidade ou as muitas e complicadas defesas que fez, mas também – se calhar principalmente… - a sua inegável capacidade de liderança. Basta atentar no que se passou na época que agora termina (1998/99): desde que regressou às Antas, em Janeiro, não teve que fazer nenhuma verdadeira “defesa à Vítor Baía” e em meio campeonato foi o mais utilizado e o menos batido dos guarda-redes Portistas.




Voltando ao contributo para o PENTA, Vítor Baía acabou por ser decisivo no PRIMEIRO título da série e importante no SEGUNDO e no QUINTO. Em 19995/96 foi suspenso depois de em Campo Maior responder a soco a uma cobarde agressão de foi vítima por parte de Pedro Morcela, dirigente do Campomaiorense. No final da época mudou-se para Barcelona e por lá ficou dois anos e meio, tendo regressado a tempo de relançar a sua carreira e oferecer ao FC Porto a solidez defensiva de que necessitava há… dois anos e meio. Foi o regresso do chefe da segurança, com vantagens para a equipa e companheiros de sector, principalmente os centrais, pois sempre que a bola se encaminha para a área Portista o entendimento entre os que defendem é perfeito, deixou de haver o vais lá tu ou vou lá eu. Aloísio recomeçou e acabou a época em grande, como se tivesse acabado de fazer 20 anos, e Jorge Costa terá feito a sua melhor época de sempre.



DOMINGOS PACIÊNCIA (1995/96)







Na primeira época que Bobby Robson levou nas Antas de fio a pavio descobriu, sensivelmente a meio da temporada, que tinha nas suas fileiras um rapaz franzino e habilidoso que sabia marcar golos. A custo, é verdade, lá o começou a pôr a jogar e a época de 1994/95 – 19 golos – marcou o renascimento do ponta de lança que tinha despontado em 1989/90 – 25 golos - pela mão de Artur Jorge, mas que depois tinha mantido uma carreira intermitente, alternando golos e boas exibições com alguns períodos no banco dos suplentes. 




Depois de perceber o que valia de Domingos, Bobby Robson não mais o largou da mão, obrigando-o, inclusivamente, a alinhar em jogos com o Sporting de Lamego ou o União de Lamas, ambos a contar para a Taça de Portugal. Porque sem Domingos a equipa não sabia marcar golos, ficava sem jeito, envergonhada, incapaz de desenvolver o seu futebol, que na altura era mesclado de força – no meio campo jogavam Emerson e Kulkov… - e arte, pois a dianteira estava entregue a homens com a arte de Edmilson e Drulovic. Para além de Domingos, claro, que aos 19 golos da primeira meia época que jogou com o treinador inglês respondeu com 25 na segunda.

A o rumar a Barcelona, Bobby Robson aconselhou ao colosso espanhol as contratações de Vítor Baía e Domingos, mas depois de deixar sair o guarda-redes o FC Porto não mostrou disponibilidade para ceder o avançado, que viria a vender no final da época seguinte, depois de uma campanha para esquecer, que começou com uma rotura dos ligamentos cruzados de um joelho. E antes tinha sido o Europeu de Inglaterra passado no banco, entrando às vezes, depois de ter sido o MVP do campeonato.
E se nas Antas ainda há muita gente com saudades de Domingos, as dele não serão menores em relação ao clube que o viu nascer.


ZAHOVIC (1998/1999)





Chegou às Antas a pedido de António Oliveira e logo se fez notado, porque protagonizou um transferência rocambolesca, que envolveu os serviços da Liga, já que o Guimarães alegava ter enviado a carta de vinculação ao jogador, com cópia remetida à Liga, documento esse que nunca foi encontrado. O jogador ficou a custo zero para o FC Porto, mas provocou mais um momento de fricção entre Portistas e vimaranenses, mais tarde sanado com a cedência de jogadores ao Guimarães. Tanto é que a transferência de Capucho para as Antas, um ano depois, foi pacífica.





Sem ter feito pré-época, Zahovic foi “guardado” por António Oliveira nas duas primeiras jornadas da época – Setúbal em casa e Leiria fora – para aparecer como titular em Milão, na primeira jornada de uma participação gloriosa na Liga dos Campeões. Desde então, o craque esloveno só saiu da equipa pontualmente, em alguns casos por castigo interno, pois a sua irreverência e indisciplina táctica já lhe causaram alguns amargos de boca.

Zahovic adora jogar nas costas do ponta-de-lança e procura ocupar sempre essa zona do terreno, o que muitas vezes contraria as indicações dos técnicos, porque Zahovic quer marcar golos e jogar como segundo homem de área, independentemente do sistema táctico ser ou não propício a que o faça. Com António Oliveira, que raramente abdicava de dois trincos, as incursões do esloveno eram disfarçadas pela acção de Paulinho e Barroso ou Doriva. Com Fernando Santos tudo foi diferente, porque o sistema táctico contempla apenas um trinco e exige que os dois médios que o acompanham sejam capazes de fazer o vaivém. Ora, Zahovic, quando decide pisar terrenos que pelo novo esquema lhe estão vedados só faz o vai, esquecendo-se do “vem”, o que deixa Fernando Santos à beira de um ataque de nervos.

Para além das desobediências, Zahovic acaba de assinar a sua melhor época ao serviço do FC Porto, tendo feito um campeonato bastante bom  e uma Liga dos Campeões fantástica. Segundo o próprio, apesar de ter contrato estará em fim de ciclo.


MÁRIO JARDEL (1996/97)






Três épocas de sonho, mais de cem golos, alguns belíssimos, Bota de Ouro reservada, assim se escreve a história de Jardel enquanto avançado do FC Porto. Pinto da Costa perdeu a cabeça e contratou-o ao Grémio de Porto Alegre. Jardel chegou, cara de menino, tímido e reservado e o povo ficou com dúvidas. Mas Jardel começou a marcar muitos golos. Primeiro de cabeça, depois com qualquer dos pés, num estilo eficaz e inconfundível. Para desconhecido, pode-se dizer que fez uma primeira época mortífera, ajudando o FC Porto a ganhar o Tri. 





O seu nome começou a ser uma referência na difícil arte de marcar. Ficou e aprimorou o seu jogo. Voltou a marcar, apesar da dureza dos defesas prevenidos, porque o adversário não dorme. Aquele jogo em San Siro, lembram-se? Os golos ao Benfica, recordam-se? Jardel tem o dom divino dos golos. Bonitos ou “à Muller”, de lado ou com a canela, em voo picado ou num desvio subtil. E como salta Jardel! Foi Tetra e continuou, apesar de se falar muito na possibilidade de sair. Atravessou momentos difíceis de algum “frisson” com António Oliveira. E depois tinha a questão do ombro, que saía do sítio mas não o impedia de marcar golos.

E vieram os objectivos seguintes, cada dia mais ambiciosos. Recebeu a Bota de Ouro europeia que premeia o melhor marcador do velho continente. Vai continuar a marcar golos nas Antas, Barcelona, Madrid, São Paulo, Pequim ou Nairobi, porque Jardel é a personificação do golo. Mantém o ar de menino, o sorriso tímido. Aumentou a confiança, porque os golos são eternos. Onde quer que jogue no virar do milénio, Jardel terá sempre um ninho para escrever as memórias. Na Foz do Douro.


SÉRGIO CONCEIÇÃO (1997/1998)





Sérgio Conceição foi uma peça vital na conquista do Tetra. Realizou um final de época 1997/98 notável, catapultando, graças à sua energia e à alegria do seu futebol, o FC Porto para o título. Foi sobretudo por ter recusado uma proposta milionária do D. Da Corunha que Sérgio Conceição mais se fez notar, tornando-se, a par de Jardel e de Drulovic, um dos mais influentes jogadores de uma equipa que atravessou um período difícil, antes de arrancar definitivamente para a conquista do quarto campeonato consecutivo.

Numa temporada em que o FC Porto esteve sujeito a forte pressão, Sérgio Conceição viveu, igualmente, momentos de alguma tensão, envolvendo-se até nas opções técnicas. Em Leiria, num jogo respeitante à Taça de Portugal, Sérgio Conceição questionou as escolhas de António Oliveira, que o deixou de fora nesse jogo. “A continuar assim terei de falar com o presidente”, disse na altura. Dias depois, Sérgio Conceição retratou-se, desculpou-se junto do grupo de trabalho e o caso morreu aí.







No final da época, o Corunha apertou o cerco, mas Sérgio Conceição disse não, manifestando-se contra os empresários que circulam no futebol. “Quero o Tetra”, justificou. A partir desse momento, embalou para jogos inesquecíveis, marcando belíssimos golos e protagonizando assistências mortíferas que Jardel foi aproveitando. Depois o convite da Lázio, os milhões, o Cálcio e a fama. Sérgio Conceição teve, em 1997/98, a sua época de ouro que confirmou no criterioso campeonato italiano e também ao serviço da Selecção Nacional. Poderoso, com um pique fantástico, excelente leitura de jogo e muito carácter na forma como se desdobra no apoio defensivo foram itens fundamentais que encantaram Eriksson. Sempre com o FC Porto no coração, Sérgio Conceição é (foi), sem favor, um dos mais distintos futebolistas que o futebol português gerou.

Fonte: «OJOGO» - Edição especial FC PORTO PENTACAMPEÃO - 4 Junho de 1999



Por: Nirutam
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